Blogue acerca da terra, das pessoas, dos costumes e da História de PADORNELO, freguesia do concelho de Paredes de Coura, distrito de Viana do Castelo, publicado por JOFRE DE LIMA MONTEIRO ALVES.

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Segunda-feira, 28 de Março de 2016

ANIVERSÁRIO DO NASCIMENTO DE BERNARDINO MACHADO

Bernardino Machado (1851+1944) 1910 litografia.jpg

    Postal de 1910, segundo litografia de Francisco Valença, com o curioso pormenor do estadista Bernardino Machado estar em cima duma caixa de manteiga de Paredes de Coura.

 

    BERNARDINO LUÍS MACHADO GUIMARÃES nasceu na cidade do Rio de Janeiro, Império do Brasil, a 28 de Março de 1851, faz hoje 165 anos, terceiro filho de António Luís Machado Guimarães, Barão de Joane, e de sua segunda mulher D. Praxedes de Sousa Ribeiro Guimarães.

 

SUA VIDA NA MONARQUIA CONSTITUCIONAL:

    Foi bacharel em Matemática pela Universidade de Coimbra (1873); bacharel em Filosofia pela Universidade de Coimbra (1873); licenciado em Filosofia (1875); doutor em Filosofia (1876); professor da Universidade de Coimbra (1877 – 1907); deputado da Nação (1883 – 1887); director interino do Observatório Meteorológico da Universidade de Coimbra (1883); director da Secção de Antropologia e Arqueologia Pré-Histórica do Museu de História Natural (1886); Par do Reino pelos estabelecimentos científicos (1890 – 1895); presidente do 1.º Congresso do Magistério Primário (1892); Ministro das Obras Públicas, Comércio e Indústria (Fevereiro de 1893 – Setembro de 1894); grão-mestre da Maçonaria Portuguesa (1895 – 1899); presidente da Direcção do Instituto de Coimbra (1896 – 1908); presidente do Directório do Partido Republicano Português (1906 – 1909); presidente da Junta Consultiva do Partido Republicano Português (1909 – 1911); proprietário em Vila Nova de Famalicão, Porto, Lisboa, Paredes de Coura, Formariz e Romarigães; professor catedrático; estadista; escritor; publicista; conferencista; cientista; pedagogo.

 

SUA VIDA NA I REPÚBLICA:

    Ministro dos Negócios Estrangeiros do Governo Provisório da República (Outubro de 1910 – Setembro de 1911); Ministro da Justiça interino (1911); deputado à Assembleia Nacional Constituinte (1911); senador da República (1911 – 1915); presidente da Direcção da Sociedade de Geografia de Lisboa (26 de Fevereiro de 1912); embaixador de Portugal no Brasil (Julho de 1912 – Janeiro de 1914); Presidente do Ministério (primeiro-ministro) e Ministro do Interior (Fevereiro de 1914 – Junho de 1914); Ministro dos Negócios Estrangeiros interino (1914); Presidente do Ministério e Ministro do Interior (Junho de 1914 – Dezembro de 1914); Ministro da Justiça interino (Junho de 1914 – Julho de 1914); Presidente da República (5 de Outubro de 1915 – 11 de Dezembro de 1917); senador da República (1919 – 1925); Presidente do Ministério (primeiro-ministro), Ministro do Interior e Ministro da Agricultura (Março de 1921 – Maio de 1921); Presidente da República (11 de Dezembro de 1925 – 31 de Maio de 1926).

 

SUA VIDA DURANTE A DITADURA MILITAR E O ESTADO NOVO:

    2.º exílio em Espanha e França (Fevereiro de 1927 – Junho de 1940); presidente do Comité Político da Liga de Defesa da República (1928); antifascista; regressa a Portugal e por motivos políticos foi-lhe imposta residência fixa a Norte do Douro, estabelecendo domicílio em Paredes de Coura (1940 – 1944).

 

    Casou a 19 de Janeiro de 1882 com D. Elzira Dantas Gonçalves Pereira Machado, nascida no Brasil em 1865 e falecida no Porto em 1942, filha do conselheiro Miguel Dantas Gonçalves Pereira, natural da freguesia de Formariz, concelho de Paredes de Coura, e de sua primeira mulher D. Bernardina Maria da Silva Gonçalves Pereira.

 

    D. Elzira Dantas Machado (como também usou) tinha sangue padornelense por via de sua avó paterna D. Teresa Joaquina Pereira Dantas, natural da freguesia de Padornelo.

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Segunda-feira, 17 de Outubro de 2011

FALECEU GASPAR DA SILVA MACHADO

    No passado dia 5 de Outubro de 2011, na freguesia de São José de São Lázaro, cidade de Braga, faleceu o senhor Gaspar Florindo de Ascensão Guilherme da Silva Machado, o Gasparinho, de 96 anos de idade.

 

    Nascera na freguesia e vila de Paredes de Coura a 1 de Junho de 1915, último filho de José Guilherme da Silva Machado, natural de Paredes de Coura, comerciante e proprietário, e de D. Rosa Emília da Silva, natural de Padornelo; neto pela via paterna de Francisco António da Silva Machado, comerciante, natural de Parada de Gatim, freguesia do concelho de Vila Verde, e de D. Apolónia Rosa Pereira Machado, costureira, natural da vila de Arcos de Valdevez; neto materno de José Luís da Silva, natural da vila de Paredes de Coura, e de D. Francisca Rosa Pereira da Cunha, natural de Padornelo.

 

    Era irmão de Alfredo José da Silva Machado Júnior, D. Maria do Coração de Jesus da Silva Machado Pereira, D. Olívia da Silva Machado de Barros Barbosa, Franquelim da Silva Machado, Adriano da Silva Machado, D. Venusina da Silva Machado, António da Silva Machado, Arnaldo da Silva Machado e D. Hirundina Maria da Silva Machado.

 

    Casou em Vila Praia de Âncora, a 25 de Agosto de 1956, com D. Fernanda de Castro Fernandes de Araújo e Rego, professora primária na freguesia de Cunha, filha do professor Joaquim José Afonso do Rego e de D. Maria de Jesus Fernandes de Araújo.

 

    Gaspar da Silva Machado foi comerciante, vogal da Direcção da Juventude Operária Católica de Paredes de Coura, vogal substituto da Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Paredes de Coura, membro da Comissão Municipal e figura muito estimada do nosso meio.

 

    Estava, por laços de sangue, profundamente ligado à nossa freguesia na medida em que a mãe e avó materna e, por essa linha, os demais ascendentes, eram todos naturais de Padornelo, conforme se pode verificar na árvore de costados anexa, embora, devido à sua longevidade, haja pouca lembrança dessa ligação familiar, tanto mais que sua mãe nascera há 132 anos na Casa da Eira Velha.

 

Árvore de Costados de Gaspar da Silva Machado

Próprio

Pais

Avós

Bisavós

Gaspar Florindo de Ascensão Guilherme

da Silva Machado

 

* Paredes de Coura 1915

 

+ Braga 2011

José Guilherme da Silva Machado

 

* Paredes de Coura 1870

 

+ Paredes de Coura 1947

Francisco António da Silva Machado

 

* Parada de Gatim 1820

 

+ Paredes de Coura 1892

Custódio Machado

 

Parada de Gatim, Vila Verde

Maria Rosa da Silva

D. Apolónia Rosa Pereira Machado

 

* Arcos de Valdevez 1828

 

+ Paredes de Coura 1906

Domingos José Pereira

 

Arcos de Valdevez

Maria Joaquina da Rocha

D. Rosa Emília da Silva

 

* Padornelo 1879

 

+ Paredes de Coura 1953

José Luís da Silva

 

* Paredes de Coura

 

+ Padornelo 1900

Manuel António da Silva

 

Lamamá, Paredes de Coura

Teresa Rodrigues

 

 

D. Francisca Rosa Pereira da Cunha

 

* Padornelo

 

+ Padornelo 1906

Francisco Joaquim Pereira da Cunha

 

* Padornelo 1779

 

+ Padornelo 1860

D. Catarina Joaquina da Cunha

 

* Padornelo

 

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Segunda-feira, 10 de Outubro de 2011

SARGENTO ANTÓNIO JOSÉ VAZ

    António José Vaz nasceu no Sobreiro, lugar da freguesia de Padornelo, a 16 de Outubro de 1892, faz agora 119 anos. Era filho afeiçoado de Luís António Vaz, ferreiro, nascido em 1854 na freguesia de São Julião da Silva, concelho de Valença do Minho, e de Joaquina Rosa Dantas, lavradora, nascida em Padornelo em 1849; neto pela via paterna de Francisco José Vaz e de Narcisa Rangel; neto materno de Bento José Dantas e de Maria Isabel Barbosa. Tudo boa gente, na observância mais estrita aos ditames dos bons costumes.

