Blogue acerca da terra, das pessoas, dos costumes e da História de PADORNELO, freguesia do concelho de Paredes de Coura, distrito de Viana do Castelo, publicado por JOFRE DE LIMA MONTEIRO ALVES.

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Terça-feira, 18 de Abril de 2017

BOTIRÃO DE DEITAR NO RIO COURA

Botirão de Deitar no Rio Coura 1891.jpg

 

    Gravura intitulada “Botirão de Deitar no Rio Coura”, com desenho de J. Almeida e zincogravura de D. Netto, datada de 1891.

 

    O botirão de deitar é um utensílio de pesca composta por uma boca em U, quatro arcos de verga, um cone de rede de fio fino com dois metros de comprimento, uma pedra na boca e outra no vértice para fazer assentar no fundo do leito do rio.

 

    Era lançado ao fundo com o auxílio de uma vara enterrada, com a boca virada para jusante, a fim de que o peixe entre facilmente pelo laço e não possa retroceder e sair, por estar contra a corrente. No Rio Coura usava-se como isca uma casca inteira de ovo previamente esvaziado por um furo, ou uma lesma em vez do ovo, e servia para apanhar trutas.

 

    O botirão de deitar também era usado no Rio Minho, onde empregavam um caracol ou uma sardinha como isco para a pesca de bogas. Segundo parece, esta armadilha somente era utilizada nos rios Coura e Minho no decurso do século XIX. Colecção de Jofre de Lima Monteiro Alves.

publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 09:00
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Domingo, 6 de Novembro de 2016

UMA BOA ACÇÃO HÁ 119 ANOS

«Boa Acção – Florinda da Estrada, residente no logar de Santa, d’esta villa, achou ha dias, em Padornelo, uma quantia superior a 15$000 réis, que entregou ao snr. Antonio Placido Rodrigues, [natural de Padornelo e morador na freguesia] de Parada, que a havia perdido. Esta acção, já de si tão louvavel, augmenta muito em merecimento attendendo-se a que a Florinda é viúva e pobre».

 

Jornal O LIBERTADOR DE COURA: SEMANARIO IMPARCIAL, Paredes de Coura, 1.º ano, n.º 41, de 7 de Novembro de 1897, p. 2.

Paisagem minhota 1915 - Cópia.jpeg 

Paisagem rural minhota, em 1915.

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Terça-feira, 1 de Novembro de 2016

CÃO RAIVOSO HÁ 119 ANOS

«Ao fim da tarde de quinta-feira [dia 4 de Novembro de 1897] appareceu na visinha freguezia de Padornello um cão atacado de hydrophobia, que, até ao momento em que escrevemos, sabe-se ter mordido nos pequenos Secundino Antonio Barbosa[1] e Vidal da Silva[2], da mesma freguezia, e arremetido contra o snr. professor primário de Insalde, que a muito custo se defendeu com um guarda-chuva. Tambem mordeu um porco d’um caseiro do snr. dr. Antonio Nogueira[3] e investiu contra uma vacca, que não conseguiu alcançar. Cães mordidos não se sabe o numero, mas deve ser crescido, pela abundancia d’animaes d’esta espécie que por ahi ha. O digno administrador do concelho[4] adoptou immediatas providencias para serem remettidas ao Instituto Pasteur, em Lisboa, as crianças mordidas, e tomou outras medidas que as circumstancias reclamavam».

 

Jornal O LIBERTADOR DE COURA: SEMANARIO IMPARCIAL, Paredes de Coura, 1.º ano, n.º 41, de 7 de Novembro de 1897, p. 2.

 

[1] Secundino António Barbosa, do lugar das Portelas, freguesia de Padornelo, filho de Secundino António Barbosa, comerciante.

[2] Vidal Manuel da Silva, do lugar de Cima de Vila, freguesia de Padornelo, filho de Severino José da Silva, lavrador.

[3] Dr. António Cândido Nogueira.

[4] Francisco Bento de Sá, natural da vila de Paredes de Coura, benemérito, comerciante e industrial no Brasil.

 

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Segunda-feira, 22 de Agosto de 2016

COMBATENTES COURENSES NA GRANDE GUERRA

Trincheira em Franca na Grande Guerra A.jpg

 

    Durante o conflito da Grande Guerra (1914-1918), Portugal travou um árduo combate em três frentes, primeiro em Angola e Moçambique, depois em França, para cujas frentes de combates saíram diversas expedições. Para Angola e Moçambique, logo em Setembro de 1914 e em Fevereiro de 1915, partiram contingentes militares, depois de Bernardino Machado ter decretado a mobilização de dois destacamentos a 18 de Agosto de 1914, com carácter de urgência, num penoso esforço patriótico.

 

    O Corpo Expedicionário Português marcha para o teatro europeu da guerra, composto por mais de 50.000 homens, depois dum duvidoso “Milagres de Tancos”, a receber o baptismo de fogo em França, logo em Março de 1917. Foram mobilizados 43 260 praças de pé rapado, 5398 cabos, 3051 sargentos, 3376 oficiais, 54 enfermeiras, 26 enfermeiros e uma vintena de capelães. Entre esses bravos de inflexível coragem e da mais varonil combatividade, estiveram presentes mais de uma centena de courenses, inseridos na famosíssima Brigada do Minho.

 

    Recorrendo a uma aturada pesquisa no Arquivo Histórico Militar e nos jornais da época, foi possível elaborar uma listagem desses combatentes, a qual não estará, certamente, completa, mas sim em permanente actualização. Eis a lista provisória de 133 oficiais, sargentos e praças naturais ou ligados a Paredes de Coura e que combateram na Grande Guerra, a maioria esmagadora deles incorporados no Corpo Expedicionário Português a França. A puxar a brasa à sardinha, realce para dez naturais ou moradores em Padornelo.

 

Abel Nogueira, soldado de Infantaria, freguesia de Mozelos;

Adriano Dias Barbosa, soldado de Infantaria, freguesia de Cossourado;

Agostinho da Conceição, soldado de Infantaria, lugar de Afe, freguesia de Mozelos;

Albano de Amorim, soldado de Infantaria, freguesia de Paredes de Coura;

Albano José de Castro, soldado de Infantaria, natural da freguesia de Formariz e morador em Paredes de Coura; morto em campanha a 5 de Novembro de 1918;

Alfredo de Sousa, 2.º cabo, freguesia de Cunha;

Alfredo José Gonçalves, soldado de Infantaria, freguesia de Romarigães;

Álvaro Manuel Pinto, soldado de Artilharia, freguesia de Paredes de Coura;

Amadeu José de Lima, soldado de Artilharia, freguesia de Padornelo; morto em campanha a 7 de Novembro de 1918; primo do meu avô materno Silvino de Lima;

Amaro Manuel Pinto, soldado de Infantaria, freguesia de Rubiães;

Ambrósio da Silva, 2.º cabo, freguesia de Paredes de Coura;

Amélio de Jesus, soldado de Infantaria, freguesia de Cunha;

Antero Moreira da Rosa Alpedrinha, tenente de Artilharia, natural de Mação, Santarém, morador e administrador do concelho de Paredes de Coura; ferido em campanha;

António Afonso, soldado de Infantaria, freguesia de Bico;

António Alves, soldado de Infantaria, freguesia de Mozelos;

António Antunes, 1.º cabo de Infantaria, freguesia de Mozelos;

António Barbosa Lavandeira, soldado de Infantaria, freguesia de Infesta;

António Bento da Conceição, soldado de Infantaria, freguesia de Ferreira;

António da Cunha, soldado de Infantaria, freguesia de Insalde;

António de Amorim, soldado de Infantaria, freguesia de Paredes de Coura;

António de Araújo, soldado de Infantaria, freguesia de Parada;

António de Sousa, soldado de Infantaria, freguesia de Paredes de Coura;

António de Sousa, soldado de Infantaria, freguesia de Vascões;

António de Sousa, soldado de Infantaria, natural da freguesia de Cunha e morador na vila de Paredes de Coura; morto em campanha a 28 de Agosto de 1918;

António Fernandes Pereira, soldado de Infantaria, freguesia de Vascões;

António Fernandes, soldado de Infantaria, freguesia de Cunha;

António Joaquim da Cunha, soldado de Infantaria, freguesia de Insalde;

António Joaquim Fernandes, soldado de Infantaria, São Martinho de Coura;

António Joaquim Gonçalves Caçador, soldado do Grupo de Companhias de Saúde; freguesia de São Martinho de Coura;

António Joaquim Pereira, soldado de Artilharia de Campanha, freguesia de Rubiães;

António Joaquim Pereira, soldado de Infantaria, freguesia de Agualonga;

António Joaquim, soldado de Infantaria, freguesia de Paredes de Coura;

António José Barbosa, soldado de Infantaria, freguesia de Agualonga;

António José da Cunha, segundo-sargento de Metralhadoras, freguesia de Insalde; ferido em combate.

António José Dias, soldado de Infantaria, freguesia de Cristelo;

António José Fernandes, soldado de Infantaria, freguesia de Padornelo;

António José Gonçalves Guena, segundo-sargento de Infantaria, freguesia de Infesta;

António José Martins, capitão de Infantaria, freguesia de Formariz;

António José Vaz, segundo-sargento de Infantaria, freguesia de Padornelo;

António Manuel Gonçalves, soldado de Infantaria, freguesia de Romarigães;

António Marinho, soldado de Infantaria, freguesia de Linhares;

António Pedrosa, soldado de Infantaria, freguesia de Paredes de Coura;

António Pereira Queirós, soldado de Infantaria, freguesia de Paredes de Coura;

António Pereira, soldado de Infantaria, lugar da Nogueira, freguesia de Paredes de Coura;

António Pereira, soldado de Infantaria, lugar de Antas, freguesia de Rubiães; faleceu em campanha a 9 de Abril de 1918;

Arlindo Cândido Rodrigues, 1.º cabo de Artilharia, freguesia de Cristelo;

Arlindo da Cunha, soldado de Infantaria, freguesia de Cunha;

Aurélio de Jesus, soldado de Infantaria, freguesia de Cunha;

Avelino José Barbosa, soldado de Infantaria, freguesia de Ferreira;

Benjamim António Martins, soldado de Infantaria, freguesia de Infesta;

Braselino Domingues, soldado de Infantaria, freguesia de Cunha;

Cândido António Barbosa, soldado de Infantaria, freguesia de Romarigães; prisioneiro de guerra;

Casimiro José da Cunha, segundo-sargento de Infantaria, freguesia de Formariz;

Casimiro Rodrigues de Sá, alferes capelão militar, abade da Igreja Paroquial de Santa Marinha de Padornelo;

Constantino Freire Ribeiro, soldado de Infantaria, freguesia de Rubiães;

Daniel José Lopes, soldado de Infantaria, freguesia de Mozelos;

Desidério Fernandes, soldado de Infantaria, freguesia de Porreiras;

Dionísio da Rocha ou Dioniso da Cunha Rocha, soldado de Infantaria, natural de Paredes de Coura e morador em Padornelo;

Domingos Alves, soldado de Infantaria, freguesia de Resende;

Domingos da Silva, soldado de Infantaria, freguesia de Castanheira;

Eduardo da Cunha, soldado de Infantaria, freguesia de Cunha;

Eduardo de Aquino, soldado de Infantaria, freguesia de Formariz;

Eduardo José Bacelar, 1.º cabo de Infantaria, freguesia de Resende;

Eduardo Lages, soldado de Infantaria (desconheço qual a freguesia);

Evaristo Pereira, soldado de Infantaria, freguesia de Cristelo; faleceu em campanha em 1918;

Francisco António da Cunha, soldado de Infantaria, freguesia de Rubiães;

Francisco Avelino Gomes, soldado de Infantaria, freguesia de Bico;

Francisco Fernandes, soldado de Infantaria, freguesia de Paredes de Coura;

Francisco Joanes, soldado de Infantaria, freguesia de Parada;

Francisco José Fernandes, soldado de Infantaria, freguesia de Bico;

Francisco Pereira, soldado de Infantaria, freguesia de Paredes de Coura;

Gaspar da Cunha, soldado de Infantaria, freguesia de Cossourado; morto em campanha a 7 de Agosto de 1918;

Herculano José Brandão, soldado de Infantaria, freguesia de Infesta;

Hipólito Nogueira, soldado de Infantaria, freguesia de Paredes de Coura; prisioneiro de guerra na Alemanha;

Horácio Augusto, soldado de Infantaria, freguesia de Ferreira;

Isaac Benjamim de Castro, soldado de Infantaria, freguesia de Romarigães;

Isaac Gonçalves, segundo-sargento de Infantaria, freguesia de Infesta;

João António Gomes, soldado de Infantaria, freguesia de Paredes de Coura;

João Baptista Barbosa, soldado de Infantaria, freguesia de Agualonga;

João Luís Pereira, soldado de Infantaria, freguesia de São Martinho de Coura;

João Manuel dos Reis, soldado de Infantaria, freguesia de Ferreira;

Joaquim Alves Felgueiras, soldado de Infantaria, lugar da Feteira, freguesia de Paredes de Coura;

Joaquim Manuel C. Chouzal, soldado de Infantaria, freguesia de Formariz;

Joaquim Manuel Pereira, soldado de Infantaria, freguesia de Insalde;

Joaquim Pereira Saraiva, soldado de Infantaria, Rubiães;

José António da Cunha, soldado de Infantaria, freguesia de Infesta;

José António da Rocha, segundo-sargento de caçadores, vila de Paredes de Coura; combatente em Angola;

José António de Carvalho, soldado de Artilharia de Campanha, freguesia de Cossourado;

José António Lopes, soldado de Artilharia de Campanha, freguesia de Romarigães;

José Barreiro, soldado de Infantaria, freguesia de Padornelo;

José Bento Pinto, soldado de Infantaria, freguesia de Infesta;

José Carvalheira, soldado de Infantaria, freguesia de Cunha;

José da Cunha Lima, soldado de Infantaria, freguesia de Cristelo;

José da Cunha, soldado de Infantaria, freguesia de Cristelo;

José da Pureza Barbosa, soldado de Infantaria, freguesia de Ferreira;

José da Rocha, soldado de Infantaria, freguesia de Paredes de Coura;

José David de Almeida, soldado de Artilharia de Campanha, freguesia de Castanheira;

José de Araújo, 2.º cabo de Infantaria, freguesia de Paredes de Coura;

José de Sousa Lima, soldado de Infantaria, freguesia de Paredes de Coura;

José Fernandes, soldado de Infantaria, freguesia de Cunha;

José Fernandes, soldado de Infantaria, freguesia de Padornelo;

José Fernandes, soldado de Infantaria, freguesia de Paredes de Coura;

José Gonçalves, soldado de Infantaria, freguesia de Ferreira;

José Inocêncio Alves, "Zé do Inocêncio", soldado de Infantaria, lugar de Lamamá, freguesia de Paredes de Coura; prisioneiro de guerra na Alemanha; meu tio paterno;

José Joaquim da Cunha, soldado de Infantaria, freguesia de Infesta;

José Joaquim Gonçalves, soldado de Infantaria, freguesia de Romarigães;

José Joaquim Vaz, soldado de Infantaria, freguesia de Infesta;

José Lourenço de Lima, soldado de Infantaria, freguesia de Cunha;

José Malheiro, soldado de Infantaria, freguesia de Bico;

José Maria de Lima, soldado de Infantaria, freguesia de Resende;

José Narciso da Veiga, soldado de Infantaria, freguesia de Formariz;

Júlio Barbosa, soldado de Infantaria, freguesia de Padornelo;

Júlio José Pereira, soldado de Infantaria, freguesia de Mozelos;

Júlio Lopes, 2.º cabo de Infantaria, freguesia de Formariz;

Júlio Ribeiro Pereira, “Júlio da Vidoa”, soldado de Infantaria, freguesia de Paredes de Coura;

Justiniano Pereira, soldado de Infantaria, freguesia de Rubiães;

Justino Ferreira Fernandes, soldado de Infantaria, freguesia de Agualonga;

Justino Manuel Pereira, soldado de Infantaria, freguesia de Rubiães;

Manuel Bento Alves, soldado de Infantaria, lugar de Codessal, freguesia de Paredes de Coura;

Manuel Bento de Faria, soldado de Infantaria, freguesia de Formariz;

Manuel da Cunha, soldado de Infantaria, freguesia de Rubiães;

Manuel de Araújo, 2.º cabo de Infantaria, freguesia de Parada;

Manuel de Caldas Abreu, soldado de Infantaria, freguesia de Cristelo;

Manuel de Sá, soldado de Infantaria, freguesia de Cristelo;

Manuel Fernandes, soldado de Infantaria, freguesia de Paredes de Coura;

Manuel José de Lima, soldado de Artilharia de Campanha, freguesia de Padornelo; primo do meu avô materno;

Manuel José Felgueiras, segundo-sargento de Cavalaria, freguesia de Infesta;

Manuel José Ferreira, 1.º cabo de Infantaria, freguesia de Formariz;

Manuel Rodrigues, soldado de Infantaria, freguesia de Bico;

Manuel Vaz, soldado de Infantaria, freguesia de Linhares;

Mário José Bacelar, soldado de Infantaria, freguesia de Resende;

Martinho António Rodrigues, ”Martins Carenho”, soldado de Infantaria, freguesia de Padornelo;

Serafim Domingues, soldado de Infantaria, freguesia de Paredes de Coura;

Serafim Emílio Vieira, soldado de Infantaria, freguesia de Castanheira;

Serafim Rodrigues, soldado de Infantaria, freguesia de Castanheira;

Silvério Nicolau de Sousa, segundo-sargento de Infantaria, freguesia de Resende; combatente em Moçambique;

Simão da Costa, soldado de Infantaria, freguesia de Insalde;

Telmo António Alves, soldado de Infantaria, freguesia de Ferreira;

Telmo José Pereira, soldado de Infantaria, freguesia de Formariz;

Tomás José da Cunha, soldado de Infantaria, freguesia de Cunha;

Valentim da Silva Braga, 1.º cabo de Infantaria, natural da freguesia de Parada e morador na vila de Paredes de Coura;

Vidal José Barbosa, soldado de Infantaria, freguesia de Ferreira;

Vitorino Custódio Nogueira, soldado de Artilharia de Campanha, freguesia de Mozelos.

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Quarta-feira, 20 de Julho de 2016

ROUBOS HÁ 117 ANOS

«Roubos – Há dias o snr. António Barbosa, de Padornelo, d’este concelho, foi a Valença a cavallo d’uma égua que guardou n’uma córte d’um ferrador d’aquella villa. Momentos depois foi a casa do ferrador um meliante e disse-lhe que era filho do dono da egua e que por isso ia a Monsão montado n’ella. O ferrador acreditou no ladrão e entregou-lhe a egua. O descarado ladrão ainda não voltou da viagem. Ainda se não sabe onde a estas horas se encontra.

 

Tambem na semana passada roubaram ao sr. Justino José Moreira, de Padornello, uma egua que de noite andava a pastar no monte da Vallinha , da mesma freguesia.

 

Ouvimos ainda que á sr.ª D. Angelina Nogueira, de Mozelos, furtaram uma junta de bois, que andava a pastar n´um campo situado em logar ermo da mesma freguesia».

 

O CLAMOR DO POVO: JORNAL DEMOCRATA CRHISTÃO, Paredes de Coura, ano I, n.º 51, de 27 de Julho de 1899, p. 2.

Padornelo Valinha visto desde sitio de Pontelhas e 

Lugar da Valinha, freguesia de Padornelo, em 2010. Fotografia de Jofre de Lima Monteiro Alves.

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Sexta-feira, 1 de Julho de 2016

FESTIVIDADE NAS ANGÚSTIAS HÁ 117 ANOS

«Festividades – Foi festejada com muita solemnidade, nos dias 23 e 24 d’este mez, em Bico, a Imagem de Nossa Senhora das Dores. Na vespera houve musica pela banda Sociedade dos Artistas, iluminações e abundante fogo. No dia, missa solemne, exposição e procissão. Ao evangelho prégou o sr. padre Antonio Rodrigues Barbosa, digno parocho de Castanheira, e de tarde o rev.º Casimiro José Rodrigues Barbosa, abbade de Bico, e rev.º Casimiro Rodrigues de Sá, redactor d’este jornal.

 

No dia 2 do próximo mez de julho [de 1899] realisa-se em Padornello a festividade de Nossa Senhora das Angustias, sempre muito concorrida por causa do belíssimo local em que se effectua. Préga um dos sermões d’esta festividade o rev.º Casimiro Rodrigues de Sá, redactor d’este jornal».

 

O CLAMOR DO POVO: JORNAL DEMOCRATA CHRISTÃO, Paredes de Coura, ano I, n.º 47, 29 de Junho de 1899, p. 2.

Padornelo Capela das Angústias desenho 2014.jpg 

Capela de Nossa Senhora das Angústias, em Padornelo, freguesia do concelho de Paredes de Coura. Desenho de 2014.

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Quarta-feira, 30 de Março de 2016

IRMÃOS FUNDADORES DA SANTA CASA DA MISERICÓRDIA DE PAREDES DE COURA

   

Paredes de Coura vila hospital da misericordia em

 

    Irmãos fundadores da Confraria da Santa Casa da Misericórdia de Paredes de Coura, e que aprovaram os Estatutos da Misericórdia de Paredes de Coura em sessão de 24 de Janeiro de 1885. Destaque para o conselheiro Miguel Dantas (cuja mãe era natural de Padornelo) e para o Visconde de Mozelos (grande proprietário em Padornelo) e para o professor Silvério Francisco Ramos, António Plácido Rodrigues e professor António Pereira de Menezes (todos naturais da freguesia de Padornelo). Eis a lista por ordem de assinatura:

 

  • Miguel Dantas Gonçalves Pereira, provedor e presidente da Câmara Municipal; de Formariz.
  • Visconde de Mozelos, proprietário; de Mozelos.
  • Narciso Cândido Alves da Cunha, advogado e presbítero; de Formariz.
  • Bento José Barreiros d’Oliveira, escrivão da Fazenda Pública; da vila de Paredes de Coura.
  • Francisco Augusto Rodrigues, chefe da secretaria da Câmara Municipal de Paredes de Coura.
  • Domingos Gusmão da Cunha Ribas, comerciante; da vila de Paredes de Coura.
  • Manuel Joaquim Moreira, proprietário; de Mozelos.
  • João Norberto Pereira Álvares Guerra, escrivão da Comarca Judicial de Paredes de Coura.
  • Manuel Gonçalves Pereira, comerciante; da vila de Paredes de Coura.
  • Padre Simão António Barbosa, abade de Insalde.
  • António Carlos Lourenço Barreiro, proprietário; de Insalde.
  • Padre Francisco Manuel Lourenço Barreiro, de Insalde.
  • Dionísio Barreiros da Cunha, professor; de Insalde.
  • Manuel Joaquim Barbosa, lavrador; de Reirigo.
  • José Maria Fernandes, da vila de Paredes de Coura.
  • António Joaquim Fernandes Braga, farmacêutico; da vila de Paredes de Coura.
  • Albano António Barreiros d’Oliveira, médico do hospital; da vila de Paredes de Coura.
  • Manuel Francisco Barbosa, lavrador; de Mozelos.
  • João António Gomes de Barros, de São Martinho de Coura.
  • Alfredo Augusto Alves da Cunha, escrivão de Direito; de Formariz.
  • António José de Barros, de Cossourado.
  • António Raimundo Barbosa da Cunha, lavrador; de Romarigães.
  • Gaspar João Domingues da Costa, carpinteiro; da vila de Paredes de Coura.
  • Padre Francisco José Barbosa.
  • João Joaquim Pereira Telles de Menezes Montenegro, proprietário; morador em Mozelos.
  • Abade Clemente da Cunha, de Infesta.
  • José António Rodrigues “Cajade”, proprietário e lavrador; de Castanheira.
  • José Joaquim Ferreira, de Rubiães.
  • Tristão da Rocha de Alpoim Menezes, proprietário; natural de Castanheira e morador em Infesta.
  • Padre José Maria de Barbosa.
  • José Bento da Cunha, lavrador; da freguesia de Cunha.
  • António Joaquim Rodrigues, abade de São Mamede de Ferreira.
  • José Joaquim Brandão.
  • Padre Casimiro José Rodrigues Barbosa, de Castanheira.
  • Padre Bento José da Cunha, de Formariz.
  • José Raimundo Ribeiro Pereira de Castro, advogado de provisão; morador na vila de Paredes de Coura.
  • Tomaz Joaquim Alves, proprietário; de Formariz.
  • José Bento Gonçalves, de Infesta.
  • José Bento da Rocha, de Linhares.
  • João Luís Barbosa.
  • António José Nogueira, de Mozelos.
  • Silvério Francisco Ramos, professor; de Padornelo.
  • António Plácido Rodrigues, alfaiate; de Padornelo.
  • Padre Francisco José da Cunha, abade de São Pedro de Formariz.
  • António Pereira de Menezes, professor e proprietário; natural de Padornelo e morador em Formariz.
  • Francisco António Pereira Telles de Menezes Montenegro, proprietário; morador em Rubiães.
  • Francisco Bento Nogueira, de Mozelos.
  • Casimiro José da Cunha, de Formariz.
  • Padre Francisco Bento Barbosa, de Formariz.
  • Padre António Bento Lourenço, de Parada.
  • Padre João Fernandes da Cunha, natural de Infesta, cura de São Miguel de Cristelo.
  • Luís Barbosa da Cunha, lavrador; de Vascões.
  • António José Barreiros da Cunha, da vila de Paredes de Coura.
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publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 09:00
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Segunda-feira, 28 de Março de 2016

ANIVERSÁRIO DO NASCIMENTO DE BERNARDINO MACHADO

Bernardino Machado (1851+1944) 1910 litografia.jpg

    Postal de 1910, segundo litografia de Francisco Valença, com o curioso pormenor do estadista Bernardino Machado estar em cima duma caixa de manteiga de Paredes de Coura.

 

    BERNARDINO LUÍS MACHADO GUIMARÃES nasceu na cidade do Rio de Janeiro, Império do Brasil, a 28 de Março de 1851, faz hoje 165 anos, terceiro filho de António Luís Machado Guimarães, Barão de Joane, e de sua segunda mulher D. Praxedes de Sousa Ribeiro Guimarães.

 

SUA VIDA NA MONARQUIA CONSTITUCIONAL:

    Foi bacharel em Matemática pela Universidade de Coimbra (1873); bacharel em Filosofia pela Universidade de Coimbra (1873); licenciado em Filosofia (1875); doutor em Filosofia (1876); professor da Universidade de Coimbra (1877 – 1907); deputado da Nação (1883 – 1887); director interino do Observatório Meteorológico da Universidade de Coimbra (1883); director da Secção de Antropologia e Arqueologia Pré-Histórica do Museu de História Natural (1886); Par do Reino pelos estabelecimentos científicos (1890 – 1895); presidente do 1.º Congresso do Magistério Primário (1892); Ministro das Obras Públicas, Comércio e Indústria (Fevereiro de 1893 – Setembro de 1894); grão-mestre da Maçonaria Portuguesa (1895 – 1899); presidente da Direcção do Instituto de Coimbra (1896 – 1908); presidente do Directório do Partido Republicano Português (1906 – 1909); presidente da Junta Consultiva do Partido Republicano Português (1909 – 1911); proprietário em Vila Nova de Famalicão, Porto, Lisboa, Paredes de Coura, Formariz e Romarigães; professor catedrático; estadista; escritor; publicista; conferencista; cientista; pedagogo.

 

SUA VIDA NA I REPÚBLICA:

    Ministro dos Negócios Estrangeiros do Governo Provisório da República (Outubro de 1910 – Setembro de 1911); Ministro da Justiça interino (1911); deputado à Assembleia Nacional Constituinte (1911); senador da República (1911 – 1915); presidente da Direcção da Sociedade de Geografia de Lisboa (26 de Fevereiro de 1912); embaixador de Portugal no Brasil (Julho de 1912 – Janeiro de 1914); Presidente do Ministério (primeiro-ministro) e Ministro do Interior (Fevereiro de 1914 – Junho de 1914); Ministro dos Negócios Estrangeiros interino (1914); Presidente do Ministério e Ministro do Interior (Junho de 1914 – Dezembro de 1914); Ministro da Justiça interino (Junho de 1914 – Julho de 1914); Presidente da República (5 de Outubro de 1915 – 11 de Dezembro de 1917); senador da República (1919 – 1925); Presidente do Ministério (primeiro-ministro), Ministro do Interior e Ministro da Agricultura (Março de 1921 – Maio de 1921); Presidente da República (11 de Dezembro de 1925 – 31 de Maio de 1926).

 

SUA VIDA DURANTE A DITADURA MILITAR E O ESTADO NOVO:

    2.º exílio em Espanha e França (Fevereiro de 1927 – Junho de 1940); presidente do Comité Político da Liga de Defesa da República (1928); antifascista; regressa a Portugal e por motivos políticos foi-lhe imposta residência fixa a Norte do Douro, estabelecendo domicílio em Paredes de Coura (1940 – 1944).

 

    Casou a 19 de Janeiro de 1882 com D. Elzira Dantas Gonçalves Pereira Machado, nascida no Brasil em 1865 e falecida no Porto em 1942, filha do conselheiro Miguel Dantas Gonçalves Pereira, natural da freguesia de Formariz, concelho de Paredes de Coura, e de sua primeira mulher D. Bernardina Maria da Silva Gonçalves Pereira.

 

    D. Elzira Dantas Machado (como também usou) tinha sangue padornelense por via de sua avó paterna D. Teresa Joaquina Pereira Dantas, natural da freguesia de Padornelo.

publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 09:00
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Sexta-feira, 12 de Fevereiro de 2016

GENTE DA MINHA TERRA - Padre Alcino

PADRE ALCINO, ANTIGO PÁROCO DE PADORNELO

 

 Por: Jofre de Lima Monteiro Alves

 

Padre Alcino da Cunha Pereira 2006.jpg

 

 

   O padre Alcino da Cunha Pereira faleceu no passado dia 31 de Janeiro de 2016, aos 88 anos de idade, romperam a tanger todos os campanários da Sé de Braga. Nascera em Santa Eulália de Arnoso, freguesia do concelho de Vila Nova de Famalicão, a 22 de Janeiro de 1928, sendo filho de José Gomes Pereira e de Maria Gomes da Cunha.

 

    Foi ordenado sacerdote na Sé Catedral de Braga a 15 de Agosto de 1952 e rezou missa nova na referida freguesia de Arnoso dois dias volvidos, a 17 de Agosto. Nomeado pastor das igrejas paroquiais de Santa Marinha de Padornelo e de São Paio de Mozelos, no Arciprestado de Paredes de Coura, a 26 de Novembro de 1952, tomou posse como pároco da Igreja Matriz de Santa Marinha de Padornelo a 30 de Novembro de 1952.

 

    Nesse âmbito acumulou as funções de presidente da Comissão Fabriqueira da Fábrica da Igreja Paroquial de Santa Marinha de Padornelo (1952 – 1962), presidente da Mesa da Confraria do Santíssimo Sacramento da Paróquia de Santa Marinha de Padornelo (1952 – 1962) e presidente da Mesa da Confraria das Almas da Paróquia de Santa Marinha de Padornelo (1952 – 1962). Por cá ancorou durante um decénio, porquanto a 23 de Agosto de 1962 era empossado para curar as almas da Igreja Paroquial de Santa Leocádia de Tamel e Santiago de Carapeços, no Arciprestado de Barcelos.

 

    Seria dispensado da paroquialidade por ter atingido o limite de idade a 1 de Outubro de 2006, corcovado no trabalho clerical como um moiro. Como historiado e escritor de monografias escreveu e publicou as seguintes obras, fruto do seu muito empenho, saber e labor, algumas das quais abonam lustro às estantes da minha biblioteca por gentil oferta do autor:

A Igreja de Tamel, Santa Leocádia (Barcelos), 1984.

A Igreja de Carapeços (O Templo e o Povo) – Apontamentos Para a Sua História, 1988.

Os Limites Entre Carapeços e Silva – A Questão, Seu Óbice, Notas e “Dossier”, Carapeços, 1993.

Os Limites Entre Carapeços e Silva – Complemento (Apêndice), II volume, Carapeços, 1995.

A Igreja Românica de Tamel, Santa Leocádia, Barcelos, 1997.

A Procissão dos Passos de Carapeços e as Endoenças, Carapeços, 1997.

À Volta da Igreja de Tamel, Santa Leocádia, I volume, 1997.

À Volta da Igreja de Tamel, Santa Leocádia, II volume, Barcelos, 1998.

As Terras de São Tamel, Barcelos, 1999.

A História de Carapeços e a de Santa Leocádia de Tamel: Ontem e Hoje (Apontamentos), Carapeços 2002.

Património Religioso e Civil de Carapeços e de Santa Leocádia de Tamel (Álbum – Inventário Histórico e Biográfico), Carapeços, 2005.

A Igreja Viva de Carapeços e de Santa Leocádia de Tamel (As Pessoas), Braga, 2008.

O Movimento Cor Unum e a Casa de Nazaré (No Centenário do Nascimento do Padre Olavo Teixeira Martins 1911 – 2011), Carapeços, 2011.

Catecismo Marial: Rosas Lauretanas da Senhora do Rosário, Carapeços, 2011.

