Blogue acerca da terra, das pessoas, dos costumes e da História de PADORNELO, freguesia do concelho de Paredes de Coura, distrito de Viana do Castelo, publicado por JOFRE DE LIMA MONTEIRO ALVES.

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Terça-feira, 17 de Maio de 2011

A ORIGEM DOS NOMES DA NOSSA TERRA – IX

Campo da BOGALHEIRA – Fitotopónimo.

 

    Terreno de cultivo, situado algures em Padornelo. Topónimo com alguma incidência na Galiza e no Norte de Portugal. Embora na Conservatória do Registo Predial apresente esta grafia, é evidente que diz respeito a bugalho com sufixação em -eira.

 

    O substantivo masculino bugalho, de origem obscura, designa uma «noz de galha, excrescência globosa, que se desenvolve sobre as folhas do carvalho». Neste caso estaremos perante um adjectivo feminino com o sentido «que respeita a bugalho; que é pequeno, reduzido»[1].

 

    Significa, também, uma espécie de gramínea que se encontra em terrenos incultos, conhecida por erva-isqueira, mas neste particular, não nos diz muito respeito, porquanto abunda nas charnecas do centro e do sul de Portugal.

 

    Nesta tese, que não partilho, estaríamos perante um terreno onde os vegetais e as folhas das árvores, devido a infestação provocada por certos insectos, apresentavam uma alta taxa de incidência de bugalhos, isto é, uma excrescência arredondada.

 

    Bugalho, a excrescência globosa, tem origem no celta bullāka[2], pústula, e do castelhano bugalla. Mas o topónimo da freguesia de Padornelo, está, isso sim, ligado à vida pastoril, derivado no nome “bugalha” – hoje desaparecido – com origem no latinismo bucula, a bezerra[3].

 



[1] J. P. Machado, Grande Dicionário da Língua Portuguesa, vol. I, Lisboa, Círculo de Leitores, 1991, p. 613.

[2] José Pedro Machado, Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, I volume, 8.ª ed., Lisboa, Livros Horizonte, 2003, p. 471.

[3] Almeida Fernandes, Toponímia de Ponte de Lima; Estudo Toponímico, II vol., Ponte de Lima, 2001, pp. 38 e 44.

Fontanário tanque nas Angústias, lugar da freguesia de Padornelo, concelho de Paredes de Coura.

 

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publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 17:55
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Sexta-feira, 7 de Janeiro de 2011

A ORIGEM DOS NOMES DA NOSSA TERRA – VIII

    BAZANCA – Litotopónimo. Patenteia extrema raridade, regressiva até eras distantes, anterior aos afonsinos. Tem constituição etimológica a denotar local pedregoso, porquanto deriva do vocábulo pré-romano bas, cujo nome comum que lhe está inerente, basa, traduz o sentido de «pedras, pedregulho».

 

    O sufixo -anca é deveras antigo, a cheirar tempos arcaicos, e persistente ainda na toponímia portuguesa, galega e castelhana. Aqueloutro -s- sonoro intervocálico evoluiu logicamente para -z-.

 

    Apresenta óbvia origem na raiz pré-romana bas, e no nome comum cognato, basa, o qual produziu uma consistente família de topónimos que topamos em terras de Portugal: Bajanca (Castelo de Paiva), Bajoca (Ponte de Lima), Bajoco (Ponte de Lima), Bajouca (Lanheses), Bajouco (Barcelos), Bazanca (Padornelo), Bazeira (Amarante), Bazorra (Paredes de Coura), Bejanca (Vouzela), etc.

 

    Está documentado nas Inquirições de 1258: «deinde ad xaxeum basarum». Significa, portanto, um terreno de «pedras, pedregal, pedregulho».

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Segunda-feira, 8 de Novembro de 2010

A ORIGEM DOS NOMES DA NOSSA TERRA – VII

    ARNEAL – Geotopónimo. Estamos perante um topónimo documental, hoje desaparecido, porém expresso nas célebres Inquirições de Dom Afonso III, de 1258, por onde sabemos estar o Casal do Arneal tributado em nove moedas, como pagamento de fossadeira cada ano a El-Rei: «item, do Casal do Arneal VIIIJ dineiros».

 

    Tem proveniência evidente no latim arēna, «areia; terreno arenoso», origem comum de um vasto leque de topónimos substantivados ou adjectivados, e de outros derivados: Areal, Areeiro, Areia, Areias, Areosa, Arieiro, Arnado, Arneiro, Arnela, Arnelos, etc.