 

    Recebeu as águas lustrais do baptismo na pia baptismal da Igreja Paroquial de Santa Marinha a 19 de Outubro de 1892, administradas pelo padre António José Barbosa, cura encomendado da paróquia, acolhido no regaço dos padrinhos José Luís Vaz, ferreiro, solteiro, morador no lugar de Lama, freguesia de São Paio de Mozelos, e de Deolinda Vaz, solteira, lavradeira, moradora no Sobreiro.

 

    Decidido a fugir à bigorna da pobreza franciscana que se topava a cada passo, foi incorporado no Exército em 1914, umas das datas mais nefandas para a História da Humanidade. Nesse ano rebenta o conflito que sepultou o mundo numa pavorosa tragédia de sofrimento, sangue e morte, fruto da demência humana, da ambição infernal e do imperialismo militarista. Milhões de jovens foram empurrados para o horrendo cataclismo mundial.

 

    No entrementes, progride na carreira militar, sendo promovido a segundo-cabo de Infantaria em 1915 e, no ano de 1916, a primeiro-cabo do Regimento de Infantaria n.º 3. Passa em marchas forçadas pelo campo de treinos de Tancos a fim de receber instrução de combate em guerra moderna, e ala para França.

 

    Mobilizado para a frente de batalha, a botar figura em uniforme de desfile, embarca em Lisboa a 22 de Abril de 1917, num comboio marítimo inglês com destino aos campos da Flandres, sendo colocado na 4.ª Companhia da Brigada do Minho do Corpo Expedicionário Português.

 

    A 2 de Dezembro de 1917 recebe os galões de segundo-sargento miliciano de Infantaria, devido à hábil proficiência demonstrada no baptismo de fogo contra o inimigo, onde foi notável a sua briosa galhardia naqueles caminhos ignorados de Cristo, a conter o coração aos saltos a fim de dar exemplo aos demais camaradas de armas.

 

    A 9 de Abril de 1918 os alemães lançam a contra-ofensiva da Primavera, uma mortalha cerrada de granadas, tiros de artilharia e gases letais, a ferro e fogo sobre as trincheiras lusitanas. A Batalha de La Lys foi uma página heróica e trágica nos anais da nossa presença nos campos da I Guerra Mundial, e nela o sargento António José Vaz mostrou a tenaz bravura da alma minhota, o fuzil em brasa a disparar sobre a horda germânica, a resistir valorosamente, enquanto ao redor a Divisão portuguesa era literalmente esmagada e milhares de combatentes jaziam mortos e feridos, varridos pelo rolo compressor da gadanha da morte.

 

    Dado como desaparecido em combate, foi capturado e internado como prisioneiro de guerra no campo de Munster II, na Alemanha Imperial. Durante longos e penosos nove meses vai amargar as penas do Diabo, sob o açoite da fome de lobo faminto, até ser libertado a 16 de Janeiro de 1919. Desembarca em Lisboa a 28 de Janeiro de 1919, depois de 21 meses de ausência, corroído de saudados e maleitas. Porém a vida contínua, apesar de tudo, regressa ao quartel do Regimento de Infantaria de Viana do Castelo.

 

    Enquanto isso, sua mãe faleceu no Sobreiro a 8 de Outubro de 1925 e o pai entregou a alma ao Criador a 23 de Junho de 1930. O nosso antigo combatente da Grande Guerra, homem maduro, a cabeça alva de cãs dos 50 anos, casou na Igreja Paroquial de Santa Maria Maior, em Viana do Castelo, a 24 de Dezembro de 1942, com Isaura Antunes de Abreu, nascida em Viana do Castelo em 1898, filha natural de Alzira de Jesus Abreu. Por este casamento foram legitimados os filhos José Antunes Vaz (nascido a 21 de Janeiro de 1933), Amélia da Conceição Antunes Vaz (nascida a 23 de Maio de 1936) e Gualdino Antunes Vaz (nascido a 30 de Setembro de 1942).

 

    Passou os umbrais da eternidade ao falecer em Santa Maria Maior, freguesia da cidade Princesa do Lima, despede-se da vida presente a 18 de Abril de 1967, com a patente de primeiro-sargento reformado de Infantaria. Contava 75 anos de idade, consumidos ao serviço da Pátria e do Exército, arvorado figura maior da história da nossa freguesia.

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Sábado, 24 de Setembro de 2011

JOAQUIM JOSÉ FERNANDES

    Joaquim José Fernandes, o Joaquim das Eiras, nasceu em Padornelo a 24 de Setembro de 1882, faz agora 129 anos. Era filho de João Bento Fernandes, natural de Padornelo, e de Rosa Maria Ramos, natural de Mozelos; neto pela via paterna de José Caetano Fernandes, natural de Mozelos, e de Joaquina Maria de Sá, natural de Padornelo, neto materno de Francisco Bento Ramos, de Padornelo, e Clementina Luísa da Cunha, de Mozelos.

 

    Recebeu as águas lustrais do baptismo na pia baptismal da Igreja Paroquial de Santa Marinha a 28 de Setembro de 1882 administradas pelo reverendo abade Manuel José Lopes Alves Guimarães, ao colo dos padrinhos António José de Azevedo e sua mulher Margarida Luísa Pereira, da vizinha freguesia de São Paio de Mozelos.

 

    Casou pela primeira vez a 11 de Abril de 1914, na Sala do Juízo da 6.ª Pretoria Cível do Distrito Federal do Rio de Janeiro, República Federativa do Brasil, com Francisca Margarida Pureza da Silva, nascida em 1891, filha de Mateus António da Silva Pureza e de Maria Cristina Pureza, cujo matrimónio foi dissolvido por divórcio decretado por sen­tença do Tribunal Judicial da Comarca de Paredes de Coura a 28 de Maio de 1924.

 

    Casou em se­gundas núpcias na Con­servatória do Re­gisto Civil de Paredes de Coura a 15 de Junho de 1927 com Amélia Bar­bosa, nascida em Padornelo em 1902, filha de João António Barbosa e de Deolinda Ana Ramos.

 

    A fim de fugir às mais adversas condições e superar os constrangimentos económicos, emigra em 1897 para o Brasil e, mais tarde, para os Estados Unidos da América, onde, para além de labutar pela vida e aforrar um pé-de-meia, dedica-se à prática de pugilismo amador. Foi também sócio do Hotel Continente, em Manhasset, Nova Iorque, em 1931.

 

    Muito caridoso, praticou actos de grande generosidade, pois a 17 de Dezembro de 1931, sendo residente nos Estados Unidos da América, mandou distribuir o bodo de Natal pelos pobres da freguesia e deu 1000 escudos ao Hospital da Misericórdia de Paredes de Coura, ao Asilo de Nossa Senhora da Conceição e aos presos da cadeia comarcã.

 

    Regressado ao torrão natal, foi abastado proprietário e comerciante estabelecido nos Tojais, à sociedade com Guilherme António Barreiro, “o Guilherme da Loja. Figura prestigiada e respeitada no nosso meio, pessoa da mais alta competência, foi entrementes nomeado vogal substituto da Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Paredes de Coura para o triénio de 1934–1936, no mandato do dr. António Cândido Nogueira.

 

    Ocupou, ainda, por três vezes a presidência da Junta de Freguesia de Padornelo, cargo que soube desempenhar com honra. No seu primeiro mandato, em 1934–1936, acompanhado pelo secretário Abílio António de Sá e tesoureiro Amaro Pereira Varajão, procedeu à inauguração do cemitério público, construído graças à iniciativa e dádiva do grande benemérito José Narciso Monteiro.

