Blogue acerca da terra, das pessoas, dos costumes e da História de PADORNELO, freguesia do concelho de Paredes de Coura, distrito de Viana do Castelo, publicado por JOFRE DE LIMA MONTEIRO ALVES.

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Segunda-feira, 20 de Dezembro de 2010

RIFONEIRO DE COURA: XX - O Natal

  • Ande o frio por onde andar, no Natal cá vem parar.

 

  • Caindo o Natal à segunda-feira pode o lavador alugar a eira.

 

  • De Santa Catarina ao Natal, bom chover e melhor nevar.

 

  • De Santa Catarina ao Natal, mês igual.

 

  • Dezembro com Junho ao desafio terás Janeiro frio.

 

  • Dezembro frio, calor no estio.

 

  • Dezembro molhado, Janeiro geado.

 

  • Dezembro ou seca as fontes ou levanta as pontes.

 

  • Dezembro quer lenha no lar e pichel a andar.

 

  • Do Natal a S. João, seis meses são.

 

  • Do Natal a Santa Luzia cresce um palmo em cada dia.

 

  • Do Natal a Santa Luzia, cresce o dia.

 

  • Dos Santos ao Natal é Inverno natural.

 

  • Dos Santos ao Natal vai um salto de pardal.

 

  • Em Dezembro a uma lebre galgos cento.

 

  • Em Dezembro ande o frio por onde andar, pelo Natal há-de chegar.

 

  • Em Dezembro chuva, em Agosto uva.

 

  • Em Dezembro descansa, em Janeiro trabalha.

 

  • Em Dezembro descansa, mas não durmas.

 

  • Em Dezembro lenha e dorme.

 

  • Em Dezembro quem vai ao S. Silvestre, vai um ano, vem no outro e não se despe.

 

  • Em Dezembro quem vareja antes do Natal, deixa azeite no olival.

 

  • Em Dezembro se queres bom alhal, semeia-o pelo Natal.

 

  • Em Dezembro treme o frio em cada membro.

 

  • Em Dezembro vinho, azeite e amigo sempre do mais antigo.

 

  • Em Dezembro, dos Santos ao Natal é Inverno natural.

 

  • Em dia de festa e Natal, atesta a barriga, não faz mal.

 

  • Em Natal chuvoso até o diligente é preguiçoso.

 

  • Galinhas de S. João, pelo Natal ovos dão.

 

  • Laranja antes do Natal livra o catarral.

 

  • Mal vai Portugal se não há três cheias antes do Natal.

 

  • Não há em Dezembro valente que não trema.

 

  • Natal a assolhar, Páscoa ao luar.

 

  • Natal à segunda-feira, lavrador alarga a eira.

 

  • Natal à sexta-feira, por onde puderes semeia; em domingo, vende os bois e compra trigo.

 

  • Natal ao sol, Páscoa ao fogo, fazem o ano famoso.

 

  • Natal na praça, Páscoa em casa, Espírito Santo em campo, faz o ano franco.

 

  • Nem em Agosto caminhar, nem em Dezembro marear.

 

  • No dia de Santa Luzia, cresce um palmo cada dia.

 

  • No Inverno forneira, no Verão taberneira.

 

  • No Natal, tem o alho bico de pardal.

 

  • O Inverno natural é um mês antes do Natal.

 

  • Pelo Natal semeia o teu alhal, se o quiseres cabeçudo semeia-o pelo Entrudo.

 

  • Pelo Natal, poda natural.

 

  • Pelo Natal, sacha o faval.

 

  • Pelo Santo André pega no porco pelo pé. Se ele disser «cué, cué», diz-lhe que tempo é; se ele disser «que tal, que tal», guarda-o para o Natal.

 

  • Quem colhe azeitona antes do Natal, deixa metade no olival.

 

  • Quem quer bom ervilhal semeia-o antes do Natal.

 

  • Quem vareja antes do Natal, deixa azeitona no olival.

 

  • Se os pepinos dessem em Dezembro, ninguém os comeria.

 

  • Se queres bom alhal, planta-o pelo Natal.

 

  • Sol de Dezembro sai tarde e põe-se cedo.

 

  • Uma cama em Agosto e uma Ceia em Natal, quem a quer a pode dar.

 

 

 

publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 01:00
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Sábado, 10 de Novembro de 2007

A HISTÓRIA, A LENDA E OS PROVÉRBIOS DE S. MARTINHO

S. Martinho na História

    S. Martinho de Tours ou simplesmente S. Martinho, nasceu na Panónia, actual território da Hungria, no ano de 316, filho dum oficial do exército romano.

 

    Aos 16 anos de idade, sendo já catecúmeno – aquele que se prepara e instrui para o baptismo – entrou para o exército, onde atingiu o posto de oficial da Guarda Imperial. Abandonou a vida castrense, e como discípulo de Santo Hilário recebeu ordens sacras de frade em 354.

 

    Em 361 fundou um mosteiro em Ligugé (Poitiers, França), sendo ordenado bispo de Tours em 371, e foi o maior propagador da fé da Gália, hoje França.

 

    Faleceu em 397, e durante muitos séculos foi um dos santos mais populares da Europa, cuja memória litúrgica é comemorada a 11 de Novembro, data em que foi enterrada em Tours, França.

 

S. Martinho na lenda

    No ano de 338, quando ainda era militar do exército imperial romano, durante uma ronda nocturna no rigor dum impiedoso Inverno encontrou um pobre seminu que lhe implora caridade, a quem querendo acudir e como não tinha dinheiro, sacou da sua capa, e cortou-a ao meio para a partilhar com o desconhecido.

 

    Na noite seguinte, durante o sonho viu Jesus vestido com aquela porção de capa, que lhe agradeceu ter-lhe dado metade da mesma.

 

    Outra versão da lenda, relata que partilhou a sua capa com um soldado pobre e roto. A lenda de S. Martinho, nasceu, segundo algumas versões, quando algumas árvores floriram durante o trajecto em que o seu corpo foi levado de Candes, onde faleceu, até Tours, onde seria sepultado.

 

    Seja como for, e conforme reza a lenda, todos os anos nos primeiros dias de Novembro desponta sempre um Sol de Estio para recordar o bondoso gesto de S. Martinho, e por esses dias o céu e a terra aquecem, de modo a que mais nenhum ser humano passe o tremendo frio que assolou o mendigo dos tempos lendários.

 

S. Martinho na Etnografia

    Esta é a altura dos magustos, que estaria primitivamente relacionado com o culto dos mortos e com as celebrações de Todos os Santos e Fiéis Defuntos.

 

    É também, e sobretudo, a festa vinícola, ocasião em que se prova o vinho novo, se atestam as pipas, e que noutras eras foi celebrada em muitos sítios com afamados cortejo de bêbados, galhofando com as procissões religiosas, numa versão báquica, onde nas adegas se bebe livremente em burlescas fraternidades, numa associação de vinho e castanhas. O S. Martinho é, ainda, ensejo de matança de porco.

 

    O seu dia coincide com a período do ano em que se realça o culto dos antepassados e com a época do calendário rural, em que acabam os trabalhos agrícolas e se principia a fruir das colheitas, nomeadamente do vinho e dos frutos, leva a que a festa deste santo tenha um profundo elemento de exuberância prazenteira que hoje tende a predominar.

                                                    

S. Martinho no Alto Minho

    S. Martinho é presença quase constante em todo o distrito, com as estranhas excepções de Valença e de Vila Nova de Cerveira, onde não consta em nenhuma paróquia como santo padroeiro.

 

    Em Paredes de Coura como seu orago temos a freguesia de S. Martinho de Coura, e o caso particular de Vascões, embora oficialmente o orago seja S. Pedro, foi conhecida e referenciada durante muito tempo por S. Martinho de Vascões.

 

    No Vale do Minho, aparece em Caminha na freguesia de Lanhelas; em Alvaredo e Cristóval, na jurisdição de Melgaço; e na freguesia de Parada, no concelho de Monção.

                      

    Na Ribeira Lima vemo-lo no município de Arcos de Valdevez como orago das freguesias de Cabana Maior, Mei e Soajo; em Britelo, Crasto e Paço Vedro de Magalhães, no concelho de Ponte da Barca; em Ponte de Lima surge nas freguesias de Fristelas e de Gandra; e por fim, em Viana do Castelo, nas freguesias de Freixieiro de Soutelo, Outeiro, Vila Fria e Vila Mou.

 

Provérbios de S. Martinho 

  • A cada bacorinho vem o seu S. Martinho.
  • A cada porco vem o seu S. Martinho.
  • As geadas de S. Martinho levam a carne e o vinho.
  • Dia de S. Martinho vai à loja e prova o vinho.
  • Dia de S. Martinho, come-se castanhas e bebe-se vinho.
  • Dia de S. Martinho, lume, castanhas e vinho.
  • Dos Santos a S. Martinho são nove dias de pão e vinho.
  • Em dia de S. Martinho atesta e abatoca o teu vinho.
  • Em dia de S. Martinho semeia teus alhos e prova teu vinho.
  • Em Novembro S. Martinho vai à adega e prova o vinho.
  • Em Novembro S. Martinho, lume, castanhas e vinho.
  • Em Novembro se queres pasmar teu vizinho, lavra, sacha e esterca pelo S. Martinho.
  • No dia de S. Martinho assa castanhas e molha-as em vinho.
  • No dia de S. Martinho fura-se o pipinho, mas quem for honrado já o deve ter furado.
  • No dia de S. Martinho mata o teu porco e bebe o teu vinho.
  • No dia de S. Martinho mata teu porco, chega-te ao lume, assa as castanhas e bebe o teu vinho.
  • No dia de S. Martinho vai à adega e prova o vinho.
  • No dia de S. Martinho, come-se castanhas e bebe-se vinho.
  • No dia de S. Martinho, fura o teu pipinho.
  • No dia de S. Martinho, lume, castanhas e vinho.
  • No dia de S. Martinho, mata o teu porco e bebe o teu vinho.
  • No dia de S. Martinho, mata o teu porco, chega-te ao lume, assa castanhas e prova o teu vinho.
  • No dia de S. Martinho, vai à adega e prova o teu vinho.
  • No S. Martinho mata o porco e barra o vinho.
  • Novembro pelo S. Martinho, comem-se as castanhas e prova-se o vinho.
  • Novembro pelo S. Martinho, mata teu porco e bebe o teu vinho.
  • Novembro pelo S. Martinho, nem nado, nem cabecinho.
  • Novembro pelo S. Martinho, prova o teu vinho; ao cabo de um ano já te faz dano.
  • Novembro pelo S. Martinho, semeia o teu cebolinho.
  • O Sete-Estrelo pelo S. Martinho, vai de bordo a bordinho; à meia-noite está a pino.
  • Pelo S. Martinho abatoca o pipinho.
  • Pelo S. Martinho bebe o vinho, deixa a água para o moinho.
  • Pelo S. Martinho castanhas assadas, pão e vinho.
  • Pelo S. Martinho deixa a água para o moinho.
  • Pelo S. Martinho mata o teu porquinho e semeia o teu cebolinho.
  • Pelo S. Martinho prova o teu vinho; ao cabo de um ano já não te faz dano.
  • Pelo S. Martinho semeia o teu cebolinho.
  • Pelo S. Martinho todo o mosto é bom vinho.
  • S. Martinho bebe o vinho, deixa a água para o moinho.
  • Se o Inverno não erra o caminho, tê-lo-ei pelo S. Martinho.
  • Se queres pasmar o teu vizinho, lavra, sacha e esterca pelo S. Martinho.
  • Verão de S. Martinho são três dias e mais um bocadinho.
  • Vindima em Outubro que o S. Martinho to dirá.