 

    Menos aceitável, eventualmente, será a procedência da raiz pré-romana arn, «concavidade», a designar uma depressão de terreno na qual corre prazenteiro um leito de água, que estaria na base do geotopónimo Arnosela. Portanto, local onde abundavam as areias.

Casa tradicional em Senrelas, lugar da freguesia de Padornelo, concelho de Paredes de Coura. Fotografia de Jofre de Lima Monteiro Alves, datada de 2005. 

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Quarta-feira, 29 de Setembro de 2010

A ORIGEM DOS NOMES DA NOSSA TERRA – VI

    ANTACAL – Geotopónimo. Não creio que de forma alguma esteja associado como adjectivo ao monumento pré-histórico anta, embora com dúvidas, seja admissível[1]. É, ao invés, a locução medieval tópica «ante da cale», que devido ao fenómeno de contracção originou Antacal.

 

    Porém, “ante” tanto pode ser o antigo advérbio “ante” ou a proposição “diante de”, mas em qualquer dos dois sentidos a noção que exprime é bem evidente. Expressa, pois, a ideia de antes de qualquer coisa, como nos topónimos limianos Antaporta e Antepaço.

 

    Aqui cale surge com o significado corrente de canal, calha ou rego por onde corre água com o fito de regadio. Aliás, na mesma freguesia de Padornelo temos, como seria lógico, o campo de Cales. O topónimo teve algum vigor até à entrada do século XVIII, deixando de ser citado na centúria de 1800, pertencendo à toponímia documental que não vigora hoje.

 

    É, portanto, sem equívocos e regateios, o lugar ante da cale, com o lato sentido de indicar o sítio «que está diante do rego de água», criado por via de uma forma haplológica de contracção. Tem origem no latim ante, «diante, em frente, antes, diante», e canālis, «fosso, tubo, cano, canal».



[1] José Pedro Machado, Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa, I vol., p. 140.

 

Vista geral de Padornelo em Maio de 2008.

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Segunda-feira, 16 de Agosto de 2010

A ORIGEM DOS NOMES DA NOSSA TERRA - V

 

 

 

    ANGÚSTIAS – Hagiotopónimo e devocional. Embora pertença nitidamente ao grupo dos topónimos que têm origem nos nomes dos santos, deve-se neste particular à mais profunda devoção do filantropo José Narciso Monteiro, o qual em 1912 mandou erigir a Capela de Nossa Senhora das Angústias, de quem era particular devoto. Devido ao seu perfil humanista e de grande benemerência bem cedo a festividade e a importância da Sr.ª das Angústias conheceu expressiva expansão.

 

    Interessante fenómeno devocionário que levou no estrito campo toponímico, ao crescimento do mesmo como referência basilar, a ponto de alguns decénios depois, muitos dos lugares perderam a sua primeva denominação de modo progressivo mas contudo espontâneo, para adoptarem a ascendente denominação de Angústias. Devido a esse fenómeno toponímico, os lugares das Portelas e do Curro perderam em definitivo a sua identidade própria e pertencem hoje, também, ao lugar das Angústias.

 

    Antes da actual capela, e sem qualquer conexão com a presente, existiu em local diverso da mesma freguesia outra ermida a qual era anexa à “Casa de Senrelas”, da família Pereira Varajão, devastada que foi por um incêndio na primeira metade do século XIX.

 

 

 

 

    José Narciso Monteiro era, como já se disse e facilmente se depreende, um grande devoto à Nossa Senhora das Angústias, pois comprara a sacrossanta imagem, ali ao redor do ano de 1881, que miraculosamente se salvara do pavoroso incêndio que devastou a capela dessa evocação, anexa à casa solarenga da nobre família Varajão.

 

    Quando regressou ao Brasil levou consigo a imagem da santa, sua devota companhia naquela imensa labuta pela vida e por terras de Vera Cruz fez a promessa solene de mandar erigir uma ermida ou capelinha devocionária na sua santa terrinha, o seu coração bondoso e compassivo assim o exigia.

 

    Retornou definitivamente ao torrão natal em 1903 e, alguns anos volvidos, tratou de dar corpo à promessa que fizera. Em 1906 comprou um amplo terreno para esse fim e a 31 de Janeiro de 1907 entregou nos serviços competentes da Câmara Municipal de Paredes de Coura o pedido regulamentar para edificar a Capela de Nossa Senhora das Angústias.

