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PADORNELO

Blogue acerca da terra, das pessoas, dos costumes e da História de PADORNELO, freguesia do concelho de Paredes de Coura, distrito de Viana do Castelo, publicado por JOFRE DE LIMA MONTEIRO ALVES.

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07
Set08

CAPELA DO AMPARO: Um Curioso Episódio da História de Padornelo em 1713

Capela de Nossa Senhora do Amparo, lugar do Sobreiro, Padornelo, em Agosto de 2007    Não vou aqui contar a história e a fundação da capela de Nossa Senhora do Amparo, mas tão-só abordar um curioso episódio da sua centenária existência. Ali por volta do ano de 1710 a capela encontrava-se em adiantado estado de degradação física, pelo que se tornou imperativo a feitura de obras de restauração.

                                                                             

    Das mesmas se encarregou um especialista, o escultor Brás Barbosa (1666+1733), natural de Padornelo, sendo aprazada a duração do empreendimento pelo espaço dum ano. Iniciadas em 1711, à boa maneira portuguesa sofreram de imediato atrasos de monta e ameaçavam eternizarem-se no tempo, não como as de Santa Engrácia, é claro, mas mesmo assim abusivamente prolongadas.

                                                           

    As paróquias naqueles tempos estavam sujeitas a matéria visitacional constante pela parte das autoridades religiosas de quem estavam dependentes.

                                          

    Durante essa pastoral da visitação eram rigorosamente observadas as posturas do clero em geral, as suas obriga­ções espirituais, a observância litúrgica, os ornamentos, o controlo dos fiéis, os testa­mentos e sufrágios, mas também a manutenção do asseio e estado de conservação das igre­jas.

                                                                                  

    A 21 de Junho de 1713 inspeccionou a paróquia de Santa Marinha de Padornelo o reverendo padre Custódio Ferreira Velho. Sisudo e de cenho carregado, vinha investido na prosápia dos títulos de licenciado em Cânones, comissário do Santo Ofício, abade de S. Julião do Calendário de Vermoim, arcediago do arcediagado de Vila Nova de Cerveira, cónego prebendado da Colegiada de Santo Estêvão de Valença e visitador da arquidiocese de Braga. Um currículo de estouro, em tempos de quase barbaresca ignorância.

                                                                             

    Remira aqui, espreita acolá, nada era deixado ao acaso, não havia vénia que o arredasse da sua missão fiscalizadora. Tudo era passado a pente fino, inflamado por ciclópico olho vigilante, seguindo à risca os cartapácios do Direito Canónico mais vernáculo.

                                    

    Logicamente um homem carregado com tantas honrarias e qualidades seria acervo de ferina severidade e rectidão. Achou imperdoável que umas obras programadas para um ano, volvidos dois ainda não estivessem concluídas. Podia lá ser tal despautério! Obra parada entra pelo bolsinho adentro na soma de cruzados!

                 

    E do alto do seu gabarito admoestou o abade padre Manuel Lourenço Soares de Lima (1672+1738), e o acólito padre António Fernandes Pacheco, mero cura coadjutor, a arcarem com meia culpa do deixa andar.

                               

    De pronto o douto visitador fulminou o nosso artista de arte sacra com ásperas ameaças judiciais, deste modo e com mão inexorável:

    «Fui informado que Brás Barbosa escultor desta freguesia tem tomado a maior de dois anos as obras da capela de Nossa Senhora do Amparo sem lhe dar fim na forma do con­trato com que as aceitou pelo que mando que o Reverendo Pároco lhe diga que as acabe em termo de dois meses para o que procederá contra ele na forma da Lei».

                                  

    Na verdade e afora esta explicação, não sei se devido ao receio do anátema que sobre ele pendia, mas Brás Barbosa passou a obrar verdadeiros milagres, a trabalhar sem fraquejar a mata-cavalos, dava gosto ver a obra a progredir. A devoção ao trabalho na capela ocupava-lhe toda a boa parte da luz do dia, mercê de muito empenho e mestria na arte de marcenaria.

                                                                

    Para tal contou porém com a especiosa ajuda doutro distintíssimo artesão local Manuel Vaz Alves (1675+1728), pintor de Arte Sacra e natural de Covas, lugarejo da freguesia de Padornelo, terminou de modo bem célere aquilo que parecia querer perpetuar-se.

                            

    E assim reconstruída a lufa-lufa, obedecendo a um plano de conjunto, ficou a magnifica capela que ali vemos no lugar do Sobreiro, graças ao trabalho de dois artistas de Padornelo.

 

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