 

publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 04:44
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Segunda-feira, 1 de Outubro de 2007

RIFONEIRO DE COURA: a Sabedoria Popular - XIX O CASAMENTO

  • À bodas e baptizados, só vão os convidados.

 

  • A casar e a embarcar, nada de aconselhar.

 

  • A minha filha hei-de casar, se a minha vizinha deixar.

 

  • A minha filha honrada há-de casar, se a minha vizinha deixar.

 

  • A moça da tua terra limpa-lhe a ramela e casa com ela.

 

  • À mulher casada, o marido lhe basta.

 

  • A mulher chora antes do casamento, o marido depois.

 

  • Antes casada arrependida que freira aborrecida.

 

  • Antes de casar pensa bem o que fazes.

 

  • Antes filha mal casada, que bem amancebada.

 

  • Antes que cases, olha o que fazes, não te arrases.

 

  • Antes que cases, olha o que fazes.

 

  • Ao casamento, segue-se o arrependimento.

 

  • Casa o filho quando quiseres e a filha quando puderes.

 

  • Casamento chuvoso, casamento venturoso.

 

  • Casamento de imposição é de pouca duração.

 

  • Casamento de imposição, ninguém sabe a duração.

 

  • Casamento de inveja, se desmancha até na porta da igreja.

 

  • Casamento de moça que seja boa e moço que tenha oficio, não lhe pode dar melhor benefício.

 

  • Casamento de mulher rica, é ela que manda e ela que grita.

 

  • Casamento e mortalha, no céu se talha.

 

  • Casamento, apartamento.

 

  • Casar é bom, não casar tem outro tom.

 

  • Casar e viajar, não se deve aconselhar.

 

  • Casarás e amansarás, ou feliz não serás.

 

  • Casarás e amansarás.

 

  • Casa-te e verás, perdes o sono e mal dormirás.

 

  • Casei com a gata por causa da prata, roubaram-me a prata, fiquei com a gata.

 

  • Com coisa velha, não te cases nem te alfaies.

 

  • Com verdade e com mentira, casou a velha a sua filha.

 

  • Dor de cotovelo e dor de marido, ainda que doa, logo é esquecido.

 

  • Entre marido e mulher ninguém meta a colher.

 

  • Entre o prometer e o dar, tua filha há-de casar.

 

  • Filha mal-afamada, nem viúva, nem casada.

 

  • Homem bem casado, não tem sogra e muito gado.

 

  • Homem casado e pássaro com visgo, quanto mais se debatem, mais se prendem.

 

  • Homem casado, nem bom marido, nem bom soldado.

 

  • Ir à guerra e casar, não é de aconselhar.

 

  • Marido velho é melhor que nenhum.

 

  • Marido velho e mulher nova, ou corno ou filho até à cova.

 

  • Mulher bem casada, não tem sogra nem cunhada.

 

  • Na morte e na boda verás quem te honra.

 

  • Não há casamento pobre, nem enterro rico.

 

  • Não há morte sem pranto, nem casamento sem canto.

 

  • Por três dias de ralhar, ninguém deixe de casar.

 

  • Quem acerta no casar, nada lhe falta acertar.

 

  • Quem casa a correr, toda a vida tem para se arrepender.

 

  • Quem casa com sapateiro, lambe cola o ano inteiro.

 

  • Quem casa não pensa, quem pensa não casa.

 

  • Quem casa por amores, vive sempre com dores.

 

  • Quem casa, quer casa.

 

  • Quem longe vai à boda, no caminho a larga toda.

 

  • Quem longe vai casar, ou se engana ou vai enganar.

 

  • Quem vai à boda, leva que coma.

 

  • Se queres bem casar, teu igual vai procurar.

 

  • Vinha e menina para casar, muito custam a guardar.

 

publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 01:02
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Domingo, 2 de Setembro de 2007

RIFONEIRO DE COURA: a Sabedoria Popular - XVIII: O Sol

  • À porta do avarento, Sol alto e mar dentro.

 

  • A um pôr-do-sol de magia, seguir-se-á noite fria.

 

  • Agosto dá o sol no rosto.

 

  • Alcaide e sol, por onde quer entram.

 

  • Amizade de genro, sol de Inverno.

 

  • Antes se adora o Sol Nascente, que o Sol poente.

 

  • Arco-da-velha ao Sol nado, água antes de tirar o gado.

 

  • Cerco de sol, molha o pastor.

 

  • Debaixo do sol, nada é novo.

 

  • Do rei e do sol, quanto mais longe melhor.

 

  • Em Agosto dá o sol pelo rosto.

 

  • Em Fevereiro entra o sol em qualquer riqueiro.

 

  • Formosa sem amor e sol em Janeiro, andam sempre atrás do outeiro.

 

  • Luar de Janeiro, sol de Julho.

 

  • Manhã na baixa, sol que racha.

 

  • Março marçagão, manhã de sol, à tarde cara de cão.

 

  • Não há sábado sem sol, nem domingo sem missa, nem segunda sem preguiça.

 

  • Não há sol como o de Maio, luar como o de Janeiro, nem cravo como o regado, nem amor como o primeiro.

 

  • Não há sol sem sombra.

 

  • Natal ao sol, Páscoa ao fogo, fazem o ano formoso.

 

  • Nossa Senhora da Conceição faça sol e chuva não.

 

  • Novembro põe tudo a secar, pode o sol não tornar.

 

  • O rei é como o sol, quanto vê, alenta.

 

  • Pela Senhora da Ajuda, às sete horas o Sol é posto.

 

  • Quando muito arde o sol, nem mulher, nem carnes, nem caracol.

 

  • Quem dormir ao sol de Agosto, passa por desgosto.

 

  • Sol claro no poente, boa está a noite e a manhã excelente.

 

  • Sol coalheiro não engana cabreiro.

 

  • Sol de Agosto, calor de gostos.

 

  • Sol de Inverno, tarde sai e cedo vai.

 

  • Sol de Inverno, sai tarde e põe-se cedo.

 

  • Sol de Janeiro anda sempre atrás do outeiro.

 

  • Sol de Janeiro nasce tarde e põe-se cedo.

 

  • Sol de Junho amadura tudo.

 

  • Sol de Junho madruga muito.

 

  • Sol de Março, queima a dama no paço.

 

  • Sol de nevoeiro pica como tojeiro.

 

  • Sol e chuva, casamento de viúva.

 

  • Sol frio, água no rio.

 

  • Sol na eira, chuva no nabal.

 

  • Sol que joga às escondidas, chuva à tarde.

 

  • Sol que muito madruga, pouco dura.

 

  • Sol vermelho no poente, esta noite boa e amanhã excelente.

 

  • Tal genro, como tal sol.

 

  • Trás da névoa vem o sol.

 

publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 19:02
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Quinta-feira, 9 de Agosto de 2007

RIFONEIRO DE COURA: a Sabedoria Popular - XVII: Agosto

    Tempo de romarias populares, jornada de fervor profana e sagrada, o Minho saltita intenso de musicalidade, vida e alegria. Quem viu, uma vez que seja uma romaria minhota não esquece jamais o seu encanto, festas de fascínio ingénuo, um espectáculo admirável.

 

    Agosto, o sexto mês do antigo ano romano de Rómulo, que principiava no actual mês de Março, deve o seu nome ao imperador Caio Júlio César Octávio Augusto.

 

    O mês quintilis tinha mudado o nome em honra a Júlio César, e por tal, Octávio Augusto, para maior prosápia, decidiu fazer o mesmo, desta feita com o sexto mês sextilis, que recebeu o nome de augustus, donde veio o nosso Agosto.

 

  • A quem em Maio come sardinha, em Agosto lhe pica a espinha.
  • A quem não tem pão semeado, de Agosto se faz Maio.
  • A terra lavrada em Agosto à estercada dá de rosto.
  • Agosto a arder, Setembro a beber.
  • Agosto amadurece e Setembro vindimece.
  • Agosto chuvoso é ano formoso.
  • Agosto dá o sol no rosto.
  • Agosto e vindima, não é cada dia.
  • Agosto e vindima, não vem cada dia, mas sim cada ano, uns com ganância, outros com dano.
  • Agosto maduro, Setembro vindima.
  • Agosto nos farta, Agosto nos mata.
  • Agosto tem a culpa, Setembro leva a fruta.
  • Agosto, mês de desgosto.
  • Agosto, quente no rosto.
  • Água de Agosto, açafrão, mel e mosto.
  • Ande o ano por onde andar, o mês de Agosto há-de aquentar.
  • Até quinze de Agosto, malha a teu gosto, depois malha o suor no teu rosto.
  • Cava e esterca de Agosto, ao lavrador alegra o rosto.
  • Cava em Agosto, enche o tonel de mosto.
  • Chuva de Agosto, apressa o mosto.
  • Chuva fina por Santo Agostinho (28 de Agosto), é como se chovesse vinho.
  • Corra o ano como correr, o mês de Agosto há-de aquecer.
  • Corra o ano como for, haja em Agosto e Setembro calor.
  • Em Agosto aguilhoa o preguiçoso e sê cuidadoso.
  • Em Agosto apanha macela, que livra da botica o uso dela.
  • Em Agosto ardem os montes e secam as fontes.
  • Em Agosto dá o sol pelo rosto.
  • Em Agosto deve o milho ferver o carolo.
  • Em Agosto espingarda ao rosto.
  • Em Agosto há bulha o preguiçoso.
  • Em Agosto malha a teu gosto.
  • Em Agosto palhas ao palheiro, meninas ao candeeiro.
  • Em Agosto secam os montes, em Setembro as fontes e o Outubro seca tudo.
  • Em Agosto toda a fruta tem o seu gosto.
  • Em Agosto vale mais vinagre que mosto.
  • Em Agosto, aguilhoa o preguiçoso.
  • Em Agosto, nem vinho, nem mosto.
  • Em Agosto, sardinha e mosto.
  • Em dia de S. Lourenço (10 de Agosto), vai à vinha e enche o lenço.
  • Junho, Julho e Agosto, senhora, não sou vosso.
  • Lá vem Agosto com os seus santos ao pescoço.
  • Lua nova de Agosto carregou, lua nova de Outubro trovejou.
  • Luar de Agosto, dá-lhe no rosto.
  • Luar de Janeiro não tem parceiro, senão o de Agosto, que lhe dá de rosto.
  • Maio come o trigo, Agosto bebe o vinho.
  • Mês de Agosto será gaiteiro se for bonito o primeiro de Janeiro.
  • Não é bom o mosto colhido em Agosto.
  • Não há casamento de Agosto que não tenha desgosto.
  • Nem em Agosto caminhar, nem em Dezembro marear.
  • Os nabos querem o luar de Agosto.
  • Os ouriços em Agosto fervam e em Setembro bebam.
  • Por Santa Maria de Agosto, repasta a vaca um pouco.
  • Primeiro de Agosto, primeiro de Inverno.
  • Quando chovem em Agosto, chove mel e mosto.
  • Quando chover por Agosto, não metas teu dinheiro em mosto.
  • Quem Agosto ara, riqueza prepara
  • Quem debulha em Agosto, debulha com mau gosto.
  • Quem debulha em Agosto, debulha com mau rosto.
  • Quem dormir ao sol de Agosto, passa por desgosto.
  • Quem malha em Agosto, malha com gosto.
  • Quem não debulha em Agosto, debulha com mau rosto.
  • Se não debulhas em Agosto, terás sempre desgosto.
  • Se queres ver o teu homem morto, dá-lhe couves em Agosto.
  • Terra lavrada em Agosto, à estercada dá o rosto.
  • Trovoadas em Agosto, abundância de uva e mosto.

