Faleceu o Senhor Francisco Barreiro
No passado dia 10 de Setembro de 2008, quarta-feira, foi a sepultar o senhor Francisco Cândido de Abreu Barreiro, comerciante estabelecido na vila de Paredes de Coura e particular amigo da freguesia de Padornelo. Era filho de Francisco José Barreiro e de Emília Maria de Abreu.
Seu pai, Francisco José Barreiro (1876+1959), natural da freguesia de Bico, foi no seu tempo uma destacada figura de Paredes de Coura, sendo professor do ensino primário oficial (1898), jornalista, correspondente de jornais, aspirante da Repartição de Finanças (1910), vice-presidente do Conselho Fiscal do Atheneu Popular de Instrução e Recreio (1917), irmão da Irmandade da Santa Casa da Misericórdia de Paredes de Coura (1924), secretário e fundador do Núcleo de Paredes de Coura da Federação dos Amigos da Escola Primária em Paredes de Coura (1925), mesário da Confraria do Santíssimo Sacramento (1929), vogal da Comissão de Recenseamento Militar (1935-1936), e vice-presidente da Comissão Concelhia de Paredes de Coura para a Grande Subscrição Nacional a Favor da Compra do Palácio da Independência pela Sociedade Histórica da Independência de Portugal (1935). Era dedicado amigo e correligionário do padre Casimiro Rodrigues de Sá, abade de Padornelo.
O caro e já saudoso amigo Francisco Barreiro herdou de seu pai a estima e veneração pela egrégia figura do abade de Padornelo, guardando com devoção algum do espólio, que teve a profunda amabilidade de me emprestar quando em Abril de 2006 organizei a exposição de homenagem ao padre Casimiro Rodrigues de Sá. Motivo, além de outros, pelo qual aqui deixo expresso o meu apreço.
O senhor Francisco Barreiro era um conversador de raro encanto, com clara visão das coisas, um homem de carácter e de grande probidade moral. Como paladino de Paredes de Coura, a sua morte é uma perda irreparável para esta localidade que ele prezava de coração cristalino, até pelo grande conhecimento que tinha do nosso passado recente. Trabalhou e amou a sua terra até à última hora da sua nobre existência.
Eram – ou foram – irmãos do extinto amigo: António Cândido de Abreu Barreiro, oficial de Justiça do Tribunal; João Cândido de Abreu Barreiro, carpinteiro; Manuel Cândido de Abreu Barreiro, empregado comercial; e Maria Cândida de Abreu Barreiro Pereira. Era tio de Francisco Cândido da Silva Abreu Barreiro, antigo deputado municipal e vereador municipal, funcionário de Finanças, tesoureiro da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Paredes de Coura, secretário da direcção do Sporting Courense, etc.
Nesta hora triste, lembrei-me dumas quadras de Antero de Quental:
Ah! Deixa correr teu pranto
Sobre o chão do lupanar!
É sementeira de dores
Que andas triste a semear!
Que passe o Inverno por cima!
A primavera há-de vir!
As dores que tu tivestes
É no céu que hão-de florir!
Nascera na vila e freguesia de Paredes de Coura a 7 de Abril de 1928 e faleceu no Hospital de S. Marcos, em Braga, a 9 de Setembro de 2008. Era casado com Benvinda Maria da Rocha Pereira.
Sic transitt gloria mundi!