 

 

 

 

    Por motivos de força maior retira a petição de edificação da capela evocativa, solicitando a 23 de Janeiro de 1908 «para ficar nulo e sem efeito o pedido» que anteriormente fizera. Mas não esmorece, nem tão-pouco desiste, pois era homem sóbrio de génio e altruísta, retoma o projecto, agora mais consubstanciado e renova o pedido de autorização para edificar a Capela de Nossa Senhora das Angústias «num terreno improdutivo, que fica à margem esquerda da estrada que segue para Insalde, entre a estrada e a levada da Chã da Várzea, em Padornelo», por petição datada de 20 de Abril de 1911.

 

    A 11 de Maio de 1911 reuniu-se a vereação da Câmara Municipal de Paredes de Coura, sob a presidência do presidente interino José do Espírito Santo da Cunha e com as presenças dos vereadores João Bento de Araújo Guimarães, Manuel António Barreiros de Sá, Alberto Rodrigues de Sá e Augusto Rodrigues Nogueira, para aprovar por unanimidade e autorizar a construção da capela na carvalheira das Angústias.

 

    Oficialmente inaugurada a 7 de Julho de 1912, dia memorável, seria especialmente benzida por D. Manuel Vieira de Matos, arcebispo primaz de Braga, bondoso, sorri e corteja a multidão, ao abençoar a capela na companhia do padre dr. Manuel Joaquim da Cunha Ribas, reverendo prof. dr. Manuel de Azevedo de Araújo e Gama, cónego dr. Bernardo José Álvares Chouzal e abade Casimiro Rodrigues de Sá, durante uma visita efectuada a 3 de Julho de 1916, num ambiente comovente da mais aberta lhaneza e despretensiosa cordialidade, em companhia do fundador José Narciso Monteiro, herdeiro de nobilíssimos títulos do coração, pois soube aproveitar os bens avultados de fortuna que possuía em actos de filantropia e amor ao próximo.

 

    O topónimo é mais vulgar no plural, ao invés do singular angústia. Do latim angustĭa, «aflição, embaraço».

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Sexta-feira, 23 de Julho de 2010

TOPONÍMIA DE PADORNELO

    O amigo Amâncio Barbosa Lourenço, digno presidente da Junta de Freguesia de Padornelo, teve a amabilidade de dar-me a conhecer o projecto para atribuição de nomes às ruas e largos da nossa localidade, que foi submetida a aprovação pela Assembleia de Freguesia de Padornelo.

 

    É o consubstanciar dum sonho, pois fui o primeiro a defender, perante quem de direito, da necessidade de serem atribuídos nomes de arruamento e numeração de polícia para a nossa localidade, que vão agora figurar nas placas toponímicas.

 

    A Junta de Freguesia de Padornelo deu mais um importante passo no caminho da modernidade, que significa, também, a promoção deste projecto, com raízes fundas na realidade toponímica tradicional da nossa terra. Afinal, na realidade, pouca coisa muda, de forma a serem aceites na medida do possível pela maioria da opinião pública.

 

    Os topónimos que designam as artérias da nossa aldeia foram estudados com o maior cuidado e rigor, de modo a que se adaptassem o mais perfeitamente possível à necessidade das populações e à preservação dos valores tradicionais, culturais e históricos da freguesia, forma de o resguardar para as gerações futuras.

 

    A Rua das Angústias começa na Ponte dos Brunheiros e vai até ao lugar da Cabeluda. O espaço adjacente à carvalheira e Capela de Nossa Senhora das Angústias vai receber o nome do grande benemérito José Narciso Monteiro, justamente recordado pelo seu enorme humanismo e filantropia, passando a ser Largo de José Narciso Monteiro.

 

    Teremos também a Rua de Cima de Vila, a Rua de Senrelas, a Rua de Paradelhas, a Rua da Chão, cuja localização não levanta dúvidas, pois acompanham os diversos sítios e lugares. Nos lugares dos Tojais e de Covas, teremos a Rua do Ecce Homo, a Rua dos Tojais, o Largo da Feira, a Rua de Santa Marinha e a Rua do Padre Casimiro Rodrigues de Sá.

 

    Na estrada para Parada começa a Rua da Valinha e, em seguida, a Rua do Sobreiro, a Rua de Santiago (ou São Tiago), a Rua do Manjoeiro, a Rua das Lagoas, a Rua de Fabais, a Rua de Nossa Senhora do Amparo, a Rua da Chão de Areias, a Rua de Requião, a Rua de Lamarigo e a Rua da Mouta.