 

publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 01:01
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Domingo, 1 de Julho de 2007

RIFONEIRO DE COURA: a Sabedoria Popular - XVI: Julho

A jeira de Maio vale os bois e o carro, e a de Julho vale os bois e o jugo.

 

Deus ajudando, vai em Julho mercando.

 

Em Julho abafadiço fica a abelha no cortiço.

 

Em Julho ceifo o trigo e o debulho, e em o vento soprando o vou limpando.

 

Em Julho nunca a água no rio fez barulho.

 

Em Julho reina o gorgulho.

 

Em Julho tudo farás, só o teu verde não ceifarás.

 

Julho ceifa-se o trigo e a debulha.

 

Julho é o mês das colheitas, Agosto o mês das festas.

 

Julho quente traz o Diabo no ventre.

 

Julho quente, seco e ventoso, trabalha sem repouso.

 

Julho, o verde e o maduro.

 

Junho, Julho, Agosto, senhora, não sou vosso.

 

Por todo o mês de Julho, o celeiro atulho.

 

Quem em Julho ara a fio, ouro cria.

 

Quem trabalha em Julho, para si trabalha.

 

publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 08:01
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Sexta-feira, 1 de Junho de 2007

RIFONEIRO DE COURA: a Sabedoria Popular - XV: Junho

    Cheira a férias, e como o espírito-santo-de-orelha diz-me que as pessoas já não estão para grandes leituras, prometemos escrevinhar pouco, porque a paciência dos leitores tem limites e o espaço para estas coisas de provérbios também.

 

    Este era o mês especialmente dedicado à deusa Juno, a mulher de Júpiter na mitologia romana, e que correspondia por igual a Hera, esposa desse todo-poderoso Zeus, o supremo deus do panteão grego.

 

    As festas em sua honra eram as junónias, e teve grande culto na antiga Lusitânia romana, porquanto figura por cá em diversos monumentos, em Idanha-a-Velha, por exemplo.

 

    Entre as tarefas que lhe estavam destinadas, rodeada de todo o respeito, figurava o amor nos casamentos, e no campo da maternidade protegia os partos e os recém-nascidos, nobre missão, que ela levava muito a peito.

 

    Hoje, com o encerramento das maternidades por esse sertão fora, vamos precisar de toda a sua protecção, pese embora ela já esteja um pouco desactualizada...

 

A chuva de S. João tolhe a vinha e não dá pão.

 

Ande o Verão por onde andar pelo S. João há-de chegar.

 

Chuva de Junho, mordedura de víbora.

 

Chuva de Junho, peçonha do mundo.

 

Chuva junhal, fome geral.

 

Chuva no S. João, bebe o vinho e come o pão.

 

Em Junho abafadiço fica a abelha no cortiço.

 

Em Junho ainda a velha esfrega o punho.

 

Em Junho foicinha no punho.

 

Em Junho, frio como punho.

 

Em Junho, perdigoto como punho.

 

Exame de Junho nem que seja como punho.

 

Galinhas de S. João, no Natal ovos dão.

 

Guarda lenha para Abril, pão para Maio e o melhor tição para o S. João.

 

Junho calmoso, ano famoso.

 

Junho chuvoso, ano perigoso.

 

Junho dorme-se sobre o punho.

 

Junho floreiro, paraíso verdadeiro.  

 

Junho não dá nada; mata a fome com a cevada.

 

Junho quente, Julho ardente.

 

Junho, foicinha em punho.

 

Lavra pelo S. João e terás palha e pão.

 

Pelo S. João a sardinha pinga no pão.

 

Pelo S. João deve o milho cobrir o chão.

 

Pintos de S. João pela Páscoa ovos dão.

 

Quem em Junho não descansa, enche a bolsa e farta a pança.

 

Sol de Junho amadura tudo.

 

Sol de Junho madruga muito.

 

Um bom madeiro pelo S. João há-de ter boa aceitação.

 

 

publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 01:10
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Terça-feira, 1 de Maio de 2007

RIFONEIRO DE COURA: a Sabedoria Popular - XIV: Maio

A água que no Verão há-de regar, em Abril e Maio há-de ficar.

 

A erva, Maio a dá, Maio a leva.

 

A melhor cepa Maio a deita.

 

A ti chova todo o ano e a mim Abril e Maio.

 

Abril chuvoso, Maio Ventoso, fazem o ano formoso.

 

Abril e Maio chave de todo o ano.

 

Abril e Maio são as chaves de todo o ano.

 

Água de Maio, pão para todo o ano.

 

Borreguinho de Maio, se to pedirem, dai-o.

 

Chovam trinta Maios e não chova um em Junho.

 

Chuva de Maio faz as novas ranhosas e as velhas formosas.

 

De Maio a Abril há muito que pedir.

 

Deixa lenha para Maio, que a fome de Maio sempre veio e há-de vir.

 

Dia de Maio, dia de má ventura, que ainda não amanhece já anoitece.

 

Dias de Maio, dias de amargura, ainda não é dia, já é noite escura.

 

Diz Maio a Abril: ainda que te pese, me hei-de rir.

 

Do mês de Maio o calor, de todo o ano o valor.

 

Em Abril queijos mil e em Maio, três ou quatro.

 

Em casa vazia, Maio depressa se avia.

 

Em Maio bebe o boi no rego.

 

Em Maio com sono caio.

 

Em Maio deixa a mosca o boi e toma o asno.

 

Em Maio espetam-se as rocas e sacham-se as portas.

 

Em Maio lava-se com a água pelo rego.

 

Em Maio vai e torna com recado.

 

Em Maio verás a água com que regarás.

 

Em Maio, a quem não tem basta-lhe o saco.

 

Em Maio, ainda os bois estão oito dias ao ramalho.

 

Em Maio, as cerejas leva uma a um o gaio; em Junho a cesta e o punho.

 

Em Maio, nem à porta de casa saio.

 

Em Maio, o calor de todo o ano dá valor.

 

Em Maio, o rafeiro é galgo.

 

Em Maio, onde quer eu caio.

 

Em princípio de Maio corre o lobo, voa o gaio.

 

Enxame de Abril para mim e de Maio para o meu irmão.

 

Enxame de Maio, a quem o pedir dai-o e o de Abril guarda-o para ti.

 

Enxame de Março apanha-o no regaço, o de Abril não o deixes ir, o de Maio deixai-o fugir.

 

Favas, Maio as dá, Maio as leva.

 

Fiandeira não ficaste porque em Maio não fiaste.

 

Fraco é Maio que não rompe uma croça,

 

Fraco é Maio se o boi não bebe na pegada.

 

Gato doido, chuva de Maio.

 

Geeira de Maio vale os bois e o carro e a de Junho os bois e o jugo.

 

Guarda lenha para Maio e para Abril.

 

Guarda o melhor saio para Maio.

 

Guarda pão para Maio e lenha para Abril, que quem não veio há-de vir.

 

Guarda pão para Maio e lenha para Abril.

 

Janeiro geoso, Fevereiro nevoso, Março mulinhoso, Abril chuvoso e Maio ventoso, fazem o ano formoso.

 

Jura de Maio vale os bois e o carro, e a de Julho vale os bois e o jugo.

 

Lama de Maio e estrumação de S. João parecem bem, mas pão não dão.

 

Maio às pedradas deita por terra as searas.

 

Maio chocoso e pardo faz o pão vistoso e grado.

 

Maio chocoso, ano formoso.

 

Maio chuvoso torna o ano rendoso.

 

Maio claro e ventoso faz o ano rendoso.

 

Maio come o trigo, Agosto bebe o vinho.

 

Maio comem-se as cerejas ao borralho.

 

Maio couveiro não é vinhateiro.

 

Maio frio, Junho quente, bom pão, vinho valente.

 

Maio frio, Junho quente, tornam o lavrador contente.

 

Maio hortelão, muita chuva e pouco pão.

 

Maio hortelão, muita palha e pouco pão.

 

Maio hortelão, muita palha, pouco grão.

 

Maio jardineiro enche o celeiro.

 

Maio me molha, Maio me enxuga.

 

Maio o deu, Maio o leva.

 

Maio pardo centeio grado.

 

Maio pardo e Junho claro podem mais que os bois e o carro.

 

Maio pardo e Junho molhado fazem o lavrador honrado.

 

Maio pardo e ventoso faz o ano farto e formoso.

 

Maio pardo enche o saco.

 

Maio pardo faz o pão grado.

 

Maio pardo, ano claro.

 

Maio pardo, Junho claro.

 

Maio pedrado destrói o pasto e não farta o gado.

 

Maio pequenino de flores enfeitadinho.

 

Maio que não der trovoada não dá coisa estimada.

 

Maio que não rompe uma croça não é Maio.

 

Maio que seja de gota e não de mosca.

 

Maio sem trovões é como um burro sem orelhões.

 

Maio serôdio ou temporão espiga no grão.

 

Mal vai ao Maio se o boi não bebe na pegada.

