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PADORNELO

Blogue acerca da terra, das pessoas, dos costumes e da História de PADORNELO, freguesia do concelho de Paredes de Coura, distrito de Viana do Castelo, publicado por JOFRE DE LIMA MONTEIRO ALVES.

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Dez06

HISTÓRIA BREVE DO NATAL

    Por que celebrámos o Natal, nesta data, independentemente da realidade histórica? Antes de mais, convém relembrar que os povos e as igrejas do Oriente europeu celebram o dia do nascimento do Menino Deus a 6 de Janeiro, na chamada festa da Epifania, as aparições ou manifestações do Senhor. Até ao século IV, nesta data celebravam-se três comemorações distintas: a do nascimento de Cristo, a da sua adoração pelos Reis Magos e a do seu baptismo.

 

    Contundo, em Roma, e a partir do século IV, em data anterior, embora próxima ao ano de 336, esta festa passou a ser celebrada a 25 de Dezembro, e assim permaneceu até hoje na área de influência da Igreja Católica Romana, enquanto que na zona do Império Romano do Oriente ou do Império Bizantino permaneceu a antiga prática de festejar tal evento a 6 de Janeiro.

 

    O mais antigo documento conhecido que fala do Natal, festejado a 25 de Dezembro, é o “calendário filociano”, publicado por Furius Philocalus em 354.

 

    Na Bíblia não se encontra qualquer referência precisa à data de nascimento de Cristo, o que motivou apuradas buscas e debates teológicos intermináveis. Teólogos, astrónomos, historiadores, foram chamados a intervir, a fim de encontrar uma equilibrada solução.

 

    Uma das soluções apontadas, de natureza simbólica e astronómica, é deveras complexa. O nascimento de Cristo deveria ser estabelecido a partir do momento da sua concepção, e esta a partir da data presumida da sua morte. Ora, o Mundo, segundo os cálculos astrológicos de então, tinha sido criado no equinócio de Março, mais precisamente no dia 25 de Março, data aceitável para os primeiros cristãos.

 

    A Páscoa judaica, enquanto festa móvel, era por vezes festejada nesse dia, e assim se proclamou a notável coincidência de Cristo ter morrido no dia da criação universal, facto extraordinário. Acrescentado nove meses exactos ao período da gravidez de Maria, Nossa Senhora, achou-se, miraculosamente, a data de 25 de Dezembro para ser o nascimento de Jesus Cristo, cujo simbolismo foi determinado pela lógica dos números perfeitos.

 

    Porém, a explicação talvez seja menos mística e mais prosaica. Uma das solenidades mais expressivas do calendário romano era o Natale Solis Invict, a festa do solstício do Inverno, dedicada a glorificar o deus Sol, cujos raios de luz prevalecem dobre a escuridão.

 

    O culto ao deus solar Mitra é antiquíssimo, e nasceu há 9 mil anos entre os povos indo-arianos e persas, para quem era a divindade da luz, o protector da verdade e mediador dos destinos entre os humanos e os restantes deuses, sendo, também, o juiz das almas, que se transformou por evolução e com o andar dos tempos num grande e supremo deus. Os gregos antigos adoptaram o culto de Mitra, e daí foi disseminado por todo o Império Romano.

 

    Há 4000 anos os mesopotâmios realizavam um festival de fim de ano dedicado ao deus Sol, com a duração de 12 dias, no qual a população ajudava de modo activo os seus deuses a fim de vencerem os mostrengos do caos e a crise que representava o Inverno, com a finalidade de preservar a vida. Em Roma, onde esta festividade recebeu o nome de Saturnalia, os participantes trocavam entre si pequenos presentes que representavam a promessa de fertilidade.

 

    Já em pleno cristianismo, o povo romano festejava, firmemente, esta cerimónia de maneira intensa, vencendo a resistência do clero, que queria, logicamente, acabar com o resquício deste persistente culto pagão. Como, quando não se pode vencê-los, temos que nos juntar a eles, foi o que fez a alta clerezia romana.

 

    Determinou a Igreja que esta data, cuja festividade já estava sobejamente arreigada nos costumes ancestrais, fosse, então e de modo oportuno, dedicada ao nascimento de Cristo, de molde a substituir paulatinamente o significado da festa pagã, por uma festa cristã. Até, porque, Cristo era, segundo os Evangelhos, a verdadeira Luz do Mundo.

 

    Esta razão transfigurou o Natale Solis pagão no Natal cristão, numa festa primordial da Igreja Cristã, essencial e a par da festividade da Páscoa. Para juntar a este dado importante, era significativo o facto do culto de devoção pagã aos imperadores romanos, os quais se faziam venerar como a verídica encarnação terrena do deus Sol invicto, ser também festejado no dia 25 de Dezembro. Duma penada, a igreja, desvalorizou as festas pagãs do solstício do Inverno e o culto à figura do imperador, na medida em que passou a apropriar-se da solenidade do dia.

 

    Muitos teólogos consideravam e comparavam a figura de Cristo ao Sol, o astro. S. Cipriano, ilustre bispo da Igreja Latina do século III, dizia que Jesus era «o verdadeiro Sol», enquanto que Santo Ambrósio, dos mais célebres entre os padres e doutores da Igreja Cristã ocidental do século IV, via nele «o novo Sol». Por exemplo, na antiga liturgia, não sei se ainda em vigor, no hino de laudes da vigília de 25 de Dezembro cantava-se loas ao «Salvador do Mundo que se levanta como o Sol», com a qual «grande luz vem iluminar a Terra».

 

    A partir de Roma, com alguma e menor resistência, o culto alargou pelas demais igrejas e no século V acrescentou-se a missa de Natal. Nos tempos do Papa Sisto III, ali ao redor do ano 435, na basílica em honra à Virgem Maria de Esquilino foi construída uma capela a simular a gruta de Belém, com o nome de Praesepium, o Presépio.

         

    Aqui nasceu o culto da missa de Sancta Maria ad Praesepe celebrada pelo fim da noite, ao cantar do galo, baseada na tradição grega. Como a celebração entrava pela madrugada dentro e colidia com o reconfortante sono, foi, aos poucos, acautelada para a meia-noite.

 

    Com a reforma litúrgica do Papa Pio X (1903-1914), o tempo natalício a contar desde o Advento termina com a oitava da Epifania, a 13 de Janeiro. A partir das tradições romanas e germânicas, tornou-se na Festa da Família, pese embora esta no calendário litúrgico ser celebrada a 30 de Dezembro.

 

    O presépio é uma tradição inicialmente franciscana, divulgada a partir de 1223 e que rapidamente se espalhou por toda a cristandade, como acto simbólico do nascimento de Jesus.

 

    A árvore de Natal, um pinheiro, árvore resistente cuja forma de ponta virada ao céu personifica a aliança com o Sol, enfeitada com luzes a representar Cristo Sol, a luz do Mundo, uma tradição alemã do século XVI, foi introduzida em Portugal na segunda metade do século XIX por D. Fernando II (1816 + 1885), príncipe alemão e rei-consorte de Portugal entre 1837 a 1853. Do Pai Natal, nada sei, por ser uma americanice moderna, fruto da propaganda e dos interesses duma empresa de refrigerantes.

 

    Enquanto dizemos Natal, os franceses dizem Noel, os ingleses Christmas, os alemães Weihnachtenn, Navidad em Espanha e Natale na Itália.

 

    E pronto, boas-festas para todos.

 

 

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