Blogue acerca da terra, das pessoas, dos costumes e da História de PADORNELO, freguesia do concelho de Paredes de Coura, distrito de Viana do Castelo, publicado por JOFRE DE LIMA MONTEIRO ALVES.

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Domingo, 1 de Novembro de 2009

MAGUSTOS E FESTEJOS ASSOCIADOS À CASTANHA

    A castanha foi alimento primordial na cadeia alimentar humana em tempos idos, quando a miséria era tanta como os piolhos, sendo gradualmente substituída e marginalizada pela introdução de outros produtos, em especial a batata e o milho. Foi mantimento básico, insubstituível, até ao século XVI, importância que se prolongou nalgumas regiões até ao século XVIII.

                                                                                         

    Dela se fazia o sustento essencial, o caldo substancial, o puré de atulho, a escolta aos demais alimentos e inúmeros pratos, tudo aos punhados. Na mesa do pobre nunca faltava pãozinho de castanhas.

                                  

À falta de pão

Até migalhas vão.

                                                

    Até ao século XVII consumia-se mais castanhas do que pão de trigo e de milho ou batatas, tanto na alimentação humana, como excelente alimento para certos animais, em especial o porco, o carneiro e a vaca leiteira.

                                                          

    Os soutos abrangiam compactas regiões do Norte, em especial nos terrenos graníticos e xistosos de Trás-os-Montes e das Beiras. Na década de 1930 a maior mancha de castanheiros preponderava em Bragança (22.400 hectares), Guarda (15.200), Castelo Branco (12.700), Viseu (10.700) e Vila Real (10.600).

                                                  

    A colheita da castanha decorre de Setembro a Novembro, sendo a apanha feita por homens que varejam as árvores e rapazes que apanham os ouriços, por vezes ajudados pelas mulheres, a esgadanhar na batalha pela vidinha, o estômago precisa tanta pitança como o espírito.

                                               

Se o castanheiro falara

Ele dissera o que viu;

Debaixo da sua sombra

Dois amantes encobriu.

                                                                   

    Hoje a castanha encerra, tão-somente, um carácter simbólico e folclórico residual associado às festas do Outono e nas celebrações dos Santos, Fiéis Defuntos e S. Martinho. Já não é festim à tripa-forra em mesa de cristãos e mouros, nem umbigo do mundo.

                                                    

    O vocábulo magusto tem uma origem controversa, sem certa certeza. Mas virá do latim magnus ustus, «grande fogueira, queimado», e tem correspondência no galego e no asturiano magosto. Magusto, que hoje designa tão-só as castanhas assadas, definia antigamente a própria fogueira onde alabaravam as ditas, o que está conforme com a etimologia.

                                                  

    As tradições que ocorriam por esta altura eram variáveis, embora com algumas pontes comuns, verdadeiras refeições cerimoniais. Outrora, ainda no início do século XIX, em algumas regiões do Norte, os festejos associados à castanha principiavam no dia de S. Simão e S. Judas Tadeu, comemorado a 28 de Outubro, ponto de partida para as merendas prazenteiras de castanhas assadas que se prolongavam até ao S. Martinho.

                                                         

Em dia de S. Simão,

Quem não faz magusto

Não é cristão.

                                                          

    O dia de Todos-os-Santos, igualmente dedicado ao antiquíssimo costume de pedir Pão por Deus, o qual remonta à Idade Média, está, também, relacionado ao magusto, comido à lambardana, a boca a manducar de prazer, masca que masca.

                                                                                                           

A castanha tem uma manha,

Vai com quem a apanha.

                           

    Assim, em muitas localidades de Trás-os-Montes era festejado nesta ocasião o “Magusto dos Santos”, com romarias do poviléu, trupe que trupe virado ao campo, a pilhar castanhas, assando-as de seguida em fogueiras de carqueja, chamiça e sargaço, improvisadas no remanso da pulsação ao ar livre. Tudo bem regado com vinho palhete ou água-pé de canjirão, até tombarem para o lado, no poisar mansinho do torpor da fadiga báquica antes do sol-pôr.

                                                         

Dos Santos a S. Martinho

São onze dias de pão e vinho.

                                                                        

    O magusto de 1 de Novembro era uma quase obrigação social e festiva, um arraial pegado para as populações do Norte de Portugal, a cabriolar como faunos e ninfas, numa alegria indizível que antecedia a solenidade profunda das cerimónias religiosas do Dia dos Finados, a carregar tristeza e borbulhão de lágrimas. O povinho é assim, da alacridade efusiva à mágoa sentida enquanto arde um fósforo.

                                               

Não sei se cante, se chore,

Se qual melhor me será;

O cantar alivia penas,

O chorar as dobrará.

                                         

    Em conformidade com as melhores conjecturas etnológicas aceites, o Magusto dos Santos é a reminiscência de antiquíssimos rituais fúnebres pagãos, do tempo dos deuses farsantes, durante os quais se faziam oferendas em géneros alimentares às almas dos mortos, segundo essa crença arreigada voltavam aos lugares das suas vidas anteriores, não sei se brancos como a cera.

                                

Alma enamorada

De pouco é assombrada.

                                           

    Nessa altura as almas penadas tinham fome de lobo esfaimado e metiam medo adamastórico, apaziguadas com ritos opíparos para retornarem ao limbo e à paz do Senhor, que nestas coisas do fabuloso nada é impossível.

 

    O mandato transcendente da igreja, em parte, apropriou-se desse ritual incarnado no Dia dos Fiéis Defuntos. O cerimonial do magusto, a fogueira e as castanhas, são resquícios residuais de sacrifícios que já foram grandes como a Arca de Noé.

 

Em dia de S. Martinho,

Lume, castanhas e vinho.

                                                                         

    A importância de S. Martinho associado à festa popular das castanhas e como patrono do vinho e dos bêbados cresceu de tal modo e ocupou quase todo o espectro festivo ligado aos magustos, relegando para plano secundário todas as outras tradições e santinhos desta época.

 

    Hoje, como os demais costumes de antanho, é um mero arremedo da pujança festiva que teve outrora, mecanicamente festejado com soberano desdém, meia dúzia de castanhas e larachas de permeio

 

Pelo S. Martinho,

Rabusca o teu soitinho

E apanhas as castanhas

Faz o teu magustinho;

Vai à tua adega,

Encerta teu pipinho

E prova o teu vinhinho;

E, se te apetecer,

Vai ao teu cortelho

E mata o teu porquinho.

 

    Em quase todo o Minho o dia de S. Martinho era celebrado com magustos de castanhas assadas em fogueiras que se acendiam nos eidos e rossios das aldeias. Festividade que se alongava noite adentro até ao cair finíssimo do orvalho, nunca escasseava a malga de vinho verde agulhento, em acenos lampeiros de atmosfera foliona.

 

Pelo S. Martinho

Prova teu vinho,

Ao cabo do ano

Já te não faz dano.

 

    S. Martinho, há que ror de anos, alcançara foros de santo popular com um conteúdo mais profundo pela analogia encavalitada com a vinhaça e a embriaguez, faceta que iremos evidenciar noutro artigo, desde que não seja nas calendas gregas.

 

Do vinho e da mulher

Livre-se o homem se puder.

 

publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 01:11
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