 

Março amoroso, Abril ventoso, Maio remeloso, fazem o ano formoso.

 

Mês de Maio, mês das flores, mês de Maria, mês dos amores.

 

Não há Maio sem trovões, nem moço sem calções.

 

Não há sol como o de Maio, luar como o de Janeiro, nem amor como o primeiro.

 

O bom cristão guarda lenha para Maio, pão para S. João.

 

O que Abril deixa nado, Maio deixa-o espigado.

 

Pão tremês não comas nem o dês; guarda-o para Maio.

 

Quando em Maio arrulha a perdiz, ano feliz.

 

Quando em Maio não nado, deixa tudo espigado.

 

Quando em Maio não troa, não é ano de broa.

 

Quem em Abril não varre a eira e em Maio não racha a lenha, anda todo o ano em canseira.

 

Quem em Maio não merenda, aos finados se encomenda.

 

Quem em Maio relva, não tem pão nem erva.

 

Quem semeia depois de Maio, semeia para gaio.

 

Sáveis em Maio, maleitas todo o ano.

 

Trovoada de Maio depressa passa.

 

Uma água de Maio e três de Abril, valem por mil.

 

publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 01:01
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Segunda-feira, 2 de Abril de 2007

RIFONEIRO DE COURA: a Sabedoria Popular - XIII: ABRIL

      

A água que no Verão há-de regar, em Abril e Maio há-de ficar.

 

A geada de Março tira o pão do baraço e a de Abril nem ao baraço o deixa ir.

 

A sardinha de Abril é vê-la e deixá-la ir.

 

A ti chova todo o ano e a mim Abril e Maio.

 

A três de Abril o cuco há-de vir e se não vier a oito, está preso ou morto.

 

Abril chove para os homens e Maio para as bestas.

 

Abril chuvoso, Maio Ventoso, fazem o ano formoso.

 

Abril e Maio são as chaves de todo o ano.

 

Abril frio e molhado, enche o celeiro e farta o gado.

 

Abril frio traz pão e vinho.

 

Abril mete a ovelha no covil.

 

Abril molhado, ano abastado.

 

Abril, Abril, está cheio o covil.

 

Abril, abrilete, é o mês do ramalhete.

 

Abril, águas mil, cabem todas num barril.

 

Abril, águas mil, coadas por um funil.

 

Abril, águas mil, quantas mais puderem vir.

 

Abril, ora chora, ora ri.

 

Abril, tempo de cuco, de manhã molhado e à tarde enxuto.

 

Água que no Verão há-de regar, em Abril há-de ficar.

 

Águas de Abril são moios de milho.

 

Altas ou baixas, em Abril vêm a Páscoa.

 

Antes a estopa de Abril, que o linho de Março.

 

As manhãs de Abril são boas de dormir.

 

Aveia até Abril está a dormir.

 

Borreguinho de Abril, tomaras tu mil.

 

Do grão de rei contai que em Abril não há-de estar nascido nem por semear.

 

Do pão te hei-de contar, que em Abril não há-de estar nascido, nem por semear.

 

É próprio do mês de Abril as águas serem mil.

 

Em Abril a Natureza ri.

 

Em Abril abre a porta à vaca e deixa-a ir.

 

Em Abril águas mil que caibam num barril.

 

Em Abril águas mil, coadas por um funil.

 

Em Abril águas mil, coadas por um mandil.

 

Em Abril cada pulga dá mil.

 

Em Abril corta um cardo, nascerão mais de mil.

 

Em Abril deita-te a dormir.

 

Em Abril guarda o teu gado e vai onde tens de ir.

 

Em Abril pelos favais vereis o mais.

 

Em Abril queijos mil e em Maio, três ou quatro.

 

Em Abril queimou a velha, o carro e o carril; e uma cambada que ficou, em Maio a queimou.

 

Em Abril rês perdida, recobra vigor e vida.

 

Em Abril sai a bicha do covil.

 

Em Abril sai a velha do seu covil, dá uma volta e torna a vir.

 

Em Abril vai a velha onde quer ir e a sua casa vem dormir.

 

Em Abril, mau é descobrir.

 

Em Março merenda o pedaço; em Abril merenda o merendil.

 

Entre Março e Abril o cuco há-de vir.

 

Entre Março e Abril se o cuco não vier, está o fim do mundo para vir.

 

Enxame de Abril para mim e de Maio para o meu irmão.

 

Enxame de Abril vem para o covil e o de Março para o regaço.

 

Enxame de Março apanha-o no regaço, o de Abril não o deixes ir, o de Maio deixai-o fugir.

 

Frio em Abril, nas pedras vai ferir.

 

Guarda pão para Maio e lenha para Abril.

 

Inverno de Março e seca de Abril, deixam o lavrador a pedir.

 

Janeiro geoso, Fevereiro nevoso, Março mulinhoso, Abril chuvoso e Maio ventoso, fazem o ano formoso.

 

Lama por Abril vale por mil.

 

Luar de Abril, come renovos aos mil.

 

Manhãs de Abril, boas de andar e doces de dormir.

 

Março amoroso, Abril ventoso, Maio remeloso, fazem o ano formoso.

 

Março ventoso e Abril chuvoso, do bom colmear farão astroso.

 

Março ventoso, Abril chuvoso.

 

Mau é por todo o Abril ver o céu a descobrir.

 

Não há mês mais irritado do que Abril zangado.

 

Negócios no mês de Abril, só um é bom em mil.

 

No fim de Abril ninguém gabe madressilva, nem desfolhe malmequeres.

 

No princípio ou no fim, costuma Abril ser ruim.

 

Nódoa de Abril, não há mês que a tire.

 

O grão de Abril, nem por semear, nem nascido.

 

O que Abril deixa nado, Maio deixa-o espigado.

 

Páscoa e Pascoela em Abril, ditoso de quem a vil.

 

Por Abril, corta um cardo, nascerão mil.

 

Quando vem Março ventoso, Abril sai chuvoso.

 

Quem em Abril não varre a eira e em Maio não racha a lenha, anda todo o ano em canseira.

 

Rês perdida, em Abril cobra vida.

 

Se não chove em Abril, perde o lavrador couro e quadril.

 

Se não chover entre Março e Abril, venderá o rei o carro e o carril.

 

Seca de Abril deixa o lavrador a pedir.

 

Sono de Abril, deixa o teu filhote dormir.

 

Uma água de Maio e três de Abril, valem por mil.

 

Vento de Março e chuva de Abril, fazem o vinho florir.

 

Vento de Março, chuva de Abril, fazem o Maio florir e sorrir.

 

Vinha que rebenta em Abril, dá pouco vinho para o barril.

 

 

publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 18:32
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Quinta-feira, 1 de Março de 2007

RIFONEIRO DE COURA: a Sabedoria Popular - XII: MARÇO

    Março, terceiro mês, recheado em acontecimentos importantes. Neste mês nasceram o Infante Dom Henrique, “o Navegador” (4 de Março de 1394), o pintor Domingos Sequeira (10 de Março de 1768), o escritor Camilo Castelo Branco (16 de Março de 1825), o historiador Alexandre Herculano (28 de Março de 1810).

                        

    Mas também faleceram algumas das mais ilustres figuras, como o poeta Pedro Homem de Melo (5 de Março de 1984), a pintora Helena Vieira da Silva (6 de Março de 1992), o rei D. João VI, monarca do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves (10 de Março de 1826), a poetisa Natália Correia (16 de Março de 1993).

                               

    Convém assinalar mais alguns eventos políticos de grande importância que tiveram este mês como palco privilegiado. A 6 de Março de 1921 foi oficialmente fundado o Partido Comunista Português, sucessor da Federação Maximalista Portuguesa; em Março de 1962 as academias de Lisboa e Coimbra fizeram a famosa greve estudantil, que abalou os alicerces do regime salazarista; o Golpe das Caldas da Rainha, a 16 de Março de 1974, foi o pronuncio do 25 de Abril; a 11 de Março de 1975 ocorreu a tentativa de golpe de Estado por oficiais afectos ao general António de Spínola.

                                    

    Na comunicação social, assinalámos três factos de grande notabilidade: a 1 de Março de 1925 iniciaram-se as primeiras emissões regulares de rádio difusão em Portugal; a 17 de Março de 1980 iniciam-se as emissões regulares da televisão a cores em Portugal; e a 24 de Março de 1989 foram concedidos os alvarás de liberalização das rádios locais.

                           

    Portugal pediu oficialmente a adesão à Comunidade Económica Europeia a 28 de Março de 1977, a 30 de Março de 1992 foram incorporadas no Exército Português as primeiras mulheres, e a 21 de Março de 1993 foi inaugurado com luxo asiático a Centro Cultural de Belém.

                                         

    “Os Lusíadas” foram publicados pela primeira vez a 12 de Março de 1572, e a 8 de Março comemoramos um dos dias mais bonitos, dedicado a gente bonita, o Dia Internacional da Mulher. Mas o facto mais importante associado a este mês, transcendente até, ocorreu a 15 de Março de 1751, quando o rei D. José, magnânimo na sua majestática bondade, assinou o decreto real que tornava proibido e de nulo efeito o acto medieval de colocar cornos pendurados nas portas das casas dos maridos enganados..., atitude deveras higiénica, para combater a moral rústica dos inimigos do adultério. Cousa singular em costumes bárbaros!

                               

    Os campos já rebrilham (antigamente) de actividades, lavram-se as terras para a semeadura de milho e trigo, e nos climas favoráveis plantam-se o milho de sequeiro e batatas, ao mesmo tempo em que se limpam as terras cobertas de ervas daninhas invernosas, retoca-se a enxertia nos pomares.

                             

    Ao lado, o povo faz a “cava”, a amanha manual do solo, por força de braços e enxadas, para a mobilização e arejamentos dos terrenos, enquanto nas adegas se engarrafa os vinhos, após a retirado do cheiro de mofo do vasilhame, e nas hortas o plantio das hortaliças é incrementado. O mês é propício e até as galináceas colaboram com o aumento da postura de ovos, à porta dum tempo mais primaveril.

                              

    Falta apurar a origem da denominação para este mês, longo como um pedregoso caminho. O agora terceiro mês do ano, já teve honras merecidas de primeiro no antigo calendário romano, e é consagrado a Marte, deus da guerra na mitologia romana, do latim Martius.

                                        

    Os romanos, que eram dados a estas coisas, ergueram-lhe estátuas divinatórias, onde o apresentam como um homem hercúleo coberto por uma pele de loba, alusiva à terna loba que cerceou a fome e alimentou os fundadores de Roma, os lendários Rómulo e Remo, claro, inaudita proeza no prodigioso tempo em que as lobas eram dadas as estas carícias úberes e alimentícias.