 

    Tomou novamente assento na cadeira de presidente da Junta de Freguesia de Padornelo no mandato de 1948–1950, conjuntamente com Abílio António de Sá e António Luís de Araújo, o Tone da Tomada. Na sua última passagem pela presidência da Junta teve a companhia do secretário Ilídio Barbosa, o Ilídio do Manjoeiro, e do tesoureiro Amaro Pereira da Silva, o Amaro do Varajão, no quadriénio de 1960–1963.

 

    “Joaquim das Eiras faleceu em Padornelo a 1 de Novembro de 1981, depois de festejar o 99.º aniversário e o seu funeral constituiu eloquente demonstração da profunda estima e respeito que rodeava o probo macróbio, por ser cidadão útil e prestante em lições de civismo.

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Domingo, 14 de Agosto de 2011

Silvino de Lima

    Silvino de Lima nasceu a 14 de Agosto de 1899 no Pedregal, lu­gar da freguesia de Padornelo, faz agora 112 anos. Era quarto filho de Manuel António de Lima, natural da vila e freguesia de Paredes de Coura, e de Libéria Rodrigues, de Padornelo; neto pela via paterna de Manuel António de Lima, natural de Padornelo, e de Ana Maria Barbosa da Rocha, natural de Cristelo; neto materno de Manuel Hernández Nobio, natural da Galiza, e de Rosa Barbosa Rodrigues, natural de Insalde.

 

    Recebeu as águas lustrais do baptismo a 20 de Agosto de 1899 na pia baptismal da Igreja Matriz de Santa Marinha de Padornelo, administradas pelo reverendo abade Manuel António Fernandes da Silva Lira, ao colo dos padrinhos Severino António de Sá e sua mulher Joana Rosa Rodrigues, lavradores, do lugar de Cima de Vila

 

    Casou na Igreja Paroquial Santa Marinha de Padornelo a 31 de Dezembro de 1921, com Esmeralda de Jesus Barbosa, de Padornelo, fi­lha de António José de Araújo, natural de Formariz, e de Susana Francisca Barbosa, do lugar do Curro, freguesia de Padornelo.

 

    Partiu para o Rio de Janeiro, República Federativa do Brasil, a 1 de Fevereiro de 1929, na esteira daquele verdadeiro êxodo rural em busca de melhores condições de vida. Regressa temporariamente ao torrão natal, em 1936, para abalar de novo em direcção às terras de Vera Cruz, desta feita em 1940, donde retorna definitivamente em 1950, enfermo da doença que o vitimou poucos anos volvidos.

 

    Pelo prestígio da sua figura humana, lhaneza de fino trato e distinta inteligência, foi secretário da Junta de Freguesia de Padornelo, empossado conjunta­mente com o presidente Abílio António de Sá e o tesoureiro António Luís de Araújo, a 1 de Janeiro de 1951, gente esforçada e dedicada a amar a sua terra e dotada de notáveis aptidões para zelar os interesses da freguesia.

 

    Faleceu abruptamente no lugar das Portelas, freguesia de Padornelo, às 15 horas do dia 9 de Junho de 1953, aos 53 anos de idade, vítima de ureia no sangue, deixando perene saudade no coração de todos que com ele trataram, a viúva Esmeralda de Jesus esmagada com os crepes da viuvez do seu coração extremosíssimo e os filhos Silvina de Jesus, Manuel e António Barbosa de Lima prostrados na crudelíssima dor.

publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 09:00
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Sexta-feira, 3 de Junho de 2011

MÁRIO JOSÉ BARREIRO DA SILVA

 

    Mário José Barreiro da Silva nasceu em Padornelo a 9 de Dezembro de 1922, filho de Manuel José Barreiro, natural da freguesia e vila de Paredes de Coura, e de Au­rora Rodrigues da Silva, de Padornelo; neto paterno de Francisco Barreiro e de Brízida Maria, da freguesia de Paredes de Coura; neto pela via materna de Cacilda Rodrigues, solteira, natural de Santa Maria de Febra, Espanha, moradora nas Portelas, lugar da freguesia de Padornelo.

 

    Pessoa estimada e respeitada no nosso meio, homem duma esmerada educação e trato cortês, originário duma conhecida família, o Mário do Gesteira, como era vulgarmente conhecido, ocupou o lugar de tesoureiro da Junta de Freguesia de Padornelo entre 1971 e 1974, durante o mandato de Armando Manuel Dantas.

 

    Morador nas Angústias, lugar da freguesia de Padornelo, faleceu a 6 de Junho de 2004 no Hospital do Conde de Bertiandos, em Ponte de Lima, aos 81 anos de idade, deixando sua viúva D. Olívia Barbosa de Sá, filho Fernando e amigos emersos em dolorosas saudades.

publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 09:00
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Sexta-feira, 20 de Maio de 2011

MANUEL AUGUSTO DANTAS

    Manuel Augusto Dantas nasceu em Requião, lugar da freguesia de Padornelo, concelho de Paredes de Coura, a 23 de Maio de 1894, faz agora 117 anos, filho primogénito de António Manuel Dantas e de Rosa Joaquina da Silva, lavradores; neto pela via paterna de Maria José de Sousa Dantas, solteira, lavradeira, de Requião; neto materno de Maria Teresa, solteira, de Paradelhas.

 

    Era irmão de Maria da Conceição Dantas e Marcelina Rosa Dantas, e viria a ser cunhado de José Dantas, “o Zé do Poço”, e de José Gomes Barreiro. Casou na Conservatória do Registo Civil de Paredes de Coura a 3 de Junho de 1915, com Libânia da Silva.

 

    “O Manuel da Quinta, como era vulgarmente conhecido no nosso meio, foi nomeado regedor da freguesia de Padornelo, por alvará lavrado pelas mãos de João Vieira de Sequeiros, presidente da Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Paredes de Coura, datado de 22 de Julho de 1939, posto que exercitou durante longos anos a contente geral, até ser substituído em 1960 por António da Trindade.

 

    Na antiga organização administrativa, o regedor era uma autoridade a nível de cada freguesia que acumulava funções de natureza administrativa, eleitoral, segurança local, manutenção da ordem e de agente do governo, embora subordinado ao presidente da câmara municipal, a quem prestava contas e por quem era indigitado e exonerado.

 

    Cidadão honesto, de elevado prestígio e carácter ordeiro, Manuel Augusto Dantas faleceu em Padornelo a 10 de Dezembro de 1968, aos 74 anos de idade.

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Sexta-feira, 13 de Maio de 2011

RECORDE UM GRANDE MINHOTO – Manuel da Silva Dantas Gomes

    A mão amiga de Eduardo Daniel Cerqueira – a quem muito agradeço – fez chegar ao nosso conhecimento este artigo que transcrevo na íntegra e partilho convosco.

 

    Neste mês de Dezembro a nossa homenagem a esse grande minhoto e vitorioso empresário do ramo da gastronomia Manuel da Silva Dantas Gomes, nascido a 6/4/47 em Padornelo, Freguesia de Paredes de Coura – Minho – Portugal.

 

    Filho caçula do casal de lavradores António Dantas Gomes e Amália Cecília da Silva, e tem ainda os irmãos Ilídio Gomes e Maria Gomes. O minhoto Manuel Dantas vem de uma família de lavradores e quando o mesmo tinha 3 anos, seu pai deixa a família em Portugal e resolve vir ao Brasil para tentar uma sorte maior na vida, trabalhou duro por aqui e nunca mais retornou a Portugal, e acabou falecendo aqui no Rio de Janeiro.

 

    Com 15 anos completos, Manuel Dantas passou a preocupar-se com o serviço militar, que naquela época era um motivo de grande preocupação, pois significava ir para a guerra em Angola. O Manuel Dantas resolve escrever a seu pai que pouco ou quase nada o conhecia, pedindo ao mesmo uma carta de chamada, pois pretendia seguir os mesmos passos de seu pai vindo para o Brasil. Em 22/2/1964 a bordo do navio Frederico C, desembarca no porto do Rio de Janeiro, em pleno carnaval.

 

    Logo que chegou ao Brasil começou a sua árdua missão, a procura de um emprego para começar a sua nova vida. Conseguiu seu primeiro emprego no Café Palheta, levado pelo amigo Antonio Varajão, passado algum tempo consegue um novo emprego no Café e Bar Porto Alegre, onde consegue ganhar um pouco mais, a seguir foi trabalhar na Casa Havanês, onde alem de ter uma melhoria no seu salário, foi ali que o Manuel Dantas teve a grande oportunidade de aprender tudo de restaurante, desde lavar pratos até a arte de cozinhar no preparo de saborosos pratos, permanecendo por lá 12 anos.