 

    Nunca cortou a laçada de afectos com a nossa freguesia, a primeira onde exercitou o múnus sacerdotal, nem a lima do tempo e o gelo da distância puderam arrefecer. Sem o alarido das trombetas, durante anos deslocou-se bastas vezes de rota batida a Paredes de Coura e, em especial, a Padornelo, para revisitar amigos e apertar laços indeléveis com a comunidade. Recordo alguns exemplos dessa constante e amiga presença.

 

    A 24 de Abril de 2006 tivemos a grata honra e emoção sentida de vê-lo na inolvidável jornada que, de braço dado com o estimado Eduardo Cerqueira, organizamos em prol da consagração do distinto nome do abade Casimiro Rodrigues de Sá na toponímia da vila de Paredes de Coura. Anos depois, em 23 de Março de 2014, ei-lo a marcar etérea presença na emocionante apresentação do livro PADORNELO: DICIONÁRIO BIOGRÁFICO DE PERSONAGENS ILUSTRES. Nesta ocasião me confessou a sua sincera afeição pelas gentes de Padornelo, a dar graças aos céus por ter servido Padornelo, deleite aos olhos e à alma, povo especial que ele admirava e amava do fundo da sua essência. Ele que era, tal-qualmente, insigne padornelense por adopção e pelo coração.

 

    No entrementes, estava sempre de corpo e alma ao dispor dos conterrâneos padornelenses, aqui deslocando-se frequentemente com paciência de anacoreta para celebrar missas e outros actos religiosos, por isto e por aquilo, numa disponibilidade digna de realce, fruto do seu empenhado amor ao próximo, trato finíssimo da grandeza de carácter, abnegação rara numa idade pouco juvenil. Que mais dizer em letra redonda?... Havia tanto que verbalizar e não sei expressar melhor… (outrossim, o director também não me deixa dizer mais, insiste que não posso exceder uma folha). Que me perdoe se estas pobres linhas ficam abaixo do tributo que merece e demais coisas inventadas pelo Senhor para recompensar os justos como o padre Alcino.

 

Publicado no jornal NOTÍCIAS DE COURA, ano XIII, edição n.º 288, 9 de Fevereiro de 2016, p. 30.

publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 18:30
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Segunda-feira, 1 de Fevereiro de 2016

FALECEU O PADRE ALCINO

Padre Alcino da Cunha Pereira 2006.jpg   O padre Alcino da Cunha Pereira faleceu ontem, dia 31 de Janeiro de 2016, aos 88 anos de idade. Nascera em Santa Eulália de Arnoso, freguesia do concelho de Vila Nova de Famalicão, a 22 de Janeiro de 1928, sendo filho de José Gomes Pereira e de Maria Gomes da Cunha.

    Foi ordenado sacerdote na Sé Catedral de Braga a 15 de Agosto de 1952 e rezou missa nova na referida freguesia de Santa Eulália de Arnoso dois dias volvidos, a 17 de Agosto de 1952. Nomeado pároco das igrejas paroquiais de Santa Marinha de Padornelo e de São Paio de Mozelos, no Arciprestado de Paredes de Coura, a 26 de Novembro de 1952, tomou posse como pároco da Igreja Matriz de Santa Marinha de Padornelo a 30 de Novembro de 1952 e por cá permaneceu durante um decénio, porquanto a 23 de Agosto de 1962 foi empossado como pároco da Igreja Paroquial de Santa Leocádia de Tamel e Santiago de Carapeços, no Arciprestado de Barcelos.

    Foi dispensado da paroquialidade por ter atingido o limite de idade a 1 de Outubro de 2006. Como escritor de monografias escreveu e publicou as seguintes obras:

A Igreja de Tamel, Santa Leocádia (Barcelos), 1984.

A Igreja de Carapeços (O Templo e o Povo) – Apontamentos Para a Sua História, 1988.

Os Limites Entre Carapeços e Silva – A Questão, Seu Óbice, Notas e “Dossier”, Carapeços, 1993.

Os Limites Entre Carapeços e Silva – Complemento (Apêndice), II volume, Carapeços, 1995.

A Igreja Românica de Tamel, Santa Leocádia, Barcelos, 1997.

A Procissão dos Passos de Carapeços e as Endoenças, Carapeços, 1997.

À Volta da Igreja de Tamel, Santa Leocádia, I volume, 1997.

À Volta da Igreja de Tamel, Santa Leocádia, II volume, Barcelos, 1998.

As Terras de São Tamel, Barcelos, 1999.

A História de Carapeços e a de Santa Leocádia de Tamel: Ontem e Hoje (Apontamentos), Carapeços 2002.

Património Religioso e Civil de Carapeços e de Santa Leocádia de Tamel (Álbum – Inventário Histórico e Biográfico), Carapeços, 2005.

A Igreja Viva de Carapeços e de Santa Leocádia de Tamel (As Pessoas), Braga, 2008.

O Movimento Cor Unum e a Casa de Nazaré (No Centenário do Nascimento do Padre Olavo Teixeira Martins 1911 – 2011), Carapeços, 2011.

Catecismo Marial: Rosas Lauretanas da Senhora do Rosário, Carapeços, 2011.

    O funeral deste saudoso padre, que muitos amigos deixou entre nós, realiza-se na próxima terça-feira às 10.30h em Carapeços.

publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 15:00
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Sexta-feira, 15 de Janeiro de 2016

Galeria dos Presidentes da Junta de Freguesia de Padornelo – III

PADRE MANUEL JOSÉ LOPES ALVES GUIMARÃES

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    Padre Manuel José Lopes Alves Guimarães nasceu em Padornelo em 1815, filho de Domingos Lopes Alves Guimarães, natural da freguesia do Salto, concelho de Montalegre, e de D. Joana Maria da Cunha, natural da freguesia de Paredes de Coura. Faleceu em Padornelo a 28 de Fevereiro de 1885, aos 70 anos de idade.

 

    Foi 3.º presidente da Junta de Paróquia de Padornelo (1871 - 1878), cargo que acumulou por inerência em virtude de ser abade colado da Igreja Matriz de Santa Marinha de Padornelo.

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publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 09:00
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Sexta-feira, 23 de Outubro de 2015

COMENDADOR JOSÉ FRANCISCO MONTEIRO

Comendador José Francisco Monteiro 1900.jpg

     Comendador JOSÉ FRANCISCO MONTEIRO, não era natural de Paredes de Coura, sendo contudo primo direito de António José Monteiro, do comendador Francisco António Monteiro e do benemérito José Narciso Monteiro, estes sim, naturais da freguesia de Padornelo, concelho de Paredes de Coura.

    Aquele José Francisco Monteiro nasceu em 1830 e faleceu em 1917 nos Estados Unidos do Brasil, filho de Manuel Francisco Monteiro e de Maria Margarida Rosa Monteiro. Foi emigrante no Império do Brasil (1840); empregado comercial em São Luís do Maranhão, Província do Maranhão, Império do Brasil (1841); tenente da Guarda Nacional (1850); capitão da Guarda Nacional (1857); major da Guarda Nacional (1863); caixeiro e representante comercial em Belém do Pará (1865); fundador e gerente da empresa "José Francisco Monteiro & Cia" (1866); comerciante e seringalista de borracha na Província do Amazonas, Império do Brasil (1868); fundador e colonizador do povoado de Humaitá, Amazonas (15 de Maio de 1869); fundador da Capela da Imaculada Conceição de Maria Santíssima de Humaitá, Comarca de Manicoré, Província do Amazonas (1869); benemérito dos pobres; agraciado com o diploma de benfeitor da humanidade pelo Papa Pio IX (1870); tenente-coronel da Guarda Nacional do Brasil (1870); coronel da Guarda Nacional do Brasil (1880); cônsul da Bolívia (1885 - 1891); condecorado com o Colar de Honra da Sociedade Patriótica 1.º de Dezembro, de Portugal, pela ajuda que deu à construção do monumento dos Restauradores, em Lisboa (1886); comendador da Ordem Militar de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, por mercê d'El-Rei Dom Luís I de Portugal (7 de Maio de 1887); fundador da freguesia de Nossa Senhora da Conceição do Belém de Humaitá, Amazonas, Brasil (1888); «fica elevada a categoria de Vila a Freguesia de Humaitá […] constituído patrimônio da mesma Vila uma área de um milhão de metros quadrados (1.000.000 m²) a começar do lugar denominado Crato, oferecido para esse fim pelo cidadão José Francisco Monteiro, sendo mil metros de frente e mil de fundos» (4 de Fevereiro de 1890); prefeito de Humaitá (1890 - 1896); primeiro superintendente municipal de Humaitá (1890); coronel comandante superior da Guarda Nacional da Comarca de Humaitá (1890 - 1905); cônsul encarregado do Consulado e da Agência Aduaneira da República da Bolívia no Rio Madeira, Amazonas (1891 - 1917); comendador da Ordem Militar de Cristo, por mercê d'El-Rei Dom Carlos, Rei de Portugal (1891); abastado capitalista no Estado do Pará, Estados Unidos do Brasil; prefeito da Prefeitura do Municipal de Humaitá, Amazonas (1902 - 1913).

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Segunda-feira, 12 de Outubro de 2015

COURA E O CAMINHO-DE-FERRO HÁ 120 ANOS

Visconde do Peso de Melgaço e Miguel Dantas.jpg

Visconde do Peso de Melgaço e Miguel Dantas e Nar

 

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Sexta-feira, 4 de Setembro de 2015

UM COSTUME ANTIGO DO MINHO: Casamento e Choro

Por: Jofre de Lima Monteiro Alves

 

O casamento e a mortalha no céu se talha.

 

    No século XVI, em tempo do Rei Dom João III, existia ainda pujante um antiquíssimo costume sobrevindo dos fundos das eras dos netos de Noé, hoje completamente abandonado e ignorado. No dia do noivado oficial, as mulheres da parentela e da vizinhança organizavam uma fiada a que chamavam serão da noiva. Todas juntas fiavam a noite inteira, desde o sol-pôr até raiar a luz da matina, contribuindo numa palhetada para fazer o enxoval e bragal da prometida, a bichanar segredos de alcova, o diafragma a arfar de tanto espírito-santo-de-orelha e riso alarve.

 

Cravo vermelho ao peito

É sinal de casamento;

Menina recolha o cravo,

Pra casar inda tem tempo.

 

    Por sua vez a moçoila casadoira, na manhã do seu casamento, recusava terminantemente abandonar a habitação paterna, resistindo com contumácia ao máximo, aqui d'el-rei, «daqui não saio, daqui ninguém me tira». Depois de determinada resistência, choradeira infinita e partes-gagas da noiva, a fazer finca-pé, os irmãos, primos e tais e tais da parentela da contraente botavam-lhe a gadanha e acabavam por arrastá-la à viva força porta fora da casa paterna, por entre alta grita da futura esposa e pranto da mãe, ai-jesus.

 

Minha mãe, o que é casar? Sofrer, parir e fiar!

 

    Outrossim, desta forma a maridada amostrava o quanto amava os pais. Mas acima de tudo demonstrava que tão-somente saía de casa a toque de caixa, contra a sua vontade e forçada por força bruta de braços másculos. Após este escarcéu todo, enfim rendida, a nubente trémula das pernas ajoelhava e beijava a mão do pai.

 

Minha mãe case-me cedo,

Enquanto sou rapariga;

O milho sachado tarde

Não dá palha nem espiga.

 

    Organizavam de seguida uma escolta de janízaros com a famelga e dois compadres a custodiar a renitente moçoila na trilha do altar, trupe que trupe, rompiam a tanger todos os campanários. A abrir caminho da comitiva nupcial seguia um rapazola, irmão da pretendida, que transportava a roca e o fuso, símbolo do trabalho doméstico e das canseiras que ela desditosa carregava para a sua nova casa, carrego mais pesado que os montes Hermínios.

 

Em casamento e mortório, sempre há falatório.

 

    Defronte do templo, no exterior (in facie ecclesiae, no sentido literal), procedia-se a uma série de ritos tradicionais de esponsais em presença das testemunhas, tais como a troca de consentimento mútuo entre os esposos, a assinatura e a entrega do dote. A noiva era então entregue pelos seus pais ao noivo. O sacerdote passava o anel ao noivo que, por sua vez, introduzia a aliança no dedo anelar da mão enluvada da desposada, símbolo da pureza, enquanto o futuro esposo lhe dava uma moeda de ouro, dizendo ao mesmo tempo: «com este anel te esposo, com este ouro te honro e com este dote te doto».

 

Minha mãe vou-me casar,

Sou filha de matrimónio;

Já tenho as unhas rompidas

De arranhar este demónio!

 

    Entrementes, a meio da missa de casamento, os nubentes deitavam-se acamados no chão, ao comprido e eram tapados com um lençol, acto que expressava a união carnal do casal[1]. Durante duzentos anos entre os séculos XVI e XVIII, o desposório era celebrado à porta da igreja, em especial ao sábado e sabemos de fonte segura que se atirava trigo para cima dos recém-casados. E claro, como é óbvio, não existia qualquer tipo de vestido branco de noiva, porquanto os noivos vestiam tão-somente as suas melhores roupas, em geral azuis ou vermelhas, e as mulheres, acatando uma antiga tradição milenar, levavam um véu na cabeça.

 

Antes que te cases vê o que fazes!

 

    Para assinalar a boda, nesta altura da centúria de quinhentos, o padrinho e o marido atiravam ao ar uma mancheia de confeitos, que o rapazio lambão e monco de palmo disputava à rebatinha, em porfia de muitos encontrões e força de unha. Feito o casório e responso matrimonial, marido, mulher e o respectivo préstito retrocediam ao lar de volta da igreja por atalho diverso, pois é de mau agoiro trilhar o trajecto anterior, rescendia a bafo de belzebu. Nessa tarde do enlace, fazia-se um baile de terreiro de quatro assobios, meneavam o saricoté como o santo rei David a bailar diante da Arca da Aliança e, avessos a pompas e fidalguias, engoliam uma janta melhorada.

 

Enquanto fui solteirinha

Dormia sem ter cuidado;

Agora que sou casada

Passo noites no sobrado.

 

    Aqui vai, ipsis verbis em letra macarrónica da centúria de oitocentos, o artigo que narra este velhíssimo costume, ora varrido pela lima do tempo para o limbo do esquecimento e que se praticava ainda em Ponte de Lima e em Coura, altar da natureza, no século XVII:

«Usos Antigos nos Casamentos de Portugal

    Nos casamentos usavão as antigas mulheres portuguezas, principalmente as da provincia do Minho, não sahirem da casa de seus paes para a de seus esposos, senão como violentadas: os seus parentes fazião a ceremonia de puxarem por ella para fóra da porta arrebatadamente, e indo no meio de dois padrinhos, adiantava-se a toda a comitiva hum moço, que levava a roca cheia de linho, e o fuso.

    No tempo de João de Barros, que floreceo pelos annos de 1549, ainda permanecia quasi geral este costume; porque a noiva, quando sahia da casa de seus pais, diz elle na discripção do Minho, chorava muito, dando assim a entender saudosa, que se apartava da sua companhia contra vontade.

    Tambem costumavão, quando sabião que alguma moça estava contratada para casar, juntarem-se as visinhas e parentas della, e fiarem todas á porfia huma noite até pela manhãa, a que chamavão o serão da noiva, e assim chegavão a fiar muitas varas de panno para seu enxoval. Desta sorte ajudavão huns aos outros para o dote das filhas, e no dia da boda fizião grandes festas e banquetes».

Usos Antigos nos Casamentos de Portugal

    Nos casamentos usavão as antigas mulheres portuguezas, principalmente as da provincia do Minho, não sahirem da casa de seus paes para a de seus esposos, senão como violentadas: os seus parentes fazião a ceremonia de puxarem por ella para fóra da porta arrebatadamente, e indo no meio de dois padrinhos, adiantava-se a toda a comitiva hum moço, que levava a roca cheia de linho, e o fuso.

    No tempo de João de Barros, que floreceo pelos annos de 1549, ainda permanecia quasi geral este costume; porque a noiva, quando sahia da casa de seus pais, diz elle na discripção do Minho, chorava muito, dando assim a entender saudosa, que se apartava da sua companhia contra vontade.

    Tambem costumavão, quando sabião que alguma moça estava contratada para casar, juntarem-se as visinhas e parentas della, e fiarem todas á porfia huma noite até pela manhãa, a que chamavão o serão da noiva, e assim chegavão a fiar muitas varas de panno para seu enxoval. Desta sorte ajudavão huns aos outros para o dote das filhas, e no dia da boda fizião grandes festas e banquetes[2].

 

Depois do casamento vem o arrependimento.

 

Costumes do Minho namorados.jpeg

 

[1] A.H. de Oliveira Marques, A Sociedade Medieval Portuguesa: Aspectos da Vida Quotidiana, 1.ª edição, Lisboa, Sá da Costa, 1964, p. 129.

[2] O ARCHIVO POPULAR: SEMANARIO PINTORESCO, volume III, n.º 42, de 19 de Outubro de 1839, p. 334.

publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 09:00
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Segunda-feira, 20 de Julho de 2015

GALERIA DOS PRESIDENTES DA JUNTA DE FREGUESIA DE PADORNELO - II

Padre ANTÓNIO JOSÉ BARBOSA, "Padre Tone da Costa"

Igreja Paroquial de Santa Marinha de Padornelo

    Padre António José Barbosa nasceu em 1832 em Padornelo, freguesia do concelho de Paredes de Coura, filho de José Luís Barbosa e de Antónia Luísa Alves, ambos naturais de Padornelo. Faleceu em Padornelo a 10 de Abril de 1919, aos 87 anos de idade.

 

    Foi 2.º presidente da Junta de Paróquia de Padornelo (1866 – 1871), cargo que acumulou por inerência em virtude de ser cura coadjutor e depois cura encomendado da Igreja Matriz de Santa Marinha de Padornelo.

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Quarta-feira, 24 de Junho de 2015

GALERIA DOS PRESIDENTES DA JUNTA DE FREGUESIA DE PADORNELO - I

Padre JOSÉ NARCISO DE OLIVEIRA

Igreja Matriz de Santa Marinha de Padornelo

    Padre José Narciso de Oliveira nasceu em 1785 na vila e freguesia de Paredes de Coura, filho de Luís Alves da Maia, natural de S. Jorge de Várzea, freguesia do concelho de Felgueiras, comarca de Guimarães, e de D. Antónia Luísa de Oliveira Moura, natural da freguesia de Paredes de Coura. Faleceu a 21 de Dezembro de 1868, no lugar de Covas, freguesia de Padornelo, aos 83 anos de idade.

 

    Foi presidente da Junta de Paróquia de Padornelo (1835 – 1865), cargo que acumulou por inerência em virtude de ser abade colado da Igreja Paroquial de Santa Marinha de Padornelo.

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publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 17:23
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Quarta-feira, 6 de Maio de 2015

Lançamento do Livro FORAL MANUELINO DA TERRA DE COURA

Capa Foral Manuelino.jpg    Os forais são importantes cartas orgânicas que importa conhecer, na medida em que eram diplomas concedidos pelo monarca ou outras entidades providas de direito público e jurisdicional. O foral manuelino de Paredes de Coura foi concedido pelo Rei Dom Manuel I a 13 de Abril de 1515.

    Para assinalar o centenário deste importante documento a Câmara Municipal de Paredes de Coura organizou um vastíssimo programa. No mesmo âmbito e na mesma ocasião o historiador Jofre de Lima Monteiro Alves vai apresentar a sua mais recente obra intitulada FORAL MANUELINO DA TERRA DE COURA: V CENTENÁRIO DUM DOCUMENTO HISTÓRICO, a qual será publicada com o patrocínio da Junta de Freguesia de Padornelo.

    Trata-se, portanto, de um documento fundamental para a História de Paredes de Coura, concelho que tem um passado multissecular digno de registo. O autor recorreu a diversas disciplinas auxiliares da História e de outras áreas científicas, de molde a aprofundar a análise da carta de foral: biografias, codicologia, cronologia, demografia, Direito, genealogia, heráldica, História de Portugal, linguística e paleografia.

    A obra aborda a reforma manuelina dos forais; esmiúça as questões penais e a fiscalidade dos forais; conta algumas das vicissitudes do foral de 1515 - o qual chegou a estar desaparecido -; retrata como seria o concelho de Coura na época Quinhentista e qual a sua demografia; arrola os demais forais manuelinos da região do Alto Minho; faz um levantamento histórico do castelo de Fraião e do pelourinho de Coura; apresenta a listagem biográfica completa de todos os senhores donatários da Terra de Coura durante 463 anos; traça as biografias do Rei Dom Manuel, do Visconde D. Francisco de Lima e de Fernão de Pina; analisa o vocabulário e os termos mais específicos da carta de foral; estuda a Língua Portuguesa e ortografia de Quinhentos; faz o estudo codicologico do pergaminho.

    Por fim, o próprio foral é apresentando na sua versão original, respeitando integralmente a grafia e abreviaturas do texto manuelino. Porém, para facilitar a leitura foi incluída uma transcrição documental, com alterações formais que respeitam, contudo, o conteúdo frásico, sem dúvida mais ajustado ao tempo actual, tendo em vista o público-alvo desta publicação.

    A sessão solene de apresentação do volume FORAL MANUELINO DA TERRA DE COURA: V CENTENÁRIO DUM DOCUMENTO HISTÓRICO vai decorrer no Centro Cultural de Paredes de Coura, em Paredes de Coura, no próximo dia 16 de Maio de 2015, às 15 horas, sessão que será abrilhantada com animação cultural a cargo da Associação Cultural Recreativa e Desportiva de Padornelo e da Associação Cultural Recreativa e Desportiva de Paredes de Coura, garantia de qualidade como é timbre destas duas notáveis colectividades.

    Com este volume o leitor interessado tem em mãos uma parte da História da nossa santa terrinha, porquanto «a História é património comum».

publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 09:00
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Quinta-feira, 18 de Setembro de 2014

UMA INSCRIÇÃO QUASE TRICENTENÁRIA

    A fotografia ilustra uma inscrição setecentista no dintel monolítico da Casa do Gualdino, no Sobreiro, lugar da freguesia de Padornelo, neste concelho de Paredes de Coura, com o cristograma IHS, abreviatura da latinização do nome grego de Jesus, patente no nome IHESUS que se usava na Idade Média, porém utilizado a partir do século XIV na expressão «Iesus Hominum Salvator», que significaria em português corrente «Jesus Salvador dos Homens»

 

    A inscrição em causa apresenta, como era usual, um sinal cruciforme ou cruz latina gravada na parte superior da letra central H, que acompanha a data de 1742, tudo ainda em excelente estado de conservação, porquanto o trabalho do lapicida foi feito há 272 anos. Pese embora a porta chapeada tirar alguma dignidade à epígrafe secular. A leitura da padieira, já depois de devidamente desdobrado o trigrama cristológico, é a seguinte: ANO DE JESUS CRISTO DE 1742.

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publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 09:00
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Sexta-feira, 19 de Julho de 2013

VISCONDE DE MOZELOS, GRANDE PROPRIETÁRIO EM PADORNELO

Por: Jofre de Lima Monteiro Alves

 

    Nas minhas aprazíveis andanças pelas catacumbas do Arquivo Distrital de Viana do Castelo – onde impera a maior lhaneza e competência no excelente atendimento público pela parte da respectiva direção e todas as demais funcionárias, gente de cinco estrelas – deparei-me, dizia, certa vez, com um curioso documento que interessa e muito à história da freguesia de Padornelo.

 

    Trata-se da “Escriptura de Partilhas Amigável e Doação Entre os Herdeiros do Ex.mo Visconde de Mozelos”[1], que foi lavrado nas notas do cartório do tabelião Justino José Rodrigues Loureiro, o qual compareceu perante a viúva D. Josefa Cândida da Silva Veiga, Viscondessa de Mozelos, e os seus filhos dr. José Maria Nogueira, dr. Augusto César Nogueira, dr. António Cândido Nogueira e Júlio Cândido Nogueira, todos solteiros e já maiores de idade.

 

    O documento foi ditado de viva voz em Pantanhas, lugar da freguesia de Mozelos, e assinado pelas partes a 22 de Agosto de 1894, porquanto José Luís Nogueira havia falecido da vida presente em 29 de Dezembro de 1893 «sem testamento nem outra qualquer disposição d’ultima vontade».

 

    Não iremos citar ou esmiuçar o documento na sua plenitude, trabalho mastodôntico e fatigante para o leitor e, quiçá, desnecessário, por ora, devido à extensão da escritura, às inúmeras propriedades espalhadas aqui e ali, para além das incontáveis acções bancárias e de companhias e títulos de dívidas do Tesouro, de valor nominável variável. Os bens de raiz espraiavam-se pelas povoações courenses de Mozelos, Padornelo, Cunha, Cristelo e Porreiras, mas também em Cerdal e Ganfei (Valença), Jolda (Arcos de Valdevez), e nas freguesias e vilas de Paredes de Coura, Arcos de Valdevez e Valença do Minho.

 

    No espaço territorial que nos interessa de sobremaneira, a "santa terrinha" de Padornelo, o Visconde de Mozelos detinha a posse de inumeráveis bens de raiz, entre os quais casas, campos, lavouras, leiras, coutadas, devesas, rocios, terreiros, bouças, pinhais, tojais e tutti quanti, num total de 80 imóveis e prédios rústicos. Figurão de “brasileiro” novo-rico, após passagem por Terras de Santa Cruz, adquiriu apreciáveis bens de raiz, tornando-se opulento proprietário terra-tenente, investindo parte da fortuna na aquisição de terras.

 

    A título exemplo, o então comendador José Luís Nogueira comprou em 1879 a José Maria Pereira de Sousa e Barbosa e à sua mulher D. Leopoldina Hedviges da Rocha de Alpoim Menezes, proprietários em Padornelo, «a sua bouça da Cabeluda, sita na freguesia de Padornelo, consta de giesta e arvores […] o campos dos Pezos com leira e bouça junta […] o campo velho com agua de rega e lima, com as leiras juntas […] cujos prédios são todos livres e alodiais, e constão de lavradia, paul e bouças […] pelo preço de seis centos mil reis»[2].

 

    Vamos tão-somente ao que interessa e apresentar a lista de todo o património enraizado em Padornelo, citadas ao longo do fólio documental, doadas pela viscondessa viúva e repartidas de comum acordo pelos irmãos, as quais couberam em partilhas de forma desigual aos manos Augusto César e António Cândido, que assim se tornaram abastados proprietários de teres e haveres na nossa freguesia, como já tinha sido seu pai.

 

    O rol vai por ordem de citação. Alguns dos nomes são ainda familiares e outros nem tanto, ou até desconhecidos, porquanto os agrotopónimos têm vida caprichosa e tendem a desaparecer mais rapidamente no tempo e na memória dos povos. Resta acrescentar, como mera curiosidade, que ao escrutinar as testemunhas deste acto notarial, vemos a assinatura trémula de Francisco José Dantas, casado, morador no lugar de Lamarigo, lavrador e regedor substituto da paróquia de Padornelo.

 

Propriedades em Padornelo, que tocaram ao dr. Augusto César Nogueira:

  • Pinhal dos Ourais;
  • Coutada, devesa e tojal de Cevadouros;
  • Campo de Talhô;
  • Lavoura de Areias;
  • Lavoura do Galego;
  • Lavoura dos Padreiros;
  • Casa e rocios da Quinta do Feijoal;
  • Campo da Eira;
  • Lavoura da Pedra;
  • Terreiro da Videira de Cima;
  • Terreiro e horta da Videira de Baixo;
  • Leira da Poça;
  • Campo da Poça Nova;
  • Leira da Poça Nova;
  • Leira da Cancela;
  • Leira do Prado;
  • Leira da Varziela;
  • Leira da Lapa de Cima;
  • Leira da Lapa de Baixo;
  • Leira da Água Levada.

Propriedades que tocaram em sortes ao dr. Antônio Cândido Nogueira:

  • Coutadas do Leigido;
  • Bouça da Cabeluda, ao Sul da Estrada;
  • Bouça da Cabeluda, ao Norte da Estrada;
  • Pinhal da Cabeluda de Cima;
  • Pinhal da Cabeluda de Baixo;
  • Terreiros do Bouro;
  • Pinhal das Gandras;
  • Campo da Bicha;
  • Terreiro do Bouro do Regueiro;
  • Campo do Cruzeiro;
  • Pombal de Cima;
  • Pombal de Baixo;
  • Casa e rocio da Quinta da Igreja;
  • Campo das Eiras;
  • Campo da Porta;
  • Campo da Levandeira;
  • Campo da Várzea;
  • Leira dos Carrins;
  • Leira da Cerdeira;
  • Campo da Cortiça;
  • Campo das Lameiras;
  • Lavoura das Poças das Vinhas;
  • Leira do Ameal;
  • Bouça da Valinha;
  • Leira da Codesseira;
  • Campo da Lagoa do Carreiro;
  • Campo de Favais;
  • Casa e rocio da Quinta da Bazanca;
  • Campo da Cerca Grande;
  • Campo da Cerca Pequena;
  • Campo de Boimil;
  • Campo de Chouzal;
  • Terreiro do Souto;
  • Campo da Porta;
  • Campo da Chouzela;
  • Leiras dos Pesos;
  • Devesa e coutada das Vessadas de Baixo;
  • Coutada das Vessadas de Cima;
  • Bouça da Feteira;
  • Pinhal das Chãos;
  • Devesa e bouça das Barralhas;
  • Bouça dos Fojos de Cima;
  • Bouça dos Fojos de Baixo;
  • Bouça Pequena dos Fojos;
  • Pinhal das Portelas;
  • Boucinha das Portelas de Baixo;
  • Pinhal, bouça e tojal das Portelas;
  • Bouça e tojal da Sé;
  • Bouça do Caminho da Sé;
  • Campo da Fome;
  • Campo da Cerca;
  • Lavoura do Curro;
  • Campo da Terça.


[1] ADVC, Fundo Notarial de Paredes de Coura, Livro de Notas n.º 55, Justino José Rodrigues Loureiro, 1894, fl. 29-35, cota 4.65.3.63.

[2] ADVC, Fundo Notarial de Paredes de Coura, Livro de Notas de José Narciso Alves.

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publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 10:00
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Domingo, 14 de Julho de 2013

ALUNOS DA ESCOLA DOS TOJAIS EM 1971

    Apresento, aqui e agora, um Mapa Sintético do Recenseamento Escolar Organizado em 1971 que em 14 de Julho de 1971 foi remetido pela Direcção do Núcleo Escolar de Tojais para a Direcção do Distrito Escolar de Viana do Castelo, dando conta da população existente na freguesia de Padornelo ainda em idade escolar.

 

    Assim, observando os dados estatísticos, verificámos que a comunidade estudantil de Padornelo era composta por um total de 84 alunos, isto excluindo aqueles que então frequentariam o seminário e o ensino superior. Desses, 74 frequentavam então as cadeiras e carteiras da Escola dos Tojais e os 10 restantes estudavam um nível acima, na Telescola ou Ciclo Preparatório. Os rapazes faziam o grosso da coluna, com 47 estudantes e 37 meninas constituíam um significativo bloco estudantil, ainda longe da esmagadora maioria de hoje.

 

    Por lugares, a palma populacional era erguida pelo Sobreiro, que fornecia a interessante soma de 29 jovens estudantes, seguindo a razoável distância pelas aldeias das Angústias (13 alunos), Tojais (12), Lamarigo (11) e Paradelhas (9). No polo oposto, acusando uma evidente desertificação humana e social, os sítios da Bazanca, Chão, Curro, Lapa, Portelas, Senrelas e Sigo não forneceram qualquer condiscípulo para este recenseamento. A situação em Cima de Vila (um aluno), Pedregal (1) e Veiga (2) era pouco melhor.

 

    O rapazio fazia a maioria em quase todos os lugarejos, com excepção do Sobreiro – 16 moças contra 13 mancebos – e em Lamarigo – 6 moçoilas em contraposição a 5 efebos. Por idades, o mapa mostra a existência de 7 alunos com 13 anos idade ainda a frequentar o ensino primário elementar, sendo quatro rapazes das Angústias, Lamarigo, Paradelhas (2) e Veiga e duas cachopas do Sobreiro. Os benjamins, com seis anos de idade, provinham dos lados de Lamarigo, Paradelhas e Sobreiro (2).