                                      

    A esta divindade estavam associadas simbolicamente a cabra, a ave picanço e a árvore nogueira, na medida em que Marte também era o deus da fertilidade do gado, dos campos e da vegetação, flama sagrada que centuplica a vida, profusa dádiva da natureza.

                                     

    Etimologicamente a designação deste nome, Março, parece ter origem em maris, com o sentido de «macho, do sexo masculino». Do deus Marte derivaram outros vocábulos, como marcial (belicoso), e marciano (relativo ao planeta Marte), e os antropónimos Marçal, Marcial, Marciana, e talvez também Marcelo, cuja etimologia é duvidosa.

                                       

    Portanto, o deus Marte, poderoso certamente, influenciou de tal modo a humanidade, a ponto de quase todas as línguas usaram-no para denominar este mês. Assim temos Marzo em galego, castelhano e italiano, Març em catalão, Mars em francês, Martzu no dialecto da Sardenha, Marzu no dialecto da Sicília, Martie na Roménia, todas línguas novilatinas.

                                   

    Mas o fenómeno repete-se por toda a Europa: Marts na Dinamarca, Mars em sueco e norueguês, Marz no alemão, March em inglês, Maart no holandês, e também no País Basco, Martxo. A matriz marciana prolonga-se por esse mundo fora, com Mart no turco, Maret no bahasa indonésio, e um infindável carrear de exemplos que a paciência do leitor dispensa.

                                           

    Estão ali a acenar para cortar os voadouros, e convém passar aos provérbios antes que esfuzilem relâmpagos e coriscos.

 

A geada de Março tira o pão do baraço e a de Abril nem ao baraço o deixa ir.

 

Água de Março é pior que nódoa no fato.

 

Aí vem o meu irmão Março, que fará o que eu não faço.

 

Antes a estopa de Abril, que o linho de Março.

 

Bodas em Março é ser madraço.

 

Cavas em Março e arrenda pelo S. João, todos o sabem e poucos o dão.

 

Dia de Março, dia de três ventos.

 

Em Março aquece cada dia um pedaço.

 

Em Março cresce cada dia um pedaço.

 

Em Março deita-te um pedaço.

 

Em Março espetam-se as rocas e sacham-se as hortas.

 

Em Março merenda o pedaço; em Abril merenda o merendil.

 

Em Março merendica e folgaço.

 

Em Março nem migas, nem couves, nem esparto.

 

Em Março nem rabo-de-gato molhado.

 

Em Março o pão com o mato, a noite com o dia e o Pedro com a Maria.

 

Em Março onde quero eu passo.

 

Em Março ouga a erva com o sargaço.

 

Em Março queima a velha o maço.

 

Em Março tanto durmo como faço.

 

Em Março, as noites com os dias e os centeios com os matos.

 

Em Março, de manhã pinga a telha e à tarde sai a abelha.

 

Em tardes de Março recolhe teu gado.

 

Em vinte e cinco de Março, se o cuco não se ouvir, ou é morto ou não quer vir.

 

Entre Março e Abril o cuco há-de vir.

 

Entre Março e Abril se o cuco não vier, está o fim do mundo para vir.

 

Enxame de Abril vem para o covil e o de Março para o regaço.

 

Enxame de Março apanha-o no regaço, o de Abril não o deixes ir, o de Maio deixai-o fugir.

 

Fiandeira não ficaste, porque em Março não fiaste.

 

Inverno de Março e seca de Abril, deixam o lavrador a pedir.

 

Janeiro geoso, Fevereiro nevoso, Março mulinhoso, Abril chuvoso e Maio ventoso, fazem o ano formoso.

 

Março aguaço.

 

Março amoroso, Abril ventoso, Maio remeloso, fazem o ano formoso.

 

Março baço, a noite com o dia, o pão com folgaço.

 

Março chove cada dia um pedaço.

 

Março chuvoso, S. João farinhoso.

 

Março de ano bissexto, muita fome e muito mortaço.

 

Março liga a noite com o dia, o Manel com a Maria, o pão com o pato e a erva com o baraço.

 

Março marçagão, cura meadas, esteiras não.

 

Março marçagão, de manhã cara de anjo, à noite cara de ladrão.

 

Março marçagão, de manhã cara de rainha, de tarde corta com a foucinha.

 

Março marçagão, de manhã focinho de cão, ao meio-dia de rainha e à noite de fuinha.

 

Março marçagão, manhãs de Inverno, tardes de Verão.

 

Março marcegão, pela manhã rosto de cão, e à tarde de bom Verão.

 

Março marceja, pela manhã chove e à tarde colmeja.

 

Março molha o rabo ao gato, se Fevereiro ficar farto.

 

Março molinhoso, S. João farinhoso.

 

Março o cria, Março o fia.

 

Março pardo, antes enxuto que molhado.

 

Março queima a dama no paço.

 

Março ventoso e Abril chuvoso, do bom colmear farão astroso.

 

Março ventoso, Abril chuvoso.

 

Março virado de rabo, é pior que o Diabo.

 

Março zangado é pior que o Diabo.

 

Nasce a erva em Março, ainda que lhe dêem com um maço.

 

O grão em Março, nem na terra, nem no saco.

 

Páscoa em Março, ou fome ou mortaço.

 

Poda em Março, vindima no regaço.

 

Quando em Março arrulha a perdiz, ano feliz.

 

Quando vem Março ventoso, Abril sai chuvoso.

 

Quem em Março açoreou, tarde acordou, mas quem a sua maçaroca ficou, com ela se achou.

 

Quem em Março não merenda, aos mortos se encomenda.

 

Quem em Março relva, não tem pão nem erva.

 

Quem não poda até Março, vindima no regaço.

 

Se queres bom cabaço, semeia em Março.

 

Se trovejar em Março, semeia altos e baixos.

 

Sol de Março, queima a dama no paço.

 

Vento de Março e chuva de Abril, fazem o vinho florir.

 

Vento de Março, chuva de Abril, fazem o Maio florir e sorrir.

 

Vinho de Março, nem vai ao regaço.

 

publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 01:00
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Quinta-feira, 1 de Fevereiro de 2007

RIFONEIRO DE COURA: a Sabedoria Popular - XI: FEVEREIRO

    O calendário não pára na sua marcha inexorável, rumo a um tempo que o homem teima em querer controlar, numa vã luta contra-relógio, mas o tempo foge como a espuma e areia na maré baixa. Vamos a caminho do segundo mês, mais uma página que se volta.

 

    Há muito que fazer, pois desta feita o mês tem somente 28 ou 29 dias, caso seja comum ou bissexto. Nos currais o gado vacum que acabou de parir é sustentado a seco, com feno, palha e água de farinha e nascem também os bacorinhos primaveris. Nos campos é preciso concluir a limpeza dos matos, e a aplicação de estrumes fosfatados. A partir da segunda quinzena, inicia-se a enxertia dalgumas árvores, pereiras e macieiras.

 

    Enquanto se faz isto tudo e muito mais, vamos ver as origens deste mês, que pese embora seja hoje o segundo, já ocupou o décimo e último lugar no primitivo calendário romano reformado por Numa Pompílio.

 

    A mitologia romana tinha uma divindade, Febro, encarregue de zelar pelo descanso dos mortos e pelos enfermos, a quem se dedicava uma festividade, cujos rituais se denominavam februare, purificar. Portanto, februarius era o «mês da purificação», altura em que se celebrava a festa da expiação, a februorum, as «festas religiosas de expiação e purificação».

 

    Nessa ocasião faziam-se sacrifícios noctívagos à luz de tochas em honra dos mortos, sendo encerrados os demais templos doutros deuses. Não pela importância primordial do deus Febro, mas pelo respeito e culto dos entes falecidos, esse sim, um conceito venerado e arreigado. Já diz o povo na sua milenar sabedoria: «dos mortos dizei sempre bem, aos mortos façais sempre o bem».

 

    Mas para realçar a tal importâncias das «februa», convém lembrar que a sua suma importância resultava também do facto de serem as solenidades que assinalavam o fim de ano, altura ideal para se fazerem as necessárias purificações redentoras de todos os males que por fraqueza humana se cometiam ao longo do ano. Aliás, festejos convenientes e similares ainda seriam de grande utilidade hoje em dia...

 

    Caio Júlio César (100 a. C + 44 a. C), o famoso general e estadista romano, quando reformou o calendário achou por bem transferir o mês de Fevereiro do último lugar para o segundo mês, e retirou-lhe um dia que acrescentou ao seu próprio mês, Julius, «Julho».

 

    Mais tarde, outro dia lhe foi retirado, desta feita para acrescer ao mês de Agosto, assim chamado em homenagem ao imperador Caio Júlio César Octávio Augusto. E por causa desta ambição alheia, ficou diminuído em dois dias o mês de Fevereiro.

 

    Aquela divindade, Febro, está igualmente na origem da sua designação noutras línguas: Février em francês, Febrero em castelhano, Febrer em catalão, Febreiro em galego, Febbraio em italiano, Frivaghju na Córsega, Frearzu no dialecto da Sardenha, February em inglês, Februar em alemão, dinamarquês e norueguês, e Februari em sueco.

 

    Agora vamos aos ditos populares acerca deste mês, expressão quase inalterável do saber geracional, parte relevante da nossa cultura popular.

 

A água de Fevereiro mata o onzeneiro.

 

A caça da ria em Fevereiro caga para o espingardeiro.

 

A castanha e o besugo em Fevereiro não tem sumo.

 

A Fevereiro e ao rapaz perdoa-se quanto faz, desde que o Fevereiro não seja secalhão, nem o rapaz ladrão.

 

Água de Fevereiro enche o celeiro.

 

Aveia de Fevereiro enche o celeiro.

 

Chuva de Fevereiro mata o onzeneiro.

 

Chuva de Fevereiro vale um estrumeiro.

 

Em Fevereiro cada sulco seu regueiro.

 

Em Fevereiro chega-te ao fumeiro.

 

Em Fevereiro chuva, em Agosto uva.

 

Em Fevereiro deixa a fonte e vai ao ribeiro.

 

Em Fevereiro enche a velha o fumeiro.

 

Em Fevereiro entra o sol em qualquer regueiro.

 

Em Fevereiro larga a fonte e vai ao ribeiro.

 

Em Fevereiro mete o teu obreiro.

 

Em Fevereiro neve e frio, é de esperar calor no estio.

 

Em Fevereiro quer-se o rio cheio.

 

Em Fevereiro sobe ao outeiro, se vires verdejar põe-te a chorar, se vires a terrear, põe-te a cantar.

 

Em Fevereiro sobe ao outeiro; se vires o trigo luzir, põe-te a rir; se o vires verdejar, põe-te a chorar.

 

Fevereiro a ferreiro não leva dinheiro.

