Blogue acerca da terra, das pessoas, dos costumes e da História de PADORNELO, freguesia do concelho de Paredes de Coura, distrito de Viana do Castelo, publicado por JOFRE DE LIMA MONTEIRO ALVES.

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Quarta-feira, 7 de Janeiro de 2009

UMAS JANEIRAS CANTADAS NA DÉCADA DE 1950

   O costume dos cantares de Janeiras perde-se na História, com uma origem marcadamente pagã radicada na antiga festa realizada em honra de Jano, o deus das portas celestes.

                                

    Uma divindade antiquíssima representado com uma cabeça de duas faces, uma vara numa mão e na outra uma chave, tudo se abria e fechava à sua passagem, de quem se esperava especial protecção nas partidas e no regresso.

                                         

    Uma divindade de dois rostos para exercer o poder no céu e na terra. Era dos primeiros a ser evocado no cerimonial religioso na medida em que presidia às portas, entradas e caminhos, mas também por ser através dele que as preces humanas chegavam ao concílio dos deuses na mitologia romana.

                                   

    Visto Jano presidir ao começo de tudo, como deus dos princípios, o primeiro mês do ano foi-lhe consagrado, januarius, daí Janeiro.

                                 

    Assim, no primeiro dia de Janeiro, na antiguidade romana comemorava-se a “Strenua Calendaria”, ocasião em que o povo romano festejava com particular fervor, saudando-se efusivamente uns aos outros, ao mesmo tempo que saltitava de casa em casa, cantando loas ao som de buzinas, trocando e ofertando dádivas.

             

    Como a Igreja não conseguiu erradicar este bárbaro costume idólatra, o Concílio de Trours, realizado no século VI, determinou que nesse dia fosse celebrado a circuncisão de Jesus Cristo, mas o que perdurou até hoje foi, essencialmente, a base festiva pagã que o cristianismo não conseguiu erradicar.

                    

    Em tempos idos, por toda região do Alto Minho, ao cair da noite do primeiro dia de Janeiro, um grupo de rapazes foliões, percorria as casas e os caminhos, cantado lérias de porta em porta a par de algumas cantigas ao Menino Deus, mas também e primordialmente para pedirem as boas-festas, um hábito deveras enraizado.

      

    Vários instrumentos rústicos faziam o incipiente acompanhamento musical, como os ferrinhos, a rela, o pandeiro, a sarronca e a sanfona, que arrancavam uns uivos sonoros.

            

   Durante o mês de Dezembro o grupo de rapazio procedia a alguns ensaios, pois a noite em causa seria fria e era preciso não perder tempo, para que tudo ficasse afinado e expedito, na medida do possível.

         

    Ensaiavam as quadras, geralmente para cantar os méritos dos donos da casa, fazendo distinção individual a cada membro, o dono, a dona, os filhos e as filhas. Ora cantavam em coro ou cantorias a solo.

              

    Escolhiam para alvo dilecto as casas de lavradores mais abastados, com o fito de cativarem os moradores e conseguirem algum donativo, quase sempre comida para lambarar, por vezes em dinheiro e até, milagrosamente, algumas porções de fumeiro, um maná, que era repartido pela trupe em partes iguais.

 

    As Janeiras perduravam toda a semana até por vezes confundiam-se com o “Cantar de Reis”, para celebrar os Reis Magos.

            

    Hoje recordo aqui umas Janeiras cantadas em Padornelo na década de 1950 aos meus avós António Inocêncio Alves e Especiosa de Jesus Alves Monteiro, do lugar das Angústias.

 

Janeiras cantadas ao dono da casa

 

Boa noite, patrão da casa,

Faz favor de desculpar;

Se o senhor nos der licença,

As Janeiras vamos cantar.

 

Viva lá senhor António

Usa o seu chapéu direito;

Quando vai pela rua fora

Todos lhe guardam respeito.

 

E viva o senhor da casa,

Vá abrir a garrafeira;

E diga à sua esposa

Que incerte a salgadeira.

 

Viva o senhor destas leiras

No seu banquinho de prata;

Venha dar-nos as Janeiras

Que está um frio que mata.

 

Para a dona da casa

 

Viva a senhora de tal

Ó linda rosa encarnada;

Levante-se e venha ao portal

Dai janeira avantajada.

 

Viva lá senhora Especiosa

Muito lhe diz o seu véu;

Quando vai igreja acima

Parece um anjo do céu.

 

Viva a senhora de brilhos

Capa branca de setim;

Ao lado dos seus filhos,

É um ramo de jardim.

 

Viva a senhora de verdade

Santinha de Belém;

Deus lhe dê felicidade

E aos seus filhos também.

 

Geral, de agradecimento e pedido

 

Viva o chefe de família

E sua esposa também;

E ao lado vossos filhos

Que Jesus os fade bem.

 

Ainda agora chegamos

Já pus o pé na escada;

Logo o coração disse

Aqui mora gente honrada.

 

Levante-se minha senhora

Desse banco de cortiça;

Venha-nos dar as Janeiras

Ou morcela ou chouriça.

 

Nós estamos fora da porta

Como o molhinho de lenha;

À espera da resposta

Que de sua boca venha.

 

publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 08:28
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