Blogue acerca da terra, das pessoas, dos costumes e da História de PADORNELO, freguesia do concelho de Paredes de Coura, distrito de Viana do Castelo, publicado por JOFRE DE LIMA MONTEIRO ALVES.

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Segunda-feira, 19 de Dezembro de 2011

GRUPO ETNOGRÁFICO DE PAREDES DE COURA

GRUPO ETNOGRÁFICO DE PAREDES DE COURA PRESERVA TRADIÇÕES DO ALTO MINHO

 

«A lavoura tem nesta região, um feitio característico e pouco usado noutras partes do país. O seu “modus faciendi”, torna o amanho menos fatigoso, chegando, ás vezes a ser festivo por ser “ de favor “.É a prática de mutualidade de serviços, onde vizinhos e outras pessoas prestam o seu serviço, esperando que essa pessoa também as ajude quando necessitarem.»

Narciso Alves da Cunha in ”No Alto Minho, Paredes de Coura”

 

    É dentro deste espírito de cooperação mútua que a Associação Cultural Recreativa e Desportiva de Paredes de Coura (ACRDPC) tem exercido as suas funções. Durante os seus 35 anos de vida, esta instituição de cariz cultural e social tem vindo também a praticar a mutualidade de serviços.

 

    Desde a sua fundação em 1976, a ACRDPC tem oferecido à comunidade courense e também à região alto-minhota um leque de actividades e serviços, onde apenas espera como recompensa o reconhecimento do seu trabalho, e a valorização da sua obra social, cultural e desportiva.

 

    Esta colectividade não quer separar-se do meio que a envolve, o Alto Minho Interior, sendo assim há uma contínua procura desde a sua fundação até aos dias de hoje, de tudo o que é típico desta região. Neste trabalho realizado por quase todos os seus membros, há uma recolha de tudo que estava a cair no esquecimento, como é o caso de canções, danças, lendas, jogos populares, orações antigas (que demonstram o fervor da crença das gentes do Minho), de processos antigos de agricultura e principalmente de trajes já caídos em desuso (principalmente do século XIX).

 

    Este trabalho de recolha de trajes antigos é executado em todas as freguesias courenses, refira-se que já foi possível recuperar (apesar dos acentuados custos) dois tipos de trajes antigos de grande valor, que foram os trajes dos Senhores da Casa do Outeiro (Agualonga) e ainda dos Viscondes de Mozelos.

 

    Devido a esta recuperação tanto a geração presente como a futura poderá ter acesso a tudo o que já foi usual, a tudo o que já fez movimentar a sociedade de antanho e é este também um dos grandes objectivos desta associação, ou seja, a ACRDPC pretende deixar um vasto e variado legado às gerações vindouras.

 

    Paredes de Coura, foi um concelho essencialmente agrícola, onde predominava a lavoura dos cereais, usufruindo assim do cognome de “Celeiro do Minho”, devido à sua actividade agrícola, e é à volta desta actividade que todo o nosso trabalho de recolha incide principalmente, mas não é caso isolado.

 

    Também a arqueologia tem lugar dentro das nossas actividades, e como o concelho é rico a nível arqueológico, a associação tem vindo a conseguir excelentes trabalhos de investigação e procura de materiais arqueológicos. Esta actividade teve mais vigor nos primeiros anos da ACRDPC.

 

    A nível social, a colectividade tem vindo a exercer uma acção deveras exemplar, com a prestação de variadíssimos serviços à comunidade courense. Esta instituição já teve a seu cargo o transporte quer de jovens (de suas casas para o infantário, escolas e diversos locais e vice-versa), quer de idosos.

 

    Para usufruto dos seus sócios, e de toda a comunidade, a ACRDPC possui uma biblioteca que contém colecções, alguns estudos e trabalhos que poderão ser solicitados para consulta. Esta biblioteca é composta por livros adquiridos pela instituição e por ofertas.

 

    Na sua sede social, funciona o núcleo de informática courense, secção pertencente á ACRDPC, onde principalmente os mais jovens, usufruem desse espaço e de todo o equipamento necessário.

 

    No patamar da animação cultural, o teatro tem um papel primordial. No passado houve formação e o ensino das artes teatrais a novos formandos. Assim sendo, foram encenadas grandes obras teatrais, como por exemplo: ”Frei Luís de Sousa” de Almeida Garrett. Desta forma há uma ocupação dos tempos livres, e leva-se, em especial os mais novos, a uma valorização da cultura.

 

    Também a dança rítmica, o bailado, é uma das actividades da associação, onde os membros mais jovens conseguem realizar grandes espectáculos de animação, satisfazendo grandemente o público que assiste a estes espectáculos.

 

    Mas os dois grandes embaixadores desta associação, logo da cultura courense e da alto-minhota, são o Grupo Coral e o Grupo Etnográfico.

