Blogue acerca da terra, das pessoas, dos costumes e da História de PADORNELO, freguesia do concelho de Paredes de Coura, distrito de Viana do Castelo, publicado por JOFRE DE LIMA MONTEIRO ALVES.

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Quarta-feira, 20 de Setembro de 2006

Padornelo no “Portugal Antigo e Moderno: Dicionário”, de Pinho Leal

    PADORNELO[1] – freguesia, Minho, concelho de Coura, comarca de Valença, 48 quilómetros a NO de Braga, 405 ao Norte de Lisboa. Tem 180 fogos. Em 1757 tinha 146 fogos. Orago: Santa Marinha, virgem e mártir. Arcebispado de Braga, distrito administrativo de Viana.

                                      

    Os Viscondes de Vila Nova de Cerveira apresentavam o abade que tinha 130$000 réis de rendimento[2]. Tinha mais, uma abadia simples[3], de apresentação da Casa de Bragança, que rendia 85$000 réis anuais. Esta segunda abadia, tinha sido dos Marqueses de Vila Real, que a perderam (com a vida) em 1641, por traidores à Pátria[4].

                                 

    Há nesta freguesia a capela do Senhor Ecce Homo[5], principiada em 1779[6], e ainda não está completamente acabada[7].

                                        

    É terra fértil e cria muito gado de toda a qualidade. É abundantíssima de caça, grossa e miúda, e tem algum peixe do rio Coura, que lhe fica perto[8]. Também recebe peixe do rio Minho, que lhe fica a Norte[9].

 

LEAL, A. Pinho – Portugal Antigo e Moderno: Dicionário, 1.ª edição, Lisboa, Livraria Editora Tavares Cardoso & Irmão, vol. VI, 1875, p. 404.

 

 



[1] Pretendem alguns que o seu nome é um diminutivo de padrão. A moderna etimologia tem outra explicação para este topónimo: vem de petruono, termo celta e anterior aos romanos, derivado de petru, que queria dizer quatro, e portanto significa a quadrícula, ou quadrado onde se cruzavam quatro caminhos, a encruzilhada. Era a terra onde se encontravam em cruzamento as linhas de comunicação.

                                   

[2] No século XVI tinha 30$000 réis de rendimento.

                                          

[3] O usufruto da abadia com direito de apresentação sofreu algumas oscilações ao longo dos tempos. No século XVI o direito de apresentação do abade com cura pertencia a diversos leigos, que por cessões sucessivas no primeiro terço de Quinhentos cederam-no à Casa dos Viscondes de Vila Nova de Cerveira, facto que se manteve até, pelos menos, ao século XVIII. A outra metade do direito de abadia sem cura com um simples benefício era da apresentação dos frades do mosteiro de Ganfei, direito que passou depois à Casa dos Marqueses de Vila Real até à fatídica conspiração de 1641. Nessa ocasião foi anexada à Casa Real de Bragança, donde transitou para a Casa do Infantado.

                               

[4] A Casa de Vila Real era verdadeiramente poderosa. Basta lembrar que lhe pertenciam os seguintes títulos nobiliárquicos e outros hereditários: Conde de Vila Real, Marquês de Vila Real, Duque de Vila Real, Conde de Alcoutim, Conde de Valença, Duque de Caminha, capitão-donatário de Ceuta, senhorio da vila de Caminha, senhorio e jurisdição de Valença, senhorio e jurisdição das terras de Valadares, alcaidaria-mor de Leiria, e demais honrarias que não cabem nestas linhas. D. Luís de Noronha e Menezes, que era 9.º Conde de Vila Real, 7.º Marquês de Vila Real, 6.º Conde de Alcoutim, 7.º Conde de Valença, 9.º capitão-general donatário de Ceuta, 7.º alcaide-mor de Leiria, Senhor de Valença, Senhor de Caminha, Senhor de Valadares, membro do Conselho de Estado, etc., foi executado e morreu degolado em Lisboa a 29 de Agosto de 1641, por ter tomado parte na conspiração do arcebispo de Braga D. Sebastião Matos de Noronha contra a vida do Rei D. João IV. Todos os bens desta abastada casa foram confiscados para a Coroa que com eles criou a Casa do Infantado para o filho segundo do Rei. Os benefícios religiosos que pertenciam a esta casa fidalga por via do Condado de Valença, foram assim incorporados na novel instituição, a referida Casa do Infantado, e de entre eles o benefício simples sem direito a cura da igreja de Santa Marinha de Padornelo.

                                                                            

[5] A freguesia tem as seguintes capelas: capela do Senhor Ecce Homo, no lugar do Tojais, do século XVII; capela de Nossa Senhora do Amparo, no lugar do Sobreiro; capela de Santiago, no limite divisório com a vizinha freguesia de Parada; capela de Nossa Senhora das Angústias, no lugar das Angústias, particular até 1973.

                                                      

[6] O padre dr. Narciso Alves da Cunha na sua obra “No Alto Minho: Paredes de Coura” (2.ª edição, 1979, p. 512), afirma que esta data esta errada: «a construção desta capela começou em 1776». E acrescenta que no ano de 1779 «devia talvez, ser aberta ao culto».

                                                                   

[7] A capela do Senhor Ecce Homo ficou terminada com a construção da torre sineira, concluída em 1871.

                                                            

[8] O ribeiro dos Brunheiros ou de Lagido atravessa a freguesia vindo de Insalde até desaguar no rio Coura. Completam a hidrografia da localidade os regatos das Laceiras e do Boira.

                                                            

[9] Realizou-se até cerca de 1960 nesta freguesia a feira de Padornelo, no lugar dos Tojais, a segunda em importância do concelho, com a periodicidade quinzenal.

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