Blogue acerca da terra, das pessoas, dos costumes e da História de PADORNELO, freguesia do concelho de Paredes de Coura, distrito de Viana do Castelo, publicado por JOFRE DE LIMA MONTEIRO ALVES.

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Quarta-feira, 13 de Março de 2013

A MÃE DE COURA

    "Teve a minha irmã as dores e digo, ó Micas, o que tens, 'vou ter o bebé'. Consoante vi fazer a mim faço a ti. A criança veio, fiz-lhe o cordãozinho. Dali começaram a chamar por mim". Gracinda é a mãe de Coura.

 

    Gracinda Cunha tem 89 anos frescos, não sabe ler nem escrever e não está para se cansar com contas. Partos feitos por ali por Padornelo e à volta, em Paredes de Coura e, até, em terras arcoenses, foram para cima de 100. Oito dela própria, no quartinho mal dividido por cortinas, ela, só, e uma cadeira. Ou a beirita da cama, ou da arca de madeira que guarda os segredos de uma vida. O Quim, o segundo de nove filhos, já foi ela. "Sozinha, eu e Deus Nosso Senhor. Ajeitei, numa cadeira assim, tinha uma travesseira por baixo, e puxei. Agarrei-lhe a cabecita e fiz-lhe o cordão". Mediu quatro dedos, era rapaz. A seguir, para a Micas, foram três, menina.

 

    Gracinda é a mãe de Paredes de Coura. "Quando vamos a festas à associação aqui de Padornelo", conta Maria Barbosa Vaz, mãe de três dos filhos da Tia Cinda, "ela diz: olha, os que aqui estão são todos meus!" Cinda, cabelo pintado de preto, cancro vencido, viuvez tranquila (ela, a mulher que dá vida, não usa negro pelo Zé Tamanqueiro levado pela diabetes), diz que ia se dessem as dores a uma de repente. Porque pelas suas mãos de fada passaram sempre boas horas.

 

    "O Quim às vezes ia comigo ajudar, punha-se atrás, à frente não! Punha os joelhos nos rins das mulheres e elas agarravam-se ao pescoço do Quim, a puxar". Houve também aquela que não se queria sentar e pariu de pé, encostada à parede. E o dia pior, da comadre que tinha vergonha. "Eu não via nada, punha um lençol". Sem levar dinheiro. O doutor Oliveira, da vila, quis fixar um preço para os serviços de Gracinda, mas ela não, antes preferia coisas para a casa.

 

Chá preto. Sempre

 

    Ela dava muito à pessoa. Maria, 59 anos hoje mesmo (parabéns, Maria!), confirma. Não esquece aquele dito, na hora difícil de lhe nascer o Luís Alberto. Veio o marido com a Tia Cinda, que era tarde, Maria a desanimar das forças. "Tu vês aquela gente toda na feira? Foi toda nascida e era assim!". E o moço lá apareceu, mas o diabo das livrações é que não, Maria a desfalecer, caiu mesmo, iam a sair na madrugada atrás de um doutor de Cerveira quando o destino fez as coisas. Era 1976, havia hospital mas Maria sempre teve medo dessas coisas, "sei lá".

 

    A irmã Felisbela, 69 anos e seis filhos vivos, também nunca foi fã. A primeira, Rosa, ainda nasceu na Misericórdia de Coura, que as dores foram dois dias e a cachopa não vinha. Felisbela, aguentada em braços pelo pai e pelo marido Amâncio, o homem que está à frente da Junta de Padornelo há 39 anos, foi a pé pelas leiras até à estrada nacional, onde esperava o taxista chamado pelo vizinho. Três filhos adiante, Pedro quis dar um ar de sua graça. Amâncio foi buscar a Tia Cinda de mota. Hora santa, o moço nasceu, ela foi lavá-lo e depois levou o chá de sempre, preto com manteiga, à estafada mãe.

 

    Um dia, Zé pediu-lhe para parar. Tia Cinda, carregada de anos de campo e gado e sapatos e partos, tem a medalha de mérito e a cara no livro das grandes mulheres da terra.

 

IVETE CARNEIRO

 

Publicado no JORNAL DE NOTÍCIAS, de 9 de Março de 2013

 

http://www.jn.pt/paginainicial/pais/concelho.aspx?Distrito=Viana%20do%20Castelo&Concelho=Paredes%20de%20Coura&Option=Interior&content_id=3097949&page=-1

publicado por Jofre de Lima Monteiro Alves às 09:45
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