Blogue acerca da terra, das pessoas, dos costumes e da História de PADORNELO, freguesia do concelho de Paredes de Coura, distrito de Viana do Castelo, publicado por JOFRE DE LIMA MONTEIRO ALVES.

.Capela das Angústias

.Capela do Amparo

.Correio Electrónico

Contacto via jofrealves@sapo.pt

.Os Meus Blogues

.Janeiro 2018

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
11
12
13
14
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

.Artigos Recentes

. PADORNELO NAS JANEIRAS DE...

. PADORNELO NAS JANEIRAS DE...

. PADORNELO NAS JANEIRAS DE...

. PADORNELO NAS JANEIRAS DE...

. PADORNELO NAS JANEIRAS DE...

. PADORNELO NAS JANEIRAS DE...

. PADORNELO NAS JANEIRAS DE...

. FALECEU O ANTÓNIO LIMA

. FALECEU O ALBERTO RODRIGU...

. FALECEU O SR. FERNANDO PE...

.Arquivos

. Janeiro 2018

. Dezembro 2017

. Novembro 2017

. Outubro 2017

. Setembro 2017

. Agosto 2017

. Julho 2017

. Junho 2017

. Maio 2017

. Abril 2017

. Março 2017

. Fevereiro 2017

. Janeiro 2017

. Dezembro 2016

. Novembro 2016

. Outubro 2016

. Setembro 2016

. Agosto 2016

. Julho 2016

. Junho 2016

. Maio 2016

. Abril 2016

. Março 2016

. Fevereiro 2016

. Janeiro 2016

. Dezembro 2015

. Novembro 2015

. Outubro 2015

. Setembro 2015

. Agosto 2015

. Julho 2015

. Junho 2015

. Maio 2015

. Abril 2015

. Março 2015

. Fevereiro 2015

. Janeiro 2015

. Dezembro 2014

. Novembro 2014

. Outubro 2014

. Setembro 2014

. Agosto 2014

. Julho 2014

. Junho 2014

. Maio 2014

. Abril 2014

. Março 2014

. Fevereiro 2014

. Janeiro 2014

. Dezembro 2013

. Novembro 2013

. Outubro 2013

. Setembro 2013

. Agosto 2013

. Julho 2013

. Junho 2013

. Maio 2013

. Abril 2013

. Março 2013

. Fevereiro 2013

. Janeiro 2013

. Dezembro 2012

. Novembro 2012

. Outubro 2012

. Setembro 2012

. Agosto 2012

. Julho 2012

. Junho 2012

. Maio 2012

. Abril 2012

. Março 2012

. Fevereiro 2012

. Janeiro 2012

. Dezembro 2011

. Novembro 2011

. Outubro 2011

. Setembro 2011

. Agosto 2011

. Julho 2011

. Junho 2011

. Maio 2011

. Abril 2011

. Março 2011

. Fevereiro 2011

. Janeiro 2011

. Dezembro 2010

. Novembro 2010

. Outubro 2010

. Setembro 2010

. Agosto 2010

. Julho 2010

. Junho 2010

. Maio 2010

. Abril 2010

. Março 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Dezembro 2009

. Novembro 2009

. Outubro 2009

. Setembro 2009

. Agosto 2009

. Julho 2009

. Junho 2009

. Maio 2009

. Abril 2009

. Março 2009

. Fevereiro 2009

. Janeiro 2009

. Dezembro 2008

. Novembro 2008

. Outubro 2008

. Setembro 2008

. Agosto 2008

. Julho 2008

. Junho 2008

. Maio 2008

. Abril 2008

. Março 2008

. Fevereiro 2008

. Janeiro 2008

. Dezembro 2007

. Novembro 2007

. Outubro 2007

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Junho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