 

Como a imagem será de difícil leitura, apresento uma livre transcrição expurgada de alguns itens que tornariam mais densa a compreensão factual do documento. Ei-la:

 

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO NACIONAL

 

DIRECÇÃO-GERAL DO ENSINO PRIMÁRIO

 

DIRECÇÃO DO DISTRITO ESCOLAR DE VIANA DO CASTELO

 

MAPA SINTÉTICO DO RECENSEAMENTO ESCOLAR ORGANIZADO EM 1971

 

Concelho de Paredes de Coura, freguesia de Padornelo, Núcleo de Tojais

 

Lugares

Distância   da sede em metros

Crianças   recenseadas nascidas de 31 de Março de 1958 até 31 de Março de 1965

Total dos Recenseados

Ciclo Complementar

Total Geral

Sem   exame da 4.ª classe

Aprovado   no exame da 4.ª classe

Com   exame da 4.ª classe que frequentam o Ciclo Preparatório ou a Telescola

M

F

M

F

M

F

M

F

Tojais  

Sede

8

3

7

3

1

1

12

Angústias

2000

7

4

6

3

1

1

1

1

13

Bazanca  

600

Cima   de Vila

700

1

 –

1

1

Chão

1900

Lamarigo

1000

4

5

3

4

1

1

1

1

11

Lapa  

700

Mouta

1200

Paradelhas

700

5

3

4

3

1

1

9

Pedregal

600

1

1

 

1

Portelas

1200

Senrelas  

7000

Sigo

500

Sobreiro

1900

12

15

11

14

1

1

1

1

29

Valinha

600

1

3

2

1

1

1

1

6

Veiga

800

2

2

2

Soma

41

33

35

29

6

4

6

4

 

Soma Total de alunos

84

 

Em 14 de Julho de 1971

 

Os Professores Directores da Escola

Natércia de Jesus Pinto Lopes Martins

Zulmira de Oliveira Pereira

 

O Professor Presidente da Comissão

Natércia de Jesus Pinto Lopes Martins

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publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 09:00
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Quarta-feira, 2 de Janeiro de 2013

RELAÇÃO DE TODOS OS PADRES NASCIDOS EM PADORNELO IV

25 – Padre António Barbosa Freire, nasceu a 16 de Agosto de 1700 no lugar do Sobreiro, freguesia de Padornelo, filho de Domingos Freire e de Faustina Barbosa.

Faleceu em Chaves a 17 de Janeiro de 1749.

 

26 – Padre Aleixo de Sá Barbosa, nasceu na Veiga do Sobreiro, lugar da freguesia de Padornelo, a 11 de Março de 1706, filho de Ma­nuel de Sá, “o Novo”, e de Joana Barbosa.

Faleceu em Padornelo a 28 de Ja­neiro de 1797.

 

27 – Padre António Mendes, nasceu em Padornelo a 5 de Setembro de 1706, filho de Manuel Rodrigues da Filgueira e de D. Antónia Mendes.

Faleceu em Lamarigo a 27 de Junho de 1778.

 

28 – Padre Gaspar Barbosa Freire, nasceu no lugar do Sobreiro, freguesia de Padornelo, a 6 de Setembro de 1711, filho de Domingos Freire e de Faustina Barbosa.

Faleceu a 22 de Junho de 1751 na vila de Chaves.

 

29 – Padre António Rodrigues da Rocha, nasceu nos Tojais, lugar da freguesia de Padornelo, a 24 de Dezembro de 1711, filho de Luís Rodrigues e de Isabel Fernandes.

Faleceu nos Tojais a 22 de Julho de 1782.

 

30 – Padre João Moreira Tavares, nasceu em Padornelo em 1711, filho de João Moreira Tavares e de D. Antónia Maria Ferreira de Cal­das.

Faleceu a 7 de Dezembro de 1783 em Lamarigo.

 

31 – Padre António Alves de Faria, na­sceu a 12 de Janeiro de 1712 na Veiga do So­breiro, lugar da freguesia de Padornelo, filho de José Alves e de Maria Men­des.

Fale­ceu em Padornelo a 23 de Dezembro de 1762.

Igreja Matriz de Santa Marinha de Padornelo, no concelho de Paredes de Coura, em Setembro de 2005. Fotografia de Jofre de Lima Monteiro Alves.

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publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 17:35
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Sexta-feira, 19 de Outubro de 2012

RELAÇÃO DE TODOS OS PADRES NASCIDOS EM PADORNELO III

17 – Padre João Fernandes de Afonseca, nasceu a 18 de Setembro de 1642 em Lamarigo, lugar da freguesia de Padornelo, filho de Afonso Fernandes e de Maria Alves.

Foi cura coadjutor da Igreja Paroquial de Santa Marinha de Padornelo ; cura coadjutor da Igreja Matriz de Santa Maria de Paredes de Coura; cura da Igreja Paroquial de Santa Marinha de Padornelo; vigário da Igreja Matriz de Santa Marinha de Verdoejo, no Couto de Sanfins; vigário da Igreja Matriz de Santiago de Boivão, no Couto de Sanfins.

 

18 – Padre Gaspar da Cunha, nasceu a 16 de Outubro de 1643 no lugar de Requião, freguesia de Padornelo, filho de João Barreiros e de D. Maria Fernandes da Cunha.

Faleceu em Padornelo a 28 de Janeiro de 1716.

Foi cura coadjutor da Igreja Matriz de São Pedro de Formariz; cura coadjutor da Igreja Paroquial de Santa Maria de Paredes de Coura; cura co­adju­tor da Igreja Paroquial de Santa Marinha de Padornelo.

 

19 – Padre Marcos Barbosa da Cunha, nasceu em Requião, lugar da freguesia de Padornelo, e foi baptizado a 12 de Novembro de 1647, filho de João Barreiros e de D. Maria Fernandes da Cunha.

Fale­ceu a 21 de Junho de 1722 em Requião.

Foi cura coadjutor da Igreja Paroquial de Santa Marinha de Padornelo; cura coadjutor da Igreja Paroquial de Santa Maria de Paredes de Coura; cura coadjutor da Igreja Matriz de São Cristóvão de Labruja, concelho de Ponte de Lima.

 

20 – Padre João Barbosa, nasceu em Padornelo e foi baptizado a 27 de Janeiro de 1648, filho de Francisco Barbosa e de Ana Gonçalves.

Faleceu a 20 de Março de 1731 na freguesia de Por­reiras.

Foi cura coadjutor da Igreja Paroquial de Santa Mari­nha de Padornelo; cura encomendado da Igreja Matriz de São Miguel de Por­reiras; abade da Igreja Matriz de São Miguel de Porreiras.

 

21 – Padre João da Cunha Barbosa, nasceu a 10 de Fevereiro de 1653 em Requião, lugar da freguesia de Padornelo, filho de filho de João Barreiros e de D. Maria Fernandes da Cunha.

 

22 – Padre Manuel Soares de Brito, nasceu do lugar de Alvite, freguesia de Padornelo, e foi baptizado a 5 de Março de 1665, filho de Do­mingos Soares de Brito e de D. Ana Barreiro de Araújo.

Faleceu em São Tiago de Cepões, freguesia do concelho de Ponte de Lima, a 10 de Março de 1735.

Foi cura coadjutor da Igreja Paroquial de Santa Ma­rinha de Padornelo; cura da Igreja Paro­quial de Santa Marinha de Padornelo; cura enco­mendado da Igreja Matriz de Santiago de Cepões, concelho de Ponte de Lima.

 

23 – Padre Domingos Rodrigues Ribas, nasceu em Padornelo, filho de Francisco Rodrigues Ribas e de Isabel Fernandes.

Faleceu a 27 de Julho de 1718 no lugar do Sobreiro

 

24 – Padre Manuel Rodrigues de Sousa, nasceu em Padornelo e foi baptizado a 24 de Fevereiro de 1690, filho de Francisco Rodrigues Paços e de Domingas Fernandes.

Faleceu a 28 de Julho de 1725 no Sobreiro.

Igreja Paroquial de Santa Marinha de Padornelo, no concelho de Paredes de Coura, em 2011.

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publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 09:00
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Sábado, 15 de Setembro de 2012

OS INOCÊNCIOS E AS LOJAS DO TOJAIS

    28 de Julho de 2012, recriação da Feira de Padornelo. A data ficará, certamente, gravada a letras de ouro nos anais da história da nossa santa terrinha e manter-se-á na memória de todos. Nesse dia, por empenho da notável Associação Cultural Recreativa e Desportiva de Padornelo, da Junta de Freguesia de Padornelo e das forças vivas, assistimos a uma pujante manifestação de vitalidade, bairrismo e capacidade extraordinária de saber fazer.

 

    A manhã surgiu radiosa sob o manto anil do céu, por entre chilreios dos passarinhos a fazer coreto nos beirais da Capela do Senhor Ecce Homo, enquanto os raios de sol beijavam as faces esfusiantes de alegria daquele mar de gente, cada rosto desprendia o ar mais satisfeito pelo modo como decorria o evento. Foi uma festa, conforme as leis substantivas do cosmo!

 

   Para além deste motivo, já se si razão suficiente, no centro histórico da nossa freguesia, ali nos Tojais, a cada passo topava com mais motivos de satisfação redobrada. Três gerações da minha família tinham deixado obra visível em quatros lojas daquele lugar!

 

 

 

 

 

   Por ordem cronológica, em 1932 o meu bisavô Inocêncio António Alves, grande mestre de talha dourada e artista marceneiro, fez as obras de madeira na loja de Aurélio Manuel Pereira, “Órélio do Narciso”, a única que não abriu portas. Depois, o meu avô António Inocêncio Alves, que herdou do seu progenitor as melhores qualidades humanas e artísticas, logo no início da década de 1940, de ânimo confortado deixou serviço apreciável na arte de manejar a madeira, a plaina, a goiva e o formão na loja do sr. António Barreiro.

 

 

    Anos volvidos, em 1949 o sr. Joaquim José Fernandes, “Joaquim das Eiras”, chamou o meu pai, Ilídio Monteiro Alves, então na pujança dos 21 anos, para o encarregar dos afazeres relativos ao madeiramento integral do seu estabelecimento de mercearia que tinha constituído em sociedade com Guilherme António Barreiro. Nesta venda, vai o destaque para umas mãos entrelaçadas, primorosamente modeladas, peça trabalhada com amor e entusiasmo.

 

    Por fim, em 1956, quando Guilherme Barreiro, “Guilherme da Loja”, decidiu abrir o seu próprio negócio de mercearia e vinhos, também nos Tojais, contratou um Inocêncio, como não podia deixar de ser, para fazer o serviço de marcenaria e carpintaria, recorrendo aos primorosos préstimos do meu avô António Inocêncio.

 

    Revivi isto com a felicidade dos grandes afectos e a êxtase dos sentidos, pois por sentido de oportunidade da recriação da feira, três das quatro lojas em causa estavam abertas ao público, para deleite aos olhos e à alma. Acudiu povo de toda a parte, o visitante estacava a examinar tais e tais, as tulhas, prateleiras, gavetas, tectos, balcões, motivos vegetalistas, floreados, embutidos, entalhes, lambrins, altos-relevos, a cartilha de arabescos e demais habilidades. A figura admirável do desenho, por entre mil vestígios cheios de dedicação, recebia a inspiração directamente da arte, através das mãos graciosas de artistas.

 

 

    Tudo em apreciável estado de conservação, porquanto o tempo dá às cousas um afago uniforme. Obra de tal qualidade e puro brilhantismo, de maneira que muitas das pessoas quando se deparavam com o trabalho, diziam de pronto e súbita admiração:

    – Isto é obra dos Inocêncios!

 

   Gente do mesmo sangue, corcovados na bancada e a quem não deu a morrinha nos dedos, que labutou em quadros surpreendentes, através do suor salgado que repassa em cada obra, tão forte como a maresia e, que para mim, desde a infância, tem o odor perfumado das coisas familiares e maravilhosas. Quanta honra e alegria, num redemoinho de paixão!

 

    Naquele espaço tão próximo, quase porta a porta, três gerações da mesma família, artífices de génio em sumo grau, deixaram um vasto conjunto de obra incisiva e admirável! No fim, todos de acordo e não havia dúvida: estava um lindo dia, a feira foi um sucesso monumental e, aquilo das madeiras, era obra nem aparada nem acrescentada dos Inocêncios!

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Sábado, 28 de Julho de 2012

PARA A HISTÓRIA DA FEIRA EM PAREDES DE COURA E PADORNELO

Por: Jofre de Lima Monteiro Alves

 

    Quando nasceu a feira de Coura? Não temos a resposta definitiva, mas no início do século XVI o Rei Dom Manuel I concedeu autorização ao Visconde de Vila Nova de Cerveira, senhor donatário da Terra de Fraião e do concelho de Coura, para este nomear fiscais para a “feira de Coira. Isto significa que a mesma já se realizava, provavelmente desde os tempos de antanho.

 

    Tendo inicialmente a periodicidade mensal, realizava-se a cada dia 9, mas passou a quinzenal por força do alvará régio de Dom Pedro II, datado de 8 de Novembro de 1689, sendo fixadas as datas de 9 e 24 de cada mês para a sua realização.

 

    Todavia, os povos de Coura, impelidos pelos sujeitos de negócios, queriam mais, e para tal alcançaram do Rei Dom João V a autorização para se levantar nova feira no lugar de S. Roque, na freguesia de Rubiães, por mercê de 20 de Janeiro de 1712, a qual seria transferida posteriormente para o Cascalhal, lugar da freguesia de Romarigães, por carta régia do mesmo monarca, lavrada na Chancelaria a 19 de Fevereiro de 1726. Teve, porém, vida breve.

 

    O espaço feirante nesta zona concelhia nascera sobre triste signo, problemática a existência que levou a constantes supressões e reactivações inúmeras vezes. Não houve fabulário milagreiro que lhe desse bom caminho, vagueando num babaréu façanhudo bafejado pelos foles do inferno, como veremos mais adiante.

 

    No reinado de Dona Maria II seria criado outro mercado, este de reminiscência e tradição mais perdurável até aos meados do século XX. Por graça da carta régia de 16 de Julho de 1792, os administradores da Real Confraria e Santuário do Senhor Ecce Homo, os moradores de Padornelo e demais povo do concelho de Coura foram autorizados a realizarem uma nova feira naquela freguesia.

 

    Na petição, a bater à porta da estância soberana, naquele português macarrónico da centúria de setecentos, alegavam com o coração aos saltos que «tinham desejo e necessidade de que naquele sítio que estabelecessem algumas feiras», pois o foral manuelino previa a existência e a «faculdade para duas» no espaço concelhio.

 

    Numa retórica melodramática, carregada de tintas negras a fim de inspirar a magna piedade da rainha, alegavam que «muitas vezes» não se realizava a feira de Paredes «por causa das chuvas e inundações, por ser no Inverno», o que causava «comum prejuízo» e fazia aquele «Povo viver em indigência por falta de negociações e estarem distância de três léguas os termos mais circunvizinhos».

 

    Ao mesmo tempo, condoídos de dores e penúrias, como causa maior acrescentavam o facto «ter esfriado a devoção e ocorrência a que costumava haver de muitas partes ao dito Santuário» do Senhor Ecce Homo, que entrava, assim, em estado de calamitosa decadência, o que não convinha ao serviço de Deus. Parece, a fazer fé, que antes acudia povo dos quatro cantos.

 

    Assim, para melhor abastecimento dos povos, escoar a produção agrícola, renovar a grandeza da Real Capela e por coisas e loisas, naquela letra miudinha e pressurosa, pediam a graça real de ser criada «uma feira no primeiro dia de cada mês e uma a vinte e seis e vinte e sete do mês de Julho de cada ano, todas no Terreiro do dito Santuário». Com se disse, foi despachado favoravelmente por provisão régia de 16 de Julho de 1792. Naquelas eras recuadas, os reis e governantes ainda queriam o bem explícito dos povos.

 

    Atraiu a rédea dos almocreves e tornou-se um entreloiço de festim. Teve vasta duração e era afamada como feira de predilecção especial para gado, cereais, hortaliças e não faltava de premeio a boroa de truz. Ocupava o rossio vizinho à Capela do Senhor Ecce Homo, nos Tojais, lugar da freguesia de Padornelo, classificada como «a segunda, em importância, do concelho» na ordem natural da grandeza, sólida e cumpridora dum destino benigno. Pedia meças a muitas feiras do Alto Minho.

 

    Durante o século XIX e primeiro terço da centúria de 1900 ganhou fama e proveito de ser «boa para gados, e acorrem a ela cereais, hortaliças, peixe fresco e salgado, galinhas ovos, frutas», e, em contraponto, nunca teve tenda para venda de ourivesaria. Os negociantes elegiam a Feira dos Tojais como lugar de eleição, corria a fama de feirão porque o terreno inclinado e os ares favoráveis acentuavam as condições ideias, «o gado feirava bem» e tudo encaminhava para preços competitivos e razoáveis.

 

    Em Junho de 1958, devido a uma epidemia de febre aftosa malina, foram «proibidas as feiras dos animais em todo o distrito de Viana», o que causou «um grande prejuízo, não só aos lavradores, assim como a todos em geral, pela falta de transações». Tal facto, um agravo infligido que se prolongou em demasia, arruinou a pujança da praça mercantil de Padornelo, que não conseguiu sobrevir sem a sua componente de Feira do Gado, dando ainda a última demão do estertor em finais de 1958.

 

    O povo de claro engenho, olho fino e afeiçoado às coisas do labirinto sobrenatural, que nunca foi gente de meias tintas, prefere atribuir a morte da feira a uma maldição que teve origem no facto de se ter cortado o adro do Senhor Ecce Homo para a construção duma estrada, desviada de propósito para não entrar em terrenos duma senhora de estadão e etiqueta. A ser assim, os espectros acusadores pesaram imenso na balança da justiça divina.

 

    Extinguiu-se naturalmente no início da década de 1960, depois de uma curtíssima tentativa de a fazer renascer, após 170 anos de actividade. A Feira dos Tojais ou Feira de Padornelo é, coração ao largo, uma saudosa referência, a engrossar a memória cristalina, que os acidentes históricos e sociais empurram com recalcos de inteligência para os gélidos campos sem regresso.

 

    Como entretanto desaparecera a Feira do Cascalhal, foi fundada uma nova no intuito de substituí-la, desta feita no lugar de Antas, freguesia de Rubiães, por provisão de 1831 do Rei Dom Miguel I. Votada ao insucesso, ou por ser considerada nefasta obra do absolutismo, escassos seis anos depois seria extinta pelo Governo Liberal, «por ser prejudicial», conforme menciona a portaria de 11 Maio de 1837 da Rainha Dona Maria II, e, quiçá, um despautério absurdo.

 

    A própria Câmara Municipal de Coura, de sobrolho carregado e a chapinhar odioso sobre os feirantes, solicitara a sua extinção por rogo de 9 de Abril de 1837, porquanto arguia que na Feira de Antas «se praticavam nelas muitos furtos e constantes desordens», apontada a dedo de todas as velhacarias. Grassava a desordem, espectáculo desmoralizador, pois a cada passo irrompiam rixas desvairadas e batalhas campais de monda, corria sangue como num regato de inverno, mesmo nos dias mansos.

 

    A plebe ofereceu instintiva, mas melindrosa, resistência sem lhe amolecer a alma, tendo, por isso, o Governo Civil do Distrito de Viana do Castelo reforçado a ordem de extinção em Junho do mesmo ano, por questões de lana-caprina e artilhado de toda a jurisprudência.

 

    De quando em quando, o poviléu assentava arraiais por ali, assobiava para o lado e reactivava clandestinamente a Feira de Antas, armando as tendas à revelia dos poderes instituídos, de modo obstinado, enquanto fazia escolta aos canjirões de vinhaça e caldo-verde divinais, por não querer tão-pouco acatar o capricho das autoridades.

 

    Em 1846 ocorreram ali graves distúrbios durante a Patuleia, apesar da Câmara Municipal de Coura agravar posturas nas quais determinava a multa de 1$000 réis aos feirantes e usuários da Feira de Antas. Os tempos eram turvos, como turbada a água do tanque do Inferno, ameaçava terra e céu.

 

    Para impor a liquidação definitiva e a ordem da lei, o Governo Civil de Viana do Castelo enviou em 1847 uma coluna militar de Valença armada até os dentes, ocupou o sítio com manápula de ferro, enquanto a edilidade aumentava a coima aos transgressores para 2$000 réis e outros gravames a enterrar a unha na fazenda. A feira morreu, então, sacrificada no altar da força, perante a populaça de olhos rasos de lágrimas, atrita e gemebunda.

 

    Contudo a edilidade, por caminhos ínvios, decidiu reactivar a desaparecida Feira de Antas, desta feita no lugar da Chã, freguesia de Rubiães, erecta agora por decisão do presidente José Brandão Pereira de Castro a 10 de Novembro de 1859. Acto administrativo que não foi sancionado pela Junta Geral do Distrito de Viana.

 

    Mas como aquilo que torto nasce, torto vegeta, a feira foi transferida aos trambolhões por motivos operacionais para junto da Capela do Senhor do Amparo, freguesia de Linhares, onde, pese embora a promessa duma bênção celestial mais protectora, também não prosperou e cresciam as ervas ruins para além da medida. Logicamente, foi abolida por alvará do Governo Civil de 5 de Outubro de 1875, por proposta emanada da edilidade courense em 1873. A feira deste lado das brenhas do concelho andou, sempre, de Ceca em Meca com a tenda às costas.

 

    Entretanto, o campo da feira do gado, em Paredes de Coura, repimpado de eira nova, foi inaugurado a 9 de Janeiro de 1884, onde permaneceu até a introdução de novas regras que levaram à sua extinção em data recente. Por isso mesmo, deu origem ao topónimo popular, ainda persistente, que designa aquela área por Largo da Feira do Gado, à revelia da denominação oficial que lembra uma data penosa.

 

    A 24 de Agosto do mesmo ano os espaços denominados feira dos cereais e feira das mulheres, hoje unificados no Largo de Hintze Ribeiro, foram oficialmente inaugurados. As obras de beneficiação e o chafariz são da lavra do mestre José Joaquim Guerreiro, de Lanhelas.

 

    Em ambas as ocasiões era presidente da autarquia o Comendador Miguel Dantas, que aliás, foi quem idealizou esta renovação da feira, e negociou a respectiva expropriação de terrenos com António Pereira da Cunha, Senhor da “Casa Grande”, a cuja quinta fidalga pertencia a maioria dos campos onde depois de instalaram os novos recintos.

 

    A autarquia, por resolução emanada a 23 de Janeiro de 1897, e sugestão do seu presidente, o dr. José Maria Nogueira, filho do falecido Visconde de Mozelos, deliberou alterar as datas da realização das feiras concelhias, transferindo-se para os sábados, alternados quinzenalmente, que deu origem aos famosos «sábados de Paredes» e «sábados dos Tojais», conforme decorriam as feiras na vila ou em Padornelo.

 

    Entretanto, aquele nado-morto era teimosamente ressuscitado, pois a 20 de Dezembro de 1906 a Câmara Municipal de Paredes de Coura, sob proposta do vice-presidente José António Martins, restabeleceu a Feira de Antas, na freguesia de Rubiães, nas segundas-feiras imediatas à de Paredes de Coura.

 

    Como pela proximidade de ambas era nefasta e não trazia qualquer benefício, foi a mesma transferida a 26 de Dezembro de 1908 para o domingo seguinte à de Padornelo, mas pouco proveito lhe trouxe tal mudança.

 

    A 12 de Março de 1913 foi a dita Feira de Antas deslocada, agora para o espaço adjacente à Capela de S. Bento da Porta Aberta, na freguesia de Cossourado. Mas pouco subsistiu aí, tudo é finito, tudo é efémero. Seria extinta definitivamente, sem provento, nem lembrança e rebate. Nascera tolhiça e prenha de vida negra.

 

    O mercado municipal tem um relambório mais modesto e minguado. Já existia há algum tempo quando o presidente da Câmara Municipal de Coura, Miguel de Antas Bacelar e Barbosa, fidalgo de costados e sangue azul, a 11 de Outubro de 1834 determinou mandar reconstruir o antigo alpendre de madeira onde funcionava a praça, situado no terreiro público fronteira aos antigos Paços do Concelho, a fim de nele serem vendidos os géneros alimentícios de primeira necessidade.

 

    Mas o espaço devia estar deveras decadentes e degradado, porquanto a municipalidade solicitou ao Governo da Nação a devida autorização para levantar uma nova área destinada ao mercado semanal, numa petição assinada a 15 de Julho de 1876 pelo presidente Comendador José Luís Nogueira, mais tarde ornado com o título de Visconde de Mozelos.

 

    Foi posteriormente demolido para ser substituído por uma nova praça, inaugurada a 23 de Dezembro de 1892, por decisão do Conselheiro Miguel Dantas, patrono dos voejos para romper noções concretas de civilização neste sertão, com providência autorizada.

 

    Sobre os recentes padecimentos e tratos de polé submetidos à Feira de Paredes, com a transferência para uma cova funda e outros dislates, nem vale a pena esgrimir risinhos e trejeitos, pese embora os tempos modernos não estarem para estas mercancias, foi erro de monta e estoira-vergas. Um absurdo inconcebível, que convém rectificar e fazê-la regressar ao local de origem!

 

Março de 2006

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Domingo, 1 de Julho de 2012

RELAÇÃO DE TODOS OS PADRES NASCIDOS EM PADORNELO II

9 – Padre João Gonçalves Pereira, nasceu em Padornelo em 1575, filho de Afonso Dias.

Faleceu em Padornelo a 3 de Maio de 1648.

Foi cura coadjutor da Igreja Matriz de Santa Marinha de Padornelo; cura coadjutor da Igreja Matriz de São Paio de Mozelos; cura coadjutor da Igreja Paroquial de Santa Marinha de Padornelo; abade da Igreja Matriz de São Miguel de Porreiras.

 

10 – Padre João Gonçalves Capão, nasceu em Padornelo em 1580.

Foi cura da Igreja Matriz de São Miguel de Cristelo.

 

11 – Padre João Antunes Pacheco, nasceu em 1590 no lugar do Sobreiro, freguesia de Padornelo, filho de António Alves e de Branca Lourenço.

Faleceu no Sobreiro a 18 de Março de 1668.

Foi cura coadjutor da Igreja Paroquial de Santa Marinha de Padornelo.

 

12 – Padre Pascoal Rodrigues nasceu em 1600 em Padornelo.

Foi cura da Igreja Matriz de Santa Marinha de Padornelo.

 

13 – Padre António Veloso de Caldas, nasceu em Padornelo e foi baptizado a 8 de Agosto de 1619, filho de Gaspar de Caldas de Abreu e de D. Ana Veloso Bacelar.

Faleceu a 2 de Setembro de 1646 em Padornelo.

 

14 – Padre Francisco Barreiros, nasceu no lugar de Requião e foi baptizado na Igreja Matriz de Santa Marinha de Padornelo a 23 de Fevereiro de 1620, filho de Francisco Rodrigues e de Francisca Fernandes.

Foi cura coadjutor da Igreja Paroquial de Santa Marinha de Padornelo; cura coadjutor da Igreja Paroquial de Santa Marinha de Padornelo; cura coadjutor da Igreja Matriz de Santa Maria de Pa­redes de Coura; cura coadjutor da Igreja Matriz de Santa Maria de Pa­redes de Coura; cura coadjutor da Igreja Matriz de São Cristóvão de Labruja, concelho de Ponte de Lima.

 

15 – Padre Francisco Rodrigues Pereira, nasceu em Padornelo e foi baptizado a 20 de Maio de 1621, filho de Francisco Fernandes da Veiga e de Leonor Rodrigues Pereira.

Faleceu a 30 de Junho de 1653 em Padornelo.

 

16 – Padre Miguel Barbosa, nasceu no lugar de Alvite e foi baptizado a 21 de Novembro de 1621 em Padornelo, filho de Fran­cisco Rodrigues e de D. Catarina de Sequeiros e Cal­das.

Faleceu a 4 de Março de 1643 em Padornelo.

Igreja Paroquial de Santa Marinha de Padornelo em 2010.

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Terça-feira, 12 de Junho de 2012

RELAÇÃO DE TODOS OS PADRES NASCIDOS EM PADORNELO I

    Talvez seja interessante dar a conhecer a relação nominal de todos os presbíteros ou clérigos nascidos em Padornelo, freguesia do concelho de Paredes de Coura, no distrito de Viana do Castelo, desde os tempos imemoriais. A lista, embora exaustiva, até por conter o nome de 53 ordinandos, não é, contudo, completa, principalmente para as eras mais recuadas.

 

    Os nomes em causa foram recolhidos após intensa pesquisa nos diversos livros de registos paroquiais da Igreja Matriz de Santa Marinha de Padornelo, depositados no Arquivo Distrital de Viana do Castelo, mas também nos requerimentos apresentados à Arquidiocese Primaz de Braga para ingresso na carreira eclesiástica, consultados no Arquivo Distrital de Braga.

 

    Para não tornar esta rubrica cansativa pelo aluvião de dados e datas, por opção, a informação respeitante à carreira e cargos desempenhados é reduzida ao mínimo essencial. Pelo mesmo motivo e devido a ser muito extensa, a listagem vai ser apresentada fragmentada em seis listas, sempre ordenadas por ordem cronológica de nascimento.

 

1 – D. Sancho Pires de Froião, nasceu em 1230 em Padornelo, filho de Pedro Pires Homem e de D. Teresa Anes Redondo. Faleceu em Janeiro de 1300 na cidade do Porto.

Foi chantre da Sé do Porto; deão da Sé do Porto; cónego da Sé de Tui; bispo do Porto.

 

2 – Padre João Ferraz, nasceu em Padornelo, cerca de 1400.

Foi beneficiado na Igreja Paroquial de São Salvador de Sabadim, concelho de Arcos de Valdevez.

 

3 – Padre João Gonçalves, nasceu em Padornelo em 1400.

Foi pároco da Igreja Matriz de Santa Marinha de Padornelo.

 

4 – Padre João Esteves, nasceu cerca de 1410.

Foi pároco da Igreja Matriz de Santa Marinha de Padornelo.

 

5 – Padre João Fernandes, nasceu em Padornelo em 1427, filho de Fernão Pires e de Aldonça Afonso.

Foi abade da Igreja Paroquial de Santa Marinha de Padornelo.

 

6 – Padre Afonso Martins, nasceu em Padornelo em 1430.

Foi pároco da Igreja Paroquial de Santa Marinha de Padornelo.

 

7 – Padre Francisco Fernandes, nasceu em Padornelo em 1560.

Foi cura da Igreja Paroquial de Santa Marinha de Padornelo.

 

8 – Padre João Gonçalves Barreiro, nasceu em Padornelo em 1572, filho de Gonçalo Alves e de Madalena da Loureira.

Foi cura da Igreja Paroquial de São Salvador de Resende; cura da Igreja Matriz de São João Baptista de Bico.

 Igreja Matriz de Santa Marinha de Padornelo, na freguesia de Padornelo, concelho de Paredes de Coura.

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Terça-feira, 24 de Janeiro de 2012

PARA A HISTÓRIA DA MONARQUIA DO NORTE

Por: Jofre de Lima Monteiro Alves

 

    A 14 de Dezembro de 1918 o major dr. Sidónio Bernardino Cardoso da Silva Pais, Presidente da República Portuguesa, foi assassinado a tiro, ao badalar da meia-noite. A partir daqui tudo se complicou e precipitou, quase às claras. A 13 de Janeiro de 1919 estoura em Santarém uma rebelião militar republicana, prontamente esmagada pelo general Fernando Tamagnini de Abreu e Silva e pelo Ministro da Guerra, tenente-coronel José Alberto da Silva Basto. O poviléu, atrito e gemebundo, assistia a tudo de olho esbugalhado fora da órbita.

 

    Logo de seguida, num domingo radioso de sol, eclodiu a revolta monárquica na cidade do Porto, «agora ou nunca». Durante a parada militar do Monte Pedral, com contingentes de Infantaria, Cavalaria, Artilharia, Metralhadoras e da Guarda Nacional Republicana, às 13 horas do dia 19 de Janeiro de 1919, foi desfraldada a bandeira azul e branca, por entre vivas a Portugal, à Monarquia, ao Exército e a El-Rei Dom Manuel II, tudo sem disparar um único tiro.

 

    Secundada por outros movimentos sediciosos, rapidamente levaram à proclamação da Restauração da Monarquia e a instauração da Junta Governativa do Reino de Portugal sob a presidência de Henrique de Paiva Couceiro, que exerceu, na realidade, o poder nas províncias do Minho, Douro, Trás-os-Montes, parte da Beira Alta e da Beira Litoral até à linha do Vouga.

 

    Formou-se um ministério, o Governo Nacional, com figuras gradas e espírito couraçado com as razões celestes:

Coronel Henrique Mitchell de Paiva Cabral Couceiro como Ministro da Presidência, Negócios da Fazenda e Subsistências;

Capitão de Cavalaria António Adalberto Sollari Allegro, Ministro dos Negócios do Reino;

Dr. Júlio Girão Faria de Morais Sarmento (Visconde do Banho), Ministro dos Negócios Eclesiásticos, Justiça e Instrução;

Coronel João de Almeida, Ministro da Guerra, Marinha e Comunicações;

Conselheiro dr. Luís Cipriano Coelho de Magalhães, Ministro dos Negócios Estrangeiros;

Coronel eng.º Artur da Silva Ramos, Ministro das Obras Públicas, Correios e Telégrafos;

Dr. Pedro de Barbosa Falcão de Azevedo e Bourbon (Conde de Azevedo), Ministro da Agricultura, Comércio, Indústria e Trabalho.

 

    O coronel João de Almeida, comandante militar de Aveiro, nunca chegou a tomar posse e não tardou a desmarcar-se da «restauração monárquica na presente conjuntura». Tal motivo originou a redistribuição das pastas ministeriais.

 

    A Junta Governativa do Reino de Portugal tentou reorganizar a administração do território nomeando governadores civis para diversos distritos, cujas posse decorreram, na maioria dos casos, a 20 de Janeiro:

Tenente-coronel Fernando de Almeida Cardoso de Albuquerque (Conde de Mangualde) para o distrito do Porto;

Major Martinho José Cerqueira para Viana do Castelo;

Major Egas Ferreira Pinto Basto para Aveiro;

Capitão Arnaldo Ribeiro de Andrade Piçarra para Braga;

Tenente-coronel Carlos Leitão Bandeira para Bragança;

Capitão Victor Alberto Ribeiro de Menezes para Coimbra;

António de Sampaio da Cunha Pimentel para Vila Real;

Tenente-coronel Patrício Xavier de Almeida e Brito para Viseu;

Dr. António Maria de Sousa Sardinha para o distrito de Portalegre;

Coronel Firmino Teixeira da Mota Guedes como governador militar de Braga.