 

    Como se vê, houve uma enorme preocupação em respeitar os topónimos populares e os santos que o povo venera, assim como o dever honroso de homenagear duas grandes figuras da história da nossa freguesia durante o primeiro terço do século XX.

publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 16:52
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Quinta-feira, 15 de Abril de 2010

A ORIGEM DOS NOMES DA NOSSA TERRA - IV

 

AMPARO – Hagiotopónimo. Na maioria das vezes este topónimo deve-se à devoção e evocação de Nossa Senhora do Amparo, que por ali seria, e ainda é, venerada. A Capela de Nossa Senhora do Amparo, localizada no lugar do Sobreiro, data do século XVII e foi reedificada e restaurada no início do século XVIII.

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Quinta-feira, 25 de Fevereiro de 2010

A ORIGEM DOS NOMES DA NOSSA TERRA - III

ALVITE – Antroponímico. Corresponde a um genitivo antroponímico de Alvitus, nome pessoal documentado no século IX, e que foi frequentíssimo durante toda a Idade Média até ao século XIII.

                                                                                      

A sua raiz de origem está presente no nome dum príncipe hérulo do VI, Alvith, latinizado em Alvitus, e em Vitigis, rei ostrogodo dessa mesma época. Evoluiu progressivamente para Alviti > Alvitici > Alvitiz > Alvitaes.

                                                                           

Os hérulos e os ostrogodos eram ramos antigos dos povos germânicos que encheram as páginas da história. Estamos, portanto, perante um nome de origem germânica, formado por “alls”, «todo» e “weiti”, «castigo», embora a interpretação da componente weitt, vit- cause alguma perplexidade por se ter conservado o T[1].

                                                                   

A distribuição geográfica deste topónimo mostra a sua antiguidade, que apresento sem comentários, numa colheita, aliás, rápida.

                                                                                                          

Encontrámo-lo numa vasta mancha que passa pela Corunha, Orense, Pontevedra e Lugo, na Galiza, e pelos concelhos portugueses de Paredes de Coura, Ponte de Lima, Cabeceiras de Basto, Guimarães, Vila do Conde, Penafiel, Arouca, Moimenta da Beira e Meda.

                                                                                      

Por sua vez a variável Alvito está presente em Barcelos, Covilhã, Arouca, Óbidos, Pombal, Alenquer, Proença-a-Nova, Tomar, Loures e Beja, e a forma Alvites em Lugo (Galiza), Vila Real, Valpaços, Mirandela e Baião.

                                                                  

Alvito é caso extraordinário pois deu origem ao nominativo Alvitos, ao genitivo Alvite, ao acusativo Alvito e ao derivado Alvites[2], ocupando uma vastíssima área geográfica.

                                                                               

Já no Censual da Sé Bracarense, num documento do povoamento medieval datado de 1187, vemos uma referência a Alvite: «cautum de devesa de Alviti». Originalmente foi uma “villa Alwittanis”, propriedade dum Alvito, antropónimo de origem germânica.

 

Vila agrária que deu origem, na Alta Idade Média, a uma aldeia, que segundo testemunho documental dos assentos paroquiais da freguesia de Padornelo ainda existia nos séculos XVI a XVIII, vindo progressivamente a desaparecer, pois o desaparecimento de topónimos é muito vulgar.



[1] Joseph Piel, Os Nomes Germânicos na Toponímia Portuguesa: Introdução, in Bolentim de Filologia, tomo II, Lisboa, 1933, p. 129.

[2] José Leite de Vasconcelos, p. 321.

Padornelo: casa típica das Angústias

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Sexta-feira, 20 de Novembro de 2009

A ORIGEM DOS NOMES DA NOSSA TERRA - II

 

ALMADARIA – Topónimo sumido há muitos séculos, certamente, sem qualquer persistência na memória oral. Está citado nas Inquirições realizadas por ordem régia em 1258, quando se descreve a alçada realizada em Padornelo: «do Casal da almadaria, IIIJ soldos et meala»[1]. Portanto, o Rei Dom Afonso III auferia quatro soldos e meio de prata sobre o rendimento produzido no Casal da Almadaria.

                               

Topónimo extremamente raro, de tal maneira que não se encontra rasto em qualquer enciclopédia ou tratado, e, pela presença do artigo al-, deve ter origem arábica.