 

Fevereiro afoga a mãe no ribeiro.

 

Fevereiro com as suas feveretas.

 

Fevereiro couveiro faz a perdiz ao poleiro.

 

Fevereiro coxo, em seus dias vinte e oito.

 

Fevereiro da maldição, quando tem ferro não tem carvão.

 

Fevereiro engana as velhas no soalheiro.

 

Fevereiro enganou a mãe ao soalheiro.

 

Fevereiro enxuto rói mais que todos os ratos do mundo.

 

Fevereiro faz dia e logo Santa Maria.

 

Fevereiro feveroso, Março escavernoso, Abril ventoso e Maio remeloso fazem o ano formoso.

 

Fevereiro grãozeiro.

 

Fevereiro não quer mulher ao soalheiro.

 

Fevereiro quente não vejas tu nem o teu parente.

 

Fevereiro quente trás o Diabo no ventre.

 

Fevereiro quer-se o rio cheio.

 

Fevereiro recouveiro afaz a perdiz ao poleiro.

 

Fevereiro, fêveras de frio e não de linho.

 

Fevereiro, o mais curto mês e menos cortês.

 

Fevereiro, rego cheio.

 

Inverno que não vem em Janeiro, vem dois em Fevereiro.

 

Janeiro e Fevereiro enchem e vazam o celeiro.

 

Janeiro geoso, Fevereiro nevoso, Março mulinhoso, Abril chuvoso e Maio ventoso, fazem o ano formoso.

 

Lá vem Fevereiro, que leva a ovelha e o carneiro.

 

Não chovendo em Fevereiro, não há bom prado nem bom colmeiro.

 

Neve de Fevereiro, presságio de mau celeiro.

 

Neve em Fevereiro não faz bom celeiro.

 

O Fevereiro mata a mãe no ribeiro.

 

O mês de Janeiro e Fevereiro, ou enche ou vaza o espigueiro.

 

Os bons dias em Janeiro vêm-se a pagar em Fevereiro.

 

Para parte de Fevereiro guarda lenha no quinteiro.

 

Quando não chove em Fevereiro, muito mau é para o celeiro.

 

Quando não chove em Fevereiro, não há bom prado nem bom centeio.

 

Quando não chove em Fevereiro, nem bom centeio nem bom lameiro.

 

Quando não chove em Fevereiro, nem bom prado nem bom centeio.

 

Quando não chove em Fevereiro, nem prados nem centeio.

 

Quer no começo, quer no fundo, em Fevereiro vem o Entrudo.

 

Se queres ser bom grãozeiro, semeia-o em Fevereiro.

 

Sou Fevereiro, mês dos temporais; destruo casas e rebento portais.

 

 

 

publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 12:00
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Domingo, 14 de Janeiro de 2007

RIFONEIRO DE COURA: a Sabedoria Popular - X

ADÁGIOS SOBRE O ANO.

 

A ti chova todo o ano, e a mim Abril e Maio.

 

Ano caro, padeira em todo o cabo.

 

Ano de neves, ano de bens.

 

Ano de neves, muito pão e muitas crescentes.

 

Ano de ovelhas, ano de abelhas.

 

Ano de peras, nem de beberas, nunca o vejas.

 

Ano nevoso, ano formoso.

 

Cevada sobre o esterco espera cento; se o ano for molhado, perde o cuidado.

 

Dia de barba, semana de porco, ano de casado.

 

Em ano bom o grão é feno, e em ano mau a palha é grão.

 

Em ano chuvoso, o diligente é preguiçoso.

 

Entre Abril e Maio, moenda para o ano.

 

Foi Maria ao banho, teve que contar todo o ano.

 

Homem necessitado, cada ano apedrejado.

 

Janeiro geoso, Fevereiro nervoso, Março mulinhoso, Abril chuvoso, Maio ventoso, fazem ano formoso.

 

Longo e estreito, como o ano mau.

 

Maior é o ano que o mês.

 

Mais pó faz o ano que o campo bem lavrado.

 

Mau ano hás-de aguardar, por não empeorar.

 

Melhor é ano tardio que ano vazio.

 

Não digas mal do ano até que esteja passado.

 

Não há mal que cem anos dure, nem bem que os ature.

 

Não há mau ano por muito pão.

 

Não há mau ano por pedra, mas ai de quem acerta.

 

O mau ano entra nadando.

 

O que perde o mês, não perde o ano.

 

Pão e vinho, um ano meu outro do meu vizinho.

 

Quem bem se estreia, bom ano lhe venha.

 

Quem num ano quer ser rico, ao meio o enforcam.

 

Quem veste ruim pano, veste duas vezes no ano.

 

Remenda o pano, durar-te-á outro ano.

                            

Remenda o teu pano, que chega até pró ano; volata a remendar, que volta a chegar.

                

Uma sebe dura três anos, três sebes um cão, três cães um cavalo, três cavalos um homem, três homens um corvo, três corvos um elefante.

 

Uma vez no ano, essa com dano.

 

 

publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 01:01
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Segunda-feira, 1 de Janeiro de 2007

RIFONEIRO DE COURA: a Sabedoria Popular - IX: JANEIRO

    Ano novo, vida nova, e ano novo é sinónimo de Janeiro, o primeiro mês do ano moderno, O primeiro, agora, porque nem sempre foi assim, pois nos tempos da antiguidade romana este era somente o undécimo mês. Foi Numa Pompílio, o segundo dos sete reis de Roma, que alterou o calendário civil, e por ser grande devoto do deus Jano, mandou edificar um templo e a quem consagrou esse mês, que começou então a ser o primeiro.

 

    Esta antiquíssima divindade é representada com um rosto hirsuto, de duas faces, com uma vara numa mão e na outra uma chave, embora outras representações, apresentam-no com o número 365 gravado, para expressar a duração do ano. Tinha simbolicamente dois rostos para exercer o poder tanto na terra, como no céu, mas também para ver o passado e o futuro. Superintendia ao início do ano por ser o deus do princípio.

 

    Era o primeiro a ser evocado nas cerimónias religiosas, por presidir às portas do céu, mas também pelo importante facto de ser através dele que as preces e os pedidos humanos chegavam ao conclave celestial, onde repousavam os demais deuses do fastio da eternidade.

 

    Jano, do latim janua, tem o significado de «porta», «entrada», por onde, logicamente, entra o novo ano. O primeiro mês a ele consagrado recebeu a designação de januarius, Janeiro.

 

    O povo, que é sagaz, observador, soube apreciar as virtudes e defeitos, grandeza e misérias deste primeiro mês, e talvez por isso seja aquele que mais sentenças populares reúne em seu torno. Eis aqui uma colectânea.

 

A água de Janeiro vale dinheiro.

 

A galinha de Janeiro vai pôr com a mãe ao colmeiro.

 

Água de Janeiro todo o ano tem concerto.

 

Ano de neve, paga o que deve.

 

Ao galgo mais lebreiro, foge a lebre em Janeiro.

 

Ao luar de Janeiro, vê-se raposa no outeiro.

 

Ao minguante de Janeiro, corta o madeiro.

 

Aproveite Janeiro quem folgar em Fevereiro.

 

Bacon de Janeiro com seu pai vai ao fumeiro.

 

Boa noite após mau tempo em Janeiro, traz depressa chuva ou vento.

 

Bom tempo no Janeiro e mau no estio, bom ano de fome, mau ano de frio.

 

Bons dias em Janeiro vêm a pagar-se em Fevereiro.

 

Branco em Janeiro, sinal de pouco dinheiro.

 

Calça branca em Janeiro é sinal de pouco dinheiro.

 

Canta o melro em Janeiro, temos neve até ao rolheiro.

 

Carne de mocho em Janeiro é melhor que de carneiro.

 

Chuva de Janeiro e não frio vai dar riqueza ao estio.

 

Chuva de Janeiro, cada gota vale dinheiro.

 

Coelho em Janeiro é cavalheiro.

 

Comer laranjas em Janeiro é dar que fazer ao coveiro.

 

De flores de Janeiro ninguém enche o celeiro.

 

De Janeiro a Fevereiro o dinheiro é do banqueiro.

 

Em Janeiro casa-te, companheiro.

 

Em Janeiro deixa a fonte e vai ao ribeiro.

 

Em Janeiro deixa o rábano ao rabaneiro.

 

Em Janeiro junta a perdiz ao parceiro.

 

Em Janeiro mete obreiro, mês meante que não ante.

 

Em Janeiro nem galgo Laboreiro, nem açor perdigueiro.

 

Em Janeiro o boi e o leitão engordarão.

 

Em Janeiro pasta a lebre no lameiro e o coelho à beira do regueiro.

 

Em Janeiro seca a ovelha e suas madeixas ao fumeiro.

 

Em Janeiro sete capelos e um sombreiro.

 

Em Janeiro sete casacos e um sombreiro.

 

Em Janeiro sobe o outeiro. Se vires verdejar, põe-te a chorar, se vires terrear, põe-te a cantar.

 

Em Janeiro têm os dias um saltinho de carneiro.

 

Em Janeiro todo o burro é sendeiro.

 

Em Janeiro todo o cavalo é sendeiro.

 

Em Janeiro um porco ao sol, outro ao fumeiro.

 

Em Janeiro, cada pinga mata seu grãeiro.

 

Em Janeiro, meia o celeiro; se o vires meado, come regrado.

 

Frango de Janeiro canta à meia-noite em ponto.

 

Goraz de Janeiro vale um carneiro.

 

Inverno que não vem em Janeiro, vem dois em Fevereiro.

 

Janeiro e Fevereiro enchem e vazam o celeiro.

 

Janeiro fora, cresce o dia mais uma hora.

 

Janeiro fora, mais uma hora, e quem bem contar hora e meia há-de achar.

 

Janeiro frio e molhado, enche a tulha e farta o gado.

 

Janeiro frio ou temperado passa-o enroupado.

 

Janeiro geadeiro, nem boa meda, nem bom palheiro.

 

Janeiro geoso, Fevereiro nevoso, Março mulinhoso, Abril chuvoso e Maio ventoso, fazem o ano formoso.

 

Janeiro greleiro não enche celeiro.

 

Janeiro mijão, não dá palha nem pão.

 

Janeiro molhado não é bom para o pão, mas é bom para o gado.

 

Janeiro molhado se não cria pão, cria gado.

 

Janeiro quente, traz o Diabo no ventre.

 

Janeiro quer-se geadeiro.

 

Janeiro tem uma hora por inteiro.

 

Janeiro, cada sulco seu regueiro.

 

Laranjas em Janeiro dá que fazer ao coveiro.

 

Lua a de Janeiro e amor o primeiro.

 

Luar de Janeiro não tem parceiro, mas o de Agosto dá-lhe no rosto.

