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PADORNELO

Blogue acerca da terra, das pessoas, dos costumes e da História de PADORNELO, freguesia do concelho de Paredes de Coura, distrito de Viana do Castelo, publicado por JOFRE DE LIMA MONTEIRO ALVES.

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10
Out11

SARGENTO ANTÓNIO JOSÉ VAZ

    António José Vaz nasceu no Sobreiro, lugar da freguesia de Padornelo, a 16 de Outubro de 1892, faz agora 119 anos. Era filho afeiçoado de Luís António Vaz, ferreiro, nascido em 1854 na freguesia de São Julião da Silva, concelho de Valença do Minho, e de Joaquina Rosa Dantas, lavradora, nascida em Padornelo em 1849; neto pela via paterna de Francisco José Vaz e de Narcisa Rangel; neto materno de Bento José Dantas e de Maria Isabel Barbosa. Tudo boa gente, na observância mais estrita aos ditames dos bons costumes.

 

    Recebeu as águas lustrais do baptismo na pia baptismal da Igreja Paroquial de Santa Marinha a 19 de Outubro de 1892, administradas pelo padre António José Barbosa, cura encomendado da paróquia, acolhido no regaço dos padrinhos José Luís Vaz, ferreiro, solteiro, morador no lugar de Lama, freguesia de São Paio de Mozelos, e de Deolinda Vaz, solteira, lavradeira, moradora no Sobreiro.

 

    Decidido a fugir à bigorna da pobreza franciscana que se topava a cada passo, foi incorporado no Exército em 1914, umas das datas mais nefandas para a História da Humanidade. Nesse ano rebenta o conflito que sepultou o mundo numa pavorosa tragédia de sofrimento, sangue e morte, fruto da demência humana, da ambição infernal e do imperialismo militarista. Milhões de jovens foram empurrados para o horrendo cataclismo mundial.

 

    No entrementes, progride na carreira militar, sendo promovido a segundo-cabo de Infantaria em 1915 e, no ano de 1916, a primeiro-cabo do Regimento de Infantaria n.º 3. Passa em marchas forçadas pelo campo de treinos de Tancos a fim de receber instrução de combate em guerra moderna, e ala para França.

 

    Mobilizado para a frente de batalha, a botar figura em uniforme de desfile, embarca em Lisboa a 22 de Abril de 1917, num comboio marítimo inglês com destino aos campos da Flandres, sendo colocado na 4.ª Companhia da Brigada do Minho do Corpo Expedicionário Português.

 

    A 2 de Dezembro de 1917 recebe os galões de segundo-sargento miliciano de Infantaria, devido à hábil proficiência demonstrada no baptismo de fogo contra o inimigo, onde foi notável a sua briosa galhardia naqueles caminhos ignorados de Cristo, a conter o coração aos saltos a fim de dar exemplo aos demais camaradas de armas.

 

    A 9 de Abril de 1918 os alemães lançam a contra-ofensiva da Primavera, uma mortalha cerrada de granadas, tiros de artilharia e gases letais, a ferro e fogo sobre as trincheiras lusitanas. A Batalha de La Lys foi uma página heróica e trágica nos anais da nossa presença nos campos da I Guerra Mundial, e nela o sargento António José Vaz mostrou a tenaz bravura da alma minhota, o fuzil em brasa a disparar sobre a horda germânica, a resistir valorosamente, enquanto ao redor a Divisão portuguesa era literalmente esmagada e milhares de combatentes jaziam mortos e feridos, varridos pelo rolo compressor da gadanha da morte.

 

    Dado como desaparecido em combate, foi capturado e internado como prisioneiro de guerra no campo de Munster II, na Alemanha Imperial. Durante longos e penosos nove meses vai amargar as penas do Diabo, sob o açoite da fome de lobo faminto, até ser libertado a 16 de Janeiro de 1919. Desembarca em Lisboa a 28 de Janeiro de 1919, depois de 21 meses de ausência, corroído de saudados e maleitas. Porém a vida contínua, apesar de tudo, regressa ao quartel do Regimento de Infantaria de Viana do Castelo.

 

    Enquanto isso, sua mãe faleceu no Sobreiro a 8 de Outubro de 1925 e o pai entregou a alma ao Criador a 23 de Junho de 1930. O nosso antigo combatente da Grande Guerra, homem maduro, a cabeça alva de cãs dos 50 anos, casou na Igreja Paroquial de Santa Maria Maior, em Viana do Castelo, a 24 de Dezembro de 1942, com Isaura Antunes de Abreu, nascida em Viana do Castelo em 1898, filha natural de Alzira de Jesus Abreu. Por este casamento foram legitimados os filhos José Antunes Vaz (nascido a 21 de Janeiro de 1933), Amélia da Conceição Antunes Vaz (nascida a 23 de Maio de 1936) e Gualdino Antunes Vaz (nascido a 30 de Setembro de 1942).

 

    Passou os umbrais da eternidade ao falecer em Santa Maria Maior, freguesia da cidade Princesa do Lima, despede-se da vida presente a 18 de Abril de 1967, com a patente de primeiro-sargento reformado de Infantaria. Contava 75 anos de idade, consumidos ao serviço da Pátria e do Exército, arvorado figura maior da história da nossa freguesia.

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