 

    Ao mesmo tempo revogou inúmera legislação aprovada pelo fervor republicano desde Outubro de 1910, criou um órgão oficial, restabeleceu os símbolos da Monarquia Constitucional, a bandeira, o hino, a moeda, os selos, os feriados, a Carta Constitucional da Monarquia Portuguesa de 1826 e reintroduziu o Código Administrativo de 1896.

 

    O Diário da Junta Governativa do Reino de Portugal, logo no seu primeiro número publicado a 19 de Janeiro, despachou os decretos que restabeleceram a bandeira com as cores reais, o Hino da Carta e revogou «toda a legislação promulgada desde 5 de Outubro de 1910». Entrementes, prosseguiu o afã legislativo da Junta Governativa do Reino de Portugal, com o estabelecimento do livre-trânsito dos géneros alimentícios e a regulação de preços.

 

    Os oficiais, militares e funcionários que tinham sido saneados após o 5 de Outubro foram readmitidos, promulgou uma amnistia para os exilados políticos. À frente da Divisão Militar do Porto foram mantidos o coronel João Gomes Espírito Santo e o capitão António Maria Homem de Sampaio e Mello. A maioria esmagadora das autarquias do Entre-Douro-e-Minho aceitou o facto consumando sem perturbação da ordem e proclamou a Monarquia, sem haver necessidade de nomear novas vereações. Ainda a 19 de Janeiro a restauração da Monarquia foi solenemente proclamada em Viseu, São Pedro do Sul, Lamego e em Braga.

 

    A 20 de Janeiro de 1919 o dr. José Maria Nogueira, que já era presidente da Câmara Municipal de Paredes de Coura, aclamou a mudança do regime em sessão solene realizada nos Paços do Concelho. Com mais ou menos entusiasmo, e por entre vivas ao Rei e estralejar de fogo-de-artifício, a bandeira azul e branca foi içada em Ponte da Barca, Ponte de Lima, Arcos de Valdevez, Melgaço, Vila Nova de Cerveira, Caminha, Guimarães, Barcelos, Vieira do Minho, Fafe, Póvoa de Lanhoso, Cabeceiras de Basto, Esposende e demais localidades minhotas, reconhecendo ipso facto a mudança de regime.

 

    As únicas excepções registaram-se em Viana do Castelo e Valença do Minho, devido à forte presença de guarnições infectadas pelo credo republicano. Formou-se em Braga uma intrépida coluna militar comandada pelo capitão António de Sá Guimarães Júnior, acompanhado do major Martinho José Cerqueira, governador civil indigitado, e pelo coronel Alfredo Ernesto Dias Branco, comandante militar da cidade do Lima, marchou para o Alto Minho e impôs a instauração da Monarquia em Viana do Castelo, ainda a 20 de Janeiro, e em Valença no dia imediato, sem encontrar, afinal, qualquer resistência ou disparar um cartucho. Contudo, a 22 de Janeiro, as canhoneiras da Marinha republicana bombardearam a cidade de Viana do Castelo e Vila Praia de Âncora, acto intimidatório, para inglês ver.

 

    De seguida a «coluna relâmpago» do capitão Sá Guimarães marchou para o Nordeste e proclamou a restauração da realeza em Vila Real (24 de Janeiro) e em Vidago (30 de Janeiro) e, quando planeava atacar Chaves, retrocedeu primeiro para Mirandela, onde já fora antes restaurada a República, e ali sofreu o primeiro revés, sendo gravemente ferido.

 

    A Coluna Militar Mista do Sul, comandada pelo tenente-coronel de Artilharia João Carlos da Cunha Corte-Real Machado partiu do Porto a 22 de Janeiro e proclamou a Monarquia em Ovar (23 de Janeiro), Estarreja e Albergaria-a-Velha (24 de Janeiro), sendo travada às portas de Águeda, exaurida de reforços, munições, calçado e pitança.

 

    Por isto ou por aquilo, a Monarquia nunca foi instaurada na região Centro do País, o que tornou muito difícil a sua sobrevivência. Somente a 22 de Janeiro de 1919 a rebelião alastrou a Lisboa, com as tropas monárquicas e civis comandados pelo conselheiro Aires de Ornelas e Vasconcelos a acantonarem-se no reduto da serra de Monsanto, donde foram desalojados após violentíssimos combates e gritaria da turba espavorida, que ditaram a derrota monárquica na capital, a 24 de Janeiro. A rebelião no Sul fracassara perante a Escalada de Monsanto, sem rei nem roque.

 

    Para operar na Régua e Lamego foi enviada a coluna monárquica capitaneada pelo major Joaquim César de Araújo Rangel, depois transferido para Trás-os-Montes e ali substituído pelo tenente-coronel Augusto de Sousa Dias, porém, já não era possível sustar o açoite das forças republicanas por muito tempo, a mata-cavalo por trancos e barrancos. A 10 de Fevereiro, apesar do denodo praticado, os republicanos conquistaram Lamego.

 

    A Coluna Mista do Norte, agora liderada pelo major Joaquim Rangel, marchou em direcção a Mirandela, trupe que trupe, depois de receber informações que reforços republicanos iam de rota batida a caminho de Vila Flor, por meio de montes fragosíssimos. A 9 de Fevereiro de 1919 iniciou-se o feroz combate pela travessia do rio Tua e tomada de Mirandela, nove horas a ferro e fogo e terminou num feroz assalto corpo a corpo nas vielas da localidade, ao cair da noitinha. Com pesadas baixas de ambos os lados, a bandeira real foi ali novamente hasteada. No dia seguinte a Monarquia foi proclamada em Vila Flor.

 

    Vitoriosos em Lisboa, os republicanos e o Governo da República apertaram o cerco, mobilizando voluntários civis e colunas militares comandadas pelos generais Abel Hipólito e Alberto Mimoso da Costa Ilharco em marcha forçada com destino ao Norte do País. Depois de fugazes escaramuças e recontros, em especial em Águeda e em Angeja, a breve Guerra Civil iria terminar com a derrota da hoste monárquica, com numerosos actos de valentia de parte a parte.

 

    Os republicanos reocuparam Estarreja (11 de Fevereiro) e Oliveira de Azeméis e Ovar (12 de Fevereiro), e os combates prosseguiam ainda na Ponte de Entre-os-Rios e Paços de Ferreira. Apesar dos últimos esforços na frente de batalha em Lamego e no Vouga de Paiva Couceiro, esforçado paladino dos seus ideais, com tão parcos meios e sem bocado de pão para trincar pela soldadesca, a defesa da Monarquia e do Porto era caso de extrema complexidade, percebeu de salto que a causa estava perdida. A manta era curta, destapava os pés quando cobria a cabeça.

 

    Porém, a Monarquia do Norte ainda persistiu até 13 de Fevereiro, altura em que o capitão de Cavalaria João Maria Ferreira Sarmento Pimentel e o capitão de Infantaria Jaime Rodolfo Novais e Silva, com razões astutas, restauraram a República na cidade do Porto, aproveitando a ausência de Paiva Couceiro e de Sollari Allegro, o que precipitou a marcha dos acontecimentos, ainda com alguns focos esporádicos de resistência monárquica aqui e ali. Aos poucos e pouco, fruto da enorme diferença de recursos, o sonho desmoronou-se e a bandeira rubra e verde foi alçada nas demais localidades.

 

    Ainda a 13 de Fevereiro as forças realistas abandonam Vila Flor, a 14 deixaram Mirandela, retirando em direitura a Bragança. A 17 de Fevereiro foi arvorada o pendão republicano em Vila Real e no dia seguinte terminou a resistência monárquica em Macedo de Cavaleiros. A 19 de Fevereiro de 1919, o conselho de oficiais decidiu abandonar Bragança, o ultimo bastião da Monarquia, e o major Joaquim Rangel, na companha de dez oficiais, cinquenta civis e alguns labregos, atravessou a fronteira e no meio das maiores dificuldades entrou em Espanha a 20 de Fevereiro, depois de andanças por franças e araganças, a descrer da graça divina da Restauração.

 

    Curiosamente, somente a 23 de Fevereiro de 1919 a República foi reimplantada nos Paços do Concelho de Paredes de Coura graças ao major Inácio Soares Severino de Melo Bandeira, comandante do 3.º Batalhão do Regimento de Infantaria de Valença, e ao capitão Antero Moreira da Rosa Alpedrinha, administrador do concelho de Paredes de Coura.

 

    Consumada a derrota azul e branca, eis a leva de presos, represálias de monta, alguns assassinatos esporádicos a enviar monárquicos de presente ao Diabo, saneamento de oficiais, expulsão de funcionários, toda a série de «morras» e «mata» da folia rude da populaça urbana de Lisboa e Porto e mais partes-gagas. As enxovias dos cárceres de Lisboa (Penitenciária, Trafaria, Limoeiro, Lazareto e Forte de S. Julião da Barra), Porto (Aljube e Casa da Reclusão), Funchal, Coimbra, Braga, Ponte de Lima, abarrotaram até ao tecto.

 

    Foram criados o Tribunal Militar Especial de Santa Clara (Lisboa) e o Tribunal Militar Especial de S. Bento (Porto) que julgaram dois mil arguidos civis e militares, em julgamentos que se prolongarem até 1921, com muitas sentenças cochichadas ao ouvido e sobrolho carregado, o látego a fustigar a canalha talassa. Ao mesmo tempo procedeu-se a um vasto saneamento da corporação militar com a expulsão de quinhentos oficiais das Forças Armadas. A República topava inimigos a cada passo, até num sorriso alarve.

 

    O major Martinho Cerqueira, governador civil do distrito de Viana do Castelo na Monarquia do Norte, o capitão Benjamim Gomes de Amorim, natural de Arcos de Valdevez, e o sargento de Artilharia Manuel da Mota, de Viana do Castelo, foram condenados a seis anos de prisão maior celular, seguidos de dez anos de degredo ou à pena única de vinte anos de degredo. O padre Domingos Pereira, cabecilha que em Cabeceiras de Basto desfiava padres-nossos enquanto sustinha o arcabuz da guerrilha, foi condenado a tanta soma de anos, quatro em prisão maior celular, seguidos de oito em degredo, ou a quinze anos de degredo opcional.

 

    O alferes Gualdino Ribeiro Guimarães de Passos, natural de Padornelo (Paredes de Coura), foi punido com quatro meses de prisão por despacho de 15 de Agosto de 1919, decisão que contudo foi anulada por despacho de 4 de Janeiro de 1920, «por não provada por unanimidade» as acusações de «tentar restabelecer a forma de Governo Monárquico em Portugal». Revogada em termos administrativos, depois de ter cumprido a punição.

 

    O dr. António Antas de Barros, de Paredes de Coura, detido no Porto a 14 de Fevereiro pelo seu envolvimento na Restauração Monárquica, foi pendurado de cabeça para baixo na Ponte Dom Luís e intimado com risco de vida a gritar “Viva a República”. Não se mostrou manso nem cordato e respondia sempre, com brios de bizarria e durante horas, com um heróico e contumaz Viva o Rei!. Moídos de tanta berraria, o homúnculo não cedia pela alma do Demo, foi atirado dois anos agrilhoado para o fundo do calabouço em Ponte de Lima.

 

    António Domingos Teixeira Pinto e António de Oliveira Lima, ambos do concelho de Coura, alistaram-se igualmente sob o estandarte real, a satisfizer o dever sagrado dos seus ideais, com louváveis assomos de coragem. Obviamente, estes casos são tão-só evocativos e não esgotam a questão.

 

    Do Alto Minho, entre outros, participaram na Monarquia do Norte o Manuel dos Passos Couta Viana, de Viana do Castelo, comandante duma bateria de artilharia em Monsanto, preso que foi no Forte de Monsanto e sucessivamente transferido para o Lazareto de Lisboa e depois para o Lazareto do Funchal, sendo de seguida demitido do Exército. João Espregueira da Rocha Páris, de Viana do Castelo, foi obrigado a exilar-se pelo seu papel na restauração monárquica. No rescaldo da mesma foram enclausurados, condenados ou saneados o poeta António de Cardielos e o eng.º José Alves Bonifácio, de Castelo de Neiva. O dr. Francisco de Abreu Pereira Maia, de Ponte de Lima, teve homiziado na Galiza durante anos.

 

    Em Abril de 1920 o Tribunal Militar Especial, por entre alarido das trombetas, condenou os réus da Junta Governativa do Reino que estavam detidos, o conselheiro Luís de Magalhães, Visconde do Banho, Conde de Azevedo e coronel Silva Ramos, a quatro anos de ferros em penitenciária e a oitos anos de degredo, ou, em alternativa, a quinze anos de degredo para as possessões ultramarinas.

 

    Outrossim, em Dezembro de 1920, os réus julgados à revelia e que haviam integrado a mesma Junta Governativa do Reino, no caso de Paiva Couceiro e Sollari Allegro, foram sentenciados a oito anos de prisão maior, seguidos de doze anos de degredo, ou, em alternativa a 25 anos de deportação nas colónias.

 

    A lei de 9 de Abril de 1921 aprova uma amnistia para crimes políticos. Contudo, por decreto 29 de Abril de 1921, tais e tais, ficam proibidos de residir em território nacional pelo prazo de oitos anos, acusados de conspiração monárquica, que se viram excluídos do indulto:

Comandante Henrique Mitchell de Paiva Couceiro;

Capitão António Adalberto Sollari Allegro;

Padre Domingos Pereira;

Capitão António de Sá Guimarães Júnior;

Capitão Arnaldo Ribeiro de Andrade Piçarra;

Inspector José Baldaque Guimarães;

Aspirante Rogério Pais da Cunha Prelada;

Coronel António Teixeira da Rocha Pinto;

António Rodrigues.

 

    Assim terminou um dos episódios mais marcantes da história política e militar do século XX português, a consumar o fado vesgo do destino, enquanto os passarinhos chilreavam recados na natureza, a dar ouvidos ao canto da sereia. Fez agora 93 anos.

 

Nota de um tostão emitido pela Junta Governativa do Reino de Portugal, durante a Monarquia do Norte, em Janeiro de 1919.

 

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Segunda-feira, 19 de Dezembro de 2011

GRUPO ETNOGRÁFICO DE PAREDES DE COURA

GRUPO ETNOGRÁFICO DE PAREDES DE COURA PRESERVA TRADIÇÕES DO ALTO MINHO

 

«A lavoura tem nesta região, um feitio característico e pouco usado noutras partes do país. O seu “modus faciendi”, torna o amanho menos fatigoso, chegando, ás vezes a ser festivo por ser “ de favor “.É a prática de mutualidade de serviços, onde vizinhos e outras pessoas prestam o seu serviço, esperando que essa pessoa também as ajude quando necessitarem.»

Narciso Alves da Cunha in ”No Alto Minho, Paredes de Coura”

 

    É dentro deste espírito de cooperação mútua que a Associação Cultural Recreativa e Desportiva de Paredes de Coura (ACRDPC) tem exercido as suas funções. Durante os seus 35 anos de vida, esta instituição de cariz cultural e social tem vindo também a praticar a mutualidade de serviços.

 

    Desde a sua fundação em 1976, a ACRDPC tem oferecido à comunidade courense e também à região alto-minhota um leque de actividades e serviços, onde apenas espera como recompensa o reconhecimento do seu trabalho, e a valorização da sua obra social, cultural e desportiva.

 

    Esta colectividade não quer separar-se do meio que a envolve, o Alto Minho Interior, sendo assim há uma contínua procura desde a sua fundação até aos dias de hoje, de tudo o que é típico desta região. Neste trabalho realizado por quase todos os seus membros, há uma recolha de tudo que estava a cair no esquecimento, como é o caso de canções, danças, lendas, jogos populares, orações antigas (que demonstram o fervor da crença das gentes do Minho), de processos antigos de agricultura e principalmente de trajes já caídos em desuso (principalmente do século XIX).

 

    Este trabalho de recolha de trajes antigos é executado em todas as freguesias courenses, refira-se que já foi possível recuperar (apesar dos acentuados custos) dois tipos de trajes antigos de grande valor, que foram os trajes dos Senhores da Casa do Outeiro (Agualonga) e ainda dos Viscondes de Mozelos.

 

    Devido a esta recuperação tanto a geração presente como a futura poderá ter acesso a tudo o que já foi usual, a tudo o que já fez movimentar a sociedade de antanho e é este também um dos grandes objectivos desta associação, ou seja, a ACRDPC pretende deixar um vasto e variado legado às gerações vindouras.

 

    Paredes de Coura, foi um concelho essencialmente agrícola, onde predominava a lavoura dos cereais, usufruindo assim do cognome de “Celeiro do Minho”, devido à sua actividade agrícola, e é à volta desta actividade que todo o nosso trabalho de recolha incide principalmente, mas não é caso isolado.

 

    Também a arqueologia tem lugar dentro das nossas actividades, e como o concelho é rico a nível arqueológico, a associação tem vindo a conseguir excelentes trabalhos de investigação e procura de materiais arqueológicos. Esta actividade teve mais vigor nos primeiros anos da ACRDPC.

 

    A nível social, a colectividade tem vindo a exercer uma acção deveras exemplar, com a prestação de variadíssimos serviços à comunidade courense. Esta instituição já teve a seu cargo o transporte quer de jovens (de suas casas para o infantário, escolas e diversos locais e vice-versa), quer de idosos.

 

    Para usufruto dos seus sócios, e de toda a comunidade, a ACRDPC possui uma biblioteca que contém colecções, alguns estudos e trabalhos que poderão ser solicitados para consulta. Esta biblioteca é composta por livros adquiridos pela instituição e por ofertas.

 

    Na sua sede social, funciona o núcleo de informática courense, secção pertencente á ACRDPC, onde principalmente os mais jovens, usufruem desse espaço e de todo o equipamento necessário.

 

    No patamar da animação cultural, o teatro tem um papel primordial. No passado houve formação e o ensino das artes teatrais a novos formandos. Assim sendo, foram encenadas grandes obras teatrais, como por exemplo: ”Frei Luís de Sousa” de Almeida Garrett. Desta forma há uma ocupação dos tempos livres, e leva-se, em especial os mais novos, a uma valorização da cultura.

 

    Também a dança rítmica, o bailado, é uma das actividades da associação, onde os membros mais jovens conseguem realizar grandes espectáculos de animação, satisfazendo grandemente o público que assiste a estes espectáculos.

 

    Mas os dois grandes embaixadores desta associação, logo da cultura courense e da alto-minhota, são o Grupo Coral e o Grupo Etnográfico.

 

    O Grupo Coral, data da fundação da associação em 1976 e desde então até 1986 (data da inactividade) abrilhantou diversos actos culturais e não só. Com efeito, o grupo coral contava com um extenso palmarés de actuações. O coral participou em diversos actos institucionais e oficiais, deixando a sua presença bem marcada em quem o ouvia. A sua acção também se prolongava ao campo religioso, onde efectuou algumas recolhas nessa área. Aquando de um trabalho de recolha e investigação nuns antigos baús pertencentes às Senhoras da Casa do Outeiro, foram encontradas umas valiosas partituras musicais, nas quais estava incluído o Hino de Paredes de Coura, que de imediato o Grupo Coral tratou de ensaiar e de apresentar ao público. Hoje em dia, por todos sobejamente conhecido, esse hino passou a ser mais um dos símbolos de Paredes de Coura.

 

 

Grupo Etnográfico – 28 anos

    Foi em 1983, por altura das festas concelhias locais, que o Grupo Etnográfico se deu a conhecer. Inspirado no extinto Grupo Folclórico Miguel Dantas, o Grupo Etnográfico procurou uma recolha fiel de danças, de canções e de trajes do concelho de Paredes de Coura, sendo esse trabalho contínuo. Tem participado em inúmeros festivais, dentre os quais refira-se o Festival Folclórico do Alto Minho. O Grupo Etnográfico foi responsável pela organização do segundo festival (1992), que se veio a lograr um verdadeiro êxito, e pelo do corrente ano (realizou-se em Junho último).

 

    Quando é chamado para actuações para festas e diversos actos de instituições públicas e de solidariedade social da região, nunca nega a sua comparência, e está sempre presente quando é necessário.

 

    Já participou em várias gravações: áudio e também vídeo, possuindo uma gravação em cassete áudio com todos os temas do seu repertório. O grupo é composto por dançarinos, tocadores, cantadeira, cantadores, coro e também figurantes.

 

    Como exemplos do seu repertório, mencione-se: chula de Paredes de Coura, malhão de Paredes de Coura, chula dos montes, e em especial uma dança muito apreciada por todos os que a vêem a ser executada: o fandango de Paredes de Coura, que é uma dança de bailado por excelência entre homem e mulher. A forma como a tocata realiza o número e a forma rítmica como os pares executam as danças, conferem-lhe um estatuto especial entre as danças deste grupo.

 

    O Etnográfico conta com diversas actuações na região, por todo o país e estrangeiro. Como se pode ver o grupo é um digno embaixador da cultura courense, da cultura minhota, e da cultura portuguesa.

 

    Em todas estas actividades desempenhadas, o principal objectivo é o reconhecimento do seu trabalho, e a alegre confraternização de todos os seus membros. 

 

“No final do trabalho, depois de ingerida frugal refeição organiza-se o bailarico, a dança, e saracoteia-se, animadamente, o vira, o fandango espanhol.”

Narciso Alves da Cunha in ”No alto Minho, Paredes de Coura".

 

Traje de Noivos - "Visconde de Mozelos"

 

Homem – Fato preto, camisa e meia branca, sapato preto de cordão e chapéu.

Senhora – Saia e casaca preta com barra de veludo bordada a lantejoulas e vidrilhos, com rendas nos punhos; avental de veludo com renda e bordado a missangas; lenço de cabeça de seda branco; chinelas pretas de couro; no braço um xaile preto de franja. Em dias de sol era usado com uma sombrinha branca.

 

Traje de luxo – Senhora da Casa do Outeiro

Homem – calça preta; camisa branca com gola de trincha, bordada nos punhos, e na frente a "espinha de peixe", em vermelho e azul escuros; casaca preta com duas fiadas de botões brancos; meia branca com sapato preto ou botins, em couro.

Senhora – saia preta, geralmente comprida, com barra de veludo bordada a vidrilhos; avental de veludo bordado e com rendas; blusa branca com gola redonda com os punhos rematadas a rendas; casaca preta bordada a missangas; chinelas pretas com meia branca rendada.

 

Traje domingueiro ou de ir à Feira de Paredes

Homem – calça preta, camisa branca de trincha bordada nos punhos e na frente; colete preto sendo as costas de fazenda quadrejada; sapato preto e meia branca;

Senhora – saia preta comprida com barra bordada; blusa branca; colete de tecido fantasia ornado a fita algodão de cor a condizer, justinho no corpo, apertando na frente com cordões de algodão; lenço de merino ou chinês; chinela preta com meia branca; podem usar pequenas cestas ou condessas.

 

Traje de Trabalho

Homem – calça de estopa ou de cotim, camisa de riscado; calçavam socos abertos de pau e couro, com ou sem meias de lã;

Senhora – saia de chita ou riscado, comprida; blusa também de chita; avental a condizer; socos de pau e nos trabalhos, em dias de sol, usavam os chapéus de palha.

 

Texto e fotos de Eduardo Cerqueira

 

Grupo Etnográfico de Paredes de Coura

 

acrdpc@gmail.com

 

 

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Segunda-feira, 10 de Outubro de 2011

SARGENTO ANTÓNIO JOSÉ VAZ

    António José Vaz nasceu no Sobreiro, lugar da freguesia de Padornelo, a 16 de Outubro de 1892, faz agora 119 anos. Era filho afeiçoado de Luís António Vaz, ferreiro, nascido em 1854 na freguesia de São Julião da Silva, concelho de Valença do Minho, e de Joaquina Rosa Dantas, lavradora, nascida em Padornelo em 1849; neto pela via paterna de Francisco José Vaz e de Narcisa Rangel; neto materno de Bento José Dantas e de Maria Isabel Barbosa. Tudo boa gente, na observância mais estrita aos ditames dos bons costumes.

 

    Recebeu as águas lustrais do baptismo na pia baptismal da Igreja Paroquial de Santa Marinha a 19 de Outubro de 1892, administradas pelo padre António José Barbosa, cura encomendado da paróquia, acolhido no regaço dos padrinhos José Luís Vaz, ferreiro, solteiro, morador no lugar de Lama, freguesia de São Paio de Mozelos, e de Deolinda Vaz, solteira, lavradeira, moradora no Sobreiro.

 

    Decidido a fugir à bigorna da pobreza franciscana que se topava a cada passo, foi incorporado no Exército em 1914, umas das datas mais nefandas para a História da Humanidade. Nesse ano rebenta o conflito que sepultou o mundo numa pavorosa tragédia de sofrimento, sangue e morte, fruto da demência humana, da ambição infernal e do imperialismo militarista. Milhões de jovens foram empurrados para o horrendo cataclismo mundial.

 

    No entrementes, progride na carreira militar, sendo promovido a segundo-cabo de Infantaria em 1915 e, no ano de 1916, a primeiro-cabo do Regimento de Infantaria n.º 3. Passa em marchas forçadas pelo campo de treinos de Tancos a fim de receber instrução de combate em guerra moderna, e ala para França.

 

    Mobilizado para a frente de batalha, a botar figura em uniforme de desfile, embarca em Lisboa a 22 de Abril de 1917, num comboio marítimo inglês com destino aos campos da Flandres, sendo colocado na 4.ª Companhia da Brigada do Minho do Corpo Expedicionário Português.

 

    A 2 de Dezembro de 1917 recebe os galões de segundo-sargento miliciano de Infantaria, devido à hábil proficiência demonstrada no baptismo de fogo contra o inimigo, onde foi notável a sua briosa galhardia naqueles caminhos ignorados de Cristo, a conter o coração aos saltos a fim de dar exemplo aos demais camaradas de armas.

 

    A 9 de Abril de 1918 os alemães lançam a contra-ofensiva da Primavera, uma mortalha cerrada de granadas, tiros de artilharia e gases letais, a ferro e fogo sobre as trincheiras lusitanas. A Batalha de La Lys foi uma página heróica e trágica nos anais da nossa presença nos campos da I Guerra Mundial, e nela o sargento António José Vaz mostrou a tenaz bravura da alma minhota, o fuzil em brasa a disparar sobre a horda germânica, a resistir valorosamente, enquanto ao redor a Divisão portuguesa era literalmente esmagada e milhares de combatentes jaziam mortos e feridos, varridos pelo rolo compressor da gadanha da morte.

 

    Dado como desaparecido em combate, foi capturado e internado como prisioneiro de guerra no campo de Munster II, na Alemanha Imperial. Durante longos e penosos nove meses vai amargar as penas do Diabo, sob o açoite da fome de lobo faminto, até ser libertado a 16 de Janeiro de 1919. Desembarca em Lisboa a 28 de Janeiro de 1919, depois de 21 meses de ausência, corroído de saudados e maleitas. Porém a vida contínua, apesar de tudo, regressa ao quartel do Regimento de Infantaria de Viana do Castelo.

 

    Enquanto isso, sua mãe faleceu no Sobreiro a 8 de Outubro de 1925 e o pai entregou a alma ao Criador a 23 de Junho de 1930. O nosso antigo combatente da Grande Guerra, homem maduro, a cabeça alva de cãs dos 50 anos, casou na Igreja Paroquial de Santa Maria Maior, em Viana do Castelo, a 24 de Dezembro de 1942, com Isaura Antunes de Abreu, nascida em Viana do Castelo em 1898, filha natural de Alzira de Jesus Abreu. Por este casamento foram legitimados os filhos José Antunes Vaz (nascido a 21 de Janeiro de 1933), Amélia da Conceição Antunes Vaz (nascida a 23 de Maio de 1936) e Gualdino Antunes Vaz (nascido a 30 de Setembro de 1942).

 

    Passou os umbrais da eternidade ao falecer em Santa Maria Maior, freguesia da cidade Princesa do Lima, despede-se da vida presente a 18 de Abril de 1967, com a patente de primeiro-sargento reformado de Infantaria. Contava 75 anos de idade, consumidos ao serviço da Pátria e do Exército, arvorado figura maior da história da nossa freguesia.

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Sábado, 24 de Setembro de 2011

JOAQUIM JOSÉ FERNANDES

    Joaquim José Fernandes, o Joaquim das Eiras, nasceu em Padornelo a 24 de Setembro de 1882, faz agora 129 anos. Era filho de João Bento Fernandes, natural de Padornelo, e de Rosa Maria Ramos, natural de Mozelos; neto pela via paterna de José Caetano Fernandes, natural de Mozelos, e de Joaquina Maria de Sá, natural de Padornelo, neto materno de Francisco Bento Ramos, de Padornelo, e Clementina Luísa da Cunha, de Mozelos.

 

    Recebeu as águas lustrais do baptismo na pia baptismal da Igreja Paroquial de Santa Marinha a 28 de Setembro de 1882 administradas pelo reverendo abade Manuel José Lopes Alves Guimarães, ao colo dos padrinhos António José de Azevedo e sua mulher Margarida Luísa Pereira, da vizinha freguesia de São Paio de Mozelos.

 

    Casou pela primeira vez a 11 de Abril de 1914, na Sala do Juízo da 6.ª Pretoria Cível do Distrito Federal do Rio de Janeiro, República Federativa do Brasil, com Francisca Margarida Pureza da Silva, nascida em 1891, filha de Mateus António da Silva Pureza e de Maria Cristina Pureza, cujo matrimónio foi dissolvido por divórcio decretado por sen­tença do Tribunal Judicial da Comarca de Paredes de Coura a 28 de Maio de 1924.

 

    Casou em se­gundas núpcias na Con­servatória do Re­gisto Civil de Paredes de Coura a 15 de Junho de 1927 com Amélia Bar­bosa, nascida em Padornelo em 1902, filha de João António Barbosa e de Deolinda Ana Ramos.

 

    A fim de fugir às mais adversas condições e superar os constrangimentos económicos, emigra em 1897 para o Brasil e, mais tarde, para os Estados Unidos da América, onde, para além de labutar pela vida e aforrar um pé-de-meia, dedica-se à prática de pugilismo amador. Foi também sócio do Hotel Continente, em Manhasset, Nova Iorque, em 1931.

 

    Muito caridoso, praticou actos de grande generosidade, pois a 17 de Dezembro de 1931, sendo residente nos Estados Unidos da América, mandou distribuir o bodo de Natal pelos pobres da freguesia e deu 1000 escudos ao Hospital da Misericórdia de Paredes de Coura, ao Asilo de Nossa Senhora da Conceição e aos presos da cadeia comarcã.

 

    Regressado ao torrão natal, foi abastado proprietário e comerciante estabelecido nos Tojais, à sociedade com Guilherme António Barreiro, “o Guilherme da Loja. Figura prestigiada e respeitada no nosso meio, pessoa da mais alta competência, foi entrementes nomeado vogal substituto da Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Paredes de Coura para o triénio de 1934–1936, no mandato do dr. António Cândido Nogueira.

 

    Ocupou, ainda, por três vezes a presidência da Junta de Freguesia de Padornelo, cargo que soube desempenhar com honra. No seu primeiro mandato, em 1934–1936, acompanhado pelo secretário Abílio António de Sá e tesoureiro Amaro Pereira Varajão, procedeu à inauguração do cemitério público, construído graças à iniciativa e dádiva do grande benemérito José Narciso Monteiro.

 

    Tomou novamente assento na cadeira de presidente da Junta de Freguesia de Padornelo no mandato de 1948–1950, conjuntamente com Abílio António de Sá e António Luís de Araújo, o Tone da Tomada. Na sua última passagem pela presidência da Junta teve a companhia do secretário Ilídio Barbosa, o Ilídio do Manjoeiro, e do tesoureiro Amaro Pereira da Silva, o Amaro do Varajão, no quadriénio de 1960–1963.

 

    “Joaquim das Eiras faleceu em Padornelo a 1 de Novembro de 1981, depois de festejar o 99.º aniversário e o seu funeral constituiu eloquente demonstração da profunda estima e respeito que rodeava o probo macróbio, por ser cidadão útil e prestante em lições de civismo.

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Domingo, 14 de Agosto de 2011

Silvino de Lima

    Silvino de Lima nasceu a 14 de Agosto de 1899 no Pedregal, lu­gar da freguesia de Padornelo, faz agora 112 anos. Era quarto filho de Manuel António de Lima, natural da vila e freguesia de Paredes de Coura, e de Libéria Rodrigues, de Padornelo; neto pela via paterna de Manuel António de Lima, natural de Padornelo, e de Ana Maria Barbosa da Rocha, natural de Cristelo; neto materno de Manuel Hernández Nobio, natural da Galiza, e de Rosa Barbosa Rodrigues, natural de Insalde.