 

    Como todo emigrante naquela época, trabalhava muito durante a semana e no final de semana frequentava as domingueiras dançantes e tradicionais na época da Casa dos Poveiros. E nessas idas as domingueiras que o nosso grande minhoto Manuel Dantas teve os seus olhos e o coração fisgado por uma linda rapariga portuguesa, natural de Cinfães do Douro – Viseu, a querida Alice, e naquele dia ao som do Conjunto Vera Cruz, convidou-a para dançar e a partir daí não se separaram mais.

 

    Mais o Manuel Dantas não imaginava a árdua missão que ele teria de ter para conseguir namorar a Alice, pois o Sr. Jacinto pai da Alice não aceitava o namoro, mais graças a ajuda da futura sogra D. Adélia que gostou muito dele, ajudou a ele a conseguir convencer o Sr. Jacinto a ceder a mão da Alice. Dessa feliz união chega no ano de 1975, o filho Carlos Alberto, hoje seu sócio, amigo, e porque não dizer, seu braço direito no Restaurante Arábia Saudita no bairro de Fátima.

 

    Voltando a sua vida profissional o Manuel Dantas esteve durante 32 anos como sócio no Restaurante Barril 1800 em Ipanema, por onde durante esses anos passaram por momentos de muitas dificuldades e sacrifícios, mais graças a grande companheira Alice, teve sempre o apoio e a força necessária para superara esses momentos.

 

    No ano de 1980, retorna a Portugal pela primeira vez para rever sua querida mãezinha e seus irmãos e aproveita para apresentar sua esposa Alice, onde esse retorno foi cercado de grandes emoções por rever sua terra natal.

 

    Durante 8 anos o Manuel Dantas foi director da Casa do Minho, hoje devido seus afazeres profissionais apenas faz parte do Conselho de Beneméritos como diretor da comissão de contas, e o presidente da confraria de N.S. do Sameiro, mais toda vez que solicitado a colaborar com a casa, ele arregaça as mangas da camisa e mete a mão na massa, como fez na última noite de fados, que foi um sucesso, ele foi o verdadeiro mestre cuca.

 

    Assim resumidamente contamos um pouco da vida deste grande minhoto, grande amigo e vitorioso empresário Manuel Dantas, uma história de vida feita de muita luta e de muita dedicação ao seu trabalho, com o apoio fundamental da sua família.

 

 

Casa do Minho: Tradição Portuguesa no Rio de Janeiro

 

http://www.minho.com.br/index.php/2010/12/01/recorte-um-grande-minhoto-manuel-da-silva-dantas-gomes/

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Terça-feira, 26 de Abril de 2011

Amadeu de Lima – Combatente e Herói da Grande Guerra

    A Grande Guerra foi um conflito mundial que afectou a Humanidade em escala nunca vista, uma hecatombe universal com consequências nefandas de pavorosa tragédia e, logicamente, Paredes de Coura e Padornelo não podiam ficar inumes à imensa correnteza de sofrimento e sangue, gerando aqui ondas de choque.

 

    Amadeu José de Lima nasceu para o mundo no Sobreiro, lugar da freguesia de Padornelo, a 29 de Abril de 1891, uma quarta-feira, faz agora 120 anos, como quarto filho na ordem de nascimento de José Maria de Lima, alfaiate e lavrador, e de Severina Maria Barbosa; pela via paterna era neto de Manuel António de Lima, de Padornelo, e de Ana Maria Barbosa da Rocha, de Cristelo; neto materno de Manuel José Barbosa de Brito e de Clara Rosa Barbosa, ambos de Padornelo, todos do concelho de Paredes de Coura.

 

    Destinado à vida pachorrenta e laboriosa das almas simples, ramerrão na lavoura, intérprete fiel do destino dos seus antepassados, foi convocado pela ilusão torva dos conciliábulos dos estadistas que atiraram Portugal para o colo dum conflito hediondo de mortalha, fome e morte de proporções bíblicas e sísmicas, o mundo era uma caserna.

 

    Incorporado em 1916 como soldado recruta do Regimento de Artilharia n.º 5, fez a preparação militar na Divisão de Instrução, três meses de treinos forçados e marchas de mata-cavalos no pomposamente chamado Milagre de Tancos, os bofes de fora nos exercícios ininterruptos. O ministro da Guerra, major José Norton de Matos, criara ali uma escola prática de soldados e oficiais, onde milhares de homens receberam preparação apressada para as trincheiras da Flandres.

 

    Embarca em Lisboa a 20 de Agosto de 1917, num comboio marítimo com destino à fornalha de França, incorporado nas fileiras do Corpo Expedicionário Português, encomendado tão-somente à custódia do santo anjo da guarda, as pernas a tremerem de fragilidade humana.

 

    Nos campos de batalha, foi colocado a 1 de Outubro de 1917 na 2.ª Bateria de Artilharia de Montanha do CEP e faz o baptismo de combate, uma explosão de fogo, num duelo de artilharia com as forças alemãs, logo a 1 de Novembro, um canhoneio incansável sobre as linhas das trincheiras.

 

    Lutou com denodo na primeira linha da frente da guerra, soterrado em lamaçais até ao joelho, um merecimento assinalável, «tendo tomado parte em todos as acções que se deram» de 1 de Novembro de 1917 a 9 de Abril de 1918 contra as hordas inimigas, conforme documenta a sua ficha individual[1].

 

    Na sangrenta Batalha de La Lys, travada a 9 de Abril de 1918, Amadeu de Lima obrou actos inauditos de máscula bravura lusitana, enquanto se esboroava o reduto português perante o árduo bombardeamento e investida germânica, por entre uma nuvem de gases, metralha e baioneta que levavam tudo raso. Resistiu tenazmente como pôde, a metralhadora em brasa, enquanto à sua volta jaziam mortos às centenas e escreviam-se inúmeras histórias individuais de tenacidade.

 

    No rescaldo da reorganização dos sobejos das forças militares portuguesas, foi colocado no Destacamento de Artilharia de Montanha a 1 de Outubro de 1918, e ala, a combater no sector de Richebourg de Lavane entre Outubro e Novembro de 1918[2], durante a ofensiva final dos Aliados contra as Linhas de Hindemburgo.

 

    Aproximava-se a passos largos o fim da guerra e do morticínio, quando foi ferido e gravemente gaseado em princípios de Novembro, andava de lua com o destino por caminhos ignorados de Cristo. Recolhe ao Hospital Militar n.º 8, em França, a arder em febre, o pulmão retraçado, arfa de agonia como peixe fora de aquário, num atroz sofrimento, a garra adunca da morte à cabeceira.

 

    Partiu ao encontro do Pai do Céu no dia 7 de Novembro de 1918[3], quinta-feira nas páginas amargas do calendário, vitimado por uma «bronco-pneumonia» causada por gases. Não chegou a assistir ao formal pedido de tréguas e ao armistício de 11 de Novembro de 1918, que pôs termo à funesta I Guerra Mundial. Porquê morrer assim, às portas da Paz? Uma pergunta que embatuca a retórica de qualquer sábio.

 

    O seu corpo, como milhares de outros portugueses, nunca regressou ao aconchego do solo pátrio para ser enterrado neste altar admirável da Natureza, na paleta de cores que é o Minho. Foi sepultado inicialmente na fria cova n.º 2 do cemitério civil de Tillers e, posteriormente, transferidas as ossadas para o Cemitério Militar Português de Richebourg L’Avoué, em França, onde jaz no talhão C, fila 8, coval n.º 7.

 

    Por cá ficaram os velhinhos pais José Maria de Lima e Severina Maria Barbosa, os irmãos Amélia de Lima, António José de Lima, Rosa de Lima e Manuel José de Lima, a viúva Olívia das Dores e o cunhado Dionísio Lourenço, olhos trémulos a soluçar lágrimas tamanhas como punhos, atritos e gemebundos de dor, ai que desgracia, enquanto a eufórica turba aclamava mundo fora o fim da Guerra.



[1] AHM, Fichas Individuais do CEP, Amadeu José de Lima, praça n.º 28636.