 

    O Grupo Coral, data da fundação da associação em 1976 e desde então até 1986 (data da inactividade) abrilhantou diversos actos culturais e não só. Com efeito, o grupo coral contava com um extenso palmarés de actuações. O coral participou em diversos actos institucionais e oficiais, deixando a sua presença bem marcada em quem o ouvia. A sua acção também se prolongava ao campo religioso, onde efectuou algumas recolhas nessa área. Aquando de um trabalho de recolha e investigação nuns antigos baús pertencentes às Senhoras da Casa do Outeiro, foram encontradas umas valiosas partituras musicais, nas quais estava incluído o Hino de Paredes de Coura, que de imediato o Grupo Coral tratou de ensaiar e de apresentar ao público. Hoje em dia, por todos sobejamente conhecido, esse hino passou a ser mais um dos símbolos de Paredes de Coura.

 

 

Grupo Etnográfico – 28 anos

    Foi em 1983, por altura das festas concelhias locais, que o Grupo Etnográfico se deu a conhecer. Inspirado no extinto Grupo Folclórico Miguel Dantas, o Grupo Etnográfico procurou uma recolha fiel de danças, de canções e de trajes do concelho de Paredes de Coura, sendo esse trabalho contínuo. Tem participado em inúmeros festivais, dentre os quais refira-se o Festival Folclórico do Alto Minho. O Grupo Etnográfico foi responsável pela organização do segundo festival (1992), que se veio a lograr um verdadeiro êxito, e pelo do corrente ano (realizou-se em Junho último).

 

    Quando é chamado para actuações para festas e diversos actos de instituições públicas e de solidariedade social da região, nunca nega a sua comparência, e está sempre presente quando é necessário.

 

    Já participou em várias gravações: áudio e também vídeo, possuindo uma gravação em cassete áudio com todos os temas do seu repertório. O grupo é composto por dançarinos, tocadores, cantadeira, cantadores, coro e também figurantes.

 

    Como exemplos do seu repertório, mencione-se: chula de Paredes de Coura, malhão de Paredes de Coura, chula dos montes, e em especial uma dança muito apreciada por todos os que a vêem a ser executada: o fandango de Paredes de Coura, que é uma dança de bailado por excelência entre homem e mulher. A forma como a tocata realiza o número e a forma rítmica como os pares executam as danças, conferem-lhe um estatuto especial entre as danças deste grupo.

 

    O Etnográfico conta com diversas actuações na região, por todo o país e estrangeiro. Como se pode ver o grupo é um digno embaixador da cultura courense, da cultura minhota, e da cultura portuguesa.

 

    Em todas estas actividades desempenhadas, o principal objectivo é o reconhecimento do seu trabalho, e a alegre confraternização de todos os seus membros. 

 

“No final do trabalho, depois de ingerida frugal refeição organiza-se o bailarico, a dança, e saracoteia-se, animadamente, o vira, o fandango espanhol.”

Narciso Alves da Cunha in ”No alto Minho, Paredes de Coura".

 

Traje de Noivos - "Visconde de Mozelos"

 

Homem – Fato preto, camisa e meia branca, sapato preto de cordão e chapéu.

Senhora – Saia e casaca preta com barra de veludo bordada a lantejoulas e vidrilhos, com rendas nos punhos; avental de veludo com renda e bordado a missangas; lenço de cabeça de seda branco; chinelas pretas de couro; no braço um xaile preto de franja. Em dias de sol era usado com uma sombrinha branca.

 

Traje de luxo – Senhora da Casa do Outeiro

Homem – calça preta; camisa branca com gola de trincha, bordada nos punhos, e na frente a "espinha de peixe", em vermelho e azul escuros; casaca preta com duas fiadas de botões brancos; meia branca com sapato preto ou botins, em couro.

Senhora – saia preta, geralmente comprida, com barra de veludo bordada a vidrilhos; avental de veludo bordado e com rendas; blusa branca com gola redonda com os punhos rematadas a rendas; casaca preta bordada a missangas; chinelas pretas com meia branca rendada.

 

Traje domingueiro ou de ir à Feira de Paredes

Homem – calça preta, camisa branca de trincha bordada nos punhos e na frente; colete preto sendo as costas de fazenda quadrejada; sapato preto e meia branca;

Senhora – saia preta comprida com barra bordada; blusa branca; colete de tecido fantasia ornado a fita algodão de cor a condizer, justinho no corpo, apertando na frente com cordões de algodão; lenço de merino ou chinês; chinela preta com meia branca; podem usar pequenas cestas ou condessas.

 

Traje de Trabalho

Homem – calça de estopa ou de cotim, camisa de riscado; calçavam socos abertos de pau e couro, com ou sem meias de lã;

Senhora – saia de chita ou riscado, comprida; blusa também de chita; avental a condizer; socos de pau e nos trabalhos, em dias de sol, usavam os chapéus de palha.

 

Texto e fotos de Eduardo Cerqueira

 

Grupo Etnográfico de Paredes de Coura

 

acrdpc@gmail.com

 

 

Temas:
publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 09:00
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