 

    Recebeu as águas lustrais do baptismo a 20 de Agosto de 1899 na pia baptismal da Igreja Matriz de Santa Marinha de Padornelo, administradas pelo reverendo abade Manuel António Fernandes da Silva Lira, ao colo dos padrinhos Severino António de Sá e sua mulher Joana Rosa Rodrigues, lavradores, do lugar de Cima de Vila

 

    Casou na Igreja Paroquial Santa Marinha de Padornelo a 31 de Dezembro de 1921, com Esmeralda de Jesus Barbosa, de Padornelo, fi­lha de António José de Araújo, natural de Formariz, e de Susana Francisca Barbosa, do lugar do Curro, freguesia de Padornelo.

 

    Partiu para o Rio de Janeiro, República Federativa do Brasil, a 1 de Fevereiro de 1929, na esteira daquele verdadeiro êxodo rural em busca de melhores condições de vida. Regressa temporariamente ao torrão natal, em 1936, para abalar de novo em direcção às terras de Vera Cruz, desta feita em 1940, donde retorna definitivamente em 1950, enfermo da doença que o vitimou poucos anos volvidos.

 

    Pelo prestígio da sua figura humana, lhaneza de fino trato e distinta inteligência, foi secretário da Junta de Freguesia de Padornelo, empossado conjunta­mente com o presidente Abílio António de Sá e o tesoureiro António Luís de Araújo, a 1 de Janeiro de 1951, gente esforçada e dedicada a amar a sua terra e dotada de notáveis aptidões para zelar os interesses da freguesia.

 

    Faleceu abruptamente no lugar das Portelas, freguesia de Padornelo, às 15 horas do dia 9 de Junho de 1953, aos 53 anos de idade, vítima de ureia no sangue, deixando perene saudade no coração de todos que com ele trataram, a viúva Esmeralda de Jesus esmagada com os crepes da viuvez do seu coração extremosíssimo e os filhos Silvina de Jesus, Manuel e António Barbosa de Lima prostrados na crudelíssima dor.

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Sábado, 11 de Junho de 2011

UMA OBRA-PRIMA DUM ARTISTA DE PADORNELO

    Desde o final do século XIX que o cangalho tende a substituir e até destronar a canga, que foi progressivamente deixada de lado devido ao seu alto custo, mas também por causa da sua elevada estatura, que muito contribuía para desequilibrar o conjunto e pelo inconveniente de baterem nas ramadas mais baixas, ficando os animais cheios de suor nas veredas pedregosas.

 

    Posta quase de lado devido ao seu acelerado desuso, a canga foi substituída pelo cangalho, mais baixo, tomando até a mesma designação comum, aplicada assim aos dois artefactos, que eram muito distintos antigamente. Tudo passou a ser canga, até aquela trave que os poderosos querem botar no cachaço do poviléu.

 

    Existem dois tipos de cangalhos, o de varanda inteira e o de meia-varanda. O primeiro, o cangalho de varanda inteira é um pouco maior que o seu congénere e apresenta a parte superior toda recta, enquanto o cangalho de meia-varanda apresenta um rebaixamento lateral, e até uma ornamentação menor ou quase nula.

 

    Um extraordinário cangalho de varanda inteira foi desenhado e talhado pelo génio artístico do meu avô António Inocêncio Alves em 1958, naquele cantinho que já foi um paraíso terrestre da freguesia de Padornelo e do concelho de Paredes de Coura, nos alvores dos dias alegres: Porto de Várzea de Além do Rio.

 

    Destaco o friso superior, os vazados ornamentais, a cruz do meio em estilo florenciado e vazia – a fim de repelir o mau-olhado –, as flores estilizadas, as margaças-do-campo, os motivos fitomórficos e os maciços entalhes e chanfres, tudo esculpido a formão, palhete e goiva, com mestria sublime, para deleite dos nossos olhos e alma. Um verdadeiro sentido da construção, pureza e precisão de traço.

 

    Nota-se a ausência dos “camalhões” – a extremidade inferior mais prolongada – a “deitada” – a parte encurvada, ao meio, na porção inferior – e das “piarças” – que reforçam as extremidades laterais dos camalhões, que são, precisamente, as características essenciais do cangalho.

 

    Contudo o conjunto é duma beleza notável, atingindo um patamar de absoluta perfeição estética, dotado de raro talento, com traços a realçar as formas. Todos os trabalhos que António Inocêncio levou a peito, foram sempre magistrais obras-primas, como artista de raros méritos e intensa criação artística, mercê da magia das suas mãos, sempre avesso ao arruido público, debruçado sozinho sobre a sua banca, apegado e apagado na sua oficina, um silêncio que tanto o comprazia.

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Sexta-feira, 3 de Junho de 2011

MÁRIO JOSÉ BARREIRO DA SILVA

 

    Mário José Barreiro da Silva nasceu em Padornelo a 9 de Dezembro de 1922, filho de Manuel José Barreiro, natural da freguesia e vila de Paredes de Coura, e de Au­rora Rodrigues da Silva, de Padornelo; neto paterno de Francisco Barreiro e de Brízida Maria, da freguesia de Paredes de Coura; neto pela via materna de Cacilda Rodrigues, solteira, natural de Santa Maria de Febra, Espanha, moradora nas Portelas, lugar da freguesia de Padornelo.

 

    Pessoa estimada e respeitada no nosso meio, homem duma esmerada educação e trato cortês, originário duma conhecida família, o Mário do Gesteira, como era vulgarmente conhecido, ocupou o lugar de tesoureiro da Junta de Freguesia de Padornelo entre 1971 e 1974, durante o mandato de Armando Manuel Dantas.

 

    Morador nas Angústias, lugar da freguesia de Padornelo, faleceu a 6 de Junho de 2004 no Hospital do Conde de Bertiandos, em Ponte de Lima, aos 81 anos de idade, deixando sua viúva D. Olívia Barbosa de Sá, filho Fernando e amigos emersos em dolorosas saudades.

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Sexta-feira, 20 de Maio de 2011

MANUEL AUGUSTO DANTAS

    Manuel Augusto Dantas nasceu em Requião, lugar da freguesia de Padornelo, concelho de Paredes de Coura, a 23 de Maio de 1894, faz agora 117 anos, filho primogénito de António Manuel Dantas e de Rosa Joaquina da Silva, lavradores; neto pela via paterna de Maria José de Sousa Dantas, solteira, lavradeira, de Requião; neto materno de Maria Teresa, solteira, de Paradelhas.

 

    Era irmão de Maria da Conceição Dantas e Marcelina Rosa Dantas, e viria a ser cunhado de José Dantas, “o Zé do Poço”, e de José Gomes Barreiro. Casou na Conservatória do Registo Civil de Paredes de Coura a 3 de Junho de 1915, com Libânia da Silva.

 

    “O Manuel da Quinta, como era vulgarmente conhecido no nosso meio, foi nomeado regedor da freguesia de Padornelo, por alvará lavrado pelas mãos de João Vieira de Sequeiros, presidente da Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Paredes de Coura, datado de 22 de Julho de 1939, posto que exercitou durante longos anos a contente geral, até ser substituído em 1960 por António da Trindade.

 

    Na antiga organização administrativa, o regedor era uma autoridade a nível de cada freguesia que acumulava funções de natureza administrativa, eleitoral, segurança local, manutenção da ordem e de agente do governo, embora subordinado ao presidente da câmara municipal, a quem prestava contas e por quem era indigitado e exonerado.

 

    Cidadão honesto, de elevado prestígio e carácter ordeiro, Manuel Augusto Dantas faleceu em Padornelo a 10 de Dezembro de 1968, aos 74 anos de idade.

publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 09:00
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Sexta-feira, 13 de Maio de 2011

RECORDE UM GRANDE MINHOTO – Manuel da Silva Dantas Gomes

    A mão amiga de Eduardo Daniel Cerqueira – a quem muito agradeço – fez chegar ao nosso conhecimento este artigo que transcrevo na íntegra e partilho convosco.

 

    Neste mês de Dezembro a nossa homenagem a esse grande minhoto e vitorioso empresário do ramo da gastronomia Manuel da Silva Dantas Gomes, nascido a 6/4/47 em Padornelo, Freguesia de Paredes de Coura – Minho – Portugal.

 

    Filho caçula do casal de lavradores António Dantas Gomes e Amália Cecília da Silva, e tem ainda os irmãos Ilídio Gomes e Maria Gomes. O minhoto Manuel Dantas vem de uma família de lavradores e quando o mesmo tinha 3 anos, seu pai deixa a família em Portugal e resolve vir ao Brasil para tentar uma sorte maior na vida, trabalhou duro por aqui e nunca mais retornou a Portugal, e acabou falecendo aqui no Rio de Janeiro.

 

    Com 15 anos completos, Manuel Dantas passou a preocupar-se com o serviço militar, que naquela época era um motivo de grande preocupação, pois significava ir para a guerra em Angola. O Manuel Dantas resolve escrever a seu pai que pouco ou quase nada o conhecia, pedindo ao mesmo uma carta de chamada, pois pretendia seguir os mesmos passos de seu pai vindo para o Brasil. Em 22/2/1964 a bordo do navio Frederico C, desembarca no porto do Rio de Janeiro, em pleno carnaval.

 

    Logo que chegou ao Brasil começou a sua árdua missão, a procura de um emprego para começar a sua nova vida. Conseguiu seu primeiro emprego no Café Palheta, levado pelo amigo Antonio Varajão, passado algum tempo consegue um novo emprego no Café e Bar Porto Alegre, onde consegue ganhar um pouco mais, a seguir foi trabalhar na Casa Havanês, onde alem de ter uma melhoria no seu salário, foi ali que o Manuel Dantas teve a grande oportunidade de aprender tudo de restaurante, desde lavar pratos até a arte de cozinhar no preparo de saborosos pratos, permanecendo por lá 12 anos.

 

    Como todo emigrante naquela época, trabalhava muito durante a semana e no final de semana frequentava as domingueiras dançantes e tradicionais na época da Casa dos Poveiros. E nessas idas as domingueiras que o nosso grande minhoto Manuel Dantas teve os seus olhos e o coração fisgado por uma linda rapariga portuguesa, natural de Cinfães do Douro – Viseu, a querida Alice, e naquele dia ao som do Conjunto Vera Cruz, convidou-a para dançar e a partir daí não se separaram mais.

 

    Mais o Manuel Dantas não imaginava a árdua missão que ele teria de ter para conseguir namorar a Alice, pois o Sr. Jacinto pai da Alice não aceitava o namoro, mais graças a ajuda da futura sogra D. Adélia que gostou muito dele, ajudou a ele a conseguir convencer o Sr. Jacinto a ceder a mão da Alice. Dessa feliz união chega no ano de 1975, o filho Carlos Alberto, hoje seu sócio, amigo, e porque não dizer, seu braço direito no Restaurante Arábia Saudita no bairro de Fátima.

 

    Voltando a sua vida profissional o Manuel Dantas esteve durante 32 anos como sócio no Restaurante Barril 1800 em Ipanema, por onde durante esses anos passaram por momentos de muitas dificuldades e sacrifícios, mais graças a grande companheira Alice, teve sempre o apoio e a força necessária para superara esses momentos.

 

    No ano de 1980, retorna a Portugal pela primeira vez para rever sua querida mãezinha e seus irmãos e aproveita para apresentar sua esposa Alice, onde esse retorno foi cercado de grandes emoções por rever sua terra natal.

 

    Durante 8 anos o Manuel Dantas foi director da Casa do Minho, hoje devido seus afazeres profissionais apenas faz parte do Conselho de Beneméritos como diretor da comissão de contas, e o presidente da confraria de N.S. do Sameiro, mais toda vez que solicitado a colaborar com a casa, ele arregaça as mangas da camisa e mete a mão na massa, como fez na última noite de fados, que foi um sucesso, ele foi o verdadeiro mestre cuca.

 

    Assim resumidamente contamos um pouco da vida deste grande minhoto, grande amigo e vitorioso empresário Manuel Dantas, uma história de vida feita de muita luta e de muita dedicação ao seu trabalho, com o apoio fundamental da sua família.

 

 

Casa do Minho: Tradição Portuguesa no Rio de Janeiro

 

http://www.minho.com.br/index.php/2010/12/01/recorte-um-grande-minhoto-manuel-da-silva-dantas-gomes/

publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 09:00
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Terça-feira, 26 de Abril de 2011

Amadeu de Lima – Combatente e Herói da Grande Guerra

    A Grande Guerra foi um conflito mundial que afectou a Humanidade em escala nunca vista, uma hecatombe universal com consequências nefandas de pavorosa tragédia e, logicamente, Paredes de Coura e Padornelo não podiam ficar inumes à imensa correnteza de sofrimento e sangue, gerando aqui ondas de choque.

 

    Amadeu José de Lima nasceu para o mundo no Sobreiro, lugar da freguesia de Padornelo, a 29 de Abril de 1891, uma quarta-feira, faz agora 120 anos, como quarto filho na ordem de nascimento de José Maria de Lima, alfaiate e lavrador, e de Severina Maria Barbosa; pela via paterna era neto de Manuel António de Lima, de Padornelo, e de Ana Maria Barbosa da Rocha, de Cristelo; neto materno de Manuel José Barbosa de Brito e de Clara Rosa Barbosa, ambos de Padornelo, todos do concelho de Paredes de Coura.

 

    Destinado à vida pachorrenta e laboriosa das almas simples, ramerrão na lavoura, intérprete fiel do destino dos seus antepassados, foi convocado pela ilusão torva dos conciliábulos dos estadistas que atiraram Portugal para o colo dum conflito hediondo de mortalha, fome e morte de proporções bíblicas e sísmicas, o mundo era uma caserna.

 

    Incorporado em 1916 como soldado recruta do Regimento de Artilharia n.º 5, fez a preparação militar na Divisão de Instrução, três meses de treinos forçados e marchas de mata-cavalos no pomposamente chamado Milagre de Tancos, os bofes de fora nos exercícios ininterruptos. O ministro da Guerra, major José Norton de Matos, criara ali uma escola prática de soldados e oficiais, onde milhares de homens receberam preparação apressada para as trincheiras da Flandres.

 

    Embarca em Lisboa a 20 de Agosto de 1917, num comboio marítimo com destino à fornalha de França, incorporado nas fileiras do Corpo Expedicionário Português, encomendado tão-somente à custódia do santo anjo da guarda, as pernas a tremerem de fragilidade humana.

 

    Nos campos de batalha, foi colocado a 1 de Outubro de 1917 na 2.ª Bateria de Artilharia de Montanha do CEP e faz o baptismo de combate, uma explosão de fogo, num duelo de artilharia com as forças alemãs, logo a 1 de Novembro, um canhoneio incansável sobre as linhas das trincheiras.

 

    Lutou com denodo na primeira linha da frente da guerra, soterrado em lamaçais até ao joelho, um merecimento assinalável, «tendo tomado parte em todos as acções que se deram» de 1 de Novembro de 1917 a 9 de Abril de 1918 contra as hordas inimigas, conforme documenta a sua ficha individual[1].

 

    Na sangrenta Batalha de La Lys, travada a 9 de Abril de 1918, Amadeu de Lima obrou actos inauditos de máscula bravura lusitana, enquanto se esboroava o reduto português perante o árduo bombardeamento e investida germânica, por entre uma nuvem de gases, metralha e baioneta que levavam tudo raso. Resistiu tenazmente como pôde, a metralhadora em brasa, enquanto à sua volta jaziam mortos às centenas e escreviam-se inúmeras histórias individuais de tenacidade.

 

    No rescaldo da reorganização dos sobejos das forças militares portuguesas, foi colocado no Destacamento de Artilharia de Montanha a 1 de Outubro de 1918, e ala, a combater no sector de Richebourg de Lavane entre Outubro e Novembro de 1918[2], durante a ofensiva final dos Aliados contra as Linhas de Hindemburgo.

 

    Aproximava-se a passos largos o fim da guerra e do morticínio, quando foi ferido e gravemente gaseado em princípios de Novembro, andava de lua com o destino por caminhos ignorados de Cristo. Recolhe ao Hospital Militar n.º 8, em França, a arder em febre, o pulmão retraçado, arfa de agonia como peixe fora de aquário, num atroz sofrimento, a garra adunca da morte à cabeceira.

 

    Partiu ao encontro do Pai do Céu no dia 7 de Novembro de 1918[3], quinta-feira nas páginas amargas do calendário, vitimado por uma «bronco-pneumonia» causada por gases. Não chegou a assistir ao formal pedido de tréguas e ao armistício de 11 de Novembro de 1918, que pôs termo à funesta I Guerra Mundial. Porquê morrer assim, às portas da Paz? Uma pergunta que embatuca a retórica de qualquer sábio.

 

    O seu corpo, como milhares de outros portugueses, nunca regressou ao aconchego do solo pátrio para ser enterrado neste altar admirável da Natureza, na paleta de cores que é o Minho. Foi sepultado inicialmente na fria cova n.º 2 do cemitério civil de Tillers e, posteriormente, transferidas as ossadas para o Cemitério Militar Português de Richebourg L’Avoué, em França, onde jaz no talhão C, fila 8, coval n.º 7.

 

    Por cá ficaram os velhinhos pais José Maria de Lima e Severina Maria Barbosa, os irmãos Amélia de Lima, António José de Lima, Rosa de Lima e Manuel José de Lima, a viúva Olívia das Dores e o cunhado Dionísio Lourenço, olhos trémulos a soluçar lágrimas tamanhas como punhos, atritos e gemebundos de dor, ai que desgracia, enquanto a eufórica turba aclamava mundo fora o fim da Guerra.



[1] AHM, Fichas Individuais do CEP, Amadeu José de Lima, praça n.º 28636.

[2] AHM, Relação do Destacamento de Artilharia, Ordem de 28 de Outubro de 1918.

[3] AHM, S.E.E.C., 1.ª Divisão, Registo dos Militares Falecidos no CEP à França por Concelhos, cota Div/1/35/1270-B, fl. 51.

Soldados mortos por gases na Batalha de Ypres, na Grande Guerra

 

publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 09:00
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Domingo, 10 de Abril de 2011

Dr. Manuel José Pereira e a Junta Patriótica

    Manifestação patriótica em Bragança, promovida a 15 Abril de 1916 pela Junta Patriótica de Bra­gança, para festejar a ocupação de Quionga, no Norte de Moçambique, África Oriental. O padre dr. Manuel José Pereira, presidente da Comissão Distrital da Junta Patriótica de Bra­gança e natural da freguesia de Padornelo, faz um vibrante discurso aos manifestantes, a partir duma varanda, porque torna, porque deixa, apelando para o frémito da exaltação dos valores da Pátria e a exaltar a necessidade de apoiar o esforço de guerra do Governo de Portugal.

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Segunda-feira, 21 de Março de 2011

COMENDADOR FRANCISCO ANTÓNIO MONTEIRO: Grande Benemérito

    A vida decorria pachorrenta e serena nesta porção do paraíso terreno no qual reinava a soberana Dona Maria II, quando em Março de 1837 nasceu uma criança que recebeu as águas lustrais do baptismo na pia da Igreja Matriz de Santa Marinha de Padornelo e o nome de Francisco António Monteiro, por ser filho de Manuel José Monteiro, naturalde S. Julião do Calendário da Silva, freguesia do termo de Barcelos, e de D. Sebastiana Maria Mendes de Araújo, natural de Padornelo; era neto pela via paterna de José António Monteiro e de D. Joaquina Luísa da Silva Martins Monteiro, da freguesia de S. Julião do Calendário da Silva; neto materno de José António de Araújo e de D. Francisca Maria Rodrigues Mendes, proprietários, naturais e moradores em Padornelo.

 

    Nascido no seio duma família de posses razoáveis, para os padrões da época, a sua condição de filho segundo ditou-lhe o destino, porquanto o irmão primogénito estava destinado a herdar a quinta e Casa das Portelas, situada onde hoje é o lugar das Angústias. Como se costumava dizer então, de seus pais herdou a virtude do trabalho e a nobreza do carácter.

 

    A 8 de Julho de 1851 requereu passaporte ao Governo Civil do Distrito de Viana do Castelo e nesse mesmo ano, ala que se faz tarde, embarcou naquela leva do fenómeno emigratório que converge para o Império do Brasil, um lastro humano sem fim na centúria oitocentista. A passagem, com embarque na barra do Douro a bordo de um veleiro, custou a módica quantia de 35$000 réis, para uma viagem de 40 dias.

 

    Seria ele a enviar cartas de chamada para o seu irmão José Narciso Monteiro embarcar com destino ao Brasil em 1854, e mais tarde, no início da década de 1890, os sobrinhos José Francisco Monteiro, Manuel José Monteiro e Vital Narciso Monteiro e o parente António José Lopes Alves Guimarães, uns agora, logo outros, modesto reagrupamento familiar.

 

    No Brasil, ora come o pão que o diabo amassou, ou abana a árvore das patacas, numa altura em que não jorrava ouro para todos. Desaguou na actividade comercial, onde ocupa um lugar cada vez mais importante na área do comércio, fruto do seu intenso labor, pois era laborioso por natureza e fortaleza de ânimo, no fogo sagrado do dever e no amor acrisolado ao trabalho. Assim, abriu caminho de flores por entre espinhos.

 

    Negociante estabelecido, acumula riqueza, capitais e proventos, tornando-se abastado proprietário e accionista de várias empresas, ascende ao patamar de cidadão conceituado na pátria adoptiva. Administrador recto e honrado cidadão, alteia-se por elevados méritos ao cargo de director do Banco Colonizador e Agrícola do Brasil, em cujos cadeirões se sentava também o egrégio comendador António José Gomes Brandão, natural da freguesia courense de Rubiães, seu amigo íntimo.

 

    Pelos relevantes serviços de benemerência, sacrificando por vezes os interesses particulares, foi agraciado com o grau de Comendador da Ordem Militar de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, por mercê d’El-Rei Dom Luís, datada de 8 de Janeiro de 1874. No ano seguinte foi condecorado com a Medalha de Honra da Caixa de Socorros Dom Pedro V.

 

    Uma característica desta boa gente é a tendência para a filantropia, apóstolo incansável da Humanidade. Foi abnegado protector das instituições pias e filantrópicas, em lances de altruísmo e encarecido empenho, com ares de doce criatura. Verteu luz da mais admirável caridade para minorar o mísero sofrimento das pessoas e a carência atroz das tolhidas instituições, estado pouco lisonjeiro em que muitas se encontravam então.

 

    Em 1895, corresponde ao apelo do padre dr. Júlio César Gomes Barbosa e contribui largamente para a edificação do Asilo de Nossa Senhora da Conceição para a Infância Desvalida de Paredes de Coura, inaugurado a 1 de Janeiro de 1896.

 

    Vai fazendo doações vultuosas a diversos organismos de ambos lados do Atlântico. Em Setembro de 1898, acode às obras de recuperação da Igreja Matriz de São Paio de Mozelos com um importante donativo de 50$000 réis. Socorre com a sua bolsa à Real Confraria do Senhor Ecce Homo, de Padornelo, por ditame do seu bom coração humano.

 

    Mas a Santa Casa da Misericórdia de Paredes de Coura seria, indiscutivelmente, a menina bonita dos seus olhos, de quem foi sempre incansável procurador piedoso em terras de Vera Cruz, desvelado protector durante mais de uma década. Seria nomeado procurador e delegado per­manente da Santa Casa no Brasil por decisão do provedor conselheiro Miguel Dantas Gonçalves Pereira, de 4 de Julho de 1898.

 

    Com gerais aplausos, fervoroso reconhecimento e preito de justiça, a Mesa Administrativa da Santa Casa da Misericórdia de Paredes de Coura proclama-o «ir­mão benemérito», conforme ficou exarado em acta de 9 de Julho de 1906, à luz da razão límpida:

«Tendo pleno conhecimento dos importantes serviços prestados à mesma pelo nosso conterrâneo o Ex.mo Sr. Comendador Francisco António Monteiro, morador na Rua da Candelária, n.º 11, da cidade do Rio de Janeiro, e ainda pelo mais que espera receber dele, pois a sua caridade se afirma todos os dias, propunha que o mesmo fosse inscripto como respectivo IRMÃO BENEMÉRITO, passando-lhe o respectivo diploma para lhe ser enviado e que na Sala dos Retratos dos Irmãos Beneméritos se colocasse o seu, enviando-se-lhe cópia desta acta. E sendo esta proposta aprovada por unanimidade, foi encerrada a sessão».

 

    Assinaram a acta o provedor Adriano Bento Lopes e os irmãos Joaquim José Ribeiro, Bartolomeu Kopke Severim de Sousa Lobo, Francisco José Marinho, prof. António José Lages, Júlio dos Reis de Lemos, Joaquim António Lima, Quintino Tomás Mendes, José Avelino Pedreira Bacelar, Manuel Cândido Gonçalves Pereira, padre dr. Narciso Alves da Cunha, abade Casimiro Rodrigues de Sá, Justino José Rodrigues Loureiro, José Luís Mendes, Tomás Joaquim Alves, prof. Hilário José Rodrigues Barbosa, Justino José da Cunha Ribas, João António Pereira Loureiro, abade José Bento Ribeiro, Narciso José Neves e José do Espírito Santo da Cunha, os mais ilustres concidadãos da altura.

 

    Os últimos anos da sua vida foram atingidos pelo supremo vinco de dor. Num momento tresloucado suicidou-se o filho único, um suplício oculto, levando a alma de pai ao desespero, rompia a labareda das lágrimas nos olhos do velho, a saudinha a mirrar. Deixa a vasta fortuna a várias instituições pias e a uns afilhados mulatos brasileiros, passa mansamente os umbrais da eternidade e solta a amarra do último fio que o prendia à vida terrena, o fantasma do filho a gemer à cabeceira.

 

    A Mesa Administrativa da Santa Casa da Misericórdia de Paredes de Coura, reunida em sessão da direcção a 15 de Junho de 1910, aprova e exara um profundo voto de pesar pelo seu falecimento ocorrido na cidade de Niterói, Estado do Rio de Janeiro, na República Federativa do Brasil.

 

    O seu currículo social é imenso, basta atentar nesta impressionante listagem, longa como o dilúvio universal: sócio benemérito da Sociedade União Beneficente Comercial e Artes do Rio de Janeiro, sócio de mérito do Real Gabinete Português de Leitura do Rio de Janeiro, benemérito do Hospital da Beneficência Portuguesa do Rio de Janeiro, irmão benemérito da Irmandade do Santíssimo Sacramento da Candelaria do Rio de Janeiro, benemérito da Real Benemérita Sociedade Portuguesa Caixa de Socorros Dom Pedro V, Comendador da Ordem Militar de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, condecorado com a Medalha de Honra da Caixa de Socorros Dom Pedro V, irmão benemérito da Santa Casa da Misericórdia de Paredes de Coura e benemérito do Quadro de Honra da Real Confraria do Senhor Ecce Homo de Pador­nelo. Ficamos inteirados.

 

    Onde deviam soar hinos de louvor e preces de gratidão pelo seu merecimento e excelsa virtude, ressoa tão-somente o eco do canhestro esquecimento por parte daqueles que lhe deviam honrar a memória ditosa. A efígie de Francisco António Monteiro desapareceu da Sala dos Retratos dos Irmãos Beneméritos da Santa Casa da Misericórdia e o seu nome foi arrancado por mãos ímpias e ingratas da parede da Capela do Senhor Ecce Homo. Negregada injustiça e enfatuada ignorância! Ignorantia neminem excusat!

publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 09:00
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Segunda-feira, 28 de Fevereiro de 2011

MESTRE BRÁS BARBOSA: ESCULTOR E ARTISTA DA TALHA

 

 

 

    A memória humana, obviamente, não alcança factos, feitos e personagens de outras eras, soterrados na poeira do tempo, pese embora a tenaz e desigual batalha contra o imerecido esquecimento, enquanto a vidinha prossegue a fiar na roca e a rezar o terço sem sobressaltos.

 

    Brás Barbosa nasceu no lugar de Fun­de­vila, em Padornelo, freguesia do concelho de Paredes de Coura, a 3 de Fevereiro de 1666, filho de Francisco Mendes e de Ana Barbosa. Recebeu o sacramento do baptismo na pia da Igreja Matriz de Santa Marinha de Padornelo ao colo dos padrinhos Manuel Pereira, de Cimo de Vila, e do padre Manuel Ribeiro, administrado a 7 de Fevereiro de 1666 pelo reverendo abade Gaspar Barbosa, fez agora 345 anos.

 

    Não faça espécie, nem tão-pouco dúvida, terem paraninfado dois padrinhos, coisa usual na época. Um deles, o padre Manuel Ribeiro, foi cura coadjutor da igreja matriz de São Mamede de Ferreira em Junho de 1674 e cura coadjutor da igreja matriz de São Pedro de Formariz, logo em Agosto de 1675. Por via materna, o neófito era neto de Francisco Barreiros, o Coruchéu, de Padornelo, e de D. Ana Barbosa Mendes, natural de Ferreira, em cujas veias corria ainda meia dúzia de gotas de sangue fidalgo da Casa do Paço, da dita freguesia de Ferreira.

 

    Desde cedo revelou talento e vocação para a arte, dotado de excelentes capacidades artísticas e profissionais. Activo e trabalhador incansável, tornou-se conhecido pela maneira elegante como esculpia e dava vida aos santos, com temperamento de poeta vibrátil e sensibilidade apurada, prendado de verdadeira inspiração de artista, pondo a Arte ao serviço da sociedade.

 

    Ei-lo imaginário de grande impacto, debruçado na banca do artífice, capaz de operar milagres num canhoto de madeira, a insuflar vida aos santos, a tornear a talha para esta e aquela capela, dentro daquele estilo artístico inconfundível, tão cheio de emoções e sensações fortes, a conceber o belo, com panejamentos voláteis, concheados, colunas retorcidas, cinzelado através do engenho e da arte, na procura sublime da perfeição e da beleza. Tudo isto no intervalo duma açordinha de alho, a fim de acalmar a lazeira.

 

    De certa certeza, à luz dos documentos, não enfadará saber que Brás Barbosa labutou no restauro da Capela de Nossa Senhora do Amparo, na Capela do Divino Espírito Santo e no Santuário de Nossa Senhora da Peneda. Mas não repugna imaginar que tenha colaborado intensamente nos vaivéns do monumental Barroco do Alto Minho, aqui e ali como «mestre escultor hi intalhador».

 

    Corria o ano de 1710 quando foi contratado pelos oficiais da Casa da Capela de Nossa Senhora do Amparo, no Sobreiro, lugar da freguesia de Padornelo, por escritura pela qual «estava ajustado e rematado do madeirar e fazer toda a obra de carpintaria de talha».

 

    Entretanto, a obra prosseguia em doce ramerrão e, por dares e tomares, ameaçava tomar a senda de Santa Engrácia. O reverendo licenciado Custódio Ferreira Velho, cioso comissário do Santo Ofício, abade de S. Julião do Calendário de Vermoim, arcediago de Vila Nova de Cerveira, cónego prebendado da Colegiada de Santo Estêvão de Valença, douto visitador da arquidiocese de Braga e instrumento da ira divina, rompeu em doestos de sobrolho carregado e látego riste, a verberar a relaxidão. Intima o nosso mestre a abreviar a conclusão da mesma, conforme solene aviso num despacho de 21 de Junho de 1713:

 

    «Fui informado que Brás Barbosa escultor desta freguesia tem tomado a maior de dois anos as obras da capela de Nossa Senhora do Amparo sem lhe dar fim na forma do con­trato com que as aceitou pelo que mando que o Reverendo Pároco lhe diga que as acabe em termo de dois meses para o que procederá contra ele na forma da Lei».

 

    Remédio santo para tanta delonga, fica pronta em menos de um ai e com a mestria e qualidade visível a quem visita a acolhedora capela, um esmero, a receber também a pincelada final pela exímia mão do mestre Manuel Vaz Alves, pintor de Arte Sacra, natural de Covas, lugar da freguesia de Padornelo.

 

    Em 1731 concluiu a tribuna da Capela do Divino Espírito Santo de Paredes, na vila e freguesia de Paredes, do então concelho de Coura, que viria depois arreceber a última demão de pintura pelo mestre Domingos Soares, da vila de Monção, para «dourar a trebuna que de novo estava feita».

 

    No entrementes, durante longos tempos mourejou gotas estilísticas nas intermináveis obras do Santuário da Peneda, no concelho de Arcos de Valdevez, transfigurado na árdua labuta pela côdea, pleno de criação artística para satisfação dos sentidos, a trabalhar a talha e a esculpir os santinhos dos altares, para ajudar o homem na sua caminhada peregrina e a expandir a notável Arte Barroca do Alto Minho.

 

    Aliás, o século XVIII foi portentoso ao produzir notáveis mestres entalhadores courenses, uma plêiade de artífices de apurada aptidão e valia, veros zângãos do mel à volta da arte, cujos nomes recordo de supetão: Brás Barbosa e João Bento Barbosa de Brito, de Padornelo; António José Barbosa, António Rodrigues da Cunha e António José de Barros, de Linhares; Manuel Soares, de Formariz; José da Cunha Bacelar, de Ferreira.

 

    Selou os laços matrimoniais com D. Grima­neza Soares de Brito, natural do lugar de Alvite, freguesia de Padornelo, filha de Domingos Soares de Brito, da freguesia de Formariz, e de Ana Barreiro de Araújo, da freguesia de Insalde, com quem subiu ao altar no dia 27 de Agosto de 1693.

 

    Pelo alfobre deste casamento foi pai duma prole basta como a urze do monte. Porém, para bem da alma dos meus dois leitores que não estejam mordidos pela brotoeja da genealogia, instigo a passarem ao parágrafo seguinte, porquanto agora descrevo a geração dos filhos, prendados e a estalar virtudes.