[2] AHM, Relação do Destacamento de Artilharia, Ordem de 28 de Outubro de 1918.

[3] AHM, S.E.E.C., 1.ª Divisão, Registo dos Militares Falecidos no CEP à França por Concelhos, cota Div/1/35/1270-B, fl. 51.

Soldados mortos por gases na Batalha de Ypres, na Grande Guerra

 

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Segunda-feira, 21 de Março de 2011

COMENDADOR FRANCISCO ANTÓNIO MONTEIRO: Grande Benemérito

    A vida decorria pachorrenta e serena nesta porção do paraíso terreno no qual reinava a soberana Dona Maria II, quando em Março de 1837 nasceu uma criança que recebeu as águas lustrais do baptismo na pia da Igreja Matriz de Santa Marinha de Padornelo e o nome de Francisco António Monteiro, por ser filho de Manuel José Monteiro, naturalde S. Julião do Calendário da Silva, freguesia do termo de Barcelos, e de D. Sebastiana Maria Mendes de Araújo, natural de Padornelo; era neto pela via paterna de José António Monteiro e de D. Joaquina Luísa da Silva Martins Monteiro, da freguesia de S. Julião do Calendário da Silva; neto materno de José António de Araújo e de D. Francisca Maria Rodrigues Mendes, proprietários, naturais e moradores em Padornelo.

 

    Nascido no seio duma família de posses razoáveis, para os padrões da época, a sua condição de filho segundo ditou-lhe o destino, porquanto o irmão primogénito estava destinado a herdar a quinta e Casa das Portelas, situada onde hoje é o lugar das Angústias. Como se costumava dizer então, de seus pais herdou a virtude do trabalho e a nobreza do carácter.

 

    A 8 de Julho de 1851 requereu passaporte ao Governo Civil do Distrito de Viana do Castelo e nesse mesmo ano, ala que se faz tarde, embarcou naquela leva do fenómeno emigratório que converge para o Império do Brasil, um lastro humano sem fim na centúria oitocentista. A passagem, com embarque na barra do Douro a bordo de um veleiro, custou a módica quantia de 35$000 réis, para uma viagem de 40 dias.

 

    Seria ele a enviar cartas de chamada para o seu irmão José Narciso Monteiro embarcar com destino ao Brasil em 1854, e mais tarde, no início da década de 1890, os sobrinhos José Francisco Monteiro, Manuel José Monteiro e Vital Narciso Monteiro e o parente António José Lopes Alves Guimarães, uns agora, logo outros, modesto reagrupamento familiar.

 

    No Brasil, ora come o pão que o diabo amassou, ou abana a árvore das patacas, numa altura em que não jorrava ouro para todos. Desaguou na actividade comercial, onde ocupa um lugar cada vez mais importante na área do comércio, fruto do seu intenso labor, pois era laborioso por natureza e fortaleza de ânimo, no fogo sagrado do dever e no amor acrisolado ao trabalho. Assim, abriu caminho de flores por entre espinhos.

 

    Negociante estabelecido, acumula riqueza, capitais e proventos, tornando-se abastado proprietário e accionista de várias empresas, ascende ao patamar de cidadão conceituado na pátria adoptiva. Administrador recto e honrado cidadão, alteia-se por elevados méritos ao cargo de director do Banco Colonizador e Agrícola do Brasil, em cujos cadeirões se sentava também o egrégio comendador António José Gomes Brandão, natural da freguesia courense de Rubiães, seu amigo íntimo.

 

    Pelos relevantes serviços de benemerência, sacrificando por vezes os interesses particulares, foi agraciado com o grau de Comendador da Ordem Militar de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, por mercê d’El-Rei Dom Luís, datada de 8 de Janeiro de 1874. No ano seguinte foi condecorado com a Medalha de Honra da Caixa de Socorros Dom Pedro V.

 

    Uma característica desta boa gente é a tendência para a filantropia, apóstolo incansável da Humanidade. Foi abnegado protector das instituições pias e filantrópicas, em lances de altruísmo e encarecido empenho, com ares de doce criatura. Verteu luz da mais admirável caridade para minorar o mísero sofrimento das pessoas e a carência atroz das tolhidas instituições, estado pouco lisonjeiro em que muitas se encontravam então.

 

    Em 1895, corresponde ao apelo do padre dr. Júlio César Gomes Barbosa e contribui largamente para a edificação do Asilo de Nossa Senhora da Conceição para a Infância Desvalida de Paredes de Coura, inaugurado a 1 de Janeiro de 1896.

 

    Vai fazendo doações vultuosas a diversos organismos de ambos lados do Atlântico. Em Setembro de 1898, acode às obras de recuperação da Igreja Matriz de São Paio de Mozelos com um importante donativo de 50$000 réis. Socorre com a sua bolsa à Real Confraria do Senhor Ecce Homo, de Padornelo, por ditame do seu bom coração humano.

 

    Mas a Santa Casa da Misericórdia de Paredes de Coura seria, indiscutivelmente, a menina bonita dos seus olhos, de quem foi sempre incansável procurador piedoso em terras de Vera Cruz, desvelado protector durante mais de uma década. Seria nomeado procurador e delegado per­manente da Santa Casa no Brasil por decisão do provedor conselheiro Miguel Dantas Gonçalves Pereira, de 4 de Julho de 1898.

 

    Com gerais aplausos, fervoroso reconhecimento e preito de justiça, a Mesa Administrativa da Santa Casa da Misericórdia de Paredes de Coura proclama-o «ir­mão benemérito», conforme ficou exarado em acta de 9 de Julho de 1906, à luz da razão límpida:

«Tendo pleno conhecimento dos importantes serviços prestados à mesma pelo nosso conterrâneo o Ex.mo Sr. Comendador Francisco António Monteiro, morador na Rua da Candelária, n.º 11, da cidade do Rio de Janeiro, e ainda pelo mais que espera receber dele, pois a sua caridade se afirma todos os dias, propunha que o mesmo fosse inscripto como respectivo IRMÃO BENEMÉRITO, passando-lhe o respectivo diploma para lhe ser enviado e que na Sala dos Retratos dos Irmãos Beneméritos se colocasse o seu, enviando-se-lhe cópia desta acta. E sendo esta proposta aprovada por unanimidade, foi encerrada a sessão».

 

    Assinaram a acta o provedor Adriano Bento Lopes e os irmãos Joaquim José Ribeiro, Bartolomeu Kopke Severim de Sousa Lobo, Francisco José Marinho, prof. António José Lages, Júlio dos Reis de Lemos, Joaquim António Lima, Quintino Tomás Mendes, José Avelino Pedreira Bacelar, Manuel Cândido Gonçalves Pereira, padre dr. Narciso Alves da Cunha, abade Casimiro Rodrigues de Sá, Justino José Rodrigues Loureiro, José Luís Mendes, Tomás Joaquim Alves, prof. Hilário José Rodrigues Barbosa, Justino José da Cunha Ribas, João António Pereira Loureiro, abade José Bento Ribeiro, Narciso José Neves e José do Espírito Santo da Cunha, os mais ilustres concidadãos da altura.

 

    Os últimos anos da sua vida foram atingidos pelo supremo vinco de dor. Num momento tresloucado suicidou-se o filho único, um suplício oculto, levando a alma de pai ao desespero, rompia a labareda das lágrimas nos olhos do velho, a saudinha a mirrar. Deixa a vasta fortuna a várias instituições pias e a uns afilhados mulatos brasileiros, passa mansamente os umbrais da eternidade e solta a amarra do último fio que o prendia à vida terrena, o fantasma do filho a gemer à cabeceira.

 

    A Mesa Administrativa da Santa Casa da Misericórdia de Paredes de Coura, reunida em sessão da direcção a 15 de Junho de 1910, aprova e exara um profundo voto de pesar pelo seu falecimento ocorrido na cidade de Niterói, Estado do Rio de Janeiro, na República Federativa do Brasil.