 

Luar de Janeiro não tem parceiro.

 

Minguante de Janeiro corta madeiro.

 

Não há luar como o de Janeiro, nem amor como o primeiro.

 

No primeiro de Janeiro, sobe ao outeiro para ver o nevoeiro.

 

O boi e o leitão em Janeiro engordarão.

 

O bom tempo de Janeiro faz o ano galhofeiro.

 

O mês de Janeiro e Fevereiro, ou enche ou vaza o espigueiro.

 

Obreiro em Janeiro pão te comerá, mas obra te fará.

 

Os bons dias em Janeiro vêm-se a pagar em Fevereiro.

 

Os escalos em Janeiro têm sabor de carneiro.

 

Pinto de Janeiro vai pôr atrás do solheiro.

 

Pinto de Janeiro vai pôr com sua mãe ao colmeiro.

 

Quem não traz calças em Janeiro, não empresta o teu dinheiro.

 

Sapatos brancos em Janeiro, sinal de pouco dinheiro.

 

Se Janeiro não tiver trinta e uma geadas, tem de as pedir emprestadas.

 

Se queres ser bom ervilheiro, semeia no crescente de Janeiro.

 

Se queres ser bom milhareiro, faz o alqueire em Janeiro.

 

Se queres um bom alheiro, planta alhos em Janeiro.

 

Sol de Janeiro anda sempre atrás do outeiro.

 

Trovão de Janeiro, nem bom prado, nem bom palheiro.

 

 

 

publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 01:01
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Quinta-feira, 7 de Dezembro de 2006

RIFONEIRO DE COURA: a Sabedoria Popular - VIII

Dezembro caça ao javali no Livro de Horas do Duque de Berry

Caindo o Natal à segunda-feira pode o lavrador alugar a eira.

Dezembro com Junho ao desafio, traz Janeiro frio.

Dezembro frio, calor no estio.

Dezembro molhado, Janeiro geado.

Dezembro ou seca as fontes ou levanta as pontes

Dezembro quer lenha no lar e pichel a andar.

Em Dezembro a uma lebre galgos cento.

Em Dezembro ande o frio por onde andar, pelo Natal há-de chegar.

Em Dezembro chuva, em Agosto uva.

Em Dezembro descansa, em Janeiro trabalha.

Em Dezembro descansa, mas não durmas.

Em Dezembro descansar para em Janeiro trabalhar.

Em Dezembro dos Santos ao Natal é Inverno natural.

Em Dezembro lenha e dorme.

Em Dezembro quem vai ao S. Silvestre, vai um ano, vem no outro e não se despe.

Em Dezembro quem vareja antes do Natal, deixa azeite no olival.

Em Dezembro se queres bom alhal, semeia-o pelo Natal.

Em Dezembro treme o frio em cada membro.

Em Dezembro vinho, azeite e amigo sempre do mais antigo.

Laranja antes do Natal livra o catarral.

Não há Dezembro valente que não trema.

Natal a assolhar, Páscoa ao luar.

Natal à segunda-feira, lavrador alarga a eira.

Natal ao sol, Páscoa ao fogo, fazem o ano famoso.

Natal na praça, Páscoa em casa, Espírito Santo em campo, faz o ano franco.

Nem em Agosto caminhar, nem em Dezembro marear.

Pelo Natal, neve no monte, água na ponte.

Se os pepinos dessem em Dezembro, ninguém os comeria.

 

 

publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 16:16
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Sábado, 11 de Novembro de 2006

S. Martinho

S. Martinho

S. Martinho na História: S. Martinho de Tours ou simplesmente S. Martinho, nasceu na Panónia, actual território da Hungria, no ano de 316, filho dum oficial do exército romano. Aos 16 anos de idade, sendo já catecúmeno – aquele que se prepara e instrui para o baptismo – entrou para o exército, onde atingiu o posto de oficial da Guarda Imperial. Abandonou a vida castrense, e como discípulo de Santo Hilário recebeu ordens sacras de frade em 354.

 

Em 361 fundou um mosteiro em Ligugé (Poitiers, França), sendo ordenado bispo de Tours em 371, e foi o maior propagador da fé da Gália, hoje França. Faleceu em 397, e durante muitos séculos foi um dos santos mais populares da Europa, cuja memória litúrgica é comemorada a 11 de Novembro, data em que foi enterrada em Tours, França.

 

S. Martinho na lenda: No ano de 338, quando ainda era militar do exército imperial romano, durante uma ronda nocturna no rigor dum impiedoso Inverno encontrou um pobre seminu que lhe implora caridade, a quem querendo acudir e como não tinha dinheiro, sacou da sua capa, e cortou-a ao meio para a partilhar com o desconhecido. Na noite seguinte, durante o sonho viu Jesus vestido com aquela porção de capa, que lhe agradeceu ter-lhe dado metade da mesma.

 

Outra versão da lenda, relata que partilhou a sua capa com um soldado pobre e roto. A lenda de S. Martinho, nasceu, segundo algumas versões, quando algumas árvores floriram durante o trajecto em que o seu corpo foi levado de Candes, onde faleceu, até Tours, onde seria sepultado.

                      

Seja como for, e conforme reza a lenda, todos os anos nos primeiros dias de Novembro desponta sempre um Sol de Estio para recordar o bondoso gesto de S. Martinho, e por esses dias o céu e a terra aquecem, de modo a que mais nenhum ser humano passe o tremendo frio que assolou o mendigo dos tempos lendários. Sol radioso a que o povo chama «Verão de S. Martinho».

                         

S. Martinho e Coura: Em Paredes de Coura como seu orago temos a freguesia de S. Martinho de Coura, e o caso particular de Vascões, embora oficialmente o orago seja S. Pedro, foi conhecida durante muito tempo por S. Martinho de Vascões.

 

Provérbios de S. Martinho:

 

  • A cada bacorinho vem o seu S. Martinho.
  • A cada porco vem o seu S. Martinho.
  • As geadas de S. Martinho levam a carne e o vinho.
  • Dia de S. Martinho vai à loja e prova o vinho.
  • Dia de S. Martinho, lume, castanhas e vinho.
  • Dos Santos a S. Martinho são nove dias de pão e vinho.
  • Em dia de S. Martinho atesta e abatoca o teu vinho.
  • Em Novembro S. Martinho vai à adega e prova o vinho.
  • Em Novembro S. Martinho, lume, castanhas e vinho.
  • Em Novembro se queres pasmar teu vizinho, lavra, sacha e esterca pelo S. Martinho.
  • No dia de S. Martinho assa castanhas e molha-as em vinho.
  • No dia de S. Martinho fura-se o pipinho, mas quem for honrado já o deve ter furado.
  • No dia de S. Martinho mata o teu porco e bebe o teu vinho.
  • No dia de S. Martinho mata teu porco, chega-te ao lume, assa as castanhas e bebe o teu vinho.
  • No dia de S. Martinho vai à adega e prova o vinho.
  • No dia de S. Martinho, come-se castanhas e bebe-se vinho.
  • No dia de S. Martinho, fura o teu pipinho.
  • No dia de S. Martinho, lume, castanhas e vinho.
  • No dia de S. Martinho, mata o teu porco e bebe o teu vinho.
  • No dia de S. Martinho, mata o teu porco, chega-te ao lume, assa castanhas e prova o teu vinho.
  • No dia de S. Martinho, vai à adega e prova o teu vinho.
  • Novembro pelo S. Martinho, comem-se as castanhas e prova-se o vinho.
  • Novembro pelo S. Martinho, mata teu porco e bebe o teu vinho.
  • Novembro pelo S. Martinho, nem nado, nem cabecinho.
  • Novembro pelo S. Martinho, prova o teu vinho; ao cabo de um ano já te faz dano.
  • Novembro pelo S. Martinho, semeia o teu cebolinho.
  • O Sete-Estrelo pelo S. Martinho, vai de bordo a bordinho; à meia-noite está a pino.
  • Pelo S. Martinho abatoca o pipinho.
  • Pelo S. Martinho bebe o vinho, deixa a água para o moinho.
  • Pelo S. Martinho castanhas assadas, pão e vinho.
  • Pelo S. Martinho deixa a água para o moinho.
  • Pelo S. Martinho mata o teu porquinho e semeia o teu cebolinho.
  • Pelo S. Martinho prova o teu vinho; ao cabo de um ano já não te faz dano.
  • Pelo S. Martinho semeia o teu cebolinho.
  • Pelo S. Martinho todo o mosto é bom vinho.
  • S. Martinho bebe o vinho, deixa a água para o moinho.
  • Se o Inverno não erra o caminho, tê-lo-ei pelo S. Martinho.
  • Se queres pasmar o teu vizinho, lavra, sacha e esterca pelo S. Martinho.
  • Verão de S. Martinho são três dias e mais um bocadinho.
  • Vindima em Outubro que o S. Martinho to dirá.

 

 

 

publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 05:51
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Quarta-feira, 1 de Novembro de 2006

RIFONEIRO DE COURA: a Sabedoria Popular - VII

Novembro camponês derruba com vara as bolotas, segundo o Livro de Horas do Duque de Berry

NOVEMBRO

 

Cava fundo em Novembro, para plantares em Janeiro.

 

Em Novembro chuva, frio e sol e deixa o resto.

 

Em Novembro S. Martinho, lume, castanhas e vinho.

 

Em Novembro S. Martinho vai à adega e prova o vinho.

 

Em Novembro se queres pasmar teu vizinho, lavra, sacha e esterca pelo S. Martinho.

 

Novembro à porta, geada na horta.

 

Novembro é quente no começo e frio no fim.

 

Novembro pelo S. Martinho, comem-se as castanhas e prova-se o vinho.

 

Novembro pelo S. Martinho, mata teu porco e bebe o teu vinho.

 

Novembro pelo S. Martinho, nem nado, nem cabecinho.

 

Novembro pelo S. Martinho, prova o teu vinho; ao cabo de um ano já te faz dano.

 

Novembro pelo S. Martinho, semeia o teu cebolinho.

 

Novembro pelos Santos, neve pelos campos.

 

Novembro põe tudo a secar, pode o sol não tornar.

 

publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 14:53
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Domingo, 1 de Outubro de 2006

RIFONEIRO DE COURA: a Sabedoria Popular - VI

Outubro lavrar e semear a terra no Livro de Horas do Duque de Berry 

OUTUBRO

 

Com a vinha em Outubro, come a cabra, engorda o boi e ganha o dono.

                 

Em Outubro centeio ruivo.

                            

Em Outubro não fies só lã; recolhe teu milho e feijão, senão de Inverno tens a tua barriga em vão.

                   

Em Outubro o fogo ao rubro.

                             

Em Outubro o lume já é amigo.

                    

Em Outubro S. Simão, favas no chão.

