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PADORNELO

Blogue acerca da terra, das pessoas, dos costumes e da História de PADORNELO, freguesia do concelho de Paredes de Coura, distrito de Viana do Castelo, publicado por JOFRE DE LIMA MONTEIRO ALVES.

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04
Jul10

BENEMÉRITO JOSÉ NARCISO MONTEIRO

 

 

 

    Este artigo que trago à luz do dia foi publicado, originalmente, nas páginas do jornal O COURENSE, a 28 de Julho de 1928. Nele, os articulistas Manuel Augusto Pereira Bacelar e Joseph Brandão, fazem uma breve mas comovente resenha das altruístas acções do benfeitor José Narciso Monteiro, apóstolo do bem-fazer, relatando as suas doações em prole dos necessitados, da freguesia de Padornelo e do concelho de Paredes de Coura.

 

    Realço aqui, com especial ênfase, a entrega de 22 contos de réis (22.000$00), «para a construção de um novo e bem localizado cemitério». Por isso mesmo, uma anterior Junta de Freguesia aprovou e mandou colocar no muro daquele chão sagrado uma lápide com o nome deste benemérito, para lembrança futura.

 

    Mas infelizmente, pelas linhas travessas da vida e baldões da humanidade, tal placa evocativa acabou por falecer nos esconsos gavetões da Capela de Nossa Senhora das Angústias, a soterrar uma memória merecida. Um dia contarei melhor essa história, a da lápide. Hoje vamos ao artigo em questão:

 

AO BENEMÉRITO JOSÉ NARCISO MONTEIRO

 

    Na educação cívica do povo a imprensa tem um factor especial, quando bem orientada na missão de homenagear os que ao Bem-Fazer tributam cultos pela acção dos actos benemerentes.

 

    A sociedade eleva-se, renova-se e aprimora-se, sabendo render os seus preitos de veneração aos que se destacam por feitos altruístas, espalhando benefícios sobre a colectividade, ajudando as casas de beneficência, aonde a Caridade tem os seus arraiais efectivos para abrigo e socorro dos desprotegidos da fortuna.

 

    Assim, o «O COURENSE», na sua edição de hoje, ufana-se por ter ensejos de ilustrar as suas páginas com o retrato do Ex.mo Snr. José Narciso Monteiro, cujos rasgos da mais alta benemerência o colocam em principal lugar na galeria dos benfeitores nossos compatrícios.

 

    Suavizar dores, abafar gemidos, estancar lágrimas, levando às casas caritativas os meios pecuniários para que os bálsamos não escasseiem às desgraças que as misérias humanas geram e produzem, é demonstrar a posse de uma alma perfeita, aonde o altruísmo tem guarida permanente e as virtudes generosas igualmente se acumulam.

 

    O Ex.mo Snr. José Narciso Monteiro, o venerando octogenário, nasceu na freguesia de Padornelo, deste concelho [de Paredes de Coura], em 9 de Janeiro de 1839, sendo seus pais Manuel José Monteiro e Sebastiana Maria Mendes, modestos e honrados lavradores.

 

    O nosso biografado herdou assim as noções do trabalho probo, tendo seguido para o Rio de Janeiro em 1854, aos 15 anos, empregar a sua actividade nessa imensa fornalha de labores rudes e ingratos que ao tempo era a capital do Império Brasileiro.

 

    As labutas comerciais empolgavam a vida do jovem emigrante e no batalhar constante conseguiu sair vitorioso, retirando para o seu torrão natal e definitivamente em 1903, quase passado meio século de ardoroso labutar.

 

    Dando margens à fé cristã em que foi educado, a imagem da Virgem, que tantas vezes – a ao longe – amorteceu os ímpetos cruéis da nostalgia pela mãe-pátria, teve um santuário condigno, pois em 1915 foi inaugurada a linda capela e vasto adro mandados erigir em honra da senhora das Angústias em pitoresco local na paróquia de Padornelo.

 

    A amizade e os carinhos que nutria pela família descendente dos seus irmãos paternos, levou-o à distribuição de 55.000$00 [cinquenta e cinco mil escudos] a cada um dos seus sete sobrinhos, ficando quatro delas com o encargo anual de contribuírem com 100$00 [cem escudos] para a festividade da Senhora das Angústias, cuja realização tem lugar no primeiro domingo do mês de Julho de todos os anos, beneficiando ainda a sobrinha snr.ª Especiosa de Jesus Monteiro, esposa do hábil artífice, snr. António Inocêncio Alves, com 5.800$00 [cinco mil e oitocentos escudos] para a construção de um caminho calcetado no local de Além-do-Rio, para fácil e segura serventia do engenho de serrar e moinhos àqueles pertencentes.

 

    As reparações na igreja matriz de Padornelo efectuadas há pouco, foram também subsidiadas com 2.000$00 [dois mil escudos] pelo lídimo courense, assim como fez entrega da quantia de VINTE E DOIS MIL ESCUDOS (22.000$00), para a construção de um novo e bem localizado cemitério, retiro sagrado aonde os comparoquianos do respeitável cidadão encontram jazida decente.

 

    E para cúpula daqueles nobres actos de Bem-Fazer, o generoso e grande benemérito retira parcelas da sua abençoada fortuna para mitigar as amarguras dos que precisam acolher-se nas faldas da bandeira dos socorros públicos, contemplando a Santa Casa da Misericórdia, desta vila, com o importante donativo de 40.000$00 [quarenta mil escudos], com o único encargo de anualmente entregar 300$00 [trezentos escudos] para a festividade das Angústias.

 

    Os pobres a quem a idade e os achaques impedem o deslizar de uma vida normal, têm naquele avultado auxílio monetário uma garantia de um certo conforto a desanuviar as infelicidades que os acometam neste vale de lágrimas, devendo pronunciar o nome do Ex.mo Snr. José Narciso Monteiro com palavras da mais intensa e maior das gratidões, mostrando o perdurável reconhecimento que devemos ter por feitos de tão assombrosa benemerência, principalmente nestes tempos nefastos para instituições de Caridade.

 

    As orações inocentes balbuciadas pela infância desvalida devem também subir aos céus como votos frementes pela perene ventura do nosso homenageado, que, não esquecendo os pequeninos, contemplou com 6.000$00 o Asilo de Nossa Senhora da Conceição, essa simpática casa de Caridade que entre nós ostenta e vive com muitas dificuldades de toda a ordem.

 

    Que mais dizer? A eloquência dos números que aqui ficam estampados, falam mais altonisantes de que as palavras elogiosas que soubéssemos escrever, dispensando encómios de maior vulto, porque os factos assinalados cantam solenemente a nobreza do carácter que exorna o grande Benemérito, Ex.mo Snr. José Narciso Monteiro!

 

    Pela sua parte «O COURENSE», beija as mãos generosas do venerando cidadão, sentindo a modéstia que imprima a esta singela, sincera e digna homenagem.

 

A Redacção [Manuel Augusto Pereira Bacelar e Joseph Brandão] 

 

Notícia do jornal O COURENSE, 4.º ano, n.º 146, de 28 de Julho de 1928, página 2.

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