                                    

Não faça dúvida a sobrevivência de topónimos minhotos com raiz sarracena, em meu socorro trago tão-somente alguns exemplos. Abadim, lugar das freguesias de Caminha e Cabeceira de Bastos, é um nome verbal do árabe abada, que significa «adorar, dar culto», latinizado como abbatinu-.

                                  

Outros haveria a listar como Alfela (Braga) Bade (Valença) e Badim (Monção)[2], para além duma plêiade de lugarejos em Ponte de Lima (Albotim, Alcouce, Almécega, Almeidas, Almoface, Almuinha, Alqueire, Alqueivada, Andame, Arrabalde, Arrifana, Atalaia, etc.)[3].

                                                  

O topónimo deve indicar, não uma antiquíssima mina, já atulhada e perdida, mas recursos associados a minério ou trabalhos de ferro, devido à presença da raiz al-ma’aden, que no arcaico árabe hispânico alma’dán significava «a mina, o mineral, o metal»[4], presente igualmente nos geónimos Almada, Almadanim (Portimão), Almadeina (Vila do Bispo) e Almadén[5] (Ciudad Real, Espanha).

                                                               

Recordemos que o substantivo e topónimo Ferreira vem do latim ferraria e significa, precisamente, «mina de ferro». Daí formou-se em português escorreito, também, Ferraria por junção do sufixo –aria, elemento de ligação que exprime a noção de lugar, ofício e objecto, para expressar a ideia de «oficina, fábrica de peças de ferro ou de outros metais; local onde se fabricam ferragens»[6].

                     

De qualquer forma já não há em Padornelo a mais pequena reminiscência deste arqueotopónimo, desaparecido na voragem do tempo.

Padornelo, medas                             

 


[1] Portugaliae Monumenta Historica a Saeculo VIII, 2 volumes, Academia das Ciências de Lisboa.

[2] Frei João de Sousa, Vestígios da Língua Arábica em Portugal, Lisboa, 1789, pp. 31, 72 e 73.

[3] Armando de Almeida Fernandes, Toponímia de Ponte de Lima – Estudo Toponímico, II vol., Ponte de Lima, 2001.

[4] José Pedro Machado, Dicionário Onomástico Etimológico da Língua Portuguesa, I vol., Lisboa, 1984, pp. 101-102.

[5] Para além de topónimo, o vocábulo castelhano “almadén” é igualmente um substantivo com origem árabe e significado de «mina o minero de algún metal», conforme nos garante o Diccionario de La Lengua Espanola, 22.ª edição da Real Academia Espanola, Madrid, 2001.

[6] Academia das Ciências de Lisboa, Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea, I vol., Editorial Verbo, Lisboa, 2001, p. 1728.

 

 

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Domingo, 9 de Agosto de 2009

A ORIGEM DOS NOMES DA NOSSA TERRA - I

 

ALÉM DO RIO – Topónimo composto por dois elementos, sendo o primeiro elemento adverbial que exige a referência, neste caso, a rio. Sentido evidente à localização do lugar, para além do ribeiro dos Brunheiros.
 
O mesmo local é também conhecido como Porto de Várzea. Bastante vulgar no Norte português, encontra-se igualmente, por exemplo, na freguesia de Vilar do Monte (Ponte de Lima).
 
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Sexta-feira, 20 de Junho de 2008

A PROPÓSITO DA GRAFIA E DA PLACA ECCE HOMO

Por: Jofre de Lima Monteiro Alves

 

    «Eis o homem», célebre frase que Pôncios Pilatos pronunciou ao apresentar Cristo perante os judeus, após a flagelação. E depois lavou as mãos, claro.

 

    Tornou-se tema constante na devoção cristã e frequentemente representada na iconografia a partir do século XV, vulgarmente representado açoitado, atado, coroado de espinhos, com um manto de púrpura e, a servir de ceptro, empunha uma cana. Notável é o quadro vulgarmente chamado Ecce Homo da Escola Portuguesa do século XV, depositado no Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa.

 

    Vamos, para já, tratar de duas questões, a primeira relacionada com a sua correcta dicção, mais delicada, na medida em que subsistem pelo menos três hipóteses fonéticas. A pronúncia eclesiástica, usada pelo clero, mais próxima da língua italiana, para quem “ecce” soa “etche”.