 

    O seu currículo social é imenso, basta atentar nesta impressionante listagem, longa como o dilúvio universal: sócio benemérito da Sociedade União Beneficente Comercial e Artes do Rio de Janeiro, sócio de mérito do Real Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro, benemérito do Hospital da Beneficência Portuguesa do Rio de Janeiro, irmão benemérito da Irmandade do Santíssimo Sacramento da Candelaria do Rio de Janeiro, benemérito da Real Benemérita Sociedade Portuguesa Caixa de Socorros Dom Pedro V, Comendador da Ordem Militar de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, condecorado com a Medalha de Honra da Caixa de Socorros Dom Pedro V, irmão benemérito da Santa Casa da Misericórdia de Paredes de Coura e benemérito do Quadro de Honra da Real Confraria do Senhor Ecce Homo de Pador­nelo. Ficamos inteirados.

 

    Onde deviam soar hinos de louvor e preces de gratidão pelo seu merecimento e excelsa virtude, ressoa tão-somente o eco do canhestro esquecimento por parte daqueles que lhe deviam honrar a memória ditosa. A efígie de Francisco António Monteiro desapareceu da Sala dos Retratos dos Irmãos Beneméritos da Santa Casa da Misericórdia e o seu nome foi arrancado por mãos ímpias e ingratas da parede da Capela do Senhor Ecce Homo. Negregada injustiça e enfatuada ignorância! Ignorantia neminem excusat!

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Segunda-feira, 28 de Fevereiro de 2011

MESTRE BRÁS BARBOSA: ESCULTOR E ARTISTA DA TALHA

 

 

 

    A memória humana, obviamente, não alcança factos, feitos e personagens de outras eras, soterrados na poeira do tempo, pese embora a tenaz e desigual batalha contra o imerecido esquecimento, enquanto a vidinha prossegue a fiar na roca e a rezar o terço sem sobressaltos.

 

    Brás Barbosa nasceu no lugar de Fun­de­vila, em Padornelo, freguesia do concelho de Paredes de Coura, a 3 de Fevereiro de 1666, filho de Francisco Mendes e de Ana Barbosa. Recebeu o sacramento do baptismo na pia da Igreja Matriz de Santa Marinha de Padornelo ao colo dos padrinhos Manuel Pereira, de Cimo de Vila, e do padre Manuel Ribeiro, administrado a 7 de Fevereiro de 1666 pelo reverendo abade Gaspar Barbosa, fez agora 345 anos.

 

    Não faça espécie, nem tão-pouco dúvida, terem paraninfado dois padrinhos, coisa usual na época. Um deles, o padre Manuel Ribeiro, foi cura coadjutor da igreja matriz de São Mamede de Ferreira em Junho de 1674 e cura coadjutor da igreja matriz de São Pedro de Formariz, logo em Agosto de 1675. Por via materna, o neófito era neto de Francisco Barreiros, o Coruchéu, de Padornelo, e de D. Ana Barbosa Mendes, natural de Ferreira, em cujas veias corria ainda meia dúzia de gotas de sangue fidalgo da Casa do Paço, da dita freguesia de Ferreira.

 

    Desde cedo revelou talento e vocação para a arte, dotado de excelentes capacidades artísticas e profissionais. Activo e trabalhador incansável, tornou-se conhecido pela maneira elegante como esculpia e dava vida aos santos, com temperamento de poeta vibrátil e sensibilidade apurada, prendado de verdadeira inspiração de artista, pondo a Arte ao serviço da sociedade.

 

    Ei-lo imaginário de grande impacto, debruçado na banca do artífice, capaz de operar milagres num canhoto de madeira, a insuflar vida aos santos, a tornear a talha para esta e aquela capela, dentro daquele estilo artístico inconfundível, tão cheio de emoções e sensações fortes, a conceber o belo, com panejamentos voláteis, concheados, colunas retorcidas, cinzelado através do engenho e da arte, na procura sublime da perfeição e da beleza. Tudo isto no intervalo duma açordinha de alho, a fim de acalmar a lazeira.

 

    De certa certeza, à luz dos documentos, não enfadará saber que Brás Barbosa labutou no restauro da Capela de Nossa Senhora do Amparo, na Capela do Divino Espírito Santo e no Santuário de Nossa Senhora da Peneda. Mas não repugna imaginar que tenha colaborado intensamente nos vaivéns do monumental Barroco do Alto Minho, aqui e ali como «mestre escultor hi intalhador».

 

    Corria o ano de 1710 quando foi contratado pelos oficiais da Casa da Capela de Nossa Senhora do Amparo, no Sobreiro, lugar da freguesia de Padornelo, por escritura pela qual «estava ajustado e rematado do madeirar e fazer toda a obra de carpintaria de talha».

 

    Entretanto, a obra prosseguia em doce ramerrão e, por dares e tomares, ameaçava tomar a senda de Santa Engrácia. O reverendo licenciado Custódio Ferreira Velho, cioso comissário do Santo Ofício, abade de S. Julião do Calendário de Vermoim, arcediago de Vila Nova de Cerveira, cónego prebendado da Colegiada de Santo Estêvão de Valença, douto visitador da arquidiocese de Braga e instrumento da ira divina, rompeu em doestos de sobrolho carregado e látego riste, a verberar a relaxidão. Intima o nosso mestre a abreviar a conclusão da mesma, conforme solene aviso num despacho de 21 de Junho de 1713:

 

    «Fui informado que Brás Barbosa escultor desta freguesia tem tomado a maior de dois anos as obras da capela de Nossa Senhora do Amparo sem lhe dar fim na forma do con­trato com que as aceitou pelo que mando que o Reverendo Pároco lhe diga que as acabe em termo de dois meses para o que procederá contra ele na forma da Lei».

 

    Remédio santo para tanta delonga, fica pronta em menos de um ai e com a mestria e qualidade visível a quem visita a acolhedora capela, um esmero, a receber também a pincelada final pela exímia mão do mestre Manuel Vaz Alves, pintor de Arte Sacra, natural de Covas, lugar da freguesia de Padornelo.

 

    Em 1731 concluiu a tribuna da Capela do Divino Espírito Santo de Paredes, na vila e freguesia de Paredes, do então concelho de Coura, que viria depois arreceber a última demão de pintura pelo mestre Domingos Soares, da vila de Monção, para «dourar a trebuna que de novo estava feita».

 

    No entrementes, durante longos tempos mourejou gotas estilísticas nas intermináveis obras do Santuário da Peneda, no concelho de Arcos de Valdevez, transfigurado na árdua labuta pela côdea, pleno de criação artística para satisfação dos sentidos, a trabalhar a talha e a esculpir os santinhos dos altares, para ajudar o homem na sua caminhada peregrina e a expandir a notável Arte Barroca do Alto Minho.

 

    Aliás, o século XVIII foi portentoso ao produzir notáveis mestres entalhadores courenses, uma plêiade de artífices de apurada aptidão e valia, veros zângãos do mel à volta da arte, cujos nomes recordo de supetão: Brás Barbosa e João Bento Barbosa de Brito, de Padornelo; António José Barbosa, António Rodrigues da Cunha e António José de Barros, de Linhares; Manuel Soares, de Formariz; José da Cunha Bacelar, de Ferreira.

 

    Selou os laços matrimoniais com D. Grima­neza Soares de Brito, natural do lugar de Alvite, freguesia de Padornelo, filha de Domingos Soares de Brito, da freguesia de Formariz, e de Ana Barreiro de Araújo, da freguesia de Insalde, com quem subiu ao altar no dia 27 de Agosto de 1693.

 

    Pelo alfobre deste casamento foi pai duma prole basta como a urze do monte. Porém, para bem da alma dos meus dois leitores que não estejam mordidos pela brotoeja da genealogia, instigo a passarem ao parágrafo seguinte, porquanto agora descrevo a geração dos filhos, prendados e a estalar virtudes.

1 – António Soares Barbosa, nasceu a 2 de Julho de 1694 e faleceu a 1 de Janeiro de 1708.

2 – Francisco Barbosa Soares, nasceu em Fun­de­vila e foi baptizado a 10 de Agosto de 1696; morador e casado em Lamarigo com Angélica Barreiro.

3 – Dr. Manuel Barbosa de Brito, nasceu a 20 de Novembro de 1697 e faleceu no lugar de Covas, Padornelo, a 31 de Julho de 1766. Foi bacharel formado em Leis pela Universidade de Coimbra, advogado nos au­ditórios do Jul­gado de Coura e 4.º Se­nhor da “Casa e Quinta de Covas”, na freguesia de Padornelo.