1 – António Soares Barbosa, nasceu a 2 de Julho de 1694 e faleceu a 1 de Janeiro de 1708.

2 – Francisco Barbosa Soares, nasceu em Fun­de­vila e foi baptizado a 10 de Agosto de 1696; morador e casado em Lamarigo com Angélica Barreiro.

3 – Dr. Manuel Barbosa de Brito, nasceu a 20 de Novembro de 1697 e faleceu no lugar de Covas, Padornelo, a 31 de Julho de 1766. Foi bacharel formado em Leis pela Universidade de Coimbra, advogado nos au­ditórios do Jul­gado de Coura e 4.º Se­nhor da “Casa e Quinta de Covas”, na freguesia de Padornelo.

4 – Salvador Barbosa Soares, nasceu no lugar de Redolho e foi baptizado a 12 de Dezembro de 1700; casado e morador na freguesia de Aboim das Choças, concelho de Arcos de Valdevez.

5 – José Barbosa Mendes, “o Tonto”, nasceu a 18 de Novembro de 1702 e faleceu a 13 de Agosto de 1757.

6 – Paulo Belchior Barbosa, nasceu a 18 de Fevereiro de 1704.

7 – D. Paula Maria Barbosa Soares, nasceu a 29 de Junho de 1706 e faleceu a 20 de Novembro de 1770.

8 – Paulo Barbosa de Brito, nasceu a 6 de Agosto de 1707 e faleceu a 22 de Julho de 1781; morador no lugar do Curro, casado em primeiras núpcias com Teodósia Alves Antunes e pela segunda vez com Maria Ferreira.

9 – D. Jacinta Antónia das Neves Soares Barbosa, nasceu no lugar do Redolho a 25 de Maio de 1709; casada com António Barbosa, de Cossourado.

10 – D. Mariana Esperança Barbosa de Brito, nasceu no lugar do Redolho a 21 de Novembro de 1712 e faleceu a 30 de Dezembro de 1784; casada com Bento de Sousa Caldas, da freguesia de Mazedo, termo de Monção.

 

    Por fim, consumada a sua missão terrena e quando ia entrar na áspera invernia da velhice, a 11 de Outu­bro de 1733 foi chamado a prestar contas ao Pai do Céu. Três dias antes de entregar a alma dita o testamento, a meter a mão na consciência, pois sim, pois sim, deixa um saquitel de esmolas e por herdeiro o filho licenciado Manuel Barbosa de Brito. Tinha 67 anos de idade.

 

    Brás Barbosa, meu oitavo avô, picado do génio, foi homem de prestígio na comunidade artística alto-minhota de então, um dos bons artistas do género da escultura de Arte Sacra e nome insigne da talha de estilo Barroco, digno de figurar na História da nossa freguesia.

publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 09:00
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Domingo, 10 de Outubro de 2010

FRANCISCO DA CUNHA, ABADE DE PADORNELO

    Francisco da Cunha Barbosa nasceu na freguesia de Santa Maria de Paredes, no então concelho de Coura, ali pelo ano de 1583, filho dilecto de Gaspar Bar­bosa de Caldas, da mesma freguesia, e de D. Juliana da Cunha Pereira, da freguesia de Cunha, neto pela via paterna de António Mendes de Caldas e de D. Leonor Barbosa, neto materno do padre Sebastião da Cunha e de D. Maria Enes Pereira.

 

    Nascido em berço de ouro, o sangue visigótico refulge aos golfões, teve irmãos de admiráveis talentos e recursos que reluz em todos, contando glórias desde a primeira puerícia: Sebastião da Cunha Barbosa, cavaleiro da Ordem de Cristo, sargento-mor da Comarca de Viana Foz do Lima, governador da praça militar de Vila Nova de Cerveira e Senhor da “Casa Grande”; Gaspar Barbosa da Cunha, capitão de Ordenanças, Senhor da “Quinta do Vale”, em Loivo, Vila Nova de Cerveira, pelo seu casamento; Frutuoso Barbosa da Cunha, Senhor da “Casa do Covelo”, em Ferreira; padre Marcos Barbosa da Cunha, abade da Igreja de São João de Bico.

 

    Certamente afeiçoado aos prazeres da inteligência e do coração, estudou primeiras letras e tomou ordem de presbítero em 1605, circunvagava os olhos, de olho fino, em busca duma proveitosa abadia, aviada de vitualhas. Vai ser despachado abade colado de patena e cálice na paroquial Igreja de Santa Marinha de Padornelo em 1617, onde veio substituir o abade Manuel Fernandes de Figueiredo e o padre João Gonçalves Pereira, cura coadjutor. Abastado de teres e haveres adequados à prosápia fidalga, foi Senhor da “Quinta de Requião”, neste rincão do Paraíso.

 

    O abade Francisco da Cunha, como geralmente assinava, deixou diversos filhos neste vale de lágrimas, nascidos em duas mulheres, naturalmente por fraqueza humana, incapaz de domar a luxúria venal. Naquele tempo não era despautério absurdo, nem tão-pouco levantava poeira escandalosa ou se quebrava a vara da lei férrea no lombo pecaminoso.

 

    Para o caso nem vale a pena sequer citar a prole, a não ser aquela que deixou como herdeira, pese embora alguns dos demais tenham sido cinco réis de gente. Do ventre fecundo duma Isabel Fernandes, da freguesia de Ferreira, por entre os vapores da caçarola donde amancebava o padre, pois o refego do estômago tem destas coisas, teve a filha Maria Fernandes da Cunha, que, na qualidade de herdada, foi 2.ª Senhora da “Quinta de Requião”, em Padornelo, casada e com geração. 

 

    Faleceu em Padornelo e foi ao encontro do Pai do Céu a 10 de Outubro de 1647, faz agora 363 anos, depois de ter paroquiado a Igreja de Santa Marinha durante trinta anos, a curar interesses próprios e dos paroquianos, certamente por entre respeito e veneração dos povos sofredores de génio conformado, que o vício não derrancara.

 

    Para o leitor interessado e sem ânimo enfastiado nas coisas dos fabulários das genealogias, vai em anexo a árvore de costados do padre Francisco da Cunha, a cruzar os avoengos, num concerto de nomes notáveis como a orquestra florestal de passarinhos, grilos e cigarras.

 

Árvore de Costados do Padre Francisco da Cunha Barbosa

Próprio

Pais

Avós

Bisavós

Francisco da Cunha Barbosa

 

* Paredes de Coura 1583

 

+ Padornelo 1647

 

Abade de Padornelo

1617 - 1647

Gaspar Bar­bosa de Caldas

 

* Paredes de Coura

1560

 

+ Paredes de Coura 1626 

António Mendes de Caldas

 

* Paredes de Coura 1525 

Gaspar Mendes de Antas

 

* Cunha 1485 

D. Inês de Faria de Caldas

 

* Vascões 1500

D. Leonor Barbosa

 

* Paredes de Coura 1530 

António Barbosa

 

* Paredes de Coura 1490

 

D. Maria Vaz de Castro

 

* Paredes de Coura  1500

D. Juliana da Cunha Pereira

 

* Cunha 1562

 

+ Paredes de Coura 1633

Padre Sebastião da Cunha

 

* Cunha

Francisco da Cunha

 

* Cunha

D. Maria de Antas de Passos

 

* Cunha

D. Maria Enes Pereira

 

* Sopo, Vila Nova de Cerveira

Padre Gonçalo Pereira

 

* Bertiandos, Ponte de Lima

 

 

publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 09:00
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Segunda-feira, 16 de Agosto de 2010

A ORIGEM DOS NOMES DA NOSSA TERRA - V

 

 

 

    ANGÚSTIAS – Hagiotopónimo e devocional. Embora pertença nitidamente ao grupo dos topónimos que têm origem nos nomes dos santos, deve-se neste particular à mais profunda devoção do filantropo José Narciso Monteiro, o qual em 1912 mandou erigir a Capela de Nossa Senhora das Angústias, de quem era particular devoto. Devido ao seu perfil humanista e de grande benemerência bem cedo a festividade e a importância da Sr.ª das Angústias conheceu expressiva expansão.

 

    Interessante fenómeno devocionário que levou no estrito campo toponímico, ao crescimento do mesmo como referência basilar, a ponto de alguns decénios depois, muitos dos lugares perderam a sua primeva denominação de modo progressivo mas contudo espontâneo, para adoptarem a ascendente denominação de Angústias. Devido a esse fenómeno toponímico, os lugares das Portelas e do Curro perderam em definitivo a sua identidade própria e pertencem hoje, também, ao lugar das Angústias.

 

    Antes da actual capela, e sem qualquer conexão com a presente, existiu em local diverso da mesma freguesia outra ermida a qual era anexa à “Casa de Senrelas”, da família Pereira Varajão, devastada que foi por um incêndio na primeira metade do século XIX.

 

 

 

 

    José Narciso Monteiro era, como já se disse e facilmente se depreende, um grande devoto à Nossa Senhora das Angústias, pois comprara a sacrossanta imagem, ali ao redor do ano de 1881, que miraculosamente se salvara do pavoroso incêndio que devastou a capela dessa evocação, anexa à casa solarenga da nobre família Varajão.

 

    Quando regressou ao Brasil levou consigo a imagem da santa, sua devota companhia naquela imensa labuta pela vida e por terras de Vera Cruz fez a promessa solene de mandar erigir uma ermida ou capelinha devocionária na sua santa terrinha, o seu coração bondoso e compassivo assim o exigia.

 

    Retornou definitivamente ao torrão natal em 1903 e, alguns anos volvidos, tratou de dar corpo à promessa que fizera. Em 1906 comprou um amplo terreno para esse fim e a 31 de Janeiro de 1907 entregou nos serviços competentes da Câmara Municipal de Paredes de Coura o pedido regulamentar para edificar a Capela de Nossa Senhora das Angústias.

 

 

 

 

    Por motivos de força maior retira a petição de edificação da capela evocativa, solicitando a 23 de Janeiro de 1908 «para ficar nulo e sem efeito o pedido» que anteriormente fizera. Mas não esmorece, nem tão-pouco desiste, pois era homem sóbrio de génio e altruísta, retoma o projecto, agora mais consubstanciado e renova o pedido de autorização para edificar a Capela de Nossa Senhora das Angústias «num terreno improdutivo, que fica à margem esquerda da estrada que segue para Insalde, entre a estrada e a levada da Chã da Várzea, em Padornelo», por petição datada de 20 de Abril de 1911.

 

    A 11 de Maio de 1911 reuniu-se a vereação da Câmara Municipal de Paredes de Coura, sob a presidência do presidente interino José do Espírito Santo da Cunha e com as presenças dos vereadores João Bento de Araújo Guimarães, Manuel António Barreiros de Sá, Alberto Rodrigues de Sá e Augusto Rodrigues Nogueira, para aprovar por unanimidade e autorizar a construção da capela na carvalheira das Angústias.

 

    Oficialmente inaugurada a 7 de Julho de 1912, dia memorável, seria especialmente benzida por D. Manuel Vieira de Matos, arcebispo primaz de Braga, bondoso, sorri e corteja a multidão, ao abençoar a capela na companhia do padre dr. Manuel Joaquim da Cunha Ribas, reverendo prof. dr. Manuel de Azevedo de Araújo e Gama, cónego dr. Bernardo José Álvares Chouzal e abade Casimiro Rodrigues de Sá, durante uma visita efectuada a 3 de Julho de 1916, num ambiente comovente da mais aberta lhaneza e despretensiosa cordialidade, em companhia do fundador José Narciso Monteiro, herdeiro de nobilíssimos títulos do coração, pois soube aproveitar os bens avultados de fortuna que possuía em actos de filantropia e amor ao próximo.

 

    O topónimo é mais vulgar no plural, ao invés do singular angústia. Do latim angustĭa, «aflição, embaraço».

publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 09:00
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Domingo, 4 de Julho de 2010

BENEMÉRITO JOSÉ NARCISO MONTEIRO

 

 

 

    Este artigo que trago à luz do dia foi publicado, originalmente, nas páginas do jornal O COURENSE, a 28 de Julho de 1928. Nele, os articulistas Manuel Augusto Pereira Bacelar e Joseph Brandão, fazem uma breve mas comovente resenha das altruístas acções do benfeitor José Narciso Monteiro, apóstolo do bem-fazer, relatando as suas doações em prole dos necessitados, da freguesia de Padornelo e do concelho de Paredes de Coura.

 

    Realço aqui, com especial ênfase, a entrega de 22 contos de réis (22.000$00), «para a construção de um novo e bem localizado cemitério». Por isso mesmo, uma anterior Junta de Freguesia aprovou e mandou colocar no muro daquele chão sagrado uma lápide com o nome deste benemérito, para lembrança futura.

 

    Mas infelizmente, pelas linhas travessas da vida e baldões da humanidade, tal placa evocativa acabou por falecer nos esconsos gavetões da Capela de Nossa Senhora das Angústias, a soterrar uma memória merecida. Um dia contarei melhor essa história, a da lápide. Hoje vamos ao artigo em questão:

 

AO BENEMÉRITO JOSÉ NARCISO MONTEIRO

 

    Na educação cívica do povo a imprensa tem um factor especial, quando bem orientada na missão de homenagear os que ao Bem-Fazer tributam cultos pela acção dos actos benemerentes.

 

    A sociedade eleva-se, renova-se e aprimora-se, sabendo render os seus preitos de veneração aos que se destacam por feitos altruístas, espalhando benefícios sobre a colectividade, ajudando as casas de beneficência, aonde a Caridade tem os seus arraiais efectivos para abrigo e socorro dos desprotegidos da fortuna.

 

    Assim, o «O COURENSE», na sua edição de hoje, ufana-se por ter ensejos de ilustrar as suas páginas com o retrato do Ex.mo Snr. José Narciso Monteiro, cujos rasgos da mais alta benemerência o colocam em principal lugar na galeria dos benfeitores nossos compatrícios.

 

    Suavizar dores, abafar gemidos, estancar lágrimas, levando às casas caritativas os meios pecuniários para que os bálsamos não escasseiem às desgraças que as misérias humanas geram e produzem, é demonstrar a posse de uma alma perfeita, aonde o altruísmo tem guarida permanente e as virtudes generosas igualmente se acumulam.

 

    O Ex.mo Snr. José Narciso Monteiro, o venerando octogenário, nasceu na freguesia de Padornelo, deste concelho [de Paredes de Coura], em 9 de Janeiro de 1839, sendo seus pais Manuel José Monteiro e Sebastiana Maria Mendes, modestos e honrados lavradores.

 

    O nosso biografado herdou assim as noções do trabalho probo, tendo seguido para o Rio de Janeiro em 1854, aos 15 anos, empregar a sua actividade nessa imensa fornalha de labores rudes e ingratos que ao tempo era a capital do Império Brasileiro.

 

    As labutas comerciais empolgavam a vida do jovem emigrante e no batalhar constante conseguiu sair vitorioso, retirando para o seu torrão natal e definitivamente em 1903, quase passado meio século de ardoroso labutar.

 

    Dando margens à fé cristã em que foi educado, a imagem da Virgem, que tantas vezes – a ao longe – amorteceu os ímpetos cruéis da nostalgia pela mãe-pátria, teve um santuário condigno, pois em 1915 foi inaugurada a linda capela e vasto adro mandados erigir em honra da senhora das Angústias em pitoresco local na paróquia de Padornelo.

 

    A amizade e os carinhos que nutria pela família descendente dos seus irmãos paternos, levou-o à distribuição de 55.000$00 [cinquenta e cinco mil escudos] a cada um dos seus sete sobrinhos, ficando quatro delas com o encargo anual de contribuírem com 100$00 [cem escudos] para a festividade da Senhora das Angústias, cuja realização tem lugar no primeiro domingo do mês de Julho de todos os anos, beneficiando ainda a sobrinha snr.ª Especiosa de Jesus Monteiro, esposa do hábil artífice, snr. António Inocêncio Alves, com 5.800$00 [cinco mil e oitocentos escudos] para a construção de um caminho calcetado no local de Além-do-Rio, para fácil e segura serventia do engenho de serrar e moinhos àqueles pertencentes.

 

    As reparações na igreja matriz de Padornelo efectuadas há pouco, foram também subsidiadas com 2.000$00 [dois mil escudos] pelo lídimo courense, assim como fez entrega da quantia de VINTE E DOIS MIL ESCUDOS (22.000$00), para a construção de um novo e bem localizado cemitério, retiro sagrado aonde os comparoquianos do respeitável cidadão encontram jazida decente.

 

    E para cúpula daqueles nobres actos de Bem-Fazer, o generoso e grande benemérito retira parcelas da sua abençoada fortuna para mitigar as amarguras dos que precisam acolher-se nas faldas da bandeira dos socorros públicos, contemplando a Santa Casa da Misericórdia, desta vila, com o importante donativo de 40.000$00 [quarenta mil escudos], com o único encargo de anualmente entregar 300$00 [trezentos escudos] para a festividade das Angústias.

 

    Os pobres a quem a idade e os achaques impedem o deslizar de uma vida normal, têm naquele avultado auxílio monetário uma garantia de um certo conforto a desanuviar as infelicidades que os acometam neste vale de lágrimas, devendo pronunciar o nome do Ex.mo Snr. José Narciso Monteiro com palavras da mais intensa e maior das gratidões, mostrando o perdurável reconhecimento que devemos ter por feitos de tão assombrosa benemerência, principalmente nestes tempos nefastos para instituições de Caridade.

 

    As orações inocentes balbuciadas pela infância desvalida devem também subir aos céus como votos frementes pela perene ventura do nosso homenageado, que, não esquecendo os pequeninos, contemplou com 6.000$00 o Asilo de Nossa Senhora da Conceição, essa simpática casa de Caridade que entre nós ostenta e vive com muitas dificuldades de toda a ordem.

 

    Que mais dizer? A eloquência dos números que aqui ficam estampados, falam mais altonisantes de que as palavras elogiosas que soubéssemos escrever, dispensando encómios de maior vulto, porque os factos assinalados cantam solenemente a nobreza do carácter que exorna o grande Benemérito, Ex.mo Snr. José Narciso Monteiro!

 

    Pela sua parte «O COURENSE», beija as mãos generosas do venerando cidadão, sentindo a modéstia que imprima a esta singela, sincera e digna homenagem.

 

A Redacção [Manuel Augusto Pereira Bacelar e Joseph Brandão] 

 

Notícia do jornal O COURENSE, 4.º ano, n.º 146, de 28 de Julho de 1928, página 2.

publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 01:01
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Sábado, 30 de Janeiro de 2010

33 ANOS DE ELEIÇÕES: COMO VOTA PADORNELO – IV

2005

Lista

Votos

%

Mandatos

PS

195

64,6 %

5

PPD/PSD

90

29,8 %

2

Inscritos

455

Votantes

66,4 %

302

Abstenção

33,6 %

153

2009

Lista

Votos

%

Mandatos

PS

216

73,7 %

6

PPD/PSD

68

23,2 %

1

Inscritos

460

Votantes

63,7 %

293

Abstenção

36,3 %

167

Temas:
publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 09:57
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Sexta-feira, 23 de Outubro de 2009

33 ANOS DE ELEIÇÕES: COMO VOTA PADORNELO – III

1993
Lista
Votos
%
Mandatos
PS
215
69,1 %
5
PPD
83
26,7 %
2
Inscritos
488
Votantes
63,7 %
311
Abstenção
36,3 %
177
1997
Lista
Votos
%
Mandatos
PS
219
66,4 %
5
PPD
105
31,8 %
2
Inscritos
503
Votantes
65,6 %
330
Abstenção
34,4 %
173
2001
Lista
Votos
%
Mandatos
PS
219
73,5 %
5
PPD
79
26,5 %
2
Inscritos
472
Votantes
63,2 %
298
Abstenção
36,8 %
174

 
Temas:
publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 08:30
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Sábado, 17 de Outubro de 2009

33 ANOS DE ELEIÇÕES: COMO VOTA PADORNELO – II

 

    Para não saturar com informação desnecessária, pois tudo está legível nos quadros, destacamos a vitória eleitoral atingida em 1989, onde foi obtido o maior resultado logrado até hoje (83,4%), a que, logicamente e no sentido inverso, correspondeu ao mais baixo desfecho obtido pela oposição (15%), valores nunca mais superados.
 
     A abstenção estabilizou na casa dos 30 %, mas mesmo assim oscilando entre 30,6 % (1985) e 39,9 % (1989).
 
    Destaque para a presença dum terceira lista afecta ao PCP nas urnas de 1985, fenómeno raríssimo no nosso espectro eleitoral, que é bipartidário.
 
    Comparado com o período anterior, o número de eleitores cresceu de forma significativa, passando de 408 (1979) para 491 (1989).
 

1982
Lista
Votos
%
Mandatos
PS
196
67,4 %
7
PPD (AD)
82
28,2 %
2
Inscritos
455
Votantes
64 %
291
Abstenção
36 %
164
Vencedor: Amâncio Barbosa Lourenço
1985
Lista
Votos
%
Mandatos
PS
236
75,4 %
6
PPD
56
18 %
1
PCP
12
4 %
0
Inscritos
451
Votantes
69,4 %
313
Abstenção
30,6 %
138
Vencedor: Amâncio Barbosa Lourenço
1989
Lista
Votos
%
Mandatos
PS
246
83,4 %
6
PPD
44
15%
1
Inscritos
491
Votantes
60,1 %
295
Abstenção
39,9 %
196
Vencedor: Amâncio Barbosa Lourenço

Temas:
publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 09:00
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Quinta-feira, 15 de Outubro de 2009

33 ANOS DE ELEIÇÕES: COMO VOTA PADORNELO – I

 

   Aproveitando a maré das eleições, cujo ciclo agora encerra, fui ao meu arquivo pessoal coligir umas migalhas sobre o comportamento eleitoral na freguesia de Padornelo durante dez eleições para a autarquia local.
 
    Iniciamos hoje a publicação dos quadros referentes às eleições de 1976 e 1979, então nos primórdios do Poder Local Democrático.
 
    Uma curiosidade que daqui se infere, é a ausência de candidatura do PS, que não se apresentou ao sufrágio nas primeiras eleições livres (1976).
 
    De qualquer forma está presente uma das características sociológicas do nosso tecido eleitoral, pois a lista vencedora ganha (80%), sempre, com maioria absoluta.
 
    No pólo negativo, vemos que estas foram as eleições que até hoje registaram a maior abstenção de todos os tempos (40%), o que foi contraditório com o estado de euforia que a Nação vivia, altura em que se registou por todo o lado uma ida maciça às urnas.
 
    Esta anomalia foi corrigida nas eleições seguintes, em 1979, quando se registou (25%) o menor índice de abstenção averbado entre nós. Do primeiro para o segundo recenseamento, notámos um crescimento residual de dez novos eleitores.
 

1976
Lista
Votos
%
Mandatos
PPD
189
79,4 %
6
CDS
37
15,6 %
1
Inscritos
398
Votantes
60 %
238
Abstenção
40 %
160
Vencedor: Amâncio Barbosa Lourenço
1979
Lista
Votos
%
Mandatos
PS
203
66,6 %
6
PPD (AD)
79
26 %
3
Inscritos
408
Votantes
75 %
305
Abstenção
25 %
103
Vencedor: Amâncio Barbosa Lourenço

Temas:
publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 09:00
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Domingo, 16 de Agosto de 2009

A PADROEIRA DE PADORNELO: QUEM FOI SANTA MARINHA

Santa Marinha

 

    Hoje vamos falar da nossa padroeira, que toda gente sabe ser Santa Marinha, mas poucos saberão quem foi. A vida de Santa Marinha é fabulosa e questionável, como aliás a de todos os santos, santinhos e mártires da primitiva Igreja e até no nome divergem.
               
    Alguns afirmam que o seu verdadeiro nome seria Margarida ou até Santa Pelágia, mas tamanha confusão de identificação deve-se ao seu martírio em tudo similar às das referidas santas. Naqueles tempos a imaginação e as vidas lendárias corriam livremente a toda brida por terras de França e Aragança, daí esta profusa confusão.
                  
    Santa Margarida de Antioquia, cuja vida lendária e fabulosa decorre nos séculos III, era uma formosa filha dum pagão de má catadura, mas fora educada na fé cristã por amparos e meneios de uma ama.
                  
    Estando noiva dum alto funcionário do Estado, Olíbrio de sua graça, daqueles noivados cozinhados como então se faziam, recusou-se obstinadamente a casar para não abjurar da sua fé, nem sacrificar o tálamo virginal.
 
    Não consta que o pai da menina tenha dito a famosa lengalenga, mais a condizer com eras posteriores:
Ela cabras guardou,
Sebes saltou,
Se em alguma se espetou
E a quereis assim como é,
Assim vo-la dou.
                                                                             
    Naqueles tempos bárbaros, recusar casório equivalia a uma sentença de morte, e a pobrezinha foi submetida a tratos de polé, sendo depois decapitada. Mas a sua segunda e definitiva morte ocorreu séculos depois quando o seu nome e devoção foram retirados a mata-cavalos do santoral romano por se duvidar a sua existência. Mas estas coisas não fazem duvidar um cristão, nem causam dor de alma.
                       
    Santa Marinha de Antioquia, a nossa santinha, nascera nos idos séculos III ou IV, tanto monta, segundo reza a lenda, lá para os lados misteriosos e longínquos dos gentios de Antioquia, que era a capital da província romana da Síria, abrangia então uma porção da Turquia meridional, ali no Médio Oriente, uma importante urbe da Antiguidade.
                                          
    Um dia a prendada mocinha, filha das melhores famílias, lindíssima e airosa, mas recatada e pudica, viu-se cercada por uma horda da soldadesca imperial de Roma, uns sacripantas.
      
    Para evitar o ultraje contra a sua fé, mas acima de tudo contra a sua pureza virginal, antes a morte que tal sorte, num ai-jesus atirou-se do alto das muralhas, embora haja quem jure que foi do telhado da sua casa.
 
    Mas a história assim não tem gracinha nenhuma, desenxabida de todo. Para garantir a eternidade dos altares e a sublime glória do Pai Eterno é preciso milagre de truz, que as coisas do divino diferem do temporal.
                                       
    Quando Santa Marinha de Antioquia se atirou muralha abaixo, caiu num fosso onde estava um dragão, não o animal mitológico, mas o próprio mafarrico, chifrudo, a cheirar a enxofre, artimanhas que o diacho, aquela cousa-má, usa para enganar as almas distraídas.
                    
    Porém a nossa miraculosa serva de Deus, armada da fé, duma cruz e duma espada, certamente tirada a um soldado, venceu e derrotou o demónio. Não enfadará saber que escapou ao demónio, mas caiu nas vis garras do governador romano, criaturo infame que se chamava, enfim, Olíbrio, de sobrolho carregado, a cujas mãos padeceu martírios sem conta e cruel morte. Seja como for, assim ou assado, ganhou a merecida palma de martírio, de santa e castíssima virgem.
               
    A sua representação iconográfica conhece algumas variáveis, com atributos distintos. Por vezes é representada com uma palma de martírio numa mão e a espada mata-dragões na outra, embora nas versões mais elaboradas aparece-nos a cravar uma cruz na bocarra do dragão, ou até arrastando o hediondo animal, trazendo-o cingido pelo seu cinto de castidade. Na cabeça, para além da auréola de santidade, traz uma coroa de pérolas, e por vezes empunhava também uma tocha e uns ferranchos, aparelhos da sua tortura.
                 
    O seu culto foi de grande importância para o povo gemebundo doutras eras, fazendo parte do número dos 14 santos auxiliares da Santa Madre Igreja. Teve uma fervorosa popularidade, duradoira e intensa durante a Idade Média, progressivamente a resfriar quando acabaram as trevas medievais.
                     
    Por isso mesmo pode-se afirmar, sem receio de contraditório, que são antiquíssimas as paróquias das quais é padroeira, porque a sua veneração já não é moderna.
                             
    No território da arquidiocese de Braga o seu culto está documentado desde o século IX, e, seguramente, a sua introdução foi muito anterior, para refazer a alma dos devotos com orações. No distrito bracarense Santa Marinha é orago de vinte e três freguesias.
 
    No Alto Minho serve de evocação e patrono, o sino a tanger aleluias nas freguesias de Agrela (Caminha), Anais (Ponte de Lima), Arcozelo (Ponte de Lima), Gave (Melgaço), Linhares (Paredes de Coura), Loivo (Vila Nova de Cerveira), Moreira de Geraz do Lima (Viana do Castelo), Padornelo (Paredes de Coura), Proselo (Arcos de Valdevez), Roussas (Melgaço), Taião (Valença), Verdoejo (Valença) e Vila Praia de Âncora (antiga Gontinhães, em Caminha).
                
    Por esta vastíssima devoção se vê a antiquíssima força do seu culto, por entre trombetas e clareiras lumiadas do céu, do qual somente não encontra ecos nos concelhos de Monção e Ponte da Barca.
                 
    É venerada de levante a poente em Julho, no mesmo mês e ao lado de São Teodorico, Santo Atanásio, Santa Pulquéria, São Procópio, beato D. Frei Bartolomeu dos Mártires, Santa Praxedes, São Sinfrónio, Santo Teodulo, São Pantaleão e Santo Inocêncio, porque venerável que se preze não usa nome vulgar.
 
    E pronto, aqui ficou a história lendária e miraculosa da nossa santinha, padroeira de Santa Marinha de Padornelo. Como o artigo está enorme, maior que o manto de Nossa Senhora, noutra ocasião se falará de mais algumas Santas Marinhas que também têm lugar devocional nos altares.

Altar-mor da igreja de Santa Marinha de Padornelo na década de 1950

publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 00:45
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Segunda-feira, 1 de Junho de 2009

PARA A HISTÓRIA DA CAPELA DE SANTIAGO

 

    O culto de Santiago em terras de Portugal é certamente bastante antigo, e conta ainda com uma forte corrente imaginária e de suporte do poder político, económico e religioso, que permite a sua sobrevivência e expansão enquanto fenómeno de variada matiz.
 
    Tiago, “o Maior”, filho de Zebedeu e de Salomé, nasceu na Galileia, sendo escolhido para enfileirar como apóstolo de Cristo e um dos seus mais íntimos. A tradição, difícil de documentar e ainda mais custosa de rebater pelos laivos inspirados de lendas e comportamentos colectivos de profundo fervor, alega que foi evangelizador da Península Ibérica.
 
    Na sua vinda à Hispânia entrou pelo Rio Lima para pregar as sagradas escrituras e as novas da redenção, sendo o evangelizador das terras da Galiza, que naquele tempo abarcava ainda o actual território do Minho. Isto, dizem, decorreu ali pelo ano de 35 no nascimento de Jesus Cristo.
 
    Regressado a Jerusalém, seria decapitado; os seus discípulos retiraram o corpo e colocaram-no numa barca, a qual guiada por um anjo, transportou o corpo do apóstolo até a Espanha, onde realizara a sua tarefa missionária e de evangelização.
 
    Após peripécias várias – vamos abreviar para não delongar a história – o seu corpo foi sepultado numa arca funerária construída debaixo dum altar e dentro duma pequena capela. E a memória disso tudo se perdeu, por alguns séculos, até quando em 813 se descobre por milagre – tempos milagrosos – a antiga capela e as campas fúnebres, que deduzem ser de Santiago e dos seus mais directos discípulos.
 
    O Rei D. Afonso II das Astúrias, deslocou-se ao lugar, e desse modo foi o primeiro peregrino e fiel protector da causa do santo, o que muito contribuiu para a glória e fama futura.
 
    Por sua vez, logo Santiago surge miraculado a combater os mouros ao lado dos cristãos, aumentando o número de milagres e incentivando a sua devoção, e de todo o lado acodem peregrinos a venerar a sua sepultura e os actos heróicos que praticava como guerreiro mata-mouros.
 
    O terceiro prodígio de veneração sucedeu quando um nobre cavaleiro, caiu ao mar e perante o perigo de morte, evoca o santo nome e a protecção de Santiago, foi salvo de morrer afogado, saindo de água com o corpo recoberto de conchas, elemento agora essencial na veneração e símbolo maior dos peregrinos e romeiros.
 
    Certo é que somente um século após a descoberta do túmulo do apóstolo já toda a Europa o venerava e conhecia uma complexa rede peregrinatória, de molde a ombrear com Roma e Jerusalém, e que atingiu o seu apogeu no século XI, nessa busca da expiação dos pecados que atormentavam o homem dessas eras. De hoje, não sei de semelhante crise existencialista.
 
    Em Portugal, fruto dessa fervorosa devoção, existem 183 freguesias com o orago de Santiago, e não surpreende que delas, 41 sejam em Braga, 29 no Porto e 22 em Viana do Castelo, número que seria maior na Idade Média, porquanto muitas outras freguesias com semelhante patrono já foram extintas.
 
    Em Paredes de Coura sob a sua evocação temos as freguesias de Infesta e Romarigães. Existem e persistem ainda inúmeras capelas privadas e públicas sobre a sua santa égide e evocação, sendo 18 no distrito de Viana do Castelo. Daqui se antevê a grandeza do fenómeno religioso e social e da vigorosa expansão geográfica ao culto divinatório a Santiago.
 