 

    A fala tradicional, usada pelos linguistas que a partir do pressuposto daquilo que se pensa ter sido a sua pronúncia nas línguas românicas na Idade Média, para quem “ecce” lê-se precisamente como se escreve, isto é, com “C”.

 

    Outros estudiosos defendem, na chamada prolação restaurada, que no latim clássico de há 2000 anos, a consoante de “ecce”, de acordo com o seu valor, seria pronunciada como gutural, com o som “Q”.

 

    O segundo problema diz respeito à grafia, onde me parece que durante séculos não houve lugar a qualquer dúvida. Mas recentemente, em jornais e placas de toponímia, surgiu a moda absurda de escrevinhar ECCE-HOMO (com hífen), deslize que se não for atalhado a tempo, ficará para o futuro como verdade absoluta.

 

    Mas não é, porquanto tal ortografia é literalmente abusiva e incorrecção malfeita. Em «Ecce Homo» temos uma locução latina, e no latim clássico ou medieval não existia o hífen, logo a palavra escreve-se separada.

 

    Se o caro leitor se dá por satisfeito e provado, pode ir à sua vidinha. Mas, se ao invés, tem ares de céptico S. Tomé, aqui vão umas migalhas de abonação colhidas nas melhores cepas dos linguistas. Venha comigo abrir a “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira”, da década de 1950, para consultar o verbete ECCE HOMO, no volume IX, p. 388.

 

    O mesmo, sempre Ecce Homo, na “Lexicoteca: Moderna Enciclopédia Universal”, vol. VII, 1985, p. 84. Vou à estante e trago também o “Dicionário da Língua Portuguesa”, 5.ª edição, de 1976, no suplemento das “Palavras e Locuções Estrangeiras”, folheamos a p. 1534, donde cito: «Ecce homo, eis o homem. Palavras de Pilatos ao apresentar Cristo coroado de espinhos».

 

    Pelo canto do olho, avisto alguém a retorcer o nariz. Talvez seja da gripe das galinhas ou algum martirizado na dúvida imanente de Nossa Senhora do Sameiro, pelo sim pelo não, socorro-me de exemplos mais recentes.

 

    Vou a Braga buscar o programa da “Quaresma e Solenidades da Semana Santa de 2008”, adonde consta a Procissão do Senhor Ecce Homo que se realizou a 20 de Março deste ano (http://www.semanasantabraga.com/content.asp?startAt=4&categoryID=1409).

 

    Apresento mais uma prova irrefutável, o parecer científico da erudita Sociedade da Língua Portuguesa, da qual sou associado, e a resposta que em 20 de Julho de 2007 me deu o dr. Gonçalo Neves, tradutor, especialista em interlinguística e lexicógrafo:

 

    «Não há nada que justifique esta alteração ortográfica na placa toponímica da capela de Padornelo. A grafia correcta é Ecce homo (como está na Vulgata) ou Ecce Homo (pelo respeito que infunde a figura em questão), mas sempre sem hífen.

    Julgo que este erro pode ter que ver com o facto de eis, vocábulo lusitano que corresponde a ecce, se grafar com hífen, quando antecede os chamados pronomes átonos: «eis-nos», «ei-los», «ei-la», «eis-me». Seja como for, em latim é sempre sem hífen, mesmo quando o respectivo advérbio antecede essas formas pronominais: ecce me.

    Refira-se por último, para os menos avisados, que ecce homo (que se pode traduzir literalmente por «eis o homem» e livremente por «aqui está ele») são as palavras com que Pôncio Pilatos (São João, 19, 5, na tradução latina da Vulgata) mostrou aos judeus Jesus com a coroa de espinhos e o manto de púrpura. Empregam-se, por vezes de forma jocosa, para anunciar a chegada de alguém, sobretudo quando se trata de personagem (pretensamente) importante.

 

    Não fica sobejo de dúvida: Ecce-Homo (com hífen) é erro grosseiro, pois sendo uma expressão latina, manda a regra que se deve escrever Ecce Homo, assim, sem hífen. Como errare humanum est, resta a necessária e urgentíssima correcção, a bem deste adorado rincão, o nosso paraíso terrenho.

 

    A placa que está errada e induz ao engano, como se viu, deve ser retirada de pronto e substituída por outra, para que seja reposta a verdade gramatical. Não podemos lavar as mãos como fez o procurador Pilatos e fingir que não é connosco.

 

Fotografia: gentileza de Eduardo Daniel Cerqueira.

publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 18:16
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