. PADORNELO NAS JANEIRAS DE...
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O costume dos cantares de Janeiras perde-se na História, com uma origem marcadamente pagã radicada na antiga festa realizada em honra de Jano, o deus das portas celestes.
Uma divindade antiquíssima representado com uma cabeça de duas faces, uma vara numa mão e na outra uma chave, tudo se abria e fechava à sua passagem, de quem se esperava especial protecção nas partidas e no regresso.
Uma divindade de dois rostos para exercer o poder no céu e na terra. Era dos primeiros a ser evocado no cerimonial religioso na medida em que presidia às portas, entradas e caminhos, mas também por ser através dele que as preces humanas chegavam ao concílio dos deuses na mitologia romana.
Visto Jano presidir ao começo de tudo, como deus dos princípios, o primeiro mês do ano foi-lhe consagrado, januarius, daí Janeiro.
Assim, no primeiro dia de Janeiro, na antiguidade romana comemorava-se a “Strenua Calendaria”, ocasião em que o povo romano festejava com particular fervor, saudando-se efusivamente uns aos outros, ao mesmo tempo que saltitava de casa em casa, cantando loas ao som de buzinas, trocando e ofertando dádivas.
Como a Igreja não conseguiu erradicar este bárbaro costume idólatra, o Concílio de Trours, realizado no século VI, determinou que nesse dia fosse celebrado a circuncisão de Jesus Cristo, mas o que perdurou até hoje foi, essencialmente, a base festiva pagã que o cristianismo não conseguiu erradicar.
Em tempos idos, por toda região do Alto Minho, ao cair da noite do primeiro dia de Janeiro, um grupo de rapazes foliões, percorria as casas e os caminhos, cantado lérias de porta em porta a par de algumas cantigas ao Menino Deus, mas também e primordialmente para pedirem as boas-festas, um hábito deveras enraizado.
Vários instrumentos rústicos faziam o incipiente acompanhamento musical, como os ferrinhos, a rela, o pandeiro, a sarronca e a sanfona, que arrancavam uns uivos sonoros.
Durante o mês de Dezembro o grupo de rapazio procedia a alguns ensaios, pois a noite em causa seria fria e era preciso não perder tempo, para que tudo ficasse afinado e expedito, na medida do possível.
Ensaiavam as quadras, geralmente para cantar os méritos dos donos da casa, fazendo distinção individual a cada membro, o dono, a dona, os filhos e as filhas. Ora cantavam em coro ou cantorias a solo.
Escolhiam para alvo dilecto as casas de lavradores mais abastados, com o fito de cativarem os moradores e conseguirem algum donativo, quase sempre comida para lambarar, por vezes em dinheiro e até, milagrosamente, algumas porções de fumeiro, um maná, que era repartido pela trupe em partes iguais.
As Janeiras perduravam toda a semana até por vezes confundiam-se com o “Cantar de Reis”, para celebrar os Reis Magos.
Hoje recordo aqui umas Janeiras cantadas em Padornelo na década de 1950 aos meus avós António Inocêncio Alves e Especiosa de Jesus Alves Monteiro, do lugar das Angústias.
Janeiras cantadas ao dono da casa
Boa noite, patrão da casa,
Faz favor de desculpar;
Se o senhor nos der licença,
As Janeiras vamos cantar.
Viva lá senhor António
Usa o seu chapéu direito;
Quando vai pela rua fora
Todos lhe guardam respeito.
E viva o senhor da casa,
Vá abrir a garrafeira;
E diga à sua esposa
Que incerte a salgadeira.
Viva o senhor destas leiras
No seu banquinho de prata;
Venha dar-nos as Janeiras
Que está um frio que mata.
Para a dona da casa
Viva a senhora de tal
Ó linda rosa encarnada;
Levante-se e venha ao portal
Dai janeira avantajada.
Viva lá senhora Especiosa
Muito lhe diz o seu véu;
Quando vai igreja acima
Parece um anjo do céu.
Viva a senhora de brilhos
Capa branca de setim;
Ao lado dos seus filhos,
É um ramo de jardim.
Viva a senhora de verdade
Santinha de Belém;
Deus lhe dê felicidade
E aos seus filhos também.
Geral, de agradecimento e pedido
Viva o chefe de família
E sua esposa também;
E ao lado vossos filhos
Que Jesus os fade bem.
Ainda agora chegamos
Já pus o pé na escada;
Logo o coração disse
Aqui mora gente honrada.
Levante-se minha senhora
Desse banco de cortiça;
Venha-nos dar as Janeiras
Ou morcela ou chouriça.
Nós estamos fora da porta
Como o molhinho de lenha;
À espera da resposta
Que de sua boca venha.