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PADORNELO

Blogue acerca da terra, das pessoas, dos costumes e da História de PADORNELO, freguesia do concelho de Paredes de Coura, distrito de Viana do Castelo, publicado por JOFRE DE LIMA MONTEIRO ALVES.

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Nov11

CÂNDIDA, 97 ANOS E UM VALE DE LÁGRIMAS

    A fotografia desta página foi tirada no dia 16 de Outubro [de 2011], na sede da Associação de Padornelo, aquando da desfolhada à moda antiga. A tia Cândida, como é carinhosamente tratada, reconhece-a e partilha connosco o momento: “Estava toda a gente ocupada, naquela hora, e perguntaram-me se eu podia pegar um bocadinho na menina. Eu disse-lhes que isso nem se perguntava, claro que sim, até ficava com ela, se fosse preciso. Depois peguei nela, pu-la um bocadinho ao alto e tiraram-nos a fotografia”, remata com um sorriso terno.


    Cândida Barreiro de Sousa e Francisca Rodrigues Soares têm em comum o facto de serem as mais novas habitantes de Padornelo, mas estão separadas por 95 anos de idade.


    Como dar lugar aos mais velhos foi da minha criação, começo por dizer que a tia Cândida é uma senhora, viúva, que anda nos 96 anos de idade e que mora, há poucos meses, no Lugar de Covas. Apesar das saudades, sente-se bem na casa do Zé Manel e da Justina e passa os dias no Centro de Dia de Padornelo, “lá onde se guarda a gente”. Apesar da expressão, é com carinho que se refere a todas as pessoas que lá trabalham, dizendo que gosta delas e que elas gostam de si. O resto do tempo é dedicado à oração, às memórias do passado e ao contacto com a família, de quem muito se orgulha, sobretudo do seu filho Jorge, várias vezes mencionado.


    A tia Cândida, que nasceu em Castanheira, diz que a sua vida tem sido “um vale de lágrimas”, pois viu morrer-lhe a mãe, quando tinha pouco mais de dezassete anos, e o primeiro marido, dez anos depois, após dois anos de casamento, vividos em Bico.


    Regressou a casa do pai e encarregou-se de criar uma sobrinha, atendendo ao pedido da cunhada que, já no leito da morte, lhe implorou: “Cria-me a menina, que eu não tardo em ir por aí abaixo puxada a quatro”. E assim foi.


    Cinco anos mais tarde viria a casar com o seu primo Ilídio, depois de uma mulher lhe ter lido o destino nas cartas. Recuemos. É que na sequência de uns desaparecimentos na salgadeira, a tia Cândida tinha decidido, juntamente com a avó do seu falecido marido e com a irmã, procurar uma mulher que deitava as cartas, ali para as bandas da Senhora da Irijó. A dita senhora disse-lhe que ia voltar a casar e que o futuro marido lhe ia entrar pela porta adentro com uns papéis na mão. A tia Cândida voltou para casa pouco crente naquelas palavras, mas o certo é que dali a quinze dias o seu primo foi lá a casa com uns papéis, para lhe falar de uma excursão à Senhora da Saúde. E esta, hein?


    Foram tempos difíceis e é com mágoa que recorda as cornetadas de que foi alvo na altura, “sem ter cometido nenhum pecado”. “Chorei aquilo tudo”, recorda tristemente.


    Tempo depois casava e os seus olhos voltam a toldar-se para falar da morte do filho, com apenas mês e meio. “Custa-me a andar, que a idade é muita”, diz neste momento, mas levanta-se para ir buscar um saco de onde tira uma fotografia e duas estampas. “Também me morreu uma menina, com oito anos. Está aqui nesta fotografia, com o irmão pela mão. Ela tinha quatro anos e o Jorge, dois. Quando eu morrer, quero levar esta fotografia no meu coração”.

 

    Ficámos também a saber que um terceiro filho lhe viria a falecer, já adulto, na cidade de Lisboa, tendo a missa do seu 7.º dia coincidido com o seu 56.º aniversário [dele].


    A outra estampa que tem na mão é de Nossa Senhora do Sameiro, de quem é muito devota. “Nossa Senhora não permitiu que eu morresse, porque eu ainda não tinha os anjinhos, que agora estão no Céu, a pedir por mim. Não acha?” Aceno-lhe que sim e apercebo-me de que nunca tinha falado com ninguém com tanta idade.


    A tia Cândida lembra-se de ter feito parte da Juventude, na Igreja, durante 7 anos e de terem ganho dinheiro para o primeiro harmónio. Olha para nós e diz: “Sei cantar a missa em latim, que vocês se a ouvissem não percebiam uma palavra”. E rezou o credo, tendo cantado os dois versos finais.


    Hoje em dia, tem uma grande devoção pela Imaculada Conceição, a quem reza: “Ó Virgem da Conceição, pediste a quem vos invocasse, 150 vezes ao dia, pois agora é a ocasião: ó Virgem da Conceição, pedi ao vosso querido Filho, Pai-nosso, por nós, amén”. Reza-se 5 vezes o Pai Nosso e repete-se 10 vezes “Ó Virgem da Conceição, valei-me!”.


    Esta riqueza está toda na sua memória, porque, como disse, “Não conheço uma letra do tamanho de uma mesa”. Até é possível que a sua memória tenha atraiçoado alguns dos pormenores contados, mas isso não é o mais importante. “São histórias todas verdadeiras”, assegura e promete que, se lá voltarmos, muitas mais nos contará.

 

 

A MENINA DA FOTO

 

   Voltando à menina da fotografia, começo por dizer que a Francisca mora no Lugar de Senrelas, com a tia Gusta, os seus pais e a irmã. Tem quase sete meses e é a segunda filha de Rui Soares e Júlia Rodrigues. É uma bebé sossegada, alegre e já frequenta a Creche em Mozelos, um serviço muito elogiado pela família.


    A Júlia já se sente de Padornelo, mas veio de Taião, Valença. Hoje é uma esposa e mãe dedicada, assume algumas responsabilidades na paróquia e trabalha em Formariz, na Kiaya. O Rui, por sua vez, é um chefe de família igualmente bem-disposto e atento às solicitações da paróquia. Trabalha no ramo da construção civil, numa empresa sediada em Monção.


    A irmã da Francisca é a Lara. Está agora no primeiro ano de escolaridade, gosta das aulas de música, já sabe contar até 5 em Inglês e, segundo vimos, tem uma letra muito bonita. À Francisca e a toda a família desejamos um futuro muito promissor.

 

Carla Lima

 

NOTÍCIAS DE COURA, edição n.º 195, de 15 de Novembro de 2011, p. 9.

 

http://www.noticiasdecoura.com/index.php?pag=noticia_detalhes&recordID=4960

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