4 – Salvador Barbosa Soares, nasceu no lugar de Redolho e foi baptizado a 12 de Dezembro de 1700; casado e morador na freguesia de Aboim das Choças, concelho de Arcos de Valdevez.

5 – José Barbosa Mendes, “o Tonto”, nasceu a 18 de Novembro de 1702 e faleceu a 13 de Agosto de 1757.

6 – Paulo Belchior Barbosa, nasceu a 18 de Fevereiro de 1704.

7 – D. Paula Maria Barbosa Soares, nasceu a 29 de Junho de 1706 e faleceu a 20 de Novembro de 1770.

8 – Paulo Barbosa de Brito, nasceu a 6 de Agosto de 1707 e faleceu a 22 de Julho de 1781; morador no lugar do Curro, casado em primeiras núpcias com Teodósia Alves Antunes e pela segunda vez com Maria Ferreira.

9 – D. Jacinta Antónia das Neves Soares Barbosa, nasceu no lugar do Redolho a 25 de Maio de 1709; casada com António Barbosa, de Cossourado.

10 – D. Mariana Esperança Barbosa de Brito, nasceu no lugar do Redolho a 21 de Novembro de 1712 e faleceu a 30 de Dezembro de 1784; casada com Bento de Sousa Caldas, da freguesia de Mazedo, termo de Monção.

 

    Por fim, consumada a sua missão terrena e quando ia entrar na áspera invernia da velhice, a 11 de Outu­bro de 1733 foi chamado a prestar contas ao Pai do Céu. Três dias antes de entregar a alma dita o testamento, a meter a mão na consciência, pois sim, pois sim, deixa um saquitel de esmolas e por herdeiro o filho licenciado Manuel Barbosa de Brito. Tinha 67 anos de idade.

 

    Brás Barbosa, meu oitavo avô, picado do génio, foi homem de prestígio na comunidade artística alto-minhota de então, um dos bons artistas do género da escultura de Arte Sacra e nome insigne da talha de estilo Barroco, digno de figurar na História da nossa freguesia.

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Domingo, 10 de Outubro de 2010

FRANCISCO DA CUNHA, ABADE DE PADORNELO

    Francisco da Cunha Barbosa nasceu na freguesia de Santa Maria de Paredes, no então concelho de Coura, ali pelo ano de 1583, filho dilecto de Gaspar Bar­bosa de Caldas, da mesma freguesia, e de D. Juliana da Cunha Pereira, da freguesia de Cunha, neto pela via paterna de António Mendes de Caldas e de D. Leonor Barbosa, neto materno do padre Sebastião da Cunha e de D. Maria Enes Pereira.

 

    Nascido em berço de ouro, o sangue visigótico refulge aos golfões, teve irmãos de admiráveis talentos e recursos que reluz em todos, contando glórias desde a primeira puerícia: Sebastião da Cunha Barbosa, cavaleiro da Ordem de Cristo, sargento-mor da Comarca de Viana Foz do Lima, governador da praça militar de Vila Nova de Cerveira e Senhor da “Casa Grande”; Gaspar Barbosa da Cunha, capitão de Ordenanças, Senhor da “Quinta do Vale”, em Loivo, Vila Nova de Cerveira, pelo seu casamento; Frutuoso Barbosa da Cunha, Senhor da “Casa do Covelo”, em Ferreira; padre Marcos Barbosa da Cunha, abade da Igreja de São João de Bico.

 

    Certamente afeiçoado aos prazeres da inteligência e do coração, estudou primeiras letras e tomou ordem de presbítero em 1605, circunvagava os olhos, de olho fino, em busca duma proveitosa abadia, aviada de vitualhas. Vai ser despachado abade colado de patena e cálice na paroquial Igreja de Santa Marinha de Padornelo em 1617, onde veio substituir o abade Manuel Fernandes de Figueiredo e o padre João Gonçalves Pereira, cura coadjutor. Abastado de teres e haveres adequados à prosápia fidalga, foi Senhor da “Quinta de Requião”, neste rincão do Paraíso.

 

    O abade Francisco da Cunha, como geralmente assinava, deixou diversos filhos neste vale de lágrimas, nascidos em duas mulheres, naturalmente por fraqueza humana, incapaz de domar a luxúria venal. Naquele tempo não era despautério absurdo, nem tão-pouco levantava poeira escandalosa ou se quebrava a vara da lei férrea no lombo pecaminoso.

 

    Para o caso nem vale a pena sequer citar a prole, a não ser aquela que deixou como herdeira, pese embora alguns dos demais tenham sido cinco réis de gente. Do ventre fecundo duma Isabel Fernandes, da freguesia de Ferreira, por entre os vapores da caçarola donde amancebava o padre, pois o refego do estômago tem destas coisas, teve a filha Maria Fernandes da Cunha, que, na qualidade de herdada, foi 2.ª Senhora da “Quinta de Requião”, em Padornelo, casada e com geração. 

 

    Faleceu em Padornelo e foi ao encontro do Pai do Céu a 10 de Outubro de 1647, faz agora 363 anos, depois de ter paroquiado a Igreja de Santa Marinha durante trinta anos, a curar interesses próprios e dos paroquianos, certamente por entre respeito e veneração dos povos sofredores de génio conformado, que o vício não derrancara.

 

    Para o leitor interessado e sem ânimo enfastiado nas coisas dos fabulários das genealogias, vai em anexo a árvore de costados do padre Francisco da Cunha, a cruzar os avoengos, num concerto de nomes notáveis como a orquestra florestal de passarinhos, grilos e cigarras.

 

Árvore de Costados do Padre Francisco da Cunha Barbosa

Próprio

Pais

Avós

Bisavós

Francisco da Cunha Barbosa

 

* Paredes de Coura 1583

 

+ Padornelo 1647

 

Abade de Padornelo

1617 - 1647

Gaspar Bar­bosa de Caldas

 

* Paredes de Coura

1560

 

+ Paredes de Coura 1626 

António Mendes de Caldas

 

* Paredes de Coura 1525 

Gaspar Mendes de Antas

 

* Cunha 1485 

D. Inês de Faria de Caldas

 

* Vascões 1500

D. Leonor Barbosa

 

* Paredes de Coura 1530 

António Barbosa

 

* Paredes de Coura 1490

 

D. Maria Vaz de Castro

 

* Paredes de Coura  1500

D. Juliana da Cunha Pereira

 

* Cunha 1562

 

+ Paredes de Coura 1633

Padre Sebastião da Cunha

 

* Cunha

Francisco da Cunha

 

* Cunha

D. Maria de Antas de Passos

 

* Cunha

D. Maria Enes Pereira

 

* Sopo, Vila Nova de Cerveira

Padre Gonçalo Pereira

 

* Bertiandos, Ponte de Lima

 

 

publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 09:00
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Domingo, 4 de Julho de 2010

BENEMÉRITO JOSÉ NARCISO MONTEIRO

 

 

 

    Este artigo que trago à luz do dia foi publicado, originalmente, nas páginas do jornal O COURENSE, a 28 de Julho de 1928. Nele, os articulistas Manuel Augusto Pereira Bacelar e Joseph Brandão, fazem uma breve mas comovente resenha das altruístas acções do benfeitor José Narciso Monteiro, apóstolo do bem-fazer, relatando as suas doações em prole dos necessitados, da freguesia de Padornelo e do concelho de Paredes de Coura.

 

    Realço aqui, com especial ênfase, a entrega de 22 contos de réis (22.000$00), «para a construção de um novo e bem localizado cemitério». Por isso mesmo, uma anterior Junta de Freguesia aprovou e mandou colocar no muro daquele chão sagrado uma lápide com o nome deste benemérito, para lembrança futura.

 

    Mas infelizmente, pelas linhas travessas da vida e baldões da humanidade, tal placa evocativa acabou por falecer nos esconsos gavetões da Capela de Nossa Senhora das Angústias, a soterrar uma memória merecida. Um dia contarei melhor essa história, a da lápide. Hoje vamos ao artigo em questão:

 

AO BENEMÉRITO JOSÉ NARCISO MONTEIRO

 

    Na educação cívica do povo a imprensa tem um factor especial, quando bem orientada na missão de homenagear os que ao Bem-Fazer tributam cultos pela acção dos actos benemerentes.