    Entre as capelas dessa evocação no distrito de Viana do Castelo avulta a de Padornelo. Não pelo seu valor esteta e de Arte imperecível, mas pela sua antiguidade e pela particular característica de ser comum com a freguesia de Parada, um caso sério de partilha comunitária, em tempos tão individualistas.
 
    Nesta altura convém saber, mesmo em estimativa, quando foi feita. A resposta, já de pronto, permite afirmar que é certamente muito antiga, talvez do século XII, a mais antiga do nosso concelho. Quanto mais pequena e mais isolada estiver uma ermida, maior será a sua antiguidade probatória.
 
    Ao consultar as Inquirições que o Rei D. Afonso III ordenou em 1258, encontro a seguinte passagem, que livremente transcrevo da parte que nos interessa, quando se fala da freguesia de Santa Marinha de Padornelo: «o Monte de Santo Jacobo, que parte pela real de cova de Martim até às laceiras.... e neste ... monte está uma ermida que chamam Santo Jacobus».
 
    Isto significa que no século XIII, a igrejinha já era tão antiga e estava tão enraizada no conceito popular e geográfico que dera origem a um topónimo, que hoje se perdeu, o Monte de Santiago.
 
    No que concerne a quem seriam os seus edificadores ou patronos, uma antiga tradição aponta os Cavaleiros Templários como os seus fundadores. Nas respostas que o reverendo padre José Bernardino Soares de Castro e Moscoso, abade da igreja paroquial de Santa Marinha de Padornelo, deu a 25 de Abril de 1758, e que estão averbadas no Dicionário Geográfico, declara, fazendo eco duma remota memória acerca da capela de Santiago:
«cuja capela existe no monte, e é antiquíssima, e há tradição que fora convento dos templários, não tem património, e se festeja alternadamente todos os anos pelos moradores desta freguesia e da de Parada e dista desta freguesia meio quarto de légua».
 
    Vamos espreitar a resposta do reverendo Pedro da Mota Ferraz, vigário da paroquial igreja de S. Pedro Fins de Parada, o qual acrescenta umas curiosas informações, como seja o facto de designar a capela de forma que considero inédita:
«ermida de Santiago de Birtelo, que está nos limites da freguesia de Padornelo e a sua festa se faz no seu dia, um ano a fazem os fregueses de Padornelo, noutro ano os fregueses de Parada e é tradição que houve no seu sítio um convento dos templários, esta ermida está fora do lugar sem vizinhança situada nas faldas do monte chamado de Balhadouro».
 
    Ficámos, assim, a saber dois dados curiosos: o monte que no século XIII era de Santiago, volvidos 500 anos tinha a denominação de Monte de Balhadouro, e que o nome integral da capela seria Santiago de Britelo. Vamos explicar estes dois topónimos. Birtelo, forma popular, que está por Britelo, corresponde à latinização de Bertellus, um antropónimo de origem germânica.
 
    Já Balhadouro, é topónimo raro e simultaneamente um provincianismo minhoto, que corresponde ao substantivo bailadouro, lugar onde se baila. Não custa acreditar que Britelo era o monge-guerreiro templário que fundou o convento e a capela, num lugar que correspondia a um ermo onde os habitantes das duas povoações faziam grandes folguedos e festejos.
 
    Já sabíamos que a capela de Santiago não está de modo algum associada aos vários itinerários, por onde os romeiros faziam o chamado Caminho de Santiago, e o isolamento absoluto que naqueles tempos por ali havia e que ainda hoje se denota, foi motivo mais que suficiente para levar os cavaleiros da Ordem militar e religiosa do Templo a erigir um mosteiro, do qual nada resta, a não ser a sua memória e tradição ainda presente e pujante no século XVIII. Os templários radicaram-se em Portugal cerca de 1126. A nossa capela é do mesmo século.
 
    A capela tinha ainda em tempos recentes uma antiga e significativa imagem do seu santo padroeiro. A ameaçar ruína pela acção erosiva dos tempos e em consequente mau estado, foi chamado de Braga um santeiro, especialista que vaticinou remédio certo: concerto.
 
    Mas a confraria não dispunha de verba necessária para tal, e como a relíquia estivesse descamada e abria pequenas fissuras, recomendou ainda o santeiro como sagrado que no santo lenho nunca entrasse prego algum, caso em que seria o fim da imagem se alguém pregasse ali um prego que fosse no intuito de selar as brechas, seria a fatal e definitiva ruína, e que sem essa agressão duraria ainda bastantes decénios para glória vindoura.
 
    Contudo algum curioso investido nas funções de responsável pela capela, cheio de lógica voluntariosa, mas falho de bom-senso, resolveu, então, pintar a imagem para lhe dar outro aspecto, como fazem as velhas senhoras ao pintarem o cabelo: se o objectivo era faze-la ficar mais reluzente, o resultado final foi deveras fatal para a estatueta.
 
    Rapidamente degradou-se, sendo então de sobressalto vendida para Braga. E lá ficámos sem a estátua! Com o dinheiro dali resultante e para o seu lugar veio uma bugiganga de aspecto brilhante e garrido, mas de indiscutível mau gosto estético.
 
    Mas os disparates do tamanho da Sé de Braga não ficaram por aqui. Recentemente uma comissão de festeiros cheios de boa vontade e pouca percepção do mais amplo sentir estético – não a actual, note-se – destroçou e danificou de modo irreversível este monumento medieval, ao destruir a fachada e o conjunto granítico para lhe acrescentar uma arrecadação lateral e avançar a nave. O resultado é mau de mais para ser verdade e extremamente doloroso.
 
    Lendas e historietas abundam por aquelas serranias, porque o lugar é propício a isso. Como a dum pastor que levava por lá o seu gado a pastar e colocava os animais num simples cercado a ameaçar ruína, sob a divina protecção da imagem do santo, visto que o santo homem tinha a chave da capelinha.
 
    Confiante na salvaguarda e na habilidade pastorícia do bem-aventurado, ia tratar do resto da sua vida – porque a vida sempre esteve difícil para os pobres – e à tardinha passava por ali, recolhia a estatueta do santinho ao altar e o seu gado ao estábulo.
 
    O entendimento foi perfeito e durou anos sem queixume ou azedume de todas as partes, humana, animal e santificada. Mas um dia a estátua do santo talvez entediada ou mais meditabunda noutras arrelias que o comum do cidadão desconhece e não entende, não prestou a melhor atenção e o gado, que andava já certamente a espreita duma ocasião de suma distracção do santo, escapuliu-se do cercado e tresmalhou por esses montes.
 
    Quando ao sol-posto o pastor retornou na busca do gado para seu espanto e arrelia deparou-se com a santa imagem, impávida e serena, que nessa ocasião tão mau serviço lhe prestara, segundo a sua furibunda análise.
 
    Revoltado e esquecido dos muitos e prestimosos serviços que Santiago lhe prestara – os homens são assim, ingratos e curtos de memória –, e num acesso de fúria, deitou-o para o regato de água cristalina. Mas o santo sobreviveu a esse arrebatamento e ingratidão. Não sobreviveu depois à incúria que lhe destruiu a imagem e danificou a capela.
 
    Para finalizar, umas considerações acerca do nome de Santiago, que é uma particularidade genuína portuguesa. O apóstolo Santiago, ou S. Tiago não existe no calendário ou santoral cristão. Tiago é corruptela do nome do santo, que era Jacob ou Jacobus.
 
   Tudo isto, logicamente, devido à particularidade fonética e ortográfica da letra J. O nome Jacob em algumas línguas passou a ser lido Iacó e depois por força dum fenómeno fonético, a letra C transformou-se em G, donde surgiu Iago. Logo Santo Iago, que pela pronúncia e escrita apressada e pelo fenómeno de aglutinação deu origem a Sant’Iago e Santiago.
 
    A perda do primeiro elemento deu origem a Tiago, que por sua vez para recordar o santo desdobrou-se em S. Tiago. Como o T passava muitas vezes a D, em português transformou-se em Diogo, que sobreviveu a par de Jaime ou ainda Jácomo ou Jácome, em francês deu Jacques, em castelhano temos Jaime e Diego, em inglês James e em italiano Giacomo.
 
    Do primitivo nome do apóstolo temos ainda diversas palavras; jacobeia (peregrinação jacobeia), jacobeu (membro duma seita de fanáticos que existiu em Portugal), jacobice (hipocrisia), jacobina (terreno impróprio para a lavoura), jacobino (membro duma associação revolucionária de exaltados), jacobita (membro duma seita religiosa chefiada pelo bispo Jacob de Edessa), etc.
publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 09:00
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Segunda-feira, 18 de Maio de 2009

A ARTE DA CANGA ARTESANAL

 Fotografia de Eduardo Daniel Cerqueira

    Lá nos idos da década de 1960, lembro-me do meu avô, António Inocêncio Alves, dotado de génio de mestre marceneiro afamado de lés-a-lés em inauditas proezas de lavrar a madeira, donde saiam obras que alumiavam todos de espanto, a transpor o limiar da Arte, um canto de sereia divino, com a autoridade dum pontífice.
 
    Mal despontava a manhã, após o mata-bicho com um gole de café e um cibo de broa, vejo-o a escolher uma boa madeira, geralmente de freixo, choupo ou nogueira, de esmero com aquele tição no olhar, repleto duma sabedoria milenar.
 
    Depois de cortado e escanhoado os toros, pegava da banca a rústica ferramenta, um inventário de palhetes, formões, goivas, maços de madeira, para à mão – abençoadas mãos – fazer o talhe da madeira, tacteando com carinho, seguindo um desenho que ele, magicando consigo, concebera originalmente, imaginação ardente.
 
    Nascia assim a canga, utilizada nos carros de bois, que ele esculpia de forma distinta dos outros que tudo faziam a três pancadas. A canga, era nas suas mãos mais vistosa, dado o seu trabalho artístico e o seu tamanho em altura.
 
    Por esse motivo, alegando que por serem altas e, como tal, batiam nas escorregadias ramadas mais baixas, muitos lavradores preferiam cangar os bois com os cangalhos, menos altos, com decoração paupérrima.
 
    Depois havia aquela terminologia própria e as variadas partes componentes. Os “camalhões” eram as extremidades inferiores mais prolongadas, a “deitada”, a parte encurvada, ao meio, na porção inferior, ladeada pelos camalhões.
 
    Na porção externa dos camalhões eram colocadas, de cada lado, as “piarças”, uma peça em forma de pequena cunha de madeira, de maneira a não permitir a desarticulação dos arcos da canga, geralmente causado pelo movimento bamboleante dos animais.
 
    O corpo central da canga era esburacado por diversas tipos de “furas”. A “fura do tamoeiro” ficava ao centro da canga e foi perdendo funcionalidade, sendo reduzido sistematicamente o perímetro do seu buraco. A “fura ensogadoura” servia para passar as ensogas.
 
    Para fazer a ligação da canga aos animais e ao carro de bois existiam diferentes elementos complementares. Assim, os “arcos”, feitos por madeira encurvada, envolviam o pescoço dos animais, sendo ligados à canga pelas ensogas.
 
    As “ensogas”, duas encorpadas tiras de couro cingidas por um entrelaçado de faixas de couro, prendem as extremidades do arco à canga através das furas ensogadouras.
 
    As “pertizelas”, umas varas de ferro com extremidade aguçada, fixavam o arco e a ensoga, entrando no arco através de dois orifícios, enquanto que a outra extremidade permitia a fixação das pertizelas às cangas, através de uma corrente ou tira de couro.
 
    O “tamoeiro”, formado por duas consistentes tiras de couro, laçadas através das “furas do tamoeiro”, faz a junção da canga ao carro de bois, e sustenta o cabeçalho do carro.
 
    A “chavelha de pôr”, um bordão cilíndrico, atravessa o cabeçalho e, servindo de travão ao tamoeiro, facilita a tarefa de puxar o carro de bois. Por sua vez a “chavelha de descanso”, vara de maior dimensão, facilita o fadário dos animais durante as paragens, bênção de descanso para os coitadinhos.
 
    Depois de cear uma côdea e malga de caldo, pespegava no topo superior da canga, a enfeitar, uns tufos de crina animal, que dão um donairoso aspecto às “cangas de cabeleira”, como então ficam conhecidas.
 
    Mas a arte viva e brilhante do artista está, simplesmente, nos ornamentos, na maior parte dos casos, uns meros “vazados”, inúmeros buracos que se fazem sem aplicação de facto, a esmerar. Até os passarinhos, que a tudo assistiam, cantavam com mais blandicioso chilreio.
 
    Enquanto rezavam a eternidade de padre-nossos e ave-marias, adicionava pitada de ornatos vegetalistas, a simular umas silvas, e uma “cruz do meio”, esta com a finalidade de repelir o mau-olhado, abrenúncio. Quedava obra capaz de jungir qualquer senhor de Braga…, coruscando ao sol-pôr, entre chorrilhos de encómios. Salve! Salve!
 
    O substantivo canga virá do céltico «cambica», «madeira curva», e daí para o latim «canica», onde entrou por glórias antigas nas línguas latino-românicas. Outros linguistas dizem, do alto da sua sapiência, que do adjectivo latino «canicus» (< «canis», «cão») e da sua forma feminina «canica», para descrever a peculiar cópula do casal canino, «colligatio canis cum femina», por causa da minudência desses animais ficarem agarrados, se formou, por analogia, o substantivo.
 
    Seja como for, a palavra portuguesa está documentada em 1308: «… e que lhes descangava as casas das cangas, que sobre ellas jaziam, e que nom podia homẽ guarecer no herdamento».
 
    Um dia diremos dos cangalhos, que se distinguem pela forma mais simplista. Por ora chega de canga, embora seja mais leve do que àquela que, à viva força e desde o tempo da Galileia, querem albardar no nosso manso cachaço, para regular esta servil e dócil autocracia, donde devemos chispar como o dianho foge da cruz.

Esquema das furas, ensogadouras, camalhões, deitada e piarças duma canga de bois

publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 21:40
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Quarta-feira, 7 de Janeiro de 2009

UMAS JANEIRAS CANTADAS NA DÉCADA DE 1950

   O costume dos cantares de Janeiras perde-se na História, com uma origem marcadamente pagã radicada na antiga festa realizada em honra de Jano, o deus das portas celestes.

                                

    Uma divindade antiquíssima representado com uma cabeça de duas faces, uma vara numa mão e na outra uma chave, tudo se abria e fechava à sua passagem, de quem se esperava especial protecção nas partidas e no regresso.

                                         

    Uma divindade de dois rostos para exercer o poder no céu e na terra. Era dos primeiros a ser evocado no cerimonial religioso na medida em que presidia às portas, entradas e caminhos, mas também por ser através dele que as preces humanas chegavam ao concílio dos deuses na mitologia romana.

                                   

    Visto Jano presidir ao começo de tudo, como deus dos princípios, o primeiro mês do ano foi-lhe consagrado, januarius, daí Janeiro.

                                 

    Assim, no primeiro dia de Janeiro, na antiguidade romana comemorava-se a “Strenua Calendaria”, ocasião em que o povo romano festejava com particular fervor, saudando-se efusivamente uns aos outros, ao mesmo tempo que saltitava de casa em casa, cantando loas ao som de buzinas, trocando e ofertando dádivas.

             

    Como a Igreja não conseguiu erradicar este bárbaro costume idólatra, o Concílio de Trours, realizado no século VI, determinou que nesse dia fosse celebrado a circuncisão de Jesus Cristo, mas o que perdurou até hoje foi, essencialmente, a base festiva pagã que o cristianismo não conseguiu erradicar.

                    

    Em tempos idos, por toda região do Alto Minho, ao cair da noite do primeiro dia de Janeiro, um grupo de rapazes foliões, percorria as casas e os caminhos, cantado lérias de porta em porta a par de algumas cantigas ao Menino Deus, mas também e primordialmente para pedirem as boas-festas, um hábito deveras enraizado.

      

    Vários instrumentos rústicos faziam o incipiente acompanhamento musical, como os ferrinhos, a rela, o pandeiro, a sarronca e a sanfona, que arrancavam uns uivos sonoros.

            

   Durante o mês de Dezembro o grupo de rapazio procedia a alguns ensaios, pois a noite em causa seria fria e era preciso não perder tempo, para que tudo ficasse afinado e expedito, na medida do possível.

         

    Ensaiavam as quadras, geralmente para cantar os méritos dos donos da casa, fazendo distinção individual a cada membro, o dono, a dona, os filhos e as filhas. Ora cantavam em coro ou cantorias a solo.

              

    Escolhiam para alvo dilecto as casas de lavradores mais abastados, com o fito de cativarem os moradores e conseguirem algum donativo, quase sempre comida para lambarar, por vezes em dinheiro e até, milagrosamente, algumas porções de fumeiro, um maná, que era repartido pela trupe em partes iguais.

 

    As Janeiras perduravam toda a semana até por vezes confundiam-se com o “Cantar de Reis”, para celebrar os Reis Magos.

            

    Hoje recordo aqui umas Janeiras cantadas em Padornelo na década de 1950 aos meus avós António Inocêncio Alves e Especiosa de Jesus Alves Monteiro, do lugar das Angústias.

 

Janeiras cantadas ao dono da casa

 

Boa noite, patrão da casa,

Faz favor de desculpar;

Se o senhor nos der licença,

As Janeiras vamos cantar.

 

Viva lá senhor António

Usa o seu chapéu direito;

Quando vai pela rua fora

Todos lhe guardam respeito.

 

E viva o senhor da casa,

Vá abrir a garrafeira;

E diga à sua esposa

Que incerte a salgadeira.

 

Viva o senhor destas leiras

No seu banquinho de prata;

Venha dar-nos as Janeiras

Que está um frio que mata.

 

Para a dona da casa

 

Viva a senhora de tal

Ó linda rosa encarnada;

Levante-se e venha ao portal

Dai janeira avantajada.

 

Viva lá senhora Especiosa

Muito lhe diz o seu véu;

Quando vai igreja acima

Parece um anjo do céu.

 

Viva a senhora de brilhos

Capa branca de setim;

Ao lado dos seus filhos,

É um ramo de jardim.

 

Viva a senhora de verdade

Santinha de Belém;

Deus lhe dê felicidade

E aos seus filhos também.

 

Geral, de agradecimento e pedido

 

Viva o chefe de família

E sua esposa também;

E ao lado vossos filhos

Que Jesus os fade bem.

 

Ainda agora chegamos

Já pus o pé na escada;

Logo o coração disse

Aqui mora gente honrada.

 

Levante-se minha senhora

Desse banco de cortiça;

Venha-nos dar as Janeiras

Ou morcela ou chouriça.

 

Nós estamos fora da porta

Como o molhinho de lenha;

À espera da resposta

Que de sua boca venha.

 

publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 08:28
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Sexta-feira, 31 de Outubro de 2008

Genealogia da CASA DO CRUZEIRO, nos Tojais

I – DOMINGOS LOPES ALVES GUIMARÃES, filho legítimo de António Lopes e de Joana Alves, nasceu em 1775 em Santa Maria do Salto, freguesia do concelho de Montalegre, comarca de Chaves, distrito de Vila Real.

Faleceu nos Tojais, lugar da freguesia de Padornelo, a 13 de Maio de 1840.

Foi comerciante estabelecido no Lugar da Feira, freguesia de Paredes de Coura (1805 a 1809); comerciante nos Tojais, Padornelo (1809 a 1840); 1.º Senhor da Casa do Cruzeiro, em Padornelo.

Casa do Cruzeiro, nos Tojais, PadorneloCasou em 1806 com Joana Maria da Cunha, natural da vila e freguesia de Paredes de Coura, filha legítima de Bernardino António Pereira da Cunha, de Paredes de Coura, e de sua mulher Maria Josefa Calheiros de Faro, da freguesia de S. Vicente de Castelões, bispado de Tui, reino da Galiza. Filhos:

1 – Padre João Baptista Lopes Alves Guimarães, nasceu no lugar da Feira, freguesia de Paredes de Coura, a 18 de Abril de 1807.

Faleceu no lugar dos Tojais, Padornelo, a 11 de Setembro de 1832.

Foi clérigo menorista, tendo-se habilitado para receber ordens sacras de presbítero a 30 de Março de 1821[1].

2 – D. Sebastiana Rosa Lopes Alves Guimarães, nasceu na freguesia de Padornelo a 9 de Maio de 1810.

Faleceu no lugar dos Tojais e na condição de solteira a 19 de Novembro de 1832.

3 – António José Lopes Alves Guimarães, nasceu na freguesia de Padornelo a 25 de Novembro de 1812.

Foi Escrivão do Juízo de Paz do Distrito de Insalde do Julgado de Coura, por carta da Rainha D. Maria II de 17 de Fevereiro de 1844[2]; 2.º Senhor da Casa das Cacheiras, em Padornelo; proprietário.

Casou na igreja paroquial de Santa Marinha de Padornelo a 10 de Outubro de 1831, com Rosa Joaquina Mendes, filha legítima de Bento José Mendes e de Ana Senhorinha, do lugar da Veiga, freguesia de Padornelo[3].

Casou em segundas núpcias a 12 Agosto de 1844 na igreja matriz de Santa Marinha de Padornelo, com Francisca Josefa Rodrigues, filha de António Luís Rodrigues e de Maria Teresa Barreira, de Padornelo[4]. Com geração.

4 – Padre MANUEL JOSÉ LOPES ALVES GUIMARÃES, nasceu na freguesia de Paredes, concelho de Coura, a 7 de Abril de 1815.

Faleceu em Padornelo a 28 de Fevereiro de 1885.

Foi presbítero do hábito de S. Pedro; habilitou-se para receber ordens sacras a 27 de Março de 1833[5]; abade da igreja matriz de Santa Marinha de Padornelo, por carta de El-Rei D. Luís de 2 de Maio de 1871[6]; 2.º Senhor da Casa do Cruzeiro.

5 – José Narciso Lopes Alves Guimarães, nasceu na freguesia de Padornelo a 1 de Abril de 1817.

6 – D. Narcisa Benedita Lopes Alves Guimarães, nasceu na freguesia de Padornelo a 13 de Janeiro de 1819.

Casou em 1845 com Manuel Joaquim da Silva, filho de Caetano da Silva e de Mariana Luísa Gomes, da freguesia de Formariz. Fixaram residência no lugar do Foral de Paredes, vila de Paredes de Coura. Com geração.

7 – D. Antónia Maria Lopes Alves Guimarães, nasceu na freguesia de Padornelo a 25 de Novembro de 1820.

Faleceu a 18 de Janeiro de 1896 nos Tojais, lugar da freguesia de Padornelo. Solteira e proprietária.

8 – José Lopes Alves Guimarães, que segue.

9 – D. Maria Lopes Alves Guimarães, nasceu na freguesia de Padornelo a 10 de Outubro de 1823.

Casou em Padornelo com António Bento de Araújo, natural da freguesia de Cunha, filho de Miguel de Araújo e de Maria Antónia, lavradores. Com geração.

10 – Luís Lopes Alves Guimarães, nasceu na freguesia de Padornelo, Paredes de Coura, a 3 de Abril de 1825.

Foi comerciante, com venda estabelecida no lugar dos Tojais, Padornelo.

Casou a 27 de Junho de 1861 na igreja matriz de S. Salvador, vila dos Arcos de Valdevez, com Rosália Maria de Castro, de Giela, Arcos de Valdevez, filha natural de Antónia Maria de Castro. Com geração.

11 – D. Rosa Antónia Lopes Alves Guimarães, nasceu na freguesia de Padornelo, Paredes de Coura, a 12 de Outubro de 1826. Faleceu de tenra idade.

12 – Francisco António Lopes Alves Guimarães, nasceu na freguesia de Padornelo a 18 de Março de 1828. Faleceu de tenra idade.

13 – D. Rosa Lopes Alves Guimarães, nasceu no lugar dos Tojais, freguesia de Padornelo a 21 de Novembro de 1829.

14 – Vitorino António Lopes Alves Guimarães, nasceu no lugar dos Tojais, freguesia de Padornelo a 27 de Maio de 1832. Faleceu de tenra idade.

                                                                                   

II – JOSÉ LOPES ALVES GUIMARÃES, nasceu na freguesia de Padornelo a 9 de Janeiro de 1822.

Foi Escrivão do Juízo de Paz do Distrito de Castanheira do Julgado de Paredes de Coura por carta passada por El-Rei D. Luís a 6 de Junho de 1863[7]; proprietário; 3.º Senhor da Casa do Cruzeiro; solicitador na Comarca Judicial de Paredes de Coura.

Casou em 1845 com Marta Emília Lopes, natural da freguesia de S. Tomé de Correlhã, Ponte de Lima. Filhos:

1 – D. Maria da Glória Lopes Alves Guimarães, nasceu na freguesia de S. Tomé de Correlhã, Ponte de Lima, em 1847.

Casou a 8 de Fevereiro de 1871, na igreja matriz de Santa Marinha de Padornelo com Silvério Francisco Ramos, proprietário e professor de instrução primária oficial, baptizado em Padornelo, filho natural de Teresa Clara, solteira, lavradora, do lugar de Covas. Com geração.

2 – D. Rosa da Conceição Lopes Alves Guimarães, que segue.

                                                             

III – D. ROSA DA CONCEIÇÃO LOPES ALVES GUIMARÃES, nascida na freguesia de S. Paio da vila dos Arcos de Valdevez, cerca de 1853.

Faleceu nos Tojais, lugar da freguesia de Padornelo, a 5 de Setembro de 1926.

Proprietária; 4.ª Senhora da Casa do Cruzeiro, em Padornelo.

Casou em 1880 na igreja matriz de Santa Marinha de Padornelo com Severino António da Silva, proprietário e negociante estabelecido e domiciliado no lugar dos Tojais, natural da freguesia de Paredes de Coura, filho de António José Fernandes e de Maria Josefa da Silva, da vila e freguesia de Paredes de Coura. Filhos:

1 – D. Amália Maria da Silva, nascida no lugar dos Tojais a 13 de Agosto de 1884.

Faleceu na freguesia de Paredes de Coura a 13 de Janeiro de 1949.

Casou na freguesia de Padornelo a 31 de Dezembro de 1908[8], com Dulcídio Hipólito da Cunha Ribas (1879+1937), natural da vila de Paredes de Coura, proprietário, armador e negociante, filho de Domingos Gusmão da Cunha Ribas e de D. Maria de Araújo Vieira. Com geração.

2 – D. Maria Lopes da Silva, que segue.

3 – D. Antonieta Maria Lopes da Silva, nascida em Padornelo a 17 de Fevereiro de 1889.

4 – D. Antonieta Lopes da Silva, nasceu em Padornelo a 28 de Fevereiro de 1890.

Casou em Padornelo a 17 de Junho de 1911, com Álvaro Augusto Monteiro, residente no Porto, natural de Ervedosa do Douro, S. João da Pesqueira, distrito de Viseu. Com geração.

5 – D. Olívia Lopes da Silva, nascida em Padornelo a 3 de Setembro de 1891.

                                    

IV – D. MARIA LOPES DA SILVA, nasceu no lugar dos Tojais, Padornelo, a 10 de Março de 1886.

Faleceu no estado de viúva na vila e freguesia de Paredes de Coura, a 26 de Julho de 1966.

Proprietária; 5.ª Senhora da Casa do Cruzeiro, em Padornelo[9].

Casou na igreja matriz de Santa Marinha de Padornelo a 25 de Julho de 1908, com António José da Cunha Ribas, nascido a 14 de Janeiro de 1886 no lugar de Sequeirô, vila de Paredes de Coura, filho legítimo de Domingos Gusmão da Cunha Ribas, da vila de Paredes de Coura, comerciante, e de D. Maria de Araújo Vieira, de Resende, moradores no lugar de Sequeirô, vila de Paredes de Coura[10].

António José da Cunha Ribas faleceu no lugar de Lamamá, freguesia de Paredes de Coura, a 26 de Abril de 1963. Filhos:

1 – Domingos da Silva da Cunha Ribas, nasceu em Padornelo e foi baptizado a 4 de Março de 1909.

2 – Justino da Silva da Cunha Ribas, nasceu em Padornelo a 3 de Agosto de 1911.

Faleceu em Setembro de 1973 no lugar de Lamamá, freguesia de Paredes de Coura, aos 62 anos de idade; era solteiro, sócio gerente da firma “António Ribas & Filhos”[11].

3 – D. Eva de Jesus da Cunha Ribas, nasceu em Padornelo, a 27 de Junho de 1913.

Faleceu a 29 de Janeiro de 1961 e jaz sepultada no cemitério da vila de Paredes de Coura.

Foi diplomada pela Academia Portuense de Corte e Costura a 31 de Julho de 1935; abriu oficina de modista e estilista em costura, nos Tojais, Padornelo, em 1935.

4 – D. Maria da Nazaré da Cunha Ribas, nasceu nos Tojais, lugar da freguesia de Padornelo, a 7 de Novembro de 1914.

Faleceu a 1 de Março de 2007, internada no Lar de Idosos de Prozelo, concelho dos Arcos de Valdevez, aos 93 anos de idade.

5 – D. Maria dos Prazeres da Cunha Ribas, nasceu em 1916 nos Tojais, lugar da freguesia de Padornelo.

Faleceu no concelho de Vila Verde a 21 de Novembro de 1992.

6 – D. Maria Antonieta da Cunha Ribas, nasceu na freguesia de Padornelo a 30 de Março de 1919.

Faleceu a 24 de Abril de 2003 na Clínica de S. Lázaro, Braga, e foi sepultada a 25 de Abril de 2003 no cemitério municipal de Paredes de Coura.

Casou com Manuel de Jesus Alves Nogueira, com geração.

7 – D. Maria da Pureza da Cunha Ribas, nasceu em Padornelo a 7 de Janeiro de 1921.

8 – D. Maria da Ascensão da Cunha Ribas, nasceu em Padornelo a 4 de Outubro de 1925.

9 – D. Maria da Glória da Cunha Ribas, nasceu em Padornelo a 29 de Fevereiro de 1928.



[1] ADB, Processos de Inquirição de Genere, proc. n.º 25773, pasta n.º 1153.

[2] ANTT, Chancelaria de D. Maria II, Liv. 21, fl. 201 e 201v.

[3] ADVC, Registos Paroquiais de Padornelo, Liv. de Casamentos n.º 3, 1804-1851, fl. 24v, cota 3.10.2.7.

[4] ADVC, Registos Paroquiais de Padornelo, Liv. de Casamentos  n.º 3, 1804-1851, fl. 36v, cota 3.10.2.7.

[5] ADB, Processos de Inquirição de Genere, proc. n.º 17921, pasta n.º 782.

[6] ANTT, Chancelaria de D. Luís, Liv. 22, fl. 235v.

[7] ANTT, Chancelaria de D. Luís, Liv. 7, fl. 69.

[8] Conforme averbamento lavrado no assento de baptismo; contudo os jornais da ocasião datam o casamento a 7-I-1909. É que naquela referida data de 31-XII-1908, faleceu em Padornelo Maria Lopes Alves Guimarães, tia paterna da nubente.

[9] Quando a família Cunha Ribas se retirou para a freguesia de Paredes de Coura, a Casa do Cruzeiro foi comprada pelo Joaquim José Fernandes, “o Joaquim das Eiras”.

[10] ADVC, Registos Paroquiais de Paredes de Coura, Liv. de Baptismos n.º 5, 1886-1894, fl. 1v, cota 4.87.1.15.

[11] Notícia do jornal O PROGRESSO DE COURA, página 3, edição n.º 7, de 7 de Outubro de 1973: «pessoa muito considerada aparentado com boas famílias desta vila... O seu funeral foi uma larga manifestação de saudade, tendo-se incorporado pessoas de todas as categorias sociais».

publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 08:28
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Sábado, 13 de Setembro de 2008

CAPELA DO AMPARO: Um Curioso Episódio da História de Padornelo

Alta mor da capela do Amparo (Sobreiro, Padornelo)    Não vou aqui contar a história e a fundação da capela de Nossa Senhora do Amparo, mas tão-só abordar um curioso episódio da sua centenária existência.

                                        

    Ali por volta do ano de 1710 a capela encontrava-se em adiantado estado de degradação física, pelo que se tornou imperativo a feitura de obras de restauração.

                                                                             

    Das mesmas se encarregou um especialista, o escultor Brás Barbosa (1666+1733), natural de Padornelo, sendo aprazada a duração do empreendimento pelo espaço dum ano.

                                           

    Iniciadas em 1711, à boa maneira portuguesa sofreram de imediato atrasos de monta e ameaçavam eternizarem-se no tempo, não como as de Santa Engrácia, é claro, mas mesmo assim abusivamente prolongadas.

                                                            

    As paróquias naqueles tempos estavam sujeitas a matéria visitacional constante pela parte das autoridades religiosas de quem estavam dependentes.

                                           

    Durante essa pastoral da visitação eram rigorosamente observadas as posturas do clero em geral, as suas obriga­ções espirituais, a observância litúrgica, os ornamentos, o controlo dos fiéis, os testa­mentos e sufrágios, mas também a manutenção do asseio e estado de conservação das igre­jas.

                                                                                   

    A 21 de Junho de 1713 inspeccionou a paróquia de Santa Marinha de Padornelo o reverendo padre Custódio Ferreira Velho. Sisudo e de cenho carregado, vinha investido na prosápia dos títulos de licenciado em Cânones, comissário do Santo Ofício, abade de S. Julião do Calendário de Vermoim, arcediago do arcediagado de Vila Nova de Cerveira, cónego prebendado da Colegiada de Santo Estêvão de Valença e visitador da arquidiocese de Braga. Um currículo de estouro, em tempos de quase barbaresca ignorância.