. Janeiro 2007

. Dezembro 2006

. Novembro 2006

. Outubro 2006

. Setembro 2006

. Agosto 2006

. Julho 2006

. Junho 2006

. Maio 2006

. Abril 2006

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Janeiro 2006

. Dezembro 2005

. Novembro 2005

. Outubro 2005

. Setembro 2005

. Agosto 2005

. Julho 2005

. Junho 2005

. Maio 2005

. Abril 2005

. Março 2005

.Temas

. todas as tags

.LIGAÇÕES


.subscrever feeds

blogs SAPO
Quinta-feira, 20 de Dezembro de 2007

NATAL TRADICIONAL NO ALTO MINHO

Como Era Antigamente

 

Por: Jofre de Lima Monteiro Alves

 

    O Natal começava quando os mais velhos do agregado familiar incumbiam a pequenada de olho fino da ida à bouça, na procura de matéria-prima a fim de ser construído o presépio.

        

    Eis o ansiado pontapé de saída para uma áurea festiva. Trazia-se musgo às postas, pedrinhas talhadas a foice, pinhas ao sacolejo e um pinheirinho, ou ramada de pinheiro, que a época não era soberba de desperdícios e consumos de espavento.

 

    Num canto predefinido da casa, construía-se uma autêntica aldeia em miniatura, povoada de figurinhas, a gruta, o menino conchegado nas palhinhas, debaixo do bafo do burro e da vaca ramalhuda.

             

    Um empreendimento de monta e de quantas criaturas cabiam no imaginário que abraçava o Mundo, onde não faltavam os terríveis herodes da matança, os pastores e os Reis Magos a peregrinar pelo nosso presépio adentro, tal como nos trilhos de Ceca e Meca.

 

    Na antevéspera, a 23 de Dezembro, a tradição alto-minhota exigia de lei a visita ao cemitério, romagem de saudade aos entes queridos falecidos, na crença que os nossos maiores, os antepassados, iriam estar em espírito na Consoada.

 

    Na mesa, a matriarca colocava a luzidia toalha de linho, uma preciosidade herdada dos avoengos, de par com a melhor loiça e talheres de “ver a Deus” usados quando o rei fazia anos e nas ocasiões especiais, o resto do tempo sempre aferrolhados como um tesouro moiro nas profundezas da arca.

 

    Enfeites de sala, composto por ramos de azevinho davam um ar folião e convidativo à austera habitação. Venha o resto, a comidinha, que era de supina importância, e capaz de saciar a fome de lobo esfaimado.

 

    O bacalhau “do alto” tinha – e ainda tem – o estatuto de rei e presença insubstituível na Consoada, acompanhado de batatas e couve penca curtida da geada.

 

    Devidamente banhado de azeite de estalo para nele molhar o pão, como se fazia antes da Europa nos afiançar que era um tudo-nada anti-higiénico e boçal.

                  

    Nas casas de maior basteza, onde a folgança permitia fazer de boi tendo tão-só pata de carneiro, havia o segundo prato, o polvo seco cozido, ou arroz de polvo como confeccionava a minha santa avó, comprado na feira de Paredes de Coura.

          

    Isto, substancialmente bem regado com o tradicional “Vinho Quente”, uma saborosa mistela de verde tinto fervido com gemas, melaço, canela e, nas casas mais abastadas, apaparicado com uma porção de “vinho fino” – como naquelas eras se chamava ao vinho do Porto ou Moscatel.

 

    De fazer cantar os anjos lá na corte celestial, para os mais velhos, claro, que a canalha pequena bebia pirolitos. Compunha a mesa o arroz-doce e as rabanadas minhotas, umas bêbedas em calda de vinho, mel e canela, outras fidalgas, ou as simples fatias-de-paridas polvilhadas de açúcar.

 

    E demais iguarias dispersas a preceito, figos, passas, pinhões e nozes. Pitéus dignos dum faraó, comparada com a pobreza franciscana e frugalidade do restante ano, mesmo para os lavradores abastados. Corria o vinho do melhor pipo, de pintar as malgas com as mais vivas cores da folia e comes e bebes de príncipe.

 

    Nas horas mortas que antecediam a Missa do Galo, à volta da lareira onde o “canhoto de Natal” tinha a sacrossanta missão de arder toda a noite, brincava-se seriamente ao “rapa-tira-deixa e põe”, um jogo de pinhões, enquanto os adultos jogavam às cartas, ou recordavam os familiares e historietas de levantar os cabelos.