 

    A sociedade eleva-se, renova-se e aprimora-se, sabendo render os seus preitos de veneração aos que se destacam por feitos altruístas, espalhando benefícios sobre a colectividade, ajudando as casas de beneficência, aonde a Caridade tem os seus arraiais efectivos para abrigo e socorro dos desprotegidos da fortuna.

 

    Assim, o «O COURENSE», na sua edição de hoje, ufana-se por ter ensejos de ilustrar as suas páginas com o retrato do Ex.mo Snr. José Narciso Monteiro, cujos rasgos da mais alta benemerência o colocam em principal lugar na galeria dos benfeitores nossos compatrícios.

 

    Suavizar dores, abafar gemidos, estancar lágrimas, levando às casas caritativas os meios pecuniários para que os bálsamos não escasseiem às desgraças que as misérias humanas geram e produzem, é demonstrar a posse de uma alma perfeita, aonde o altruísmo tem guarida permanente e as virtudes generosas igualmente se acumulam.

 

    O Ex.mo Snr. José Narciso Monteiro, o venerando octogenário, nasceu na freguesia de Padornelo, deste concelho [de Paredes de Coura], em 9 de Janeiro de 1839, sendo seus pais Manuel José Monteiro e Sebastiana Maria Mendes, modestos e honrados lavradores.

 

    O nosso biografado herdou assim as noções do trabalho probo, tendo seguido para o Rio de Janeiro em 1854, aos 15 anos, empregar a sua actividade nessa imensa fornalha de labores rudes e ingratos que ao tempo era a capital do Império Brasileiro.

 

    As labutas comerciais empolgavam a vida do jovem emigrante e no batalhar constante conseguiu sair vitorioso, retirando para o seu torrão natal e definitivamente em 1903, quase passado meio século de ardoroso labutar.

 

    Dando margens à fé cristã em que foi educado, a imagem da Virgem, que tantas vezes – a ao longe – amorteceu os ímpetos cruéis da nostalgia pela mãe-pátria, teve um santuário condigno, pois em 1915 foi inaugurada a linda capela e vasto adro mandados erigir em honra da senhora das Angústias em pitoresco local na paróquia de Padornelo.

 

    A amizade e os carinhos que nutria pela família descendente dos seus irmãos paternos, levou-o à distribuição de 55.000$00 [cinquenta e cinco mil escudos] a cada um dos seus sete sobrinhos, ficando quatro delas com o encargo anual de contribuírem com 100$00 [cem escudos] para a festividade da Senhora das Angústias, cuja realização tem lugar no primeiro domingo do mês de Julho de todos os anos, beneficiando ainda a sobrinha snr.ª Especiosa de Jesus Monteiro, esposa do hábil artífice, snr. António Inocêncio Alves, com 5.800$00 [cinco mil e oitocentos escudos] para a construção de um caminho calcetado no local de Além-do-Rio, para fácil e segura serventia do engenho de serrar e moinhos àqueles pertencentes.

 

    As reparações na igreja matriz de Padornelo efectuadas há pouco, foram também subsidiadas com 2.000$00 [dois mil escudos] pelo lídimo courense, assim como fez entrega da quantia de VINTE E DOIS MIL ESCUDOS (22.000$00), para a construção de um novo e bem localizado cemitério, retiro sagrado aonde os comparoquianos do respeitável cidadão encontram jazida decente.

 

    E para cúpula daqueles nobres actos de Bem-Fazer, o generoso e grande benemérito retira parcelas da sua abençoada fortuna para mitigar as amarguras dos que precisam acolher-se nas faldas da bandeira dos socorros públicos, contemplando a Santa Casa da Misericórdia, desta vila, com o importante donativo de 40.000$00 [quarenta mil escudos], com o único encargo de anualmente entregar 300$00 [trezentos escudos] para a festividade das Angústias.

 

    Os pobres a quem a idade e os achaques impedem o deslizar de uma vida normal, têm naquele avultado auxílio monetário uma garantia de um certo conforto a desanuviar as infelicidades que os acometam neste vale de lágrimas, devendo pronunciar o nome do Ex.mo Snr. José Narciso Monteiro com palavras da mais intensa e maior das gratidões, mostrando o perdurável reconhecimento que devemos ter por feitos de tão assombrosa benemerência, principalmente nestes tempos nefastos para instituições de Caridade.

 

    As orações inocentes balbuciadas pela infância desvalida devem também subir aos céus como votos frementes pela perene ventura do nosso homenageado, que, não esquecendo os pequeninos, contemplou com 6.000$00 o Asilo de Nossa Senhora da Conceição, essa simpática casa de Caridade que entre nós ostenta e vive com muitas dificuldades de toda a ordem.

 

    Que mais dizer? A eloquência dos números que aqui ficam estampados, falam mais altonisantes de que as palavras elogiosas que soubéssemos escrever, dispensando encómios de maior vulto, porque os factos assinalados cantam solenemente a nobreza do carácter que exorna o grande Benemérito, Ex.mo Snr. José Narciso Monteiro!

 

    Pela sua parte «O COURENSE», beija as mãos generosas do venerando cidadão, sentindo a modéstia que imprima a esta singela, sincera e digna homenagem.

 

A Redacção [Manuel Augusto Pereira Bacelar e Joseph Brandão] 

 

Notícia do jornal O COURENSE, 4.º ano, n.º 146, de 28 de Julho de 1928, página 2.

publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 01:01
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Quarta-feira, 3 de Março de 2010

Faleceu o Padre Luís Gavina

    A mão amiga do Eduardo Cerqueira alertou-me para o falecimento do padre Luís Gavina, de 69 anos de idade, no passado dia 2 de Dezembro de 2009.

 

Padre Luís Alberto de Melo dos Reis Gavina    O padre Luís Alberto de Melo dos Reis Gavina nasceu a 24 de Janeiro de 1940, em Santa Clara, freguesia do concelho de Coimbra e frequentou os Seminários de Braga, tendo sido ordenado sacerdote em 11 de Julho de 1971. Iniciou as suas actividades pastorais como vigário cooperador na paróquia de São Vicente (Braga).

 

    Em 1972 foi nomeado Prefeito e Professor do Seminário de Nossa Senhora da Conceição (Seminário Menor). Em 1974 exerceu a função de vigário cooperador da paróquia da igreja matriz de Póvoa de Varzim, tendo sido nomeado, em 1977, pároco de Oleiros, no Arciprestado de Vila Verde, e, acumulando a partir de 1985, a paroquialidade de Parada de Gatim, do mesmo Arciprestado e Concelho. Nos últimos meses residia na Casa Sacerdotal, continuando pároco somente de Parada de Gatim.

 

    O seu corpo esteve em câmara-ardente na igreja paroquial de Parada de Gatim, onde, no dia 3 de Dezembro, pelas 10 horas, tiveram início as solenes exéquias, presididas pelo Senhor Arcebispo Primaz, sendo depois sepultado no cemitério público de Oleiros, em jazigo onde já estão os restos mortais de sua mãe.

 

    Homem de capacidades artísticas meritórias, foi também professor de Educação Musical na Escola de Tadim, Braga, para além de desenhador de vastos recursos estéticos e pintor com notável e interessante obra espalhada por Ponte de Lima, Arcos de Valdevez, Vila Verde, Braga e Alemanha.

 

    Dedicou especial atenção ao património edificado do concelho de Paredes de Coura, desenhando em 1995 – falo de memória – doze magníficos postais que foram editados pela Câmara Municipal, versando os Paços do Concelho, a capela do Divino Espírito Santo, a Casa Grande (da família Pereira da Cunha, vila de Paredes de Coura), a capela de Nossa Senhora da Conceição (Venade), a Casa de Sant’Ana da Seara de Quintão (Ferreira), o Palacete de Mantelães (do conselheiro Miguel Dantas), a Casa do Outeiro (Agualonga), a igreja românica de Rubiães, a ponte romano-medieval de Rubiães, a Casa de Antas (Rubiães), a Casa do Amparo (Romarigães), e, com especial destaque, a frontaria da capela do Senhor Ecce Homo (Padornelo).

 

    Por este motivo deixámos aqui a sua nótula biográfica e as nossas sentidas homenagens, a esta alma de sensível artista.

Capela do Senhor Ecce Homo de Padornelo, em 1995 - Desenho do padre Luís Gavina

publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 18:45
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