                                                                              

    Remira aqui, espreita acolá, nada era deixado ao acaso, não havia vénia que o arredasse da sua missão fiscalizadora. Tudo era passado a pente fino, inflamado por ciclópico olho vigilante, seguindo à risca os cartapácios do Direito Canónico mais vernáculo.

                                     

    Logicamente um homem carregado com tantas honrarias e qualidades seria acervo de ferina severidade e rectidão. Achou imperdoável que umas obras programadas para um ano, volvidos dois ainda não estivessem concluídas. Podia lá ser tal despautério! Obra parada entra pelo bolsinho adentro na soma de cruzados!

                  

    E do alto do seu gabarito admoestou o abade padre Manuel Lourenço Soares de Lima (1672+1738), e o acólito padre António Fernandes Pacheco, mero cura coadjutor, a arcarem com meia culpa do deixa andar.

                                

Capela do Amparo, Sobreiro, Padornelo    De pronto o douto visitador fulminou o nosso artista de arte sacra com ásperas ameaças judiciais, deste modo e com mão inexorável:

    «Fui informado que Brás Barbosa escultor desta freguesia tem tomado a maior de dois anos as obras da capela de Nossa Senhora do Amparo sem lhe dar fim na forma do con­trato com que as aceitou pelo que mando que o Reverendo Pároco lhe diga que as acabe em termo de dois meses para o que procederá contra ele na forma da Lei».

                                   

    Na verdade e afora esta explicação, não sei se devido ao receio do anátema que sobre ele pendia, mas Brás Barbosa passou a obrar verdadeiros milagres, a trabalhar sem fraquejar a mata-cavalos, dava gosto ver a obra a progredir.

                                                                        

    A devoção ao trabalho na capela ocupava-lhe toda a boa parte da luz do dia, mercê de muito empenho e mestria na arte de marcenaria.

                                                                 

    Para tal contou porém com a especiosa ajuda doutro distintíssimo artesão local Manuel Vaz Alves (1675+1728), pintor de Arte Sacra e natural de Covas, lugarejo da freguesia de Padornelo, terminou de modo bem célere aquilo que parecia querer perpetuar-se.

                             

    E assim reconstruída a lufa-lufa, obedecendo a um plano de conjunto, ficou a magnifica capela que ali vemos no lugar do Sobreiro, graças ao trabalho de dois artistas de Padornelo.

 

 

publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 08:08
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Domingo, 7 de Setembro de 2008

CAPELA DO AMPARO: Um Curioso Episódio da História de Padornelo em 1713

Capela de Nossa Senhora do Amparo, lugar do Sobreiro, Padornelo, em Agosto de 2007    Não vou aqui contar a história e a fundação da capela de Nossa Senhora do Amparo, mas tão-só abordar um curioso episódio da sua centenária existência. Ali por volta do ano de 1710 a capela encontrava-se em adiantado estado de degradação física, pelo que se tornou imperativo a feitura de obras de restauração.

                                                                             

    Das mesmas se encarregou um especialista, o escultor Brás Barbosa (1666+1733), natural de Padornelo, sendo aprazada a duração do empreendimento pelo espaço dum ano. Iniciadas em 1711, à boa maneira portuguesa sofreram de imediato atrasos de monta e ameaçavam eternizarem-se no tempo, não como as de Santa Engrácia, é claro, mas mesmo assim abusivamente prolongadas.

                                                           

    As paróquias naqueles tempos estavam sujeitas a matéria visitacional constante pela parte das autoridades religiosas de quem estavam dependentes.

                                          

    Durante essa pastoral da visitação eram rigorosamente observadas as posturas do clero em geral, as suas obriga­ções espirituais, a observância litúrgica, os ornamentos, o controlo dos fiéis, os testa­mentos e sufrágios, mas também a manutenção do asseio e estado de conservação das igre­jas.

                                                                                  

    A 21 de Junho de 1713 inspeccionou a paróquia de Santa Marinha de Padornelo o reverendo padre Custódio Ferreira Velho. Sisudo e de cenho carregado, vinha investido na prosápia dos títulos de licenciado em Cânones, comissário do Santo Ofício, abade de S. Julião do Calendário de Vermoim, arcediago do arcediagado de Vila Nova de Cerveira, cónego prebendado da Colegiada de Santo Estêvão de Valença e visitador da arquidiocese de Braga. Um currículo de estouro, em tempos de quase barbaresca ignorância.

                                                                             

    Remira aqui, espreita acolá, nada era deixado ao acaso, não havia vénia que o arredasse da sua missão fiscalizadora. Tudo era passado a pente fino, inflamado por ciclópico olho vigilante, seguindo à risca os cartapácios do Direito Canónico mais vernáculo.

                                    

    Logicamente um homem carregado com tantas honrarias e qualidades seria acervo de ferina severidade e rectidão. Achou imperdoável que umas obras programadas para um ano, volvidos dois ainda não estivessem concluídas. Podia lá ser tal despautério! Obra parada entra pelo bolsinho adentro na soma de cruzados!

                 

    E do alto do seu gabarito admoestou o abade padre Manuel Lourenço Soares de Lima (1672+1738), e o acólito padre António Fernandes Pacheco, mero cura coadjutor, a arcarem com meia culpa do deixa andar.

                               

    De pronto o douto visitador fulminou o nosso artista de arte sacra com ásperas ameaças judiciais, deste modo e com mão inexorável:

    «Fui informado que Brás Barbosa escultor desta freguesia tem tomado a maior de dois anos as obras da capela de Nossa Senhora do Amparo sem lhe dar fim na forma do con­trato com que as aceitou pelo que mando que o Reverendo Pároco lhe diga que as acabe em termo de dois meses para o que procederá contra ele na forma da Lei».

                                  

    Na verdade e afora esta explicação, não sei se devido ao receio do anátema que sobre ele pendia, mas Brás Barbosa passou a obrar verdadeiros milagres, a trabalhar sem fraquejar a mata-cavalos, dava gosto ver a obra a progredir. A devoção ao trabalho na capela ocupava-lhe toda a boa parte da luz do dia, mercê de muito empenho e mestria na arte de marcenaria.

                                                                

    Para tal contou porém com a especiosa ajuda doutro distintíssimo artesão local Manuel Vaz Alves (1675+1728), pintor de Arte Sacra e natural de Covas, lugarejo da freguesia de Padornelo, terminou de modo bem célere aquilo que parecia querer perpetuar-se.

                            

    E assim reconstruída a lufa-lufa, obedecendo a um plano de conjunto, ficou a magnifica capela que ali vemos no lugar do Sobreiro, graças ao trabalho de dois artistas de Padornelo.

 

publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 22:05
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Sexta-feira, 4 de Janeiro de 2008

O EPISÓDIO DA BENTA DE PADORNELO NA OBRA «A CASA GRANDE DE ROMARIGÃES»

Por: Jofre de Lima Monteiro Alves

 

    Em Julho de 1957 Aquilino dava à estampa A Casa Grande de Romarigães, um marco de maturidade e porventura o livro ímpar na História da Literatura do século XX, um monumental fresco que se desenrola em terras de Coura.

                           

    A obra, ágil, vertiginosa e deliciosa, retrata de forma esplendorosa as vicissitudes e o evoluir das gerações duma família fidalga através dos séculos, com uma perícia soberba e narrativa fulgurante, verdadeira obra-prima dum magistral escritor, na sua estilística muito peculiar.

 

    O centro da trama é a Casa do Amparo, na freguesia de Romarigães, mas a obra serpenteia e abraça prenhe diversas aldeias e terrinhas courenses, aqui e ali sempre com vénia pictórica. Entre elas, citada várias vezes, vemos referências consubstanciadas à freguesia de Padornelo. Venha comigo para saber como.

 

    Histórica e documentalmente o dr. Fernando Luís de Antas de Mendonça e Azevedo, 5.º Senhor da Casa do Amparo, casou em 1726 com D. Joana Angélica Marinho do Amaral. Decorridos três anos nascia o primogénito e herdeiro, ficando assegurada a imprescindível sucessão e continuidade da casa. Eis a verdade dos factos.

 

    Mas na sua crónica romanceada Aquilina fabula. No enredo, volvidos anos de casório o estéril casal desespera, apesar de felizardos, «um espinho manifestamente os pungia: não ter filhos». D. Joana, idade de matrona, o malfazejo relógio biológico avança desabaladamente, toma toda a espécie de panaceia e «ervas miraculosas».

 

    Nanja, era necessário um milagre, e por aquelas brenhas visigóticas, milagreira de ciência certa, encartada com resultados bastos como pinheiros, somente «a benta de Padornelo, por uns tida como mulher de virtude, por outros como bruxa e baldorneira de baixo coturno».

 

    Como não engravidada de modo algum, nem com abençoadas missas de rogo, mal despontou a Primavera, ao colo dum raio de sol e esperança, lá foi a morgada de abalada até Padornelo a fim de tomar alvedrio e mezinha com a tal “mulher de virtude”. Esta, ouvida a desgraça que a esmagava, do alto da sua sapiência decretou taxativa.

 

    O remédio infalível para «gerar o herdeiro» almejado dependia numa romaria a Santa Justa, em S. Pedro de Arcos, no concelho de Ponte de Lima, acrescentando lampeira com recados particulares dirigidos ao ouvido de D. Joana Angélica: tinha que «ir à festa com teu esposo e dormir com ele debaixo duma giesteira que esteja ainda a deitar flor». O segredo, porém, estava na janta que na véspera devia ser servida ao marido, uma mistela de caldo de nozes de sapucaia, que «vendem-se na botica».

 

    E acrescentava, para apaziguar espíritos pudicos e ouvidos sensíveis de damas fidalgas pouco atreitas a devaneios amorosos ao relento: «não te espantes do que vires ou ouvires à tua volta. Olha que vai lá muita gente para o mesmo fim». A cena deveria fazer corar de vergonha o nazareno.

 

    A benzedeira de Padornelo, mulher de sete ofícios e sábia defensora dos interesses da corte dos santos, impôs o tributo necessário: «oferecer à virgem miraculosa Santa Justa um casal de frangos brancos [...] que tanto o galispo como a franga não hão-de ter conhecido galadura».

 

    Era de monta o sacrifício para obter a divina graça, a exigir dares e tomares: caldo de jacapucaio, romaria a Santa Justa do Monte, cópula carnal ao léu, um punhado de sal, escassas moedas e dois franganotes virgens! Resignado, Fernando Luís de Antas de Mendonça, curvou-se diante da imposição, tal era a ânsia de procriar o desejado herdeiro: «se o remédio é esse, filho tem a prima».

 

    Em Julho de 1728, lá vão a trouxe-mouxe em direitura a Santa Justa do Monte de Arcos, escoltados por um merendeiro de estalo, mais o capelão da casa, a criadagem indispensável, raparigas com adufes e um rapazote a rufar «um tambor endiabrado». Por caminhos «tortuosos e estreitos como barbantes» vinha ali desaguar gentalha «da Ribeira-Lima, das terras de Coura e de Vez» a fim de «cumprir um voto, que remontava a tempos imemoriais».

 

    A descrição da romaria em louvor a Santa Justa é verdadeiramente sublime, uma alegoria, cuja leitura se recomenda vivamente ao leitor mais entusiasta, talvez a melhor página da literatura portuguesa da centúria de novecentos.

 

    Os morgados da Casa do Amparo cumpriram o ritual da «procissão arcaica», finda a qual «homens e mulheres embrenharam-se aos pares pelo giestal em flor», não sem antes depositarem aos pés da santa o casal de galináceos brancos.

       

     Mais uma reza fervorosa, a alma purificada é necessária para toda a casta de favores do céu, e ei-los sorrateiros pelo mato de giesta adentro, até «ao sítio onde as escravas lhes haviam feito a cama», tálamo para o «delírio amoroso».

 

    Encoberto no plenilúnio, troava uma orquestra de altíssimos «suspiros e gemidos», e ali mesmo ao lado, «uma mulher chiava como pucarinha cheia de água quando começa a aquecer ao lume».

                

    D. Joana, imersa na tarefa hercúlea de conceber um sucessor, precavida, «fechava os olhos e tapava os ouvidos», arrolhava em vão todos os sentidos, tamanha era a gemedeira dos corpos entrelaçados num festim. Insistia, persistia e entregava-se toda, em nome do sacro desejo absoluto, não havia ali pecado da carne, tal como «a prevenira a benta de Padornelo que era preciso cumprir o voto».

 

    Aquilino afirma peremptório que o tal filho cobiçado, «não lho trouxeram as cegonhas», porém os historiadores e genealogistas sabem que o casal teve descendência para perpetuar o morgadio e a linhagem, dois varões e uma menina. Prova provada da alta eficácia da benta mulher, que soubera congeminar receita tão atilada como as deusas da fertilidade de antanho. A condizer com o seu elevado estatuto e vasta clientela.

 

    O romance tem outras alusões ao povoado padornelense e até à sua feira dos Tojais. A páginas tantas tropeçamos numa curiosa reflexão acerca do milho, «a segunda Divina Providência do minhoto», dito na boca duma das personagens:

           

«Não me meçam as rendas antes de Maio. Até Maio, o milho está prenho. Deita leite. Para estar bom é preciso que absorva a humidade como o papel mata-borrão absorve a tinta. O abade de Padornelo é que a sabia toda. Pegava nos butes molhados, metia-os entre as espigas. Se de manhã os encontrava enxutos, estava em condições de se malhar».

 

    Quem seria o tão erudito reverendo, doutíssimo na tripla questão do milho, tamancos e humidade? Pela cronologia evolutiva aparente da obra, estou em crer tratar-se do abade Casimiro Rodrigues de Sá, celebrado pároco colado da matriz de Santa Marinha de Padornelo entre 1902 e 1922.

 

    Mestre Aquilino, artesão das letras, estatura de excepcional relevo intelectual e literário, manteve pela vida fora o gosto pela proximidade emocional ao mundo rural, que adora com veneração, alicerçado numa linguagem pura e vernácula, de características muito próprias.

                         

    Por isso, Paredes de Coura foi uma incidência marcante na sua temática riquíssima, paixão pelo pitoresco, amor à liberdade e empenho humanista. E as frequentíssimas menções a Padornelo um motivo de agrado acrescido.

 

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publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 18:30
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Sábado, 10 de Novembro de 2007

A HISTÓRIA, A LENDA E OS PROVÉRBIOS DE S. MARTINHO

S. Martinho na História

    S. Martinho de Tours ou simplesmente S. Martinho, nasceu na Panónia, actual território da Hungria, no ano de 316, filho dum oficial do exército romano.

 

    Aos 16 anos de idade, sendo já catecúmeno – aquele que se prepara e instrui para o baptismo – entrou para o exército, onde atingiu o posto de oficial da Guarda Imperial. Abandonou a vida castrense, e como discípulo de Santo Hilário recebeu ordens sacras de frade em 354.

 

    Em 361 fundou um mosteiro em Ligugé (Poitiers, França), sendo ordenado bispo de Tours em 371, e foi o maior propagador da fé da Gália, hoje França.

 

    Faleceu em 397, e durante muitos séculos foi um dos santos mais populares da Europa, cuja memória litúrgica é comemorada a 11 de Novembro, data em que foi enterrada em Tours, França.

 

S. Martinho na lenda

    No ano de 338, quando ainda era militar do exército imperial romano, durante uma ronda nocturna no rigor dum impiedoso Inverno encontrou um pobre seminu que lhe implora caridade, a quem querendo acudir e como não tinha dinheiro, sacou da sua capa, e cortou-a ao meio para a partilhar com o desconhecido.

 

    Na noite seguinte, durante o sonho viu Jesus vestido com aquela porção de capa, que lhe agradeceu ter-lhe dado metade da mesma.

 

    Outra versão da lenda, relata que partilhou a sua capa com um soldado pobre e roto. A lenda de S. Martinho, nasceu, segundo algumas versões, quando algumas árvores floriram durante o trajecto em que o seu corpo foi levado de Candes, onde faleceu, até Tours, onde seria sepultado.

 

    Seja como for, e conforme reza a lenda, todos os anos nos primeiros dias de Novembro desponta sempre um Sol de Estio para recordar o bondoso gesto de S. Martinho, e por esses dias o céu e a terra aquecem, de modo a que mais nenhum ser humano passe o tremendo frio que assolou o mendigo dos tempos lendários.

 

S. Martinho na Etnografia

    Esta é a altura dos magustos, que estaria primitivamente relacionado com o culto dos mortos e com as celebrações de Todos os Santos e Fiéis Defuntos.

 

    É também, e sobretudo, a festa vinícola, ocasião em que se prova o vinho novo, se atestam as pipas, e que noutras eras foi celebrada em muitos sítios com afamados cortejo de bêbados, galhofando com as procissões religiosas, numa versão báquica, onde nas adegas se bebe livremente em burlescas fraternidades, numa associação de vinho e castanhas. O S. Martinho é, ainda, ensejo de matança de porco.

 

    O seu dia coincide com a período do ano em que se realça o culto dos antepassados e com a época do calendário rural, em que acabam os trabalhos agrícolas e se principia a fruir das colheitas, nomeadamente do vinho e dos frutos, leva a que a festa deste santo tenha um profundo elemento de exuberância prazenteira que hoje tende a predominar.

                                                    

S. Martinho no Alto Minho

    S. Martinho é presença quase constante em todo o distrito, com as estranhas excepções de Valença e de Vila Nova de Cerveira, onde não consta em nenhuma paróquia como santo padroeiro.

 

    Em Paredes de Coura como seu orago temos a freguesia de S. Martinho de Coura, e o caso particular de Vascões, embora oficialmente o orago seja S. Pedro, foi conhecida e referenciada durante muito tempo por S. Martinho de Vascões.

 

    No Vale do Minho, aparece em Caminha na freguesia de Lanhelas; em Alvaredo e Cristóval, na jurisdição de Melgaço; e na freguesia de Parada, no concelho de Monção.

                      

    Na Ribeira Lima vemo-lo no município de Arcos de Valdevez como orago das freguesias de Cabana Maior, Mei e Soajo; em Britelo, Crasto e Paço Vedro de Magalhães, no concelho de Ponte da Barca; em Ponte de Lima surge nas freguesias de Fristelas e de Gandra; e por fim, em Viana do Castelo, nas freguesias de Freixieiro de Soutelo, Outeiro, Vila Fria e Vila Mou.

 

Provérbios de S. Martinho 

  • A cada bacorinho vem o seu S. Martinho.
  • A cada porco vem o seu S. Martinho.
  • As geadas de S. Martinho levam a carne e o vinho.
  • Dia de S. Martinho vai à loja e prova o vinho.
  • Dia de S. Martinho, come-se castanhas e bebe-se vinho.
  • Dia de S. Martinho, lume, castanhas e vinho.
  • Dos Santos a S. Martinho são nove dias de pão e vinho.
  • Em dia de S. Martinho atesta e abatoca o teu vinho.
  • Em dia de S. Martinho semeia teus alhos e prova teu vinho.
  • Em Novembro S. Martinho vai à adega e prova o vinho.
  • Em Novembro S. Martinho, lume, castanhas e vinho.
  • Em Novembro se queres pasmar teu vizinho, lavra, sacha e esterca pelo S. Martinho.
  • No dia de S. Martinho assa castanhas e molha-as em vinho.
  • No dia de S. Martinho fura-se o pipinho, mas quem for honrado já o deve ter furado.
  • No dia de S. Martinho mata o teu porco e bebe o teu vinho.
  • No dia de S. Martinho mata teu porco, chega-te ao lume, assa as castanhas e bebe o teu vinho.
  • No dia de S. Martinho vai à adega e prova o vinho.
  • No dia de S. Martinho, come-se castanhas e bebe-se vinho.
  • No dia de S. Martinho, fura o teu pipinho.
  • No dia de S. Martinho, lume, castanhas e vinho.
  • No dia de S. Martinho, mata o teu porco e bebe o teu vinho.
  • No dia de S. Martinho, mata o teu porco, chega-te ao lume, assa castanhas e prova o teu vinho.
  • No dia de S. Martinho, vai à adega e prova o teu vinho.
  • No S. Martinho mata o porco e barra o vinho.
  • Novembro pelo S. Martinho, comem-se as castanhas e prova-se o vinho.
  • Novembro pelo S. Martinho, mata teu porco e bebe o teu vinho.
  • Novembro pelo S. Martinho, nem nado, nem cabecinho.
  • Novembro pelo S. Martinho, prova o teu vinho; ao cabo de um ano já te faz dano.
  • Novembro pelo S. Martinho, semeia o teu cebolinho.
  • O Sete-Estrelo pelo S. Martinho, vai de bordo a bordinho; à meia-noite está a pino.
  • Pelo S. Martinho abatoca o pipinho.
  • Pelo S. Martinho bebe o vinho, deixa a água para o moinho.
  • Pelo S. Martinho castanhas assadas, pão e vinho.
  • Pelo S. Martinho deixa a água para o moinho.
  • Pelo S. Martinho mata o teu porquinho e semeia o teu cebolinho.
  • Pelo S. Martinho prova o teu vinho; ao cabo de um ano já não te faz dano.
  • Pelo S. Martinho semeia o teu cebolinho.
  • Pelo S. Martinho todo o mosto é bom vinho.
  • S. Martinho bebe o vinho, deixa a água para o moinho.
  • Se o Inverno não erra o caminho, tê-lo-ei pelo S. Martinho.
  • Se queres pasmar o teu vizinho, lavra, sacha e esterca pelo S. Martinho.
  • Verão de S. Martinho são três dias e mais um bocadinho.
  • Vindima em Outubro que o S. Martinho to dirá.

 

publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 04:44
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Quinta-feira, 18 de Outubro de 2007

UMA LINDA HISTÓRIA

    Se pensarmos bem, todas as coisas têm a sua história. E hoje veio-me à ideia a História das Alminhas de Lamarigo, que conheço bem, há perto de sessenta anos.

 

    Era eu criança e pas­sei muitas vezes à beira das suas pedras, que es­tavam caídas no início do caminho que liga o lugar de Lamarigo ao lugar de Requião. Ouvia dizer às pessoas que lá passavam: estas pedras eram dumas alminhas que aqui existi­ram, mas já lá vão muitos anos que estão no chão.

 

    Um dia, teria eu dez anos, juntamente com mais dois colegas, resol­vemos levantar uma pedra e lá vimos a data da sua construção – 1766.

 

    Agora sei que o que vos vou contar, muita gen­te não vai acreditar, mas posso-vos dizer que isto foi a realidade. Minha mãe, hoje com noventa anos, ainda afirma que viu muitas vezes da janela da nossa casa, onde se viam essas pedras no chão, de lá sair, quase todas as noi­tes, uma luz muito fraca.

 

    Vinha até à fonte de La­marigo, cerca de 60 m e depois voltava a aparecer de novo, próximo das pe­dras, tomando a fazer o mesmo percurso. Isto acontecia vezes sem con­ta. Mas não era só a mi­nha mãe que via isto, eram várias pessoas, algumas delas ainda hoje vivas.

 

    Eram os tais tempos difíceis, em que não havia di­nheiro para nada. Mas, o meu tio paterno, hoje com 81 anos, Abílio Dantas Barreiro, “Abílio do Lavra­dor”, meteu mãos à mas­sa e com a ajuda de algu­mas pessoas que deram os seus donativos, mandou­-as reconstruir em 1958.

 

    A partir dessa data, por incrível que pareça, a lu­zinha, como a gente aqui lhe chamava, nunca mais se tomou a ver. A nossa gente começou a ter uma grande devoção com es­tas alminhas e realmente tem razão para isso, que elas são milagrosas não há dúvida; eu que o diga!

 

    Mas agora, não vai muito tempo, o dito cami­nho foi alargado e o muro onde elas estavam colo­cadas teve de ser demoli­do, incluindo as alminhas, claro. Depois de novo muro estar feito, voltaram a ser reconstruídas, mas desta vez... cuidado!

 

    A nossa Junta meteu mãos à massa e pôs lá esta coisa linda, que se pode ver [...]. Passe por lá, veja se não parece um altar em pedra. Faça-lhes uma prece e depois poderá dizer qualquer coisa.

 

    Deixo aqui um bem-­haja muito grande ao meu tio “Abílio do Lavrador”, porque sei o que lhe cus­tou mandar pôr em pé to­das aquelas pedras, algu­mas delas em mau esta­do, e como ele há tantos anos as tem tido a seu cargo, considerando como uma das melhores coisas que tem feito na sua vida.

 

    Deixo também aqui um muito obrigado à Junta de Freguesia, em especial ao Presidente, Amâncio Bar­bosa, que teve de ir mui­tas vezes à Câmara para arranjar o dinheiro, para que esta obra ficasse tão bonita.

 

    Bem-haja a todos.

 

Padornelo, Setembro de 2007

 

Ilídio da Silva Dantas Gomes

 

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publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 15:29
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Sábado, 16 de Junho de 2007

Pessoas da Minha Terra

Padre Alcino da Cunha Pereira 

Padre Alcino da Cunha Pereira – Nasceu em Santa Eulália de Arnoso, freguesia do concelho de Vila Nova de Famalicão, a 22 de Janeiro de 1928, filho de José Gomes Pereira e de Maria Gomes da Cunha.

Foi

·        Ordenado sacerdote em Braga (15 de Agosto de 1952);

·        Rezou missa nova em Santa Eulália de Arnoso (17 de Agosto de 1952);

·        Nomeado pároco das igrejas paroquiais de Santa Marinha de Padornelo e de S. Paio de Mozelos (26 de Novembro de 1952);

·        Tomou posse como pároco da igreja matriz de Santa Marinha de Padornelo (30 de Novembro de 1952);

·        Pároco de Padornelo e Mozelos (Novembro de 1952 – Agosto de 1962);

·        Pároco de Santa Leocádia de Tamel e S. Tiago de Carapeços, ambas no arciprestado de Barcelos (23 de Agosto de 1962);

·        Esteve presente a título individual na homenagem ao padre Casimiro Rodrigues de Sá, abade de Padornelo (24 de Abril de 2006);

·        Dispensado da paroquialidade a seu pedido por limite de idade (1 de Outubro de 2006);

·        Escritor de monografias.

 

Publicou as seguintes obras:

·        A Igreja de Tamel, Santa Leocádia (Barcelos), 1984;

·        A Igreja de Carapeços – O templo e o Povo, 1988;

·        Os Limites Entre Carapeços e Silva – A Questão, Seu Óbice, Notas e “Dossier”, 1993;

·        Os Limites Entre Carapeços e Silva – Anexos, 1995;

·        A Procissão dos Passos de Carapeços e as Endoenças, 1997;

·        À Volta da Igreja de Tamel, Santa Leocádia, I volume, 1997;

·        À Volta da Igreja de Tamel, Santa Leocádia, II volume, 1998;

·        As Terras de São Tamel, 1999;

·        A História de Carapeços e a de Santa Leocádia de Tamel, 2002;

·        Património Religioso e Civil de Carapeços e de Santa Leocádia de Tamel (Álbum – Inventário Histórico e Biográfico), 2005.

 

publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 04:38
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Domingo, 20 de Maio de 2007

Pessoas da Minha Terra

José Gomes, Maria Dantas, Marcelina Dantas, Manuel Augusto Dantas, Rosa da Silva e António Manuel Dantas em 1919

Da esquerda para a direita: José Gomes Barreiro, “Zé Lavrador”, Maria da Conceição Dantas, “Maria da Quinta”, Marcelina Rosa Dantas, Manuel Augusto Dantas, “Manel da Quinta” (1894+1968), Rosa Joaquina da Silva (1857+1932), e António Manuel Dantas (1849+1935), cerca de 1919.

[Fotografia: gentileza de Ilídio da Silva Dantas Gomes, que é neto de José Gomes Barreiro, de Maria da Conceição Dantas e de Manuel Augusto Dantas e bisneto de Rosa Joaquina da Silva e de António Manuel Dantas].

 

publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 15:47
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Quarta-feira, 25 de Abril de 2007

Pessoas da Minha Terra

Festa de Nossa Senhora das Angústias em 1960

Da esquerda para a direita, na fileira de trás: Avelino Barbosa Rodrigues, o “Abelino do Herculano”; Maria Alice Barbosa Monteiro, a “Alice do Inocêncio”; Aurora Barbosa Rodrigues, a “Lola do Herculano”; Ilídia Adelaide Barbosa Monteiro, a “Laida do Inocêncio”; José Inocêncio Barbosa Monteiro, o “Zé do Inocêncio”; “Zé do Amaro” (a pessoa mais difícil de identificar na medida em que alguns dizem ser o Anézio, ou ainda um irmão do Zé do Amaro).

 

Na linha do meio, também da esquerda para a direita: Abílio António de Sá; Maria de Jesus Barbosa; padre Alcino da Cunha Pereira; Aurora da Conceição Pereira Varajão; Laurentino Barbosa.

 

Em baixo, de joelhos, da esquerda para a direita: Manuel de Barros Lima, o “Nelo Barros”; Manuel de Lima Rodrigues, o “Manel da Bazanca”.

 

A imagem é a Nossa Senhora das Angústias, e a fotografia data de cerca de 1960.

 

A fotografia foi-me enviada do Brasil pelo Nilton Ramos Barbosa, neto do Laurentino Barbosa, a quem muito agradeço.

 

publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 16:16
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Quarta-feira, 4 de Abril de 2007

Amâncio Barbosa Lourenço, o Amigo, o Presidente

Por: Jofre de Lima Monteiro Alves

 

    Quando há alguns anos atrás a ignorância de braço dado com a prepotência bronca quis cortar as ramadas e algumas árvores da carvalheira das Angústias, tal indigno atentado foi impedido por conjugação de diversos esforços de pessoas que se uniram para conter este brutal sacrilégio ecológico.

 

    Entre elas, a marcar a sua postura, encontrava-se na primeira linha de acção o Amâncio Barbosa Lourenço. E hoje a centenária carvalheira ali está, impoluta e airosa para usufruto de toda a comunidade.

 

    O episódio não está esquecido na minha memória. Este facto, importante na defesa dos interesses da freguesia, é marcante para demonstrar o carácter de homem e de autarca. Vinca de forma positiva o seu modo empenhado.

 

    Mesmo assim, é-me difícil falar dele, essencialmente por dois motivos: é sobejamente conhecido de todos, e tenho por ele sincero respeito e profunda estima.

 

    Amâncio Lourenço deu à sua terra e ao seu povo o melhor do seu espírito abnegado e do seu coração, podendo e devendo considerar-se um dos maiores expoentes do poder autarca. A História dos Municípios assim o demonstra de forma exuberante. Mas daquela parte pura e cristalina do poder local, que não está ainda infectada.

 

     Na altura em que Amâncio Barbosa Lourenço tomou conta da pasta administrativa da Junta de Freguesia de Padornelo a realidade era substancialmente diferente daquela que usufruímos e vemos hoje.

 

    A localidade, a exemplo do Portugal de então, estava totalmente desprovida de estradas, caminhos capazes, e desconhecia na generalidade o conforto e benefício da água ao domicilio, da iluminação pública, da electricidade adentro de portas, do saneamento básico, e duma incomensurável lista tão extensa que a imaginação de hoje não alcança a penúria de então em relação aos equipamentos mais básicos. É preciso não esquecer que muito do actual desenvolvimento se deve verdadeiramente ao poder democrático local.

 

    Com ele na presidência, período de combatividade activa, marca um dos mais notáveis ciclos da vida da freguesia, devido à sua dedicação inquebrantável, capaz de remover montanhas de dificuldades.

 

    Foram construídos parques acolhedores, rasgadas novas acessibilidades, os caminhos pavimentados, a água levada aos domicílios, tal como a electrificação doméstica, inúmeras fontes e fontanários cresceram, equipamentos desportivos, uma moderna sede da junta, e tantos outras inovações e obras que seria delongada a sua listagem. Tudo sem desfalecimento da sua rígida vontade, com uma constância ilimitada.

 

    Destacámos o facto de saber estar próximo das prementes necessidades das populações, o estar atento tanto às pequenas como às grandes obras, juntamente com os predicados duma grande capacidade de trabalho, dedicação total, honestidade, idoneidade e experiência, tudo factores absolutamente fundamentais para o sucesso que perdura há 33 anos.

 

    Sei, de fonte segura, que ele levanta a voz perante os poderes camarários instituídos, exercendo a soberania de reclamar e exigir os direitos augustos que entende merecer a freguesia, intervindo sem subserviência nas questões de fundo connosco relacionadas, prerrogativa da qual não abdica para defender de maneira tenaz as intransigentes atribuições de Padornelo. E a prova disso, é o progresso latente que beneficia a nossa terra, airosa e bonita. Foram, de factos, notáveis os melhoramentos conseguidos.

 

    Nenhuma razão pessoal, nenhum sentimento de presunção dominam o seu amor por este rincão de terra minhota, que ele como ninguém ama e adora. Tem, indiscutivelmente, a religião do culto do dever e a tudo se entrega com grande dedicação, passados mais de trinta anos.

 

    Consagrou-se inteiramente à administração pública, de modo que soube evidenciar-se com grande brilho – sem se envaidecer –, e a contento duma enormíssima maioria, merecendo sempre a sua acção os mais justos elogios.

 

    Ven