 

    A função de escolher o madeiro de carvalho para a lareira cabia ao pai e filho mais velho. Diziam as minhas avós que o fumo e as cinzas do “canhoto de Natal” tinham a utilidade miraculosa de afastar as faíscas e trovoadas, um pára-raios campestre, além de propriedades terapêuticas aplicadas em certas doenças, mas para tal ocorrer deveria arder da Consoada ao Dia do Ano Novo.

 

    O poviléu atravessava a aldeia em direitura à igreja matriz para ouvir a vigília jubilosa da meia-noite e beijar a imagem do Deus Menino, quebrantando a escuridão cerrada dos caminhos com umas lumieiras feitas de palhas ou lampiões de azeite que abriam uma trémula claridade na treva de breu.

 

    A mesa, com os seus restos alimentares, não podia ser levantada sob pretexto algum, repousava farta toda a noite para alimentar e aquecer as alminhas, que no entender douto dos avós, ali vinham saciar-se a contracompasso, enquanto a família curava o sono.

 

    Na ressaca da festança, manhã seguinte, a criançada acordava com as galinhas, mal rompia a madrugada, para saltear a lareira onde jaziam as prendas, modestas se comparadas com o pretensiosismo actual, porém inegavelmente mais valiosas naquela época de privação e vacas magríssimas, num tempo em que o Pai Natal não entrava pelas chaminés do Minho e os presentes eram trazidos pelo Menino Jesus.

 

    No pinheiro, a fazer crescer baba na boca como água-benta, alguns chocolates – do chocolate preto de Viana – mercados na feira de Padornelo e pendurados por cordel faziam esbugalhar o desejo para além do limite da gula.

 

    Ao almoço do dia 25 de Dezembro – que naquele torrão de tranquilidade se chamava então jantar –, comia-se a “roupa velha”, uma delícia que ainda hoje adoro, feita com as sobras da lauta consoada.

 

    Para compor o prato principal da janta, a Ceia de Natal, matava-se o melhor galo da capoeira, acompanhado de arroz de pica no chão e chouriço de carne, um manjar que murmurava pelo mais cândido estômago.

 

    Apesar da ventania de mudança que varre o limbo da sociedade, ainda perduram algumas destas resistentes tradições vindas dos confins da memória dos tempos.

 

    Desapareceu por completo a Missa do Galo, o Menino Jesus foi substituído pelo amorfo Pai Natal (parece que vem aí uma sexuada Mãe Natal...), o presépio em estado de paralisia peleja com a Árvore de Natal, o Vinho Quente descaiu no esquecimento do paladar, o Canhoto de Natal foi trocado pelos aquecedores, e até as próprias prendas são entregues na noite de 24 de Dezembro, à revelia dos preceitos do uso antigo.

 

    Foi introduzido o bolo-rei e mais gulodices, o horrendo peru e outras modernices importadas. Comprámos num hipermercado um falso conceito de felicidade às toneladas ao consumir em quantidades astronómicas todo o género de inutilidades.

 

    O Natal no Minho rural de antanho, festim mais comedido e frugal, embora fosse uma festa por excelência, não tinha a euforia consumista e pantagruélica de agora.

 

    Mas desta ou daquela maneira, continua a ser a festa de harmonia. A Consoada e Ceia de Natal tinham algo de mítico, sublinhado pelo simbolismo duma sentida paz caseira. Marcava o epicentro da festa familiar, na plenitude das suas tradições e manifestação intensa de alegria íntima.

 

publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 17:07
Regressar ao Topo | Comentar | Adicionar aos favoritos
1 comentário:
De Roleira Marinho a 2 de Janeiro de 2008 às 16:47
Agradecido pelas saudações amaveis.
Adianto que li o seu "escrito" sobre o Natal na minha Mesa de Consoada e toda a família adorou.
Com estima
Roleira Marinho

Comentar Artigo