                               

Em Outubro sê prudente; guarda pão, guarda semente.

                 

Outubro chuvoso torna o lavrador venturoso.

                         

Outubro erveiro, guarda para Março o palheiro.

                            

Outubro nublado, Janeiro molhado.

                 

Outubro pega tudo.

            

Outubro quente traz o Diabo no ventre.

                         

Outubro secão, negaças de verão.

               

Outubro sisudo, recolhe tudo.

                                   

Outubro vaca para o palheiro e porco para o outeiro.

                                           

Quando Outubro for erveiro, guarda para Março o Palheiro.

                          

Quem planta no Outono leva um ano de abono.

                             

Vindima em Outubro que S. Martinho te dirá.

 

publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 18:10
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Sábado, 2 de Setembro de 2006

RIFONEIRO DE COURA: a Sabedoria Popular - V

 

Setembro, mês da vindima no Livro de Horas do Duque de Berry Setembro, mês da vindima no Libro de Horas do Duque de Berry.

                                                                                                                   

Setembro

                     

Chuvas verdadeiras, em Setembro as primeiras.

 

Em Setembro ardem os montes e secam as fontes.

 

Em Setembro ramo curto, vindima longa.

 

Em Setembro S. Mateus, não peças chuva a Deus.

 

Em Setembro, S. Miguel soalheiro enche o celeiro.

 

Em Setembro secam as fontes e as chuvas lavam as pontes.

 

Em Setembro semeia o teu pão.

 

Se em Setembro a cigarra cantar, não compres trigo para guardar.

 

Setembro cara de poucos amigos, cara de figos.

 

Setembro é o Maio do Outono.

 

Setembro molhado, figo estragado.

 

Setembro ou seca as fontes, ou leva açudes e pontes.

 

Setembro que enche o celeiro dá triunfo ao rendeiro.

 

publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 18:46
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Quarta-feira, 9 de Agosto de 2006

RIFONEIRO DE COURA: a Sabedoria Popular - IV

Agosto

 

Primeiro de Agosto, primeiro de Inverno.

 

Água de Agosto, açafrão, mel e mosto.

 

Agosto chuvoso é ano formoso.

 

Agosto dá o sol no rosto.

 

Agosto e vindima vem cada ano, uns com ganância, outros com dano.

 

Agosto madura, Setembro vindima.

 

Agosto nos farta, Agosto nos mata.

 

Ande o ano por onde andar, o mês de Agosto há-de aquentar.

 

Até quinze de Agosto malha a teu gosto.

 

Em Agosto malha suor no teu rosto.

 

Cava e esterca em Agosto ao lavrador alegra o rosto.

 

Cava em Agosto, enche o tonel de mosto.

 

Corra o ano como for, haja em Agosto e Setembro calor.

 

Corra o ano como correr, o mês de Agosto há-de aquecer.

 

Em Agosto aguilhoa o preguiçoso e sê cuidadoso.

 

Em Agosto ardem os montes e secam as fontes.

 

Em Agosto dá o Sol pelo rosto.

 

Em Agosto espingarda ao rosto.

 

Em Agosto malha a teu gosto.

 

Em Agosto, palhas ao palheiro, meninas ao candeeiro.

 

Em Agosto, sardinha e mosto.

 

Em Agosto secam os montes, em Setembro as fontes e o Outubro seca tudo.

 

Em Agosto toda a fruta tem o seu gosto.

 

Lá vem Agosto com seus santos ao pescoço.

 

Lua nova de Agosto carregou, lua nova de Outubro trovejou.

 

Luar de Agosto dá-lhe no rosto.

 

Não há casamento em Agosto que não tenha desgosto.

 

Nem em Agosto caminhar, nem em Dezembro marear.

 

O mês de Agosto será gaiteiro se for bonito o primeiro de Janeiro.

 

Quem Agosto ara, riqueza prepara.

 

Quem cava a vinha em Agosto, enche a cuba de mosto.

 

Quem debulha em Agosto, debulha com mau gosto.

 

Quem dormir ao Sol de Agosto, passa por desgosto.

 

Se queres ver teu homem morte dá-lhe couves em Agosto.

 

publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 01:10
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Sábado, 1 de Julho de 2006

RIFONEIRO DE COURA: a Sabedoria Popular - III

Julho

 

Em Julho abafadiço fica a abelha no cortiço.

 

Em Julho ceifo o trigo e o debulho, e em o vento soprando o vou limpando.

 

Em Julho nunca a água no rio fez barulho.

 

Em Julho reina o gorgulho.

 

Em Julho tudo farás, só o teu verde não ceifarás.

 

Julho ceifa-se o trigo e o debulho.

 

Julho quente, seco e ventoso, trabalha sem repouso.

 

Julho quente traz o Diabo no ventre.

 

Por todo o mês de Julho o celeiro atulho.

 

Quem trabalha em Julho para si trabalha.

 

Julho, colheita do feno e tosar as ovelhas, no Livro de Horas do Duque de Berry

publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 10:00
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Sábado, 10 de Junho de 2006

RIFONEIRO DE COURA: a Sabedoria Popular - II

Junho

 

A chuva de S. João tolhe a vinha e não dá pão.

 

Ande o Verão por onde andar pelo S. João há-de chegar.

 

Em Junho abafadiço fica a abelha no cortiço.

 

Em Junho foicinha no punho.

 

Guarda lenha para Abril, pão para Maio e o melhor tição para o S. João.

 

Junho calmoso, ano famoso.

 

Junho chuvoso, ano perigoso.

 

Junho floreiro, paraíso verdadeiro.

 

Junho quente, Julho ardente.

 

Lavra pelo S. João e terás palha e pão.

 

Pelo S. João deve o milho cobrir o chão.

 

Pintos de S. João pela Páscoa ovos dão.

 

Sol de Junho madruga muito.

 

Sol de Junho amadura tudo.

 

Um bom madeiro pelo S. João há-de ter boa aceitação.

publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 08:29
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Quinta-feira, 30 de Março de 2006

RIFONEIRO DE COURA: a Sabedoria Popular

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    Os ditos e os provérbios fazem parte integrante da cultura popular e duma velhíssima tradição oral de transmissão de conhecimentos, duma riqueza etnográfica.

 

    De qualquer maneira, os ditos populares, são, essencialmente uma ponte com o nosso passado, agora que o presente e a modernidade estão voltados para outros domínios.

 

    Muitos desses ditos e provérbios têm um carácter simbólico, embora a maioria carregue em si, a substância dum simbolismo que não se perdeu no seu todo.

 

    Nos tempos idos em que não havia luz, nem televisão, escola ou cultura erudita acessível para todos, o povo, na sua sapiência milenar, tinha um ditado para tudo, ou a propósito de qualquer coisa, na medida em tal processo fazia parte da sua alma, que traduziam vivências e conhecimentos, atitudes sociais que eram transmitidos de geração em geração.

 

E essa tradição era tanto ou mais enraizada, que ainda hoje, milhares de provérbios sobreviveram, alguns já falhos de conteúdo, mas mesmo assim repetidos com frequência inaudita.

 

    Esses adágios abarcam todas áreas do conhecimento e da existência humana, e por isso, vão ser apresentados divididos por temas, e como estamos em Março, obviamente, a primeira série dirá respeito aos ditos acerca deste mês.

 

MARÇO

 

A geada de Março tira o pão do baraço e a de Abril nem ao baraço o deixa ir.

 

 Aí vem meu irmão Março, que fará o que eu não faço.

 

 Bodas em Março é ser madraço.

 

 Cavas em Março e arrenda pelo S. João, todos o sabem e poucos o dão.

 

Em Março, as noites com os dias e os centeios com os matos.

 

Em Março chove cada dia um pedaço.

 

Em Março deita-te um pedaço.

 

Em Março espetam-se as rocas e sacham-se as hortas.

 

Em Março merenda o pedaço; em Abril merenda o merendil.

 

Em Março merendica e folgaço.

 

Em Março o pão com o mato, a noite com o dia e o Pedro com a Maria.

 

Em Março onde quer eu passo.

 

Em Março queima a velha com o maço.

 

Em Março tanto durmo como faço.

 

Em tardes de Março recolhe o teu gado.

 

Em vinte cinco de Março, se o cuco não se ouvir, ou é morto ou não quer vir.

 

Entre Março e Abril o cuco há-de ouvir.

 

Entre Março e Abril se o cuco não vier, está o fim do mundo para vir.

 

Enxame de Março apanha-o no regaço, o de Abril não o deixes ir, o de Maio deixai-o.

 

Inverno de Março e seca de Abril deixam o lavrador a pedir.

 

Março, aguaço.

 

Março amoroso, Abril ventoso, Maio remeloso, fazem o ano formoso.

 

Março, baço a noite com o dia, o pão com o sargaço.

 

Março, chove cada dia seu pedaço.

 

Março, chuvoso, S. João farinhoso.

 

Março de ano bissexto, muita fome e muito mortaço.

 

Março liga a noite com o dia, o Manel com a Maria, o pão com o pato e a erva com sargaço.

 

Março marçagão cura meadas, esteiras não.

 

Março marçagão, de manhã cara de anjo, à noite cara de ladrão.

 

Março marçagão, de manhã cara de rainha, de tarde corta com a fou­cinha.

 

Março marçagão, manhãs de Inverno, tardes de Verão.

 

Março marçagão, de manhã focinho de cão, ao meio-dia de rainha e à noite de fuinha.

 

Março marceja, pela manhã chove e à tarde colmeja.

 

Março molha o rabo ao gato, se Fevereiro ficar farto.

 

Março molinhoso, S. João farinhoso.

 

Março o cria, Março o fia.

 

Março pardo, antes enxuto que molhado.

 

Março queima a dama no paço.

 

Março ventoso, Abril chuvoso.

 

Março virado de rabo é pior que o Diabo.

 

Nasce a erva em Março, ainda que lhe dêem com um maço.

 

O grão em Março, nem na terra nem no saco.

 

Páscoa em Março, ou fome ou mortaço.

 

Poda em Março, vindima no regaço.

 

Quando em Março arrulha a perdiz, ano feliz.

 

Quando vem Março ventoso, Abril sai chuvoso.

 

Quem em Março açoreou, tarde acordou, mas quem a sua maçaroca fiou, com ela se achou.

 

Quem em Março não merenda, aos mortos se encomenda.

 

Quem não poda até Março, vindima no regaço.

 

Se queres bom cabaço, semeia em Março.

 

Se trovejar em Março semeia altos e baixos.

 

Sol de Março queima a dama no Paço.

 

Vento de Março, chuva de Abril, fazem o Maio florir.

 

Vento de Março e chuva de Abril fazem o vinho florir.

 

Vinho de Março, nem vai ao regaço

 